Copa Feminina de Basquete 2014! Aonde? No YouTube!


Alguns canais tentam introduzir uma nova tradição esportiva no Brasil. Evidentemente não por amor à diversidade esportiva, mas sim às verbas publicitárias que advirão de novos campeonatos e o consequente barateamento dos custos de exibição de outros.

O canal SPORTV exibe com exclusividade o NBB, a versão nacional do campeonato de basquete, nos meses de novembro a maio e às vezes vaza para o canal livre – a Globo, dona do SPORTV – a abertura e a final. Por sinal no NBB 6 – 2013/2014, a abertura foi exibida com exclusividade na GLOBO, e só lá!

Eventualmente rola o Pan-americano e o campeonato de clubes. Mas, durante o NBB, mesmo com três canais a rede SPORTV no máximo exibe dois jogos por semana. Quando muito! Uma pena!

Já o ESPN, o ESPN Brasil, os canais da rede Bandeirantes e o SPORT + exibem o Campeonato Paulista, o Campeonato Europeu e a estrela do esporte, a NBA, o longo e lucrativo campeonato americano. Na exibição da NBA junta-se também ao menos um canal de reprises de filmes, o TNT.

Mas depois de maio cé fini! Quem gosta de basquete terá que esperar a nova temporada – todas ao mesmo tempo! Infelizmente!

Este ano tem a COPA masculina DE BASQUETE DA FIBA, desimportante no Brasil, especialmente em ano de COPA DE FUTEBOL, mas que será exibida no SPORTV em agosto.

A importância do campeonato é tamanha que sua versão feminina está sendo exibida no YouTube enquanto canais que não tem os direitos de exibir os jogos da COPA exibem filmes e depois VTs. Pelo jeito ninguém se interessou em exibir o campeonato. Deve haver um fundo de razão, pois as quadras/ginásios não estão exatamente lotadas…

No jogo do Brasil, então…

Eu assisti e confesso que fiquei fã de jogos sem narradores e sem estrelas artificialmente fabricadas. Sem narradores não há espaço para criar heróis e fica visível a falta de técnica e diria até o amadorismo de algumas seleções.

Veja o jogo China 44 vs Brazil 48 neste link e o canal da FIBA neste.

A Saga do Monstro do Pântano, Livro Um

A fase do escritor inglês ALAN MOORE na série americana THE SAGA OF THE SWAMP THING não tem no Brasil uma publicação tão confusa quanto, por exemplo, JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER ou PREACHER.

Basicamente toda a fase foi publicada pela Editora Abril (menos a edição #20 onde ele arruma as “Pontas Soltas” pelas tramas anteriores) nas séries OS NOVOS TITÃS, SUPERAMIGOS, SUPERPOWERS, BATMAN 2ª SÉRIE e O MONSTRO DO PÂNTANO. É depois que a confusão inicia.

Mas realmente havia bastante tempo que a série não era publicada de forma completa e contínua, algo que se supõe a PANINI COMICS pretenda fazer.

* * *

Convocado por Len Wein para manter a peteca em jogo do ressuscitado título do MONSTRO DO PÂNTANO, em exposição por causa de um filme de WES CRAVEN, ALAN MOORE (Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária) decidiu desconstruir o personagem. Jogou na terra o quê se sabia dele e construiu um personagem novo.

Basicamente o MONSTRO DO PÂNTANO era um CAPITÃO AMÉRICA que deu errado em uma narrativa de terror, enfrentando monstros, sádicos e alienígenas! Hum… ?!?

Nada a ver! (Será?)

Bem, vamos por partes. Conta ROBERTO GUEDES que os criadores de MONSTRO DO PÂNTANO e HOMEM-COISA (personagem da Marvel Comics) moravam no mesmo apartamento, bebiam juntos e trocavam ideias. As semelhanças entre os dois personagens são gritantes!

Em linhas gerais: um cientista é exposto a uma fórmula que estava criando após uma explosão! O cientista cai no pântano e ressurge como uma coisa ou um monstro (em inglês é MAN-THING e SWAMP THING, ampliando as coincidências ainda mais).

Na MARVEL o cientista estava tentando recriar a fórmula do supersoldado que havia dado origem ao Capitão América. Na DC o cientista estava tentando criar uma fórmula bio-restauradoura da flora.

Moore reconhece estas coincidências e diversas vezes quando se refere ao PARLAMENTO DAS ÁRVORES pede que o ilustrador mostre a imagem do Homem-Coisa. Mas o Parlamento é assunto para o futuro.

* * *

Moore pegou aquele conceito esdrúxulo e levou a outro caminho, que veremos em detalhes no volume dois, já que primeiro o autor inglês amarrou as “Pontas Soltas” pelos artistas anteriores (#20), depois afirmou que o MONSTRO não era Alec Holland (#21). Reintroduzindo o personagem Jason Woodrue (um vilão secundário do ELEKTRON e membro da SOCIEDADE SECRETA DOS SUPERVILÕES), Moore o faz dissecar o Monstro e tirar conclusões científicas sobre o quê encontrou a mando do industrial SUNDERLAND, inimigo do personagem naquela fase e que tencionava a posse da fórmula.

Irado com a revelação de que nunca foi Alec Holland, o Monstro mata Sunderland (#21), entra em coma (#22) onde questiona quem é. Claro, que com resquícios de histórias de heróis, ainda haveria o confronto entre o Alec (sim, ele não é Alec, mas é melhor que escrever MONSTRO toda hora) e Jason Woodrue, com direito a participação da Liga da Justiça da Era do Satélite nas edições # 23 e #24.

O trio final de aventuras (edições #25-27) brinca com o leitor. Primeiro aparentemente esquece a nova condição do personagem – ela está lá, mas não vira uma narrativa constantemente revista – e embarca em uma digna narrativa de horror moderno.

Influenciada por uma força oculta, um casal inadvertidamente invoca um macaco demônio. O demônio mata o casal e enlouquece o filho, que vai para uma instituição onde Abby Cable conseguiu emprego. Por sinal o casamento da moça vai mal e Matthew tem apresentado um estranho domínio de seus poderes (#20 e #22), além de uma tendência ao alcoolismo e o sadismo. Estaria o jovem delirando, manifestando poderes místicos ou poderes científicos ou ainda sendo influenciado por uma força externa? Se sim, qual força? Seria o distanciamento de Abby de seu esposo e a constante tentativa de estar ao lado de Alec um indício de algo que aconteceria em breve?

Na edição #26 Matthew sofre um acidente e após ser visitado por um inseto falante – Um delírio? Um demônio? – reaparece recuperado e sem explicações (#27).

Mas o foco destas três edições é o medo e a criatura que se alimenta dele. Moore reinterpreta DEMÔNIO, criado por JACK KIRBY e acerta no tom, criando uma narrativa que realmente dá medo. Criado nos anos 1970 na série própria THE DEMON e com algumas aventuras publicadas em DETECTIVE COMICS, o demônio Etrigan andava esquecido. Ele retornará à série no futuro, mas seu uso por Moore certamente influenciou o tratado de magia que foi a série THE DEMON de Matt Wagner.

Esta coleção de histórias é um grande momento de todos os personagens e autores envolvidos e a cada página ressalta a perfeição da união de STEPHEN BISSETTE e JOHN TOTLEBEN. Um pântano cheio de garças, mariposas e sapos nunca foi um lugar tão ameaçador quanto aqui.

O volume 1 é composto pelas seguintes histórias da série The Saga of the Swamp Thing:
#
Data de Capa
Título
20
Jan/1984
Pontas Soltas
21
Fev/1984
A Lição de Anatomia
22
Mar/1984
Empantanado
23
Abr/1984
Outro Mundo Verde
24
Maio/1984
Raízes
25
Jun/1984
O Sono da Razão…
26
Jul/1984
…Uma Hora de Correr…
27
Ago/1984
…Movido por Demônios!

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO, LIVRO UM, PANINI COMICS, 212 páginas, formato americano, em cores, 2014, R$ 29,90.

A Saga do Monstro do Pântano no Brasil


Minha infância foi tão normal quanto possível. Mas confesso que minha mãe não tinha realmente cuidado com o quê eu lia – fornecido em geral, pela própria.

Eu conheci MONSTRO DO PÂNTANO em HERÓIS EM AÇÃO (EDITORA ABRIL), uma das três revistas que a Abril lançou em 1.984 em sua tentativa de publicar a DC Comics. Muitos em 84 conheciam o personagem da série e especiais publicados pela EBAL – algumas histórias já publicadas em dois volumes pela Panini.

Monstro do Pântano foi coadjuvante de revistas para adolescentes (minha mãe não tinha tanta culpa assim). A fase de ALAN MOORE estreou em Os Novos Titãs, passou para Superamigos (revistas que substituiu Heróis em Ação) e esteve presente no almanaque trimestral SuperPowers (de onde vem a lenda que Monstro do Pântano vende pouco, pois foi a edição que vendeu menos) e eventualmente apareceu em Batman 2ª série/formatinho da Abril, que ficou famosa por publicar Ano Um, Sombra e Questão.

Um dia o Monstro deixou se ser publicado em Superamigos.

O tempo passou, e passou, e passou.

No início dos anos 1.990, a Editora Abril decidiu retomar de onde parou e lançou uma série mensal, primeiro em formatinho, depois em formato americano. Foi um período dourado onde vimos Gótico Americano, o famoso arco de dezesseis partes que apresenta John Constantine, o ataque à Gotham City e o arco Mistério no Espaço, quando o personagem navegou no espaço sideral.

A Editora Abril reduziu sua linha de quadrinhos e a série, que já constava com a participação da série americana JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER foi interrompida.

Anos depois a Metal Pesado republicou o material inicial de Moore em um formato preto & branco e já como Tudo em Quadrinhos, com uma política de publicar títulos do selo VERTIGO publicou O CELESTIAL E O PROFANO, uma série de histórias escritas brilhantemente por RICK VEITCH. Com mais uma ou duas mudanças de nome a editora publicou um especial e uma série mensal com apenas duas edições, hoje razoavelmente difíceis de encontrar.

Nos anos 2.000, primeiro a DEVIR e depois a PIXEL publicaram encadernados. A DEVIR publicou um encadernado da série mais recente naquele momento, ao que a Pixel deu sequência em várias edições da PIXEL MAGAZINE e também publicou um belo encadernado equivalente ao A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO da PANINI.

Quando a PANINI assumiu a VERTIGO há quase cinco anos iniciou um projeto de republicar muito material antigo, ainda que seu foco fosse séries recentes porcamente publicadas. Desse projeto tivemos os sete encadernados JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER: ORIGENS e agora começa a publicação de A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO.

Nesta série teremos a republicação de material do início da fase de ALAN MOORE, STEPHEN BISSETTE, JOHN TOTLEBEN e DAN DAY aos quais depois se somariam Rick Veitch e ALFREDO ALCALA. Se for apenas o material de Moore, temos material para uns cinco encadernados e nenhuma aventura inédita (ainda que parte delas tenha sido publicada apenas em formatinho). Mas se o projeto vingar tenho esperança de finalmente ver toda a passagem de Veitch no título, algo que, mesmo comparado com o gênio anterior não é um momento menor.

Boa sorte no projeto, Panini!

The Flash: Piloto



[Trama]
Catorze anos atrás em uma noite onde borrões vermelhos e amarelos juntam-se ao clichê da noite tempestuosa, o garoto Barry Allen é confrontado pelo fato de que seu pai assassinou sua mãe.

Hoje, perito forense da polícia de Central City, Barry (Grant Gustin) é inteligente, mas distraído e retardatário. Amigo do detetive Joe West (Jesse L. Martin), pai de Iris (Candice Patton), que o regatou da cena de crime anos antes e o protege na polícia – criando um vínculo semelhante ao de Gordon/Bruce Wayne na trilogia de filmes de Nolan.

Uma experiência complexa cria uma série de meta-humanos na cidade, deixando Barry em coma por nove meses, após um raio o atingir e ao mesmo tempo derrubar um armário de produtos químicos em seu corpo.

Quando acorda descobre que tem o dom de correr a altas velocidades, além da possibilidade de se recuperar de ferimentos. Ao descobrir que alguém que foi exposto à mesma experiência está controlando o clima, decide, com o auxílio da equipe de cientistas do Laboratório STAR, vestir um uniforme de bombeiro vermelho adaptado para altas temperaturas e tentar capturar o criminoso. Esta equipe é coordenada pelo Dr. Harrison Wells (Tom Cavanagh) e conta com Caitlin Snow (Danielle Panabaker) e Cisco Ramon (Carlos Valdes) – nos quadrinhos esta foi são respectivamente Killer Frost e Vibe.

Obtêm sucesso e no processo releva sua condição para o detetive West. Os poderes, as memórias dos borrões e a existência de meta-humanos dá a ela a certeza de que seu pai é inocente e que algo ainda não explicado aconteceu naquela noite, catorze anos antes. West, agora também convencido que não foi um delírio do menino para explicar o crime, decide auxiliar na busca de pistas, contanto que Barry não revele seus poderes à Iris.

[Opinião]
A trama adapta a origem clássica do Flash II (o segundo personagem da DC Comics a usar este nome, criado na Era de Prata e adaptado dos conceitos do primeiro Flash, conhecido no Brasil como Joel Ciclone). Ao mesmo tempo, já nota-se a mão de Geof Johns na produção: ele adaptou conceitos apresentados na série THE FLASH: REBIRTH, série em quadrinhos escrita por ele para o formato da série, além do tom da série de 2.010, onde o herói retornou à polícia para agir como investigador forense.

Com um tom de misto de série de herói pós-adolescente para a TV e série policial forense, THE FLASH torna-se a melhor surpresa do ano – empatando com vantagens com PENNY DREADFULL e GAME OF THRONES, quarta temporada, episódios 8 e 9.

A presença de Johns permite a construção de uma mitologia pertinente ao personagem. Há dicas claras como sobre a presença do Gorila Grodd, o Flash Reverso/Professor Zoom (o personagem Eddie Thawne, interpretado por Rick Cosnett aparece no piloto) e a possibilidade de viagem no tempo – em um determinado momento se vê um jornal de 10 anos no futuro!; além de uma sensibilidade ímpar dos produtores em contratar o ator John Wesley Shipp para interpretar o pai de Barry, Henry. John Wesley Shipp, para quem não se lembra foi o ator que interpretou FLASH/Barry na série de TV do início dos anos 1.990.

Uma grande aposta para esta temporada, com estreia oficial para 07/10/2014 no The CW, a série parte de uma pensada estratégia da DC Comics e The CW em criar uma nova série baseada em um personagem de quadrinhos, mas situada no mesmo universo ficcional da série de TV Arrow. Os produtores, no entanto, optaram em aproximar em muito o visual e narrativo ao contexto dos quadrinhos. Além de Barry Allen, também apareceram primeiro na série Arrow dois personagens de suporte, Caitlin Snow e Cisco Ramon, que agoram foram “transferidos” Central City.

Como método para estabelecer o universo ficcional, Arrow (Stephen Amell) aparece neste piloto.

[Dúvida]
Resta, por fim, lembrar que o Flash tem uma das galerias de vilões mais memoráveis dos quadrinhos, e uma das poucas que se reconhece como uma “Galeria de Vilões”. Terão os produtores a habilidade de transportar isto para a série, sem usar o cansativo expediente de “freak-of-the-week”, a famosa aberração da semana?

Pagarei para ver.
























The Flash, o personagem


Episódios piloto tem vazado há anos na internet. Foi assim com Fringe, Game of Thrones, True Blood e agora com The Flash e Constantine (alguns diriam ConstanTEENe).

Em junho de 2014 “vazou” para a rede o preview do episódio piloto da nova série de TV The Flash, baseada no popular personagem da DC Comics.

Flash (somente quem conhece o personagem pela série de TV é que fala “de fléchi”) é um velocista do Universo DC e até a reformulação mais recente tinha uma das mitologias mais consistentes da editora.

Criado originalmente na Era de Ouro, o personagem teve suas origens e personalidade revistas nos anos 1.960, iniciando a Era de Prata dos Quadrinhos. Esta segunda versão do personagem foi tão popular que obscureceu a primeira encarnação. O herói era agora um policial chamado Barry Allen e foi publicado até os anos 1.980, quando faleceu em um dos mais belos sacrifícios dos quadrinhos.

Em 1.987, seu sobrinho e sucessor WallaceWally” West assumiu o manto e levou a série para níveis jamais imaginados, tendo como autores Mark Waid e Geof Johns, que passaram grandes períodos com o personagem.

No final da década de 2.000 o personagem retornou dos mortos – eles sempre retornam – e assumiu novamente o seu lugar como velocista principal da DC Comics. A reformulação de 2011 apagou a figura do Kid Flash/Flash III/Wally West, apesar de, três anos após o evento a editora já está pronta para reapresentá-lo. Curiosamente será negro!

Explico. Wally é sobrinho de Barry por casamento! Wally, na verdade, é sobrinho de Iris West. Iris nesta série que ainda não estreou é negra.

Neste sentido a produtora e a editora estão alinhados.

Aleph: 30 anos!

A Editora Aleph completou em junho trinta anos de mercado, sempre editando boas séries de ficção científica.

A editora iniciou com a saudosa série Zenith, onde publicou Orson Scott Card e William Gibson ainda nos anos 1.990. Neste período também publicou uma longa série de novelas vinculadas às séries Star Trek, tanto a série clássica, quanto as séries Next Generation e Deep Space 9.

Nos últimos cinco anos tem expandido seu catálogo e licenciou os direitos das séries Fundação e Robôs (ambas de Isaac Asimov), Duna (Frank Herbert), Neuromancer (William Gibson), A Princesa de Marte (E. R. Burroughs), entre outros lançamentos oportunos como Anno Drácula.
Ainda assim, muita gente criticava a editora por publicar pouco material recente.

Aproveitando o aniversário a editora anunciou a publicação de Robert Heinlen, que se juntará à Asimov e Arthur C. Clarke e estabelecerá a trilogia “sagrada” da ficção clássica, a reedição de Herdeiros do Império, a trilogia de livros que estabeleceu o Universo de Star Wars nos livros e que a edição nacional está esgotada há mais de 15 anos.

Mas, todas as notícias tornaram-se prólogos para o anúncio de que em 2.015 a editora lançará a tradução de Old Man's War, a série sci-fi militar de John Scalzi. Atualmente o universo desta série de Scalzi já rendeu sete volumes e fico com a esperança de que a editora publique ao menos anualmente os volumes (e que tenha uma tradução melhor do que “A guerra é para os velhos”, tradução portuguesa do romance).

Parabéns e longa vida à Aleph!

post scriptum: Só falta publicar o material universo expandido de Duna, com seus prelúdios e livros para as casas escritos por Kevin J. anderson. Aí vira a melhor editora de todos os tempos!




Wild Cards Livro 3: Apostas Mortais (Jokers Wild)


E o mais engraçado é que até o início de 2.011 eu não conhecia o trabalho de George R R Martin. Exceto… uma memória longínqua de… Wild Cards.

Sim, é verdade que o Brasil não tem uma longa tradição de publicações de ficção científica. Ícones foram e são publicados e republicados há décadas, mas há pouco dos autores novos. China Melville é um destes casos: conhecido lá fora, aqui é um simpático anônimo.

Mas voltando à Martin, eu me lembro com intensidade quando a DEVIR lançou GURPS, o RPG genérico de Steve Jackson e um de seus suplementos era o WILD CARDS. A editora Globo logo lançou uma minissérie do selo EPIC/Marvel que tinha um formato estranho: vários personagens, cada um com um artista/desenhista distinto, semelhante a uma série do Badger – que era louco, tinha múltiplas personalidades e cada uma delas um desenhista.

Tristemente, junto com dezenas de outros bons conceitos a série em quadrinhos foi para o fundo de meus armários e raramente saiu de lá. Confesso que nunca a li até mais de vinte anos depois do lançamento.

O tempo passou. A HBO fez um contrato para adaptar uma série de fantasia do autor de sci-fi George R R Martin e o editor Raphael Dracon convenceu a Leya a comprar a série de livros As crônicas de gelo e fogo que se tornou um sucesso no mercado editorial brasileiro, com mais de 150 mil cópias vendidas de cada um dos cinco livros.


Logo vieram A morte da luz, a promessa de Fever Dream (uma série de vampiros), coletâneas de sci-fi e fantasia, Ocavaleiro dos sete reinos e finalmente a série Wild Cards, no momento em que a série já possui 22 volumes!

* * *

O primeiro verdadeiro romance mosaico da série, Apostas Mortais (Jokers Wild) o terceiro volume de Wild Cards, ocorre no espaço de 24 horas no dia 15 de setembro de 1.986, quarenta anos após a infecção do vírus alienígena.

Há no romance seis histórias principais: Jack e Nômada à procura de uma sobrinha que veio do interior e está perdida em Manhattan; a história de uma promotora de justiça, amiga de Nômada que crê que poderá controlar a Máfia e sua herança, que renegou durante anos; Ira a ladra intangível que roubou o diário de um criminoso importante, e por isso será perseguida e cruzará o caminho com o Yeoman; Hiram Worchester e Jay Ackroyd, o primeiro organizando a festa dos quarenta anos em seu restaurante e percebendo o poder criminoso agir em seus fornecedores e o segundo, contratado por Hiram para descobrir quem realmente é o responsável por aqueles ataques. Estas tramas, todas muito “pé no chão” tem pouca relação com o grande vilão do trio de livros, exceto o cenário.

Evidentemente as histórias principais ficam por último. Dr Tachyon é seduzido por Roleta durante todo o dia, agindo como mero coadjuvante, enquanto ela tem a missão de matá-lo, usando um veneno expelido no ato sexual. James Spector, assassino contratado pelo grande vilão, assim como Roleta, tem várias missões e praticamente se encontra com todas as tramas, enquanto constrói a sua própria. Como Roleta, ele teme o Astrônomo e por isso aceita suas imposições. Sua trama é uma longa comédia de erros e ainda que eu o visualize como o Lápide (vilão do Homem-Aranha, um negro albino, extremamente resistente, quase invulnerável e com cara de poucos amigos), em certos momentos seu material é o mais engraçado do volume, pois com ele acontece tudo de ruim, e o leitor sempre quer mais desgraças para ele, ainda que deseje que ele viva.

E, por fim, a história que toma a capa da edição: Fortunato, o cafetão de gueixas, com seus poderes alimentados por sexo (tântrico ou não) tem que encontrar, reunir e proteger os ases que auxiliaram na destruição do mosteiro no volume 2, pois o Astrônomo pretende matar todos os ases e curingas que conseguir e rumar para o espaço na nave de Tachyon. Não aceitando colaborar e trocar informações, Fortunato é “cego” ao seu modo: odeia Tachyon; usa Hiram, mas nega detalhes. Sua miopia, quando descoberta o faz perceber seus erros.

George R R Martin então edita o texto de Melinda M. Snodgrass, Leanne C. Harper, Walton Simons, Lewis Shiner, John J. Miller, Edward Bryant e seu próprio e consegue criar o terceiro e melhor volume até o momento. As histórias contadas como um romance mosaico, ou seja, misturadas, tramas entrecortadas, funcionam melhor do que os contos individuais narrados em um cenário único. Todas as tramas são boas, ainda que pessoalmente tenha minhas preferidas e minhas preteridas – a ideia de um curinga crocodilo que engole um conjunto de livros, volta à forma humana, não os digere e retorna à forma de crocodilo para regurgitá-los me parece forçada, assim como a previsível história da mafiosa que vai para a justiça para renegar a famiglia e depois retorna para ela, acreditando que será possível controlá-la, não me parece nada mais, nada menos do que o óbvio.

De todos os personagens se sobressaem Tachyon, Fortunato e Spector (Ceifador). Tachyon, no entanto, consegue ser mais forte: ele é um coadjuvante de luxo na trama de Roleta, mas é tão fascinante que rouba a cena cada vez que aparece. Ceifador é o criminoso cheio de atos condenáveis, mas que queremos que sobreviva ao fim do mundo prometido pelo seu patrão e Fortunato, bem… Fortunato é “o negão que come todas” e fica mais poderoso a cada relação, se preparando evidentemente para um final apoteótico que o leva a um novo nível de compreensão.

Bem escrito e editado, ao ponto que não ser possível ver a ruptura entre os autores, mesmo sabendo quem escreveu o quê, Apostas Mortais se torna o melhor da primeira tríade de livros e amplia bastante a minha nota geral para a série.

Aconselho imensamente.

Wild Cards Livro 3 Apostas Mortais, Leya, maio de 2014, ISBN 978-85-441-0018-9, editado por George R R Martin e escritor por Melinda M. Snodgrass, Leanne C. Harper, Walton Simons, Lewis Shiner, John J. Miller, Edward Bryant e George R R Martin.