Copa Feminina de Basquete 2014! Aonde? No YouTube!
Alguns
canais tentam introduzir uma nova tradição esportiva no Brasil.
Evidentemente não por amor à diversidade esportiva, mas sim às
verbas publicitárias que advirão de novos campeonatos e o
consequente barateamento dos custos de exibição de outros.
O
canal SPORTV exibe com exclusividade o NBB, a versão
nacional do campeonato de basquete, nos meses de novembro a maio e às
vezes vaza para o canal livre – a Globo, dona do SPORTV –
a abertura e a final. Por sinal no NBB 6 – 2013/2014, a
abertura foi exibida com exclusividade na GLOBO, e só lá!
Eventualmente
rola o Pan-americano e o campeonato de clubes. Mas, durante o
NBB, mesmo com três canais a rede SPORTV no máximo exibe dois jogos
por semana. Quando muito! Uma pena!
Já
o ESPN, o ESPN Brasil, os canais da rede Bandeirantes
e o SPORT + exibem o Campeonato Paulista, o
Campeonato Europeu e a estrela do esporte, a NBA, o longo
e lucrativo campeonato americano. Na exibição da NBA junta-se
também ao menos um canal de reprises de filmes, o TNT.
Mas
depois de maio cé fini! Quem gosta de basquete terá que
esperar a nova temporada – todas ao mesmo tempo! Infelizmente!
Este
ano tem a COPA masculina DE BASQUETE DA FIBA,
desimportante no Brasil, especialmente em ano de COPA DE FUTEBOL, mas
que será exibida no SPORTV em agosto.
A
importância do campeonato é tamanha que sua versão feminina está
sendo exibida no YouTube enquanto canais que não tem os
direitos de exibir os jogos da COPA exibem filmes e depois VTs. Pelo
jeito ninguém se interessou em exibir o campeonato. Deve haver um
fundo de razão, pois as quadras/ginásios não estão exatamente
lotadas…
No
jogo do Brasil, então…
Eu
assisti e confesso que fiquei fã de jogos sem narradores e sem
estrelas artificialmente fabricadas. Sem narradores não há espaço
para criar heróis e fica visível a falta de técnica e diria até o
amadorismo de algumas seleções.
A Saga do Monstro do Pântano, Livro Um
A
fase do escritor inglês ALAN MOORE na série americana THE
SAGA OF THE SWAMP THING não tem no Brasil uma publicação tão
confusa quanto, por exemplo, JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER ou
PREACHER.
Basicamente
toda a fase foi publicada pela Editora Abril (menos a edição
#20 onde ele arruma as “Pontas Soltas” pelas tramas
anteriores) nas séries OS NOVOS TITÃS, SUPERAMIGOS,
SUPERPOWERS, BATMAN 2ª SÉRIE e O MONSTRO DO
PÂNTANO. É depois que a confusão inicia.
Mas
realmente havia bastante tempo que a série não era publicada de
forma completa e contínua, algo que se supõe a PANINI COMICS
pretenda fazer.
* * *
Convocado
por Len Wein para manter a peteca em jogo do ressuscitado
título do MONSTRO DO PÂNTANO, em exposição por causa de um
filme de WES CRAVEN, ALAN MOORE (Watchmen, V de
Vingança, A Liga Extraordinária) decidiu desconstruir o
personagem. Jogou na terra o quê se sabia dele e construiu um
personagem novo.
Basicamente
o MONSTRO DO PÂNTANO era um CAPITÃO AMÉRICA que deu errado em uma
narrativa de terror, enfrentando monstros, sádicos e alienígenas!
Hum… ?!?
Nada
a ver! (Será?)
Bem,
vamos por partes. Conta ROBERTO GUEDES que os criadores de
MONSTRO DO PÂNTANO e HOMEM-COISA (personagem da Marvel
Comics) moravam no mesmo apartamento, bebiam juntos e trocavam
ideias. As semelhanças entre os dois personagens são gritantes!
Em
linhas gerais: um cientista é exposto a uma fórmula que estava
criando após uma explosão! O cientista cai no pântano e ressurge
como uma coisa ou um monstro (em inglês é MAN-THING e SWAMP
THING, ampliando as coincidências ainda mais).
Na
MARVEL o cientista estava tentando recriar a fórmula do supersoldado
que havia dado origem ao Capitão América. Na DC o cientista estava
tentando criar uma fórmula bio-restauradoura da flora.
Moore
reconhece estas coincidências e diversas vezes quando se refere ao
PARLAMENTO DAS ÁRVORES pede que o ilustrador mostre a imagem
do Homem-Coisa. Mas o Parlamento é assunto para o futuro.
* * *
Moore
pegou aquele conceito esdrúxulo e levou a outro caminho, que veremos
em detalhes no volume dois, já que primeiro o autor inglês amarrou
as “Pontas Soltas” pelos artistas anteriores (#20), depois
afirmou que o MONSTRO não era Alec Holland (#21).
Reintroduzindo o personagem Jason Woodrue (um vilão
secundário do ELEKTRON e membro da SOCIEDADE SECRETA DOS
SUPERVILÕES), Moore o faz dissecar o Monstro e tirar conclusões
científicas sobre o quê encontrou a mando do industrial SUNDERLAND,
inimigo do personagem naquela fase e que tencionava a posse da
fórmula.
Irado
com a revelação de que nunca foi Alec Holland, o Monstro mata
Sunderland (#21), entra em coma (#22) onde questiona
quem é. Claro, que com resquícios de histórias de heróis, ainda
haveria o confronto entre o Alec (sim, ele não é Alec, mas é
melhor que escrever MONSTRO toda hora) e Jason Woodrue, com direito a
participação da Liga da Justiça da Era do Satélite
nas edições # 23 e #24.
O
trio final de aventuras (edições #25-27) brinca com o
leitor. Primeiro aparentemente esquece a nova condição do
personagem – ela está lá, mas não vira uma narrativa
constantemente revista – e embarca em uma digna narrativa de horror
moderno.
Influenciada
por uma força oculta, um casal inadvertidamente invoca um macaco
demônio. O demônio mata o casal e enlouquece o filho, que vai para
uma instituição onde Abby Cable conseguiu emprego. Por sinal
o casamento da moça vai mal e Matthew tem apresentado um
estranho domínio de seus poderes (#20 e #22), além de
uma tendência ao alcoolismo e o sadismo. Estaria o jovem delirando,
manifestando poderes místicos ou poderes científicos ou ainda sendo
influenciado por uma força externa? Se sim, qual força? Seria o
distanciamento de Abby de seu esposo e a constante tentativa de estar
ao lado de Alec um indício de algo que aconteceria em breve?
Na
edição #26 Matthew sofre um acidente e após ser visitado
por um inseto falante – Um delírio? Um demônio? – reaparece
recuperado e sem explicações (#27).
Mas
o foco destas três edições é o medo e a criatura que se alimenta
dele. Moore reinterpreta DEMÔNIO, criado por JACK KIRBY
e acerta no tom, criando uma narrativa que realmente dá medo. Criado
nos anos 1970 na série própria THE DEMON e com algumas
aventuras publicadas em DETECTIVE COMICS, o demônio Etrigan
andava esquecido. Ele retornará à série no futuro, mas seu uso por
Moore certamente influenciou o tratado de magia que foi a série THE
DEMON de Matt Wagner.
Esta
coleção de histórias é um grande momento de todos os personagens
e autores envolvidos e a cada página ressalta a perfeição da união
de STEPHEN BISSETTE e JOHN TOTLEBEN. Um pântano cheio de garças,
mariposas e sapos nunca foi um lugar tão ameaçador quanto aqui.
O
volume 1 é composto pelas seguintes histórias da série The
Saga of the Swamp Thing:
#
|
Data
de Capa
|
Título
|
20
|
Jan/1984
|
Pontas Soltas
|
21
|
Fev/1984
|
A Lição de Anatomia
|
22
|
Mar/1984
|
Empantanado
|
23
|
Abr/1984
|
Outro Mundo Verde
|
24
|
Maio/1984
|
Raízes
|
25
|
Jun/1984
|
O Sono da Razão…
|
26
|
Jul/1984
|
…Uma Hora de Correr…
|
27
|
Ago/1984
|
…Movido por Demônios!
|
A
SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO, LIVRO UM, PANINI COMICS, 212
páginas, formato americano, em cores, 2014, R$ 29,90.
A Saga do Monstro do Pântano no Brasil
Minha
infância foi tão normal quanto possível. Mas confesso que minha
mãe não tinha realmente cuidado com o quê eu lia – fornecido em
geral, pela própria.
Eu
conheci MONSTRO DO PÂNTANO em HERÓIS EM AÇÃO (EDITORA
ABRIL), uma das três revistas que a Abril lançou em 1.984 em
sua tentativa de publicar a DC Comics. Muitos em 84 conheciam
o personagem da série e especiais publicados pela EBAL –
algumas histórias já publicadas em dois volumes pela Panini.
Monstro
do Pântano foi coadjuvante de revistas para adolescentes (minha mãe
não tinha tanta culpa assim). A fase de ALAN MOORE estreou em
Os Novos Titãs, passou para Superamigos (revistas que
substituiu Heróis em Ação) e esteve presente no almanaque
trimestral SuperPowers (de onde vem a lenda que Monstro do
Pântano vende pouco, pois foi a edição que vendeu menos) e
eventualmente apareceu em Batman 2ª série/formatinho da
Abril, que ficou famosa por publicar Ano Um, Sombra e
Questão.
Um
dia o Monstro deixou se ser publicado em Superamigos.
O
tempo passou, e passou, e passou.
No
início dos anos 1.990, a Editora Abril decidiu retomar de onde parou
e lançou uma série mensal, primeiro em formatinho, depois em
formato americano. Foi um período dourado onde vimos Gótico
Americano, o famoso arco de dezesseis partes que apresenta John
Constantine, o ataque à Gotham City e o arco Mistério
no Espaço, quando o personagem navegou no espaço sideral.
A
Editora Abril reduziu sua linha de quadrinhos e a série, que já
constava com a participação da série americana JOHN CONSTANTINE
HELLBLAZER foi interrompida.
Anos
depois a Metal Pesado republicou o material inicial de Moore
em um formato preto & branco e já como Tudo em Quadrinhos,
com uma política de publicar títulos do selo VERTIGO
publicou O CELESTIAL E O PROFANO, uma série de histórias
escritas brilhantemente por RICK VEITCH. Com mais uma ou duas
mudanças de nome a editora publicou um especial e uma série mensal
com apenas duas edições, hoje razoavelmente difíceis de encontrar.
Nos
anos 2.000, primeiro a DEVIR e depois a PIXEL
publicaram encadernados. A DEVIR publicou um encadernado da série
mais recente naquele momento, ao que a Pixel deu sequência em várias
edições da PIXEL MAGAZINE e também publicou um belo
encadernado equivalente ao A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO da
PANINI.
Quando
a PANINI assumiu a VERTIGO há quase cinco anos iniciou um projeto de
republicar muito material antigo, ainda que seu foco fosse séries
recentes porcamente publicadas. Desse projeto tivemos os sete
encadernados JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER: ORIGENS e agora
começa a publicação de A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO.
Nesta
série teremos a republicação de material do início da fase de
ALAN MOORE, STEPHEN BISSETTE, JOHN TOTLEBEN e DAN
DAY aos quais depois se somariam Rick Veitch e ALFREDO ALCALA.
Se for apenas o material de Moore, temos material para uns cinco
encadernados e nenhuma aventura inédita (ainda que parte delas tenha
sido publicada apenas em formatinho). Mas se o projeto vingar tenho
esperança de finalmente ver toda a passagem de Veitch no título,
algo que, mesmo comparado com o gênio anterior não é um momento
menor.
Boa
sorte no projeto, Panini!
The Flash: Piloto
[Trama]
Catorze
anos atrás em uma noite onde borrões vermelhos e amarelos juntam-se
ao clichê da noite tempestuosa, o garoto Barry Allen é
confrontado pelo fato de que seu pai assassinou sua mãe.
Hoje,
perito forense da polícia de Central City, Barry (Grant
Gustin) é inteligente, mas distraído e retardatário. Amigo do
detetive Joe West (Jesse L. Martin), pai de Iris
(Candice Patton), que o regatou da cena de crime anos antes e
o protege na polícia – criando um vínculo semelhante ao de
Gordon/Bruce Wayne na trilogia de filmes de Nolan.
Uma
experiência complexa cria uma série de meta-humanos na cidade,
deixando Barry em coma por nove meses, após um raio o atingir e ao
mesmo tempo derrubar um armário de produtos químicos em seu corpo.
Quando
acorda descobre que tem o dom de correr a altas velocidades, além da
possibilidade de se recuperar de ferimentos. Ao descobrir que alguém
que foi exposto à mesma experiência está controlando o clima,
decide, com o auxílio da equipe de cientistas do Laboratório
STAR, vestir um uniforme de bombeiro vermelho adaptado
para altas temperaturas e tentar capturar o criminoso. Esta equipe é
coordenada pelo Dr. Harrison Wells (Tom Cavanagh) e
conta com Caitlin Snow (Danielle Panabaker) e Cisco
Ramon (Carlos Valdes) – nos quadrinhos esta foi são
respectivamente Killer Frost e Vibe.
Obtêm
sucesso e no processo releva sua condição para o detetive West. Os
poderes, as memórias dos borrões e a existência de meta-humanos dá
a ela a certeza de que seu pai é inocente e que algo ainda não
explicado aconteceu naquela noite, catorze anos antes. West, agora
também convencido que não foi um delírio do menino para explicar o
crime, decide auxiliar na busca de pistas, contanto que Barry não
revele seus poderes à Iris.
[Opinião]
A
trama adapta a origem clássica do Flash II (o segundo
personagem da DC Comics a usar este nome, criado na Era de Prata e
adaptado dos conceitos do primeiro Flash, conhecido no Brasil como
Joel Ciclone). Ao mesmo tempo, já nota-se a mão de Geof
Johns na produção: ele adaptou conceitos apresentados na série
THE FLASH: REBIRTH, série em quadrinhos escrita por ele para
o formato da série, além do tom da série de 2.010, onde o herói
retornou à polícia para agir como investigador forense.
Com
um tom de misto de série de herói pós-adolescente para a TV e
série policial forense, THE FLASH torna-se a melhor surpresa do ano
– empatando com vantagens com PENNY DREADFULL e GAME OF
THRONES, quarta temporada, episódios 8 e 9.
A
presença de Johns permite a construção de uma mitologia pertinente
ao personagem. Há dicas claras como sobre a presença do Gorila
Grodd, o Flash Reverso/Professor Zoom (o personagem
Eddie Thawne, interpretado por Rick Cosnett aparece no
piloto) e a possibilidade de viagem no tempo – em um determinado
momento se vê um jornal de 10 anos no futuro!; além de uma
sensibilidade ímpar dos produtores em contratar o ator John
Wesley Shipp para interpretar o pai de Barry, Henry. John
Wesley Shipp, para quem não se lembra foi o ator que interpretou
FLASH/Barry na série de TV do início dos anos 1.990.
Uma
grande aposta para esta temporada, com estreia oficial para
07/10/2014 no The CW, a
série parte de uma pensada estratégia da DC Comics e The CW em
criar uma nova série baseada em um personagem de quadrinhos, mas
situada no mesmo universo ficcional da série de TV Arrow. Os
produtores, no entanto, optaram em aproximar em muito o visual e
narrativo ao contexto dos quadrinhos. Além de Barry Allen, também
apareceram primeiro na série Arrow dois personagens de suporte,
Caitlin Snow e Cisco Ramon, que agoram foram “transferidos”
Central City.
Como
método para estabelecer o universo ficcional, Arrow
(Stephen Amell)
aparece neste piloto.
[Dúvida]
Resta, por fim, lembrar que o Flash tem uma das galerias de vilões
mais memoráveis dos quadrinhos, e uma das poucas que se reconhece
como uma “Galeria de Vilões”. Terão os produtores a habilidade
de transportar isto para a série, sem usar o cansativo expediente de
“freak-of-the-week”, a famosa aberração da semana?
The Flash, o personagem
Episódios piloto tem vazado há anos na internet. Foi assim com Fringe, Game of Thrones, True Blood e agora com The Flash e Constantine (alguns diriam ConstanTEENe).
Em
junho de 2014 “vazou” para a rede o preview do episódio
piloto da nova série de TV The Flash, baseada no popular
personagem da DC Comics.
Flash
(somente quem conhece o personagem pela série de TV é que fala “de
fléchi”) é um velocista do Universo DC e até a
reformulação mais recente tinha uma das mitologias mais
consistentes da editora.
Criado
originalmente na Era de Ouro, o personagem teve suas origens e
personalidade revistas nos anos 1.960, iniciando a Era de Prata
dos Quadrinhos. Esta segunda versão do personagem foi tão
popular que obscureceu a primeira encarnação. O herói era agora um
policial chamado Barry Allen e foi publicado até
os anos 1.980, quando faleceu em um dos mais belos sacrifícios dos
quadrinhos.
Em
1.987, seu sobrinho e sucessor Wallace “Wally” West
assumiu o manto e levou a série para níveis jamais imaginados,
tendo como autores Mark Waid e Geof Johns, que passaram
grandes períodos com o personagem.
No
final da década de 2.000 o personagem retornou dos mortos – eles
sempre retornam – e assumiu novamente o seu lugar como velocista
principal da DC Comics. A reformulação de 2011 apagou a figura do
Kid Flash/Flash III/Wally West,
apesar de, três anos após o evento a editora já está pronta para
reapresentá-lo. Curiosamente será negro!
Explico.
Wally é sobrinho de Barry por casamento! Wally, na verdade, é
sobrinho de Iris West. Iris nesta série que ainda não
estreou é negra.
Neste
sentido a produtora e a editora estão alinhados.
Aleph: 30 anos!
A
Editora Aleph completou em junho trinta anos de mercado,
sempre editando boas séries de ficção científica.
A
editora iniciou com a saudosa série Zenith, onde publicou
Orson Scott Card e William Gibson ainda nos anos 1.990.
Neste período também publicou uma longa série de novelas
vinculadas às séries Star Trek, tanto a série clássica,
quanto as séries Next Generation e Deep Space 9.
Nos
últimos cinco anos tem expandido seu catálogo e licenciou os
direitos das séries Fundação e Robôs (ambas de
Isaac Asimov), Duna (Frank Herbert), Neuromancer
(William Gibson), A Princesa de Marte (E. R. Burroughs),
entre outros lançamentos oportunos como Anno Drácula.
Ainda
assim, muita gente criticava a editora por publicar pouco material
recente.
Aproveitando
o aniversário a editora anunciou a publicação de Robert Heinlen, que se juntará à Asimov e Arthur C. Clarke e
estabelecerá a trilogia “sagrada” da ficção clássica, a
reedição de Herdeiros do Império, a trilogia de livros que
estabeleceu o Universo de Star Wars nos livros e que a edição
nacional está esgotada há mais de 15 anos.
Mas,
todas as notícias tornaram-se prólogos para o anúncio de que em
2.015 a editora lançará a tradução de Old Man's War, a
série sci-fi militar de John Scalzi. Atualmente o
universo desta série de Scalzi já rendeu sete volumes e fico com a
esperança de que a editora publique ao menos anualmente os volumes
(e que tenha uma tradução melhor do que “A guerra é para os
velhos”, tradução portuguesa do romance).
Parabéns
e longa vida à Aleph!
–
post
scriptum: Só falta publicar o material universo expandido de
Duna, com seus prelúdios e livros para as casas escritos por Kevin J. anderson. Aí vira a melhor
editora de todos os tempos!
Wild Cards Livro 3: Apostas Mortais (Jokers Wild)
E o
mais engraçado é que até o início de 2.011 eu não conhecia o
trabalho de George R R Martin. Exceto… uma memória
longínqua de… Wild Cards.
Sim,
é verdade que o Brasil não tem uma longa tradição de publicações
de ficção científica. Ícones foram e são publicados e
republicados há décadas, mas há pouco dos autores novos. China
Melville é um destes casos: conhecido lá fora, aqui é um
simpático anônimo.
Mas
voltando à Martin, eu me lembro com intensidade quando a DEVIR
lançou GURPS, o RPG genérico de Steve Jackson e um de
seus suplementos era o WILD CARDS. A editora Globo logo
lançou uma minissérie do selo EPIC/Marvel que tinha um
formato estranho: vários personagens, cada um com um
artista/desenhista distinto, semelhante a uma série do Badger
– que era louco, tinha múltiplas personalidades e cada uma delas
um desenhista.
Tristemente,
junto com dezenas de outros bons conceitos a série em quadrinhos foi
para o fundo de meus armários e raramente saiu de lá. Confesso que
nunca a li até mais de vinte anos depois do lançamento.
O
tempo passou. A HBO fez um contrato para adaptar uma série de
fantasia do autor de sci-fi George R R Martin e o
editor Raphael Dracon convenceu a Leya a comprar a
série de livros As crônicas de gelo e fogo que se tornou um
sucesso no mercado editorial brasileiro, com mais de 150 mil cópias
vendidas de cada um dos cinco livros.
Logo
vieram A morte da luz, a promessa de Fever Dream (uma
série de vampiros), coletâneas de sci-fi e fantasia, Ocavaleiro dos sete reinos e finalmente a série Wild Cards,
no momento em que a série já possui 22 volumes!
* * *
O
primeiro verdadeiro romance mosaico da série, Apostas Mortais
(Jokers Wild) o terceiro volume de Wild Cards, ocorre no
espaço de 24 horas no dia 15 de setembro de 1.986, quarenta
anos após a infecção do vírus alienígena.
Há
no romance seis histórias principais: Jack e Nômada à
procura de uma sobrinha que veio do interior e está perdida em
Manhattan; a história de uma promotora de justiça, amiga de Nômada
que crê que poderá controlar a Máfia e sua herança, que renegou
durante anos; Ira a ladra intangível que roubou o diário de
um criminoso importante, e por isso será perseguida e cruzará o
caminho com o Yeoman; Hiram Worchester e Jay
Ackroyd, o primeiro organizando a festa dos quarenta anos em seu
restaurante e percebendo o poder criminoso agir em seus fornecedores
e o segundo, contratado por Hiram para descobrir quem realmente é o
responsável por aqueles ataques. Estas tramas, todas muito “pé no
chão” tem pouca relação com o grande vilão do trio de livros,
exceto o cenário.
Evidentemente
as histórias principais ficam por último. Dr Tachyon é
seduzido por Roleta durante todo o dia, agindo como mero
coadjuvante, enquanto ela tem a missão de matá-lo, usando um veneno
expelido no ato sexual. James Spector, assassino contratado
pelo grande vilão, assim como Roleta, tem várias missões e
praticamente se encontra com todas as tramas, enquanto constrói a
sua própria. Como Roleta, ele teme o Astrônomo e por isso aceita
suas imposições. Sua trama é uma longa comédia de erros e ainda
que eu o visualize como o Lápide (vilão do Homem-Aranha,
um negro albino, extremamente resistente, quase invulnerável e com
cara de poucos amigos), em certos momentos seu material é o mais
engraçado do volume, pois com ele acontece tudo de ruim, e o leitor
sempre quer mais desgraças para ele, ainda que deseje que ele viva.
E,
por fim, a história que toma a capa da edição: Fortunato, o
cafetão de gueixas, com seus poderes alimentados por sexo (tântrico
ou não) tem que encontrar, reunir e proteger os ases que auxiliaram
na destruição do mosteiro no volume 2, pois o Astrônomo
pretende matar todos os ases e curingas que conseguir e rumar para o
espaço na nave de Tachyon. Não aceitando colaborar e trocar
informações, Fortunato é “cego” ao seu modo: odeia Tachyon;
usa Hiram, mas nega detalhes. Sua miopia, quando descoberta o faz
perceber seus erros.
George
R R Martin então edita o texto de Melinda M. Snodgrass,
Leanne C. Harper, Walton Simons, Lewis Shiner,
John J. Miller, Edward Bryant e seu próprio e consegue
criar o terceiro e melhor volume até o momento. As histórias
contadas como um romance mosaico, ou seja, misturadas, tramas
entrecortadas, funcionam melhor do que os contos individuais narrados
em um cenário único. Todas as tramas são boas, ainda que
pessoalmente tenha minhas preferidas e minhas preteridas – a ideia
de um curinga crocodilo que engole um conjunto de livros, volta à
forma humana, não os digere e retorna à forma de crocodilo para
regurgitá-los me parece forçada, assim como a previsível história
da mafiosa que vai para a justiça para renegar a famiglia e
depois retorna para ela, acreditando que será possível controlá-la,
não me parece nada mais, nada menos do que o óbvio.
De
todos os personagens se sobressaem Tachyon, Fortunato e Spector
(Ceifador). Tachyon, no entanto, consegue ser mais forte: ele é um
coadjuvante de luxo na trama de Roleta, mas é tão fascinante que
rouba a cena cada vez que aparece. Ceifador é o criminoso cheio de
atos condenáveis, mas que queremos que sobreviva ao fim do mundo
prometido pelo seu patrão e Fortunato, bem… Fortunato é “o
negão que come todas” e fica mais poderoso a cada relação, se
preparando evidentemente para um final apoteótico que o leva a um
novo nível de compreensão.
Bem
escrito e editado, ao ponto que não ser possível ver a ruptura
entre os autores, mesmo sabendo quem escreveu o quê, Apostas
Mortais se torna o melhor da primeira tríade de livros e amplia
bastante a minha nota geral para a série.
Aconselho
imensamente.
Wild
Cards Livro 3 Apostas Mortais, Leya, maio de 2014, ISBN
978-85-441-0018-9, editado por George R R Martin e
escritor por Melinda M. Snodgrass, Leanne C. Harper,
Walton Simons, Lewis Shiner, John J. Miller,
Edward Bryant e George R R Martin.










































