Fahrenheit 451
Imagine um mundo bem
distante no futuro onde as pessoas pararam de conversar entre sim
pessoalmente e passam a utilizar métodos como aparelhos instalados
nos ouvidos ou gigantescas telas retangulares instaladas em suas
salas. A ponto de para manter a ilusão que conversam chegam a instalar
dispositivos que inserem seus nomes nas bocas dos desconhecidos e assim eles referem-se à audiênica pelo nome.
Imagine um mundo bem
distante no futuro onde as pessoas não conversam sobre si, mas sobre
campeonatos de esportes de massa e onde a tristeza se faz presente ao
ponto de que as pessoas se entreguem às drogas sem uma lembrança do
quê fizeram.
Imagine um mundo bem
distante onde os livros passaram a serem censurados primeiro pelas
minorias. Negros passaram a censurar os brancos, homossexuais
passaram a censurar os heteros, evangélicos passaram a censurar os
ateus e estes, por sua vez, os evangélicos. Neste mundo você pode
ter opinião, desde que concorde com a maioria e que, evidentemente,
não entre em conflito com nenhuma minoria.
Este é o mundo de
Montag, um bombeiro, não o nosso (será?). Neste mundo um
bombeiro tem a função não de apagar incêndios, mas exterminar os
livros e toda a cultura advinda deles. Na trama, Beatty,
superior de Montag, revela que não foi um plano das elites
dirigentes, mas algo que começou com as minorias e foi apropriado
pela “direção”, porque ia de encontro com os interesses
daqueles que dominam o mundo.
Realmente o livro é
esquemático: Montag é questionado sobre seu papel no mundo por uma
vizinha, passa a realmente ver o mundo em que vive e, no processo,
rebela-se contra o sistema. Não é exatamente um processo inovador
para contar a história. É apenas mais uma maneira. E aqui funciona!
Pois assim como em As crônicas marcianas a força está no texto de
Ray Bradbury, que tem uma força e poesia incríveis –
especialmente no primeiro ato da história.
Bradbury criou em 1.953
um libelo contra a censura, contra o ato de censurar, contra a
alienação e contra os processos pelos quais se dão a alienação.
Acertou na mosca na descrição de tecnologias que existem hoje e mais
impressionante, no uso que a sociedade faz dela, ao ponto de
conseguir visualizar com facilidade anormal salas com três
televisores de tela plana e pessoas conversando indefinidamente sobre
coisas sem relevância, enquanto as relevantes são deixadas.
* * *
No fim, é irônico que o
seja publicado no Brasil pela Editora Globo.
The Night of the Doctor
Faltando pouco mais de uma semana para a exibição do episódio especial de 50 anos da série Doctor Who, Steve Moffat e a BBC poem mais uma peça na equação: em um websode mostram a regeneração do oitavo Doutor em algo que não é o nono Doutor... ou pelo menos aquele que nós conhecemos como o nono!
Um Doutor guerreiro, preparado para tempos de guerra. O quê fez este Doutor? Será que fez algo que se envergonha?
Veja o vídeo abaixo:
Um Doutor guerreiro, preparado para tempos de guerra. O quê fez este Doutor? Será que fez algo que se envergonha?
Veja o vídeo abaixo:
Uma história definitiva: Batman, The Deal
Boas histórias com Batman & cia não podem mais sair da DC Comics pelo pouco respeito que a editora tem com o leitor.
The Deal (aqui, em inglês, mas acredite fosse pode ler mesmo sem o domínio da língua de Barack Obama) é uma história produzida por fãs (fanfic) com assinatura de Gerardo Preciado e Daniel Bayliss.
Incrivelmente simples e com qualidades que fazem os leitores reconhecerem fontes de inspiração, a história oferece um final interessante para o conflito Batman X Coringa, mas mentiria se dissesse que inusitado.
Vale a pena visitar e divulgar.
Broadchurch
A TV produz enlatados aos
lotes partindo quase sempre da premissa que estiver em moda no
mercado. Uma delas, no momento, é dos assassinatos, das
investigações.
Broadchurch, série
inglesa criada e escrita por Chris Chibnall é mais do
mesmo, ainda que se diferencie por boas atuações que nos permitem
crer no demonstrado: a ruptura de uma estrutura social a partir de um
assassinato.
Broadchurch é uma
pequena cidade de veraneio com 15 mil habitantes. Um garoto é
assassinado e aparentemente ninguém tem motivo para matar um menino
de 11 anos. A família e, de certo modo, parte da cidade é envolvida
em um processo de acusação e defesa: o jornaleiro com um histórico
de pedofilia, o padre alcoólatra em tratamento, o pai ausente e com
relacionamento familiar desgastado, a mulher misteriosa e
mal-humorada. Todos tem álibis fracos e algum segredo que não
desejam que seja revelado que, segundo eles, “não tem nenhuma
relação com a morte de Danny”.
É legítimo que desde o
primeiro momento o expectador tem interesse em saber o “quem” e o
“por quê”, este ainda mais que o primeiro, mas a série se
sustenta na figura da dupla de investigadores principal, que remete
aos melhores momentos de Arquivo X em termos de química: ela,
Ellie Miller (Olivia Colman), uma policial que não
conseguiu a promoção que desejava, dedicada mãe de família que
tem de trabalhar com um novo chefe, que ocupa o cargo que seria seu.
Ele, Alec Hardy (David Tennant) introspectivo, metódico
e assombrado por um caso dezoito meses antes em que a perda de uma
prova pôs sua carreira em risco, encerrou seu casamento e lhe rendeu
um problema cardíaco.
O GNT está reprisando a
partir de segunda, 11 de novembro, mas originalmente foi ao ar entre
agosto e setembro de 2013.
Revista Bang! #0
Já está disponível a
Revista Bang! Brasil #0 (aqui), revista de fantasia, ficção,
ensaios e promoção da Editora Saída de Emergência que
anuncia uma periodicidade quadrimestral.
A edição #0 com
data de capa de setembro de 2013, traz além do tradicional
(comparado à edição portuguesa que já comentei por aqui) texto
sobre o artista da capa, uma entrevista com George R R Martin,
uma matéria sobre a América alternativa da obra de Gerson
Lodi-Ribeiro pelo próprio. Ana Cristina Rodrigues nos
apresenta ao mundo de Raymond E. Feist, assim como uma
entrevista com o mesmo, entre outros materiais interessantes, que se
destacam um ensaio sobre a origem do fantástico no Brasil e a longa
coleção lusitana Argonauta também distribuída por aqui.
Nos contos Gabriel Réquiem e Jan Veruda.
Para o fãs do fantástico
e da literatura em geral um prato cheio.
Wild Cards vol 1: O começo de tudo

Eu conheci o conceito de
Wild Cards quando conheci a Devir Livraria e passei a
acompanhar publicações importados, RPGs e, por extensão, as
publicações da Editora Globo
em um momento em que
abandonava a infância e iniciava realmente a adolescência.
O conceito geral da
série, assim como na série animada Caverna dos Dragões
(Dungeons & Dragons) era dar vida literária à narrativa
feita por um grupo de jogadores de RPG – Role Playing Game.
Entre os componentes deste grupo George R R Martin, que na
década de 2010 ficaria mundialmente famoso depois que seu épico
literário, As crônicas de gelo & fogo, foi adaptado para
a TV pelo canal HBO como Game of Thrones.
A trama do primeiro
volume cobre um período que vai de dias antes de 15 de setembro de
1946, até um obscuro período punk posterior à 1976, sendo
fácil dizer que chega à década de 1980. A narrativa é construída
por contos, noveletas ou novelas de prestigiados (e desconhecidos em
sua maioria) autores de ficção que narram como a chegada do vírus
carta selvagem alterou ou influenciou a vida de seus personagens.
[A trama]
Em 15/09/1946,
apesar da tentativa do príncipe alienígena Tachyon de
impedir a liberação do vírus carta selvagem em nossa atmosfera,
ele é liberado sobre Manhattan alterado o código genético
dos contaminados. 90% morrem imediatamente! Os sobreviventes, na
razão de 9 para 1, tornam “curingas” e “ases”.
Os curingas são seres
humanos deformados: trombas onde havia nariz, pele invisível que
mostra músculos, bílis sangue; tornar-se um animal ou parte animal,
com a adição de cascos, chifres. Os ases são aqueles que
adquiriram habilidades que não os afastam do público e poderiam
passar por humanos, escondendo, caso desejem suas habilidades. Dentre
estes últimos há ainda os “dois de paus”, não
deformados que adquiriram habilidades pouco práticas ou ridículas.
Cada conto narra como o
vírus carta selvagem afetou uma pessoa ou um grupo e as escolhas que
esta pessoa ou grupo tomaram a partir daí. Porém diferente de um
constante recomeço em 1.946, as narrativas se aproximam rapidamente
da contemporaneidade (os anos 1980), mostrando pessoas que quando
iniciam as narrativas já possuem as habilidades há anos.
Colando tudo a presença
do Dr Tachyon e sua responsabilidade com os afetados.
[Impressões]
A trama tem uma qualidade
superior à sopa primordial de inspiração, os quadrinhos. Os
personagens parecem tridimensionais: em um o adolescente de 14 anos
que perdeu o pai decide a vida de crime como maneira de sustentar a
família; noutro um personagem não se furta a violentar um cadáver
masculino para conseguir respostas pois seu poder é ligado ao
intercurso sexual, e num aspecto geral o universo ficcional deixa bem
claro que a segregação é parte da vida das pessoas que foram
contaminadas direta ou indiretamente (herança genética) em 15 de
setembro de 1946.
Ao trabalhar com falhas
(ou com um triplo 6 nos dados) temos
“heróis” plausíveis como Jetboy, Fortunato, Croyd
e especialmente o príncipe Tachyon e suas escolhas que
envergonhariam os heróis tradicionais pela riqueza e clareza. Os
personagens em Wild Cards tomam decisões que eu tomaria e fazem
escolhas menos nobres, que diante daquelas situações eu faria. Para
mim é mais tridimensional que um vigilante sombrio cercado de
meninos e garotas em trajes aberrantes e combatendo um palhaço
irrecuperável que mata dezenas a cada fuga da prisão.
Wild Cards vol 1: O
começo de tudo (2013), Leya, ISBN 978-85-8044-510-7,
tradução de Wild Cards – the book that started it all, editado
por George R R Martin.
Wild Cards vol 1: O começo de tudo, as histórias
Título
|
Autor
|
Personagem (ns)
|
Prólogo
|
George R R Martin
|
Tachyon, um príncipe alienígena
|
Trinta minutos sobre a Broadway!
|
Howard Waldrop
|
Robert “Bobby” Tomlin, o Jetboy.
|
O dorminhoco
|
Roger Zelazny
|
Croyd Crenson
|
Testemunha
|
Walter Jon Williams
|
Archibald Holmes; Jack Braun, Earl Sanderson Jr.,
David Harstein, Blythe Stanhope Van Renssaeler – os Quatro Ases;
Dr. Tachyon
|
Ritos de Degradação
|
Melinda M. Snodgrass
|
Dr. Tachyon e Blythe Stanhope Van Renssaeler
|
Capitão Cátodo e o Ás Secreto
|
Michael Cassutt
|
Karl von Kampen
|
Powers
|
David D. Levine
|
Franciszek Majewski
|
O jogo da carapaça
|
George R R Martin
|
Thomas Tudbury (O Tartaruga); Dr Tachyon
|
A noite longa e obscura de Fortunato
|
Lewis Shiner
|
Fortunato.
Participação: CC Ryder
|
Transfigurações
|
Victor Milán
|
Mark Meadows
|
Bem Fundo
|
Edward Bryant e Leanne C. Harper
|
Rosemary Muldoon; Nômada; CC Ryder; Jack Esgoto
|
Fios
|
Stephen Leigh
|
Senador Gregg Hartmann, Dr Tachyon, Sondra Falin
(Súcubo), Tom Miller (Gimli)
|
A garota fantasma conquista Manhattan
|
Carrie Vaughn
|
Jennifer e Croyd Crenson
|
Chega o caçador
|
John J Miller
|
Brennan, o arqueiro Yeoman.
|
Interlúdios e Apêndices
|
George R R Martin
|











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