Neil Gaiman, Sandman e a nova edição da Panini (I)

Neil Gaiman é um autor de fantasia inglês.

Ele começou sua carreira cobrindo a cena musical. É dele uma biografia do Duran Duran de 1987. Em 1987 ele substituiu Alan Moore em Miracleman e em 1988 chegou na DC Comics. Fez Orquídea Negra e algumas histórias soltas.

A partir de 1989 ele criou e escreveu Sandman, uma série de fantasia dentro do Universo DC. A série durou 75 números (mas tem uma edição extra chamada "Sandman Special"). Além de Sandman Gaiman escreveu a série inicial de Os livros da magia que se tornou uma longa mensal e influenciou toda a produção de quadrinhos de fantasia da editora.

Desde antes de encerrar, mas especialmente depois, Sandman está sendo reimpressa. Geralmente as 76 edições são divididas em 12 arcos, que são reunidos em 10 encadernados – dois encadernados reúnem 2 arcos de histórias curtas. Além desde formato de encadernados, a DC Comics também divide a série em 2 ou 3 encadernados no formato OMNIBUS ou Absolute.

No Brasil Sandman foi publicado pela Globo a partir de 1990 e depois em uma parceria entre Globo/Devir Livraria. Usando sobras de edições a Globo publicou encadernados de alguns arcos. A Brainstore, editora mais vinculada a materiais adultos, reiniciou a publicação de Sandman em forma mensal. A partir dos anos 2000 a Conrad publicou, em capa dura, uma série de 10 encadernados de Sandman.

No meio dos anos 2000 a Pixel Editora assumiu durante dois anos a publicação de material Vertigo (o selo da DC Comics ao qual Sandman está vinculado) no Brasil. E reiniciou a publicação dos encadernados, agora em capa cartão. 

Quando assumiu a publicação exclusiva de todo o material DC no Brasil, a Panini decidiu publicar Sandman no formato Absolute, dividindo a edição original em dois volumes. Com a publicação de diversas histórias comemorativas desde quando a edição finalizou em 1995 esta série tem 5 volumes, 4 que cobrem a série original e 1 para as histórias póstumas.

Devaneio, segundo o Dicio Online.
Jotapê Martins é um dos mais conhecidos tradutores de quadrinhos no Brasil. Quando traduziu a série para a Conrad sugeriu que o personagem principal de Sandman Sonho (Dream) tivesse seu nome alterado algumas vezes para “Devaneio” de modo a sugerir a identidade dos sete Perpétuos, “irmãos” de Sonho e todos com nome iniciado com “D” em inglês, já que ao traduzir para o português “Sonho” (Dream) e “Morte” (Death) não havia uma maneira para que o leitor compreendesse plenamente a ideia. Os editores da Conrad negaram a ideia, mas anos depois o tradutor conseguiu que os editores da Panini aceitassem e, em alguns momentos, personagens se referem a Sandman como “Devaneio”, quando em inglês falam “Sonho” - o personagem é a personificação física do Sonho e do Sonhar.

Em março de 2019 a Panini publica uma nova série em encadernados de capa cartão de Sandman no Brasil. Acessível o primeiro volume foi distribuído no início da segunda quinzena de março às bancas (R$35,00) e trouxe o arco “Prelúdio & Noturnos” com a capa da edição comemorativa de 30 anos.

Infelizmente além do uso da “Devaneio” em alguns momento (em frases como “Devaneio, o Sonho...” tomando o cuidado para não substituir totalmente a tradução anterior, acrescentando assim a nova designação) a edição trouxe erros grosseiros de uso de arquivos digitais. Acostumados ao tamanho maior da coleção Absolute, que serviu como base para esta nova coleção, os editores da Panini não se atentaram que alguns balões de texto ficaram mal diagramados – ou até vazios!

Nas redes sociais, que tornam todos acessíveis mundialmente, o autor Neil Gaiman disse que se decepcionou com a edição. É a primeira vez que um autor se refere a uma edição brasileira em décadas e não é para elogiar. Gaiman além de escritor de quadrinhos bastante conhecido se tornou uma fonte adequada para séries de TV que adaptam seus trabalhos originais. Neste momento o serviço de streaming Amazon Prime está em campanha de divulgação de "Belas maldições" (baseado no livro de Gaiman & Terry Pratchet) além de estar exibindo a segunda temporada da série do canal Starz "Deuses americanos" (baseado em livro de Gaiman, sucesso de crítica e público).

Até hoje (terça, 26/03, 9:30) a Panini não se pronunciou sobre o fato.

O mundo de Quatuorian, volume 1

O mundo de Quatuorian, volume 1
O mundo de Quatuorian, vol 1: Cheiro de tempestade [2017]
Cristina Pezel
ISBN 978-85-67218-18-2
Mundo Uno Editora, 2017

A carioca Cristina Pezel consegue entrar em uma seara por demais conhecida - a jornada do herói - e construir um universo fantástico digno e interessante.

A trama é simples e o desenrolar adequado ao tema. Teriva, Vinich e Julenis são adolescentes em Quatuorian, onde em determinada idade manifestam poderes fantásticos e seguem para um treinamento que os tornará adultos e responsáveis. Teriva no momento de seu nascimento, teve seu pai assassinado por Vorten em um duelo e se vê privado de seuas terras e bens, criado pelo pai de Vinich, a quem tem por irmão.

No início da adolescência eles, juntos com dezenas de jovens de vários reinos, rumam para a Estação Gnária onde aprendem a controlar seus poderes e são apresentados a parte dos mistérios e profecias daquele mundo.

Em paralelo Vorten, desejoso de consolidar sua posição de podre, não abre mão de associações escusas com criaturas místicas e seres abissais, e se torna um vilão crível por sua sede de poder e atos malignos.

Pezel constrói um mundo fantástico perfeito para adolescentes em primeiro contato com a fantasia: centrado em três adolescentes, seus conflitos e paixões e  capítulos curtos, geralmente de 4 a 5 páginas facilitando a leitura para os iniciantes. 

Para leitores antigos a jornada do herói e seu treinamento em uma escola distante não é novidade, mas a escritora consegue embalar a ideia com uma mitologia consistente e estabelecendo um cenário fantástico que perdura à leitura, além de raças e animais novos.

A versão a quem tive contato, dividida em dois volumes é o relançamento da obra de 2016 com mais conteúdo. Não posso opinar sobre o texto anterior, mas este me agradou bastante. É uma leitura deliciosa e rápida, além de muito aconselhável para o primeiro contato dos leitores com a literatura fantástica. Aconselho a todos, mesmo o experiente no tema.

Perry Rhodan 4: O crepúsculo dos deuses

Autor: Clark Darlton


A trama: Crest finalmente se recupera da leucemia e decide passar à Rhodan e Bell o conhecimento arcônida, tornando-os pessoas capazes de impor sua vontade à terceiros.


As potências preparam dois ataques distintos à abóbada, um é subterrâneo e outro e a preparação de um a agente para se infiltrar na abóboda.

Apenas o primeiro plano é definitivamente posto em prática no volume, mas facilmente derrotado visto que Rhodan tem a simpatia de agentes das potências.


Surgem os primeiros mutantes, quase todos frutos de Hiroshima e de exposição de seus pais à radiação. Aqui surgem um telepata (John Marshall) e um teletransportador (Tako Kakuta) simpáticos à causa de Rhodan e seus companheiros. 
É um volume divertido, ainda que uma clara preparação do cenário para os eventos que se seguiriam.

Perry Rhodan
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5: Alarma galáctico
 

Shatted Image [1996]

Barbara Kesel, autora de quadrinhos ligada à fantasia, escritora de uma boa fase de Rapina & Columba, escreveu junto com Kurt Busiek a série Shattered Image onde uma entidade ameaça o continuum da editora Image Comics e como resultado surgem seis mundos!

Naquele momento (1996) a Image passava por problemas, em especial pela saída de Rob Liefeld. Jim Lee que havia trabalhando para a Marvel junto com Liefeld não teria problemas maiores e mesmo fazendo a série WildCATS/X-Men em 1997, vendeu seu estúdio para a DC Comics em 1998.

Shattered Image foi uma maneira de anular na continuidade da editora a participação dos personagens de Liefeld – um personagem dele havia sido responsável pela morte do Spawn, algo revisto.

Publicado em 4 números, com arte do iniciante Tony Daniel Shattered Image lembra Crise nas Infinitas Terras na forma e no conteúdo e sua maior curiosidade é a presença de um certo homem-morcego conservando com o Spawn e convidando-o para ir para seu mundo. Spawn diz se lembrar dele, mas a memória não é nítida e a imagem apenas sugere o personagem.

Não vale a pena gastar seu rico dinheirinho nisto apesar da competente Barbara e do mais que capacitado Busiek.







Black Hammer vai além! (Até quando?)

Ontem a Dark Horse anunciou que haverá um encontro entre os personagens da série Black Hammer e a Liga da Justiça. Será em cinco partes e escrito pelo criador da série Black Hammer, Jeff Lemire.

Lemire tem uma voracidade em fazer derivados de Black Hammer! Fez Doutor Starr, Quantum Age, Garota Cthulu, Black Hammer ‘45 e reiniciou a série principal em Black Hammer: The age of doom. Está alimentando seus fãs que estão consumindo as obras e as achando boas ou divertidas. Doutor Starr é considerado uma pequena obra prima. Quantum Age tem um grande valor sentimental para mim porque é uma releitura da Legião dos Super-Heróis, grupo pelo qual eu tenho grande afeição. Garota Cthulu é “só” divertido – mas em uma época em que os quadrinhos esquecem de sê-lo.

Isto me lembra Astro City de Kurt Busiek. Busiek criou em 1993 uma série autoral publicada pela Image Comics, depois pela WildStorm (DC) e depois pela Vertigo (DC) onde se explorava os arquétipos dos heróis em uma cidade/universo em que eles são adorados. Diferente de Lemire, Busiek resistiu à tentação de derivados. Sim ele publicou especiais, mas eram feitos quando a série principal estava parada e pela mesma equipe criativa. Durante todo o período da série apenas um arco, relativamente recente teve um artista diferente de Brent Anderson.

Mesmo quanto havia rumores fortes de uma série de TV ou filme, Busiek resistiu. Mesmo quando o hiato entre as edições ia ao limite, Busiek resistiu. Lemire, não. Além de fazer uma dezena de séries regulares entre autorais e não autorais o autor não se fez de rogado: paralisou a solução da trama principal de sua série e começou a produzir derivados, jogando a solução da história sempre para a frente.

Isto não diminui a qualidade do que Lemire faz, mas é um indicativo que suas ideias podem se esgotar mais rapidamente.

A ver!

Perry Rhdoan 1802: Os filhos adotivos do Sol, Hubert Haensel

[A trama]
Cistolo Khan, comissário da LTL, tem a difícil missão de organizar todo o acesso a Trokan, rodeado de dezenas de jornalistas, assim como dar acesso ao auto exilado por 48 anos Perry Rhodan e sua nave Gilgamesh que pede autorização para entrar no Sistema Solar.

Mas o ousado jornalista Gloom Bechner, acompanhado por sua equipe desobedece a ordem do comissário e pousam em Trokan e tem contato com os herreachs cujo mundo passa por profundas mudanças.

[Opinião]
O episódio constrói uma tensão legítima sobre a relação de Rhodan com Khan, e as responsabilidades do último. Khan realmente entende as boas intensões do imortal, mas por uma questão política não pode dar acesso a Rhodan baseado apenas em sua palavra, sem fatos.

O restante do episódio é basicamente a aterrissagem em Trokan das equipes de Khan e de Bechner e a reação da população local, além surpresa do primeiro contato.


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Ciclo 27: Os Tolkandenses
Episódio 2
1802
Os filhos adotivos do Sol

Ciclo 27: Os Tolkandenses
Episódio 3
1803
O gigante Schimbaa


Ciclo 27: Os Tolkandenses
Episódio 4


A vida da Capitã Marvel [Panini, fev/2019]

[A trama]
Ao retornar à casa de sua família, Carol Danvers vê-se obrigada a ficar mais tempo devido a um acidente com seu irmão. Ao mesmo tempo descobre um segredo de seu passado e contas antigas serão cobradas.

[Opinião]
Salvo o fato de que a última parte da minissérie coletada neste encadernado foi publicado em fevereiro de 2019 nos EUA (cover date), tornando a publicação quase simultânea, não há curiosidade maior na série. 

Ela serve para recontar a vida de Carol em seu lar e acrescentar um retcon para a personagem. Retcon é a abreviatura em inglês de "continuidade retroativa" que é a inserção de detalhes no passado de um personagem ou de um universo, de modo a que sempre estivessem ali. O mais famoso caso de continuidade retroativa é o Superboy, mas há série mais recentes que abordavam o tema como The Invaders de Roy Thomas, The All-Star Squadron de Roy Thomas, The Untold Tales of Spider-Man de Kurt Busiek e X-Men: Hidden Years de John Byrne. 

Leitores mais antigos irão estranhar que o conflito entre Carol Danvers e seu pai, tão presente na série Ms. Marvel [1977] foi justificado pelo retcon. Originalmente Carol tinha mágoas do pai que não quis lhe pagar o ensino superior e fugiu de casa. O fato está ali, mas dessa vez há alguma razão do pai. Diminuindo assim o fato original que era movido pelo preconceito.

Ofende apenas os leitores antigos, mas como o foco é o público que irá conhecer a heroína no filme então "está tudo bem". 

Escrita por Margaret Stohl e com arte de Marguerite Sauvage (passado) e Carlos Pacheco/Rafael Fonteriz (presente), o encadernado em 124 páginas, capa cartão e preço de R$ 19,90. Panini Comics, fev de 2019.

Perry Rhodan 3: A abóbada energética

[A trama]
Perry Rhodan e Reginald Bell estão sob a abóbada energética mantida pelos artefatos alienígenas. A abóbada está sob intensa artilharia pesada e parece que dá sinais de falha próxima, do qual os ex-major não tem certeza pois não conhece a tecnologia. Ao mesmo tempo Thora, a alienígena que ficou na base lunar, pressiona para que restaurem a saúde de Crest, com leucemia – no episódio anterior a equipe pediu auxílio a um médico australiano.

Para coroar a tensão as potências estabelecidas também decidem enviar uma nova missão para destruir a base lunar!

[Comentários]
É realmente um episódio de urgências. Há realmente uma tensão verdadeira! Enquanto a abóbada energética está sendo alvejada é possível “ouvir” o som da artilharia e a tensão que percorre Rhodan em saber que seu plano pode falhar. Mesmo com a simpatia de alguns agentes das potências há uma dúvida razoável de como isto ocorrerá.

É um excelente episódio e com um suspense verdadeiro que o mantém interessado na leitura.


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1º ciclo:
A 3ª Potência
Episódio 2
Clark Dalton
3: A Abóboda energética

1º ciclo:
A 3ª Potência
Episódio 3
K. H. Scheer

1º ciclo:
A 3ª Potência
Episódio 4
Clark Dalton