Justice League, The Satellite Years 1973

Em 1973, certamente em função dos maus tratos nas mãos de Mike Friedrich, a série mensal Justice League of America torna-se bimestral indo para as bancas em fevereiro, maio, julho, setembro e novembro. O contrassenso era que a qualidade de texto de Len Wein havia aumentado a qualidade geral da série e os leitores tinham que receber o entretenimento em doses homeopáticas.

O ano começa com “The Shaggy Man will get you if you don't watch out!” (#104), onde Hector Hammond liberta e envia o Shaggy Man para o satélite da LJA, obrigando os heróis que estavam em dia de manutenção a enfrentar o monstro de plástico vivo (?!). Shaggy consegue derrubar o satélite mas a interferência do Lanterna Verde salva o dia.

Em maio e julho as edições #105-106 trazem “Specter in the shadows!” e “Wolf in the fold!”, respectivamente. Não há nenhuma novidade real na trama que começa com a eleição do Homem Elástico (Ralph Dibny, o Elongated Man, backup da série Flash) para membro da equipe. Sua esposa Sue Dibny, torna-se uma espécie de membro extra honorária.

Os heróis enfrentam ameaças provocados por servos da Abelha Rainha, e quando estão próximos da derrota são salvos por um sujeito misterioso que se revela ao fim da história o Tornado Vermelho – desaparecido em combate na edição #102.

Apesar da resistência do Arqueiro Verde, a equipe o aceita, mas secretamente passa a vigiá-lo.

Na segunda parte da história, descobrimos que a restauração do Tornado Vermelho é parte de uma trama de Thomas Oscar Morrow, cientista criminoso com fixação no futuro. Ele teve acesso à uma máquina que previu que, caso não destruísse a Liga da Justiça em 28 dias, ele cessaria de existir (!!?).

Enquanto tenta restaurar sua vida e criar uma identidade civil – John Smith – Tornado conhece Kathy Sutton por quem inicia uma paixão platônica muito semelhante em termos gerais ao envolvimento Visão e Feiticeira Escarlate na série Os Vingadores da Marvel Comics.

A Liga descobre o plano de T.O. Morrow, do qual o Tornado nada sabia e derrota o vilão, integrando definitivamente o herói mecânico em suas fileiras.

O ano irá terminar com o team-up anual da Liga da Justiça x Sociedade da Justiça, agora com a adição de Os Combatentes da Liberdade no evento “Crisis on Earth-X”, que transcorreu nas edições #107 (set-out, “Crisis on Earth-X!”) e #108 (nov-dez, “Thirteen against the Earth!”). Veja o review do evento, que já havia resenhado anos atrás, aqui.

O saldo é um ano mais enxuto, sem os excessos como backups na Era de Ouro ou edições Giant Size com reprints das primeiras histórias da equipe. Além disso nenhuma história tocou em questões sociais, ainda que questões humanos como confiança, amor e persistência, sentimentos que supostamente seriam adequados aos heróis estejam presentes em todos as edições. Talvez por isso seja o início de um ciclo de ascensão para a equipe.

Todas as edições por Len Wein, Dick Dillin e Dick Giordano.

The Satellite Years
Ano
Edições
#78-86
#87-95
#96-103
1973
#104-108












Orson Scott Card, GLST e DC Comics: A censura vence!

Há algumas semanas a DC Comics anunciou que irá lançar uma série em formato digital chamada Adventures of Superman, explorando o personagem que irá ganhar um novo filme em 2.013.

A DC anunciou como escritor do primeiro arco o escritor de sci-fi e mórmon, Orson Scott Card, responsável pelo excepcional Ender's Game, no Brasil, O jogo do exterminador, que irá ter sua versão cinematográfica neste ano e que a Devir Livraria acabou de lançar o quarto e final volume da série – veja o review do primeiro livro aqui.

Orson Scott Card já havia colaborado com os quadrinhos com a versão Ultimate do Homem de Ferro e teve uma produção razoável. Mas o autor é um conhecido homofóbico e defensor do casamente heterossexual. A comunidade GLST (gays, lésbicas, simpatizantes e transgêneros) pressionou a DC Comics para que não contratasse o autor.

A editora primeiro publicou um press-release em que avisa que as opiniões de seus autores não correspondem às suas, mas no início da semana, foi anunciado que Card se afastou do projeto.

Isto é censura!

A comunidade GLST está censurando um autor que pensa diferente dela e impedindo-o de trabalhar e de divulgar suas ideias. Em primeiríssima instação isto é perseguição! Estão pressionando uma empresa para que não contrate um funcionário apenas porquê ele pensa de forma diferente.

Quando autores gays forem demitidos, não por vendas ou por produção inadequada, mas apenas por serem gays, que ninguém venha reclamar. Especialmente em um momento em estão inserindo uma dezena de personagens gays nas histórias. Alguns com razoável qualidade (Batwoman, Earth 2), outros apenas para explorar vendas em um novo nicho consumidor (Jovens Vingadores, Turma Titã e X-Treme X-Men).

Diga-se de passagem que o texto que o autor escreveria para uma série do Superman dificilmente iria tocar no assunto já que o público é muito amplo. Também se estranha o fato de que quando Chuck Dixon, autor conhecido por suas ideias de extrema direita, assumiu a série do Meia-Noite, personagem assumidamente gay, ninguém chiou tanto. Meia-Noite é uma releitura do Batman para o universo WildStorm, agora incorporado ao Universo DC (DCU). Ele tem um caso com Apollo, que por sua vez é uma releitura do Superman.

Alocar um escritor de extrema direita para as histórias de um gay fetichista sadomasoquista é limitar a abordagem do personagem. Algo bem diferente que alocar um escritor homofóbico nas aventuras do último filho de Krypton que terão como público crianças, jovens adolescentes e adultos de todas as nações, algumas com sérias restrições quanto ao conteúdo das publicações em quadrinhos.

No fim, a questão que permanece, é se fazer dos quadrinhos palco para os conflitos resultantes das novos abordagens da sexualidade é sadio e oportuno? Às vezes vejo gays retratados de forma estereotipada e que a editora apenas quer empurrar seu produto para um público que tem alto poder de consumo. Raros são os casos que um retrato sério do assunto. Raros são os personagens que servem além do chocar o leitor e causar vendas para a série.

A maldade está nos olhos de quem vê

A capa de Justice League of America v1 #109 (1974) traz uma cena clichê com o Superman entrando por uma porta e fazendo um anúncio bombástico.

Normal.

Exceto que a posição da mão e do rosto de Canário Negro parece ocultar algo que a moça estivesse segurando e levando à boca.

Observe nas imagens ao lado.

Mensagens eróticas subliminares sempre tiveram seu espaço nos quadrinhos, especialmente nos anos mais recentes e nos quadrinhos underground, mas esta suposta mensagem em um quadrinho mainstream eu deixo para que os fãs julguem.

Teria a equipe de produção da capa tido este desejo ou eu apenas “vi demais”?

Justice League, The Satellite Years 1972

1972 começa de um jeito bem diferente mesmo mantendo a mesma equipe de produção, Mike Friedrich, Dick Dillin e Joe Giella.

Primeiro os temas “humanos” passam a serem secundários e depois as histórias passam a ter mais páginas, às vezes estendendo-se para a próxima edição.

É assim no arco “The coming of - - Starbreaker”, que transcorre nas edições #96 (fev), 97 (mar) e 98 (may) com os títulos “The coming of - - Starbreaker”, “The day the Earth screams!” e “No more tomorrows!”.
 
A trama guarda resquícios da Trilogia de Galactus da série Quarteto Fantástico. Aqui o Starbreaker é uma criatura que se alimenta da energia de mundos destruídos – que ele atira em suas estrelas-mães – e as energias crescem de potência se a população estiver aterrorizada. No geral, a mesmíssima história de um monstro que se alimenta da destruição de um mundo.
O vampiro cósmico, desenhado como um Drácula sci-fi, ataca Rann, onde Gavião Negro, Flash e Lanterna Verde estão graças ao cruzamento do raio de transporte da Liga com o Raio Zeta que transporta Adam Strange. Os heróis derrotam com certa facilidade cópias energéticas do vilão, mas ele jura segui-los até a Terra!

Na edição seguinte (#97), Starbreaker ataca na Terra e derrota os heróis sem muita cerimônia. Aterrorizados os heróis recebem uma injeção de ânimo de Gavião Negro que os faz ouvirem as gravações da origem da equipe, uma forma de uni-los contra um mal comum. No final da edição surge Sargon, o feiticeiro!

Na conclusão (#98), Sargon, o feiticeiro, personagem da Era de Ouro oferece o auxílio aos heróis, um recurso deus ex machina com o místico, usado com frequência como veremos mais adiante na edição #103.

Eles devem reunir mais duas contrapartes do Rubi da Vida, a joia que fornece energia ao mago, e atacarem o Starbreaker no plano emocional. Claro que funciona, com duas divisões da equipe em times, uma para encontrar os rubis e partir para o ataque e uma nova divisão para enfrentar o vampiro em diferentes épocas. Às vezes o usa do recurso da divisão de uma equipe de heróis em duplas ou trios cansa. Este é um exemplo.

Sargon, curiosamente é reconhecido por Flash como um herói da época de sua infância, mas desconhecido por Canário Negro, o que faz com que seja um personagem da Terra-1 apesar de criado em 1947.

A trama termina com a derrota do vampiro, que é levado para os Guardiões da Galáxia pelo Lanterna Verde, mas não tem um bom desenvolvimento. Starbreaker que é apresentado como quase onipotente, mas é derrotado facilmente sem uma clara razão de vantagem para os heróis.

Ainda que tenha migrado para um aspecto mais cósmico, Friedrich não deixava de esquecer que o aspecto emocional dos heróis, individualmente meros seres humanos, era o quê realmente importava, mas não parece estar à vontade escrevendo esta versão da história do tirano que irá destruir o mundo.


A edição #99 (junho) trouxe a última colaboração de Mike Friedrich naquele momento. A história “Seeds of destruction” com arte de Dick Dillin & Joe Giella traz novamente uma história humana, onde alguns alienígenas espalham sementes de plantas para purificar planetas poluídos... hum, conheço a ladainha...

Claro que os objetivos os põe em choque contra a Liga da Justiça, na verdade, em função de uma série de enganos de ambos os lados.

Então tivemos o popular cross-over de verão entre Liga da Justiça & Sociedade da Justiça. Desta vez a trama tinha que ser maior que as anteriores pois coincidiria com o aniversário de 100 edições da série. A história inicia na edição #100 (agosto) com “The unknown soldier of victory” por Len Wein, Dick Dillin e Joe Giella. Continuou na edição #101 (sept) com “The hand that shook the world”e concluiu na edição #102 (outubro) com “And one of us must die!”, esta com finais de Joe Giella e Dick Giordano, nas edições seguintes Giordano seria o responsável pelas finais. Veja o review dessa crise aqui.

Wein, que será o responsável pela criação do Wolverine em 1.974 e de sua versão na DC (o Steel, traduzido por aqui como Comandante Gládio), assim como o escritor de Giant Size X-Men com os ...all new all different X-Men, tem uma narrativa mais adequada ao formato de equipe de heróis. Apesar do texto humano de Friedrich, de certo modo, um resultado das boas críticas na série Green Lantern/Green Arrow (boas críticas que não resultaram em boas vendas, fazendo inclusive o título ser cancelado), diga-se de passagem, tudo se tornou estereotipado demais.

Será que é difícil levar a sério a ameaça da poluição quando temos pessoas fantasiadas? Será que é difícil acreditar que todo empresário só deseja o lucro, não importando a que custo em um mundo tão hedonista quanto o atual?

#103 (dezembro) traz “A stranger walks among us!” onde o Vingador Fantasma (Phantom Stranger) leva à Liga o aviso de que vários de seus membros irão morrer nas próximas 24 horas, segundo uma lenda da cidadezinha de Rutland, Vermont. Era edição de Halloween e a editora resolveu contar uma história de fantasmas com a equipe de heróis. Aqui Felix Fausto invoca demônios aproveitando-se das brechas místicas criadas pelo Dia das Bruxas. Os demônios passam a habitar os corpos de civis fantasiados e irão atacar os heróis.

Rutland tem uma parada no Halloween que é muito citada nos quadrinhos, tendo geralmente a participação dos próprios autores. Aqui Len Wein aparece e fica maravilhado com a disposição da Liga em participar do desfile que logo se torna um confronto entre os heróis e os possuídos – geralmente com uniformes de heróis da editora concorrente.

Apesar de uma aparente derrota o Vingador Fantasma consegue impedir a morte dos heróis e garantir a derrota do feiticeiro. É o segundo vez que se utiliza o recurso deus ex machina no ano, mas a presença do Vingador Fantasma faz o leitor esquecer este detalhe.

Deus ex machina era um recurso muito utilizado no teatro grego. Basicamente um deus saia de uma máquina que entrava em cena durante o espetáculo e resolvia todos os conflitos existentes. No reino dos quadrinhos há muita utilização deste recurso.

E terminou mais um ano de um modo geral bem melhor aproveitado que os dois anteriores, agora com um direcionamento focado em narra histórias clássicas de heróis (bem x mal). Wein é, de longe, melhor escritor que Mike Friedrich. Se duvida compare os dois cross-over de verão da Liga x Sociedade. E a arte, que continuava nas mãos de Dick Dillin (até a edição #183) ganha com a entrada de Dick Giordano como finalista. A Liga como equipe e como série em quadrinhos termina 1972 melhor do quê iniciou.













Robin morreu!

Peraí, de novo?

O Robin Damian, filho de Batman e Talia Head morreu em Batman Inc. #8, recém lançado nos EUA. É o terceiro Robin que morre. Antes foram para o além o segundo Robin, Jason Todd, e a 4ª Robin, Steph Brown. Todd e Brown retornaram do além de maneiras nebulosas, que “prefiro não comentar”.

Damian foi criado por Grant Morrison no arco Batman & Filho em 2.006, logo depois de Crise Infinita que supostamente teria corrigido algumas inconsistências cronológicas na DC Comics. A louca viagem de Morrison levou o homem-morcego à morte em Batman RIP e Crise Final, cerca de dois anos depois.

Damian assumiu definitivamente o lugar como Robin do novo Batman na série Batman & Robin também por Morrison. Aqui era o Robin de Dick Grayson, que tinha assumido o manto do homem-morcego.

Evidentemente Bruce Wayne voltou! (Claro!)

A DC então dá Batman & Robin para outro escritor, que irá explorar a dinâmica pai x filho pois com o retorno Damian deixou de ser o Robin do ex-Robin. Mas o ex-Robin não deixou de ser Batman e a DC tinha dois batmen. Metade dos títulos era Dick, metade Bruce. Mentira! Bruce ocupava pelo menos dois terços.

Com isso Morrison vai para o terceiro título Batman Incorporated que iria concluir em dois anos a longa trama iniciada por Morrison.

Batman Inc. foi interrompida no reboot mas retornou como o “53ª” título da editora.

No fim o quê eu pergunto é se faz sentido vai um personagem apenas para matá-lo. Acho que faz! Sinceramente!

Mas se Batman ficou ultraviolento com a morte de Todd, que dirá com a morte de seu filho!

Wolverine e Hércules tem um caso!

Mentirinha...

Apesar de a DC Comics levar a fama de ter um multiverso, a Marvel Comics explora comercialmente a mesmíssima premissa desde o início dos 2000 na série Exiles. Sim, eu sei que já havia outra série Exiles de premissa semelhante na década anterior.

A série X-Treme X-Men que não acompanho parece-me ter uma premissa semelhante à Exiles: apresenta versões dos personagens clássicos da editora em outras dimensões.

Uma edição recente mostra uma versão alternativa do Wolverine, chamado Howlett tacando um beijo na versão local do semi-deus Hércules. A edição foi lançada e ninguém viu até que um site chamou a atenção para o fato. Aí polarizou e chamou novamente a atenção para a indústria inserir questões homossexuais nos quadrinhos. Recentemente a Marvel fez um casamento gay e a DC promete o mesmo.

Minha atenção, no entanto, está em James Robinson. Autor de Terra 2, uma série de Os Novos 52 da DC Comics, que faz uma releitura da Sociedade da Justiça, ele apresentou o Lanterna Verde Allan Scott como gay.

Fãs brasileiros enxeram o saco de Robison e ele prometeu que quando chegar o momento irá fazer Scott ter um namorado brasileiro. Áh! Será muito divertido!

Mônica, 50 anos!


A última semana foi especialmente cheia para os fãs de quadrinhos. Mônica, criação de Maurício de Souza, completou cinquenta anos no domingo, 03/03/2013.

Parabéns!

Em um país onde não há histórico de produções nacionais duradouras, Mônica e sua turma estão à disposição do público mês a mês a cinco décadas e sua variação “Turma da Mônica Jovem” tem tiragens superiores a 400 mil exemplares!