Hellblazer - ordem de publicação no Brasil
Hellblazer, série de encadernados da Panini
Origens (Jamie Delano):
1 - Hellblazer 1 a 6
2 - Hellblazer 7 a 10/Swamp Thing 76-77
3 - Hellblazer 11 a 17
4 - Hellblazer 18 a 23
5 - Hellbalzer Annual 1/Hellblazer 24 a 27
6 - Hellblazer 28 a 34
7 - Hellblazer 35 a 40; 84; 250/Vertigo Secret Files: Hellblazer 1
8 - The Horrist 1 e 2/ Hellblazer Bad Blood 1 a 4/ Hellblazer 250
Infernal (Garth Ennis):
1 - Hellblazer 41 a 48
2 - Hellblazer 49 a 55
3 - Hellblazer 56 a 61
4 - Hellblazer 62 a 67
5 - Hellblazer 68 a 71/Hellblazer Special 01
6 - Hellblazer 72 a 77
7 - Hellblazer 78 a 83/Hellblazer: Heartland 01
8 - Hellblazer 129 a 133/Vertigo Winter's Edge 2
Demoníaco (Paul Jenkins):
1 - Hellblazer 85 a 90
2 - Hellblazer 91 a 96
3 - Hellblazer 97 a 101
4 - Hellblazer 102 a 107
5 - Hellblazer 108 a 114
6 - Hellblazer 115 a 120
7 - Hellblazer 121 a 128
Assombrado (Warren Ellis):
1 - Hellblazer 134 a 140
2 -
Amaldiçoado (Brian Azzarello):
1 - Hellblazer
2 - Hellblazer
3 - Hellblazer
4 - Hellblazer
5 - Hellblazer
Hellblazer #141 a 159; Pixel Magazine #1; 6; 3; 5; 7 a 20; Brian Azzarelo
Hellblazer #157 a 163 em Hellblazer Congelado; 2009-12; Brian Azzarelo
Hellblazer #164 a 169 em Hellblazer Hightwater; 2010-07; Brian Azzarelo
Hellblazer #170 a 174/Vertigo Secret Files: Hellblazer 1 em Hellblazer Cinzas e Pó na cidade dos anjos; 2010-11; Brian Azzarello
Hellblazer #175 a 215; Vertigo #01 a 38
Hellblazer #216 a 222 em Hellblazer A empatia é o inimigo; 2013-02; Denise Mina
Hellblazer #223 a 228 em Hellblazer A mácula vermelha; 2013-05; Denise Mina
Hellblazer #229; Vertigo #38
Hellblazer #230 a 237 em Hellblazer O passeio; 2015-01; Andy Diggle
Hellblazer #238 a 242 em Hellblazer O mago que ri; 2015-05; Andy Diggle
Hellblazer #243 a 249 em Hellblazer Raízes da Coincidência; 2015-09; Andy Diggle
Hellblazer #246; Vertigo #41
Hellblazer #250; Vertigo 43 (história principal); Vertigo 42
Hellblazer #251 a 260; Vertigo #44 a 51
Hellblazer #261 a 266 em Hellblazer Índia; 2014-04; Peter Milligan
Hellblazer #267 a 275 em Hellblazer Cravos sangrentos; 2014-08; Peter Milligan
Hellblazer #276 a 282 em Hellblazer Dores fantasmas; 2014-09; Peter Milligan
Hellblazer #283 a 291 em Hellblazer O capote do diabo; 2016-02; Peter Milligan
Hellblazer #292 a 297 em Hellblazer A maldição dos Constantinte; 2016-06; Peter Milligan
Hellblazer Annual 2011/Hellblazer #298 a 300 em Hellblazer Morte e cigarros; 2016-08; Peter Milligan
Minisséries ou especiais:
Hellblazer A cidade dos demônios - City of demons 1 a 5/Vertigo Winter's Edge 3
Hellblazer Pandemônio; 2011-03; J. Delano da série Hellblazer Pandemonium
Hellblazer Passagens Sombrians; 2011-11; Ian Rankin da série Hellblazer Dark Entries (formato pequeno, em preto e branco)
FGTS, 50 anos!
Conhecer
a história e o contexto de como as coisas se dão é importante.
Quando vemos a grita por menos impostos um dos alvos é o Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço. Tornado lei em 13 de setembro de
1966 – portanto durante a ditadura militar – a lei previa que o
empregador fizesse um depósito compulsório no valor de 8% do
salário para o empregado em uma conta administrada atualmente pela
Caixa Econômica Federal (CEF) e a qual o empregado só teria acesso
em caso de demissão sem justa causa e outra dezena de situações.
A
nova legislação, Lei 5.107 de 13 de setembro de 1.966, entrou em
vigor para substituir um direito anterior: estabilidade decenal. Em
resumo o empregado após dez anos de serviço tinha estabilidade e só
poderia ser demitido por justa causa. Alguns argumentam que havia um
trabalho constante dos empregadores para demitir o empregado antes de
ele ter direito à estabilidade (até 9 anos, por exemplo).
No
cenário até 1966 caso o patrão decidisse demitir um empregado ele
pagaria uma indenização de um salário por ano trabalhado ou dois
por ano trabalho, caso fosse após a conquista da estabilidade.
A
soma das doze parcelas mensais de 8% (12 x 8% = 96%) mais o juro
acumulado ao ano criava um depósito que se assemelhava em muito ao
valor do salário. Benefícios como férias e o posterior 13º
salário também contribuem com o fundo, fazendo com que em um ano o
depósito ultrapasse o salário (13 x 8% = 104% ou, em caso de
férias, 13,3 x 8% = 106,4%).
O
clima para a aprovação da alteração foi tenso. Em 1.966 os
generais ainda queriam manter a falsa impressão de normalidade e
tentaram passar o Projeto de Lei via Congresso, sem sucesso. Nenhum
deputado gostaria da responsabilidade de ter auxiliado a encerrar a
estabilidade. O Projeto foi aprovado via Ato Institucional 2 (1965)
que previa a promulgação automática de projetos do executivo que
não fossem votados em trinta dias.
A
publicidade vinculou o FGTS à ideia do financiamento para a casa
própria, além de trabalhar no imaginário, já que a indenização
só serviria para casos de demissão. Com o FGTS, em caso de
aposentadoria, o empregado também tem direito ao saque. Ao final a
ideia também conquistou aos empregadores, pois desta forma, a
indenização seria paga em parcelas e o empregador não sentiria um
peso ao demitir funcionários.
Houve
algumas alterações e atualmente em caso de demissão sem justa
causa o empregador é obrigado a pagar 50% do valor da conta, sendo
40% para o empregado e 10% para cobrir um rombo nas contas do FGTS
(início dos anos 2000). Curiosamente quando o rombo foi coberto
(cerca de 2015) o governo praticamente institucionalizou a cobrança
adicional. A partir de 26/09/2018 parte do valor do FGTS poderá ser
dado em garantia para financiamentos de empréstimos na CEF com uma
taxa anunciada de 3,5% a.m.
Binti, Nnedi Okarafor [2015]
Talvez
uma das frases mais legais da ficção científica atual seja “Eu
sou Binti Ekeopara Zuzu Dambu Kaipka da Namíbia”. Ela
carrega um peso de autoconhecimento único e apresenta uma pessoa
especial. Binti, a menina que é a primeira de seu povo a ir mais
longe que suas fronteiras não é única! Tramas de alunos em viagem
para a escola onde aprenderão conhecimentos avançados começa bem
antes de Ursula Le Guin (O feiticeiro de Terramar,
1968) e vai além, chegando e atravessando JK Rowling. A
partida de casa e os desafios são metáforas para o fim da infância,
a chegada da adolescência, as responsabilidades e, em algumas séries
o início da vida adulta. Mas Binti é especial!
Binti
(ISBN 978-0-7653-8446-1,
Tor Books, 2015) a novella faz parte de uma
corrente da ficção científica chamada “africanfuturism” ou
ainda “afrofuturism” que se trata de utilizar a cultura,
tradição, cosmologias e estéticas africanas na construção de
narrativas próprias, desvinculadas dos modelos ocidentais. Nnedi
Okarafor, a autora, não é a única a fazer uso disto – e nem
a primeira em que tive contato, mas seu diferencial é a
sensibilidade com que trata o tema.
Na
trama, Binti, membro da minoria étnica dos himba, está em um
conflito. Ela foi convidada para estudar na universidade Oomza Uni
em um planeta distante e aparentemente uma referência em ensino. Com
grandes habilidades matemática a jovem é uma “harmonizadora” e
seria a substituta do pai na loja em que negocia astrolábios. Além
disso seu destino está traçado e seu povo nunca deixou seu lugar de
origem.
Binti
decide fugir e rumar para Oomza Uni, mas no caminho cruzará com os
“Medusa” que estiveram em guerra com os khoush – a
maioria étnica de seu local de origem. Descobrirá também um uso
especial para o otjize – uma pasta que mistura argila, nata
de leite, flores e pigmentos e é utilizado com fins estéticos e
identitários pelo povo himba, cuja versão da série é
baseada em uma etnia que habita a Namíbia – e para um
artefato ancestral que encontrou anos antes – o edan.
Além
da ação própria do plot há uma genuína sensibilidade em
tratar os personagens, suas particularidades, suas visões de mundo e
toda sua herança cultural. A autora foge das coisas fáceis e
armadilhas de roteiro, não deixando de fazer todas as críticas
possíveis, mas apenas de outra forma com uma nova estética e para
uma nova audiência.
Interessantíssimo!
Nota:
9/10.
Caliban’s War [The Expanse series, Livro 2], James S. A. Corey
Os
escritores Daniel Abraham e Ty Franck que utilizam o
pseudônimo James S. A. Corey fazem algo raro no meio:
entregam o que prometem! Seja no conteúdo, seja no volume, desde
2.011 Corey tem entregue aos leitores anualmente cerca de 550 páginas
de texto passados no universo ficcional conhecido como a Expansão
– mas para efeitos midiáticos usaremos a versão em inglês “The
Expanse”.
Neste
universo o ser humano colonizou o Sistema Solar. Lua e Marte são
habitados. Marte tem governo próprio, bastante militarizado, que se
indispõe contra o governo terrestre. O cinturão de asteroides
também é habitado, mas por uma classe de trabalhadores chamada
cinturinos [belters, no original]. Apesar de relegados
a uma condição inferior, provocada também por posições racistas
em relação às alterações físicas na exposição à gravidade
zero e radiação espacial, cabe aos belters e as classes
trabalhadoras manter a produção de alimentos e de água potável
para alimentar os habitantes dos planetas internos. Devo confessar
que li críticas sobre a viabilidade financeira de tal
empreendimento, mas isto caiu em minha “suspensão da descrença”
e eu posso viver com isto.
Quem
leu o primeiro romance da série, Leviatã desperta (Leviatan
Wakes) ou assistiu a primeira temporada da série de TV que
adapta a trama sabe que os autores criam personagens cativantes,
ainda eu que prefira outros narradores de ponto de vista que não
James Holden; e os autores me presenteiam com três novos:
Chrisjen
Avasarala – executiva das Nações Unidas, Avasarala é
perfeita! Energética, política, autoritária e uma verdadeira
“vovozona” com uma boca suja e um coração enorme! Seus
capítulos são de longe os melhores e sua disposição de apostar
alto e colocar seu rabo na reta chama a atenção. É a mesma
personagem da série de TV essencialmente, com a diferença de que
nos livros só surge a partir do segundo volume. Em um lance
arriscado para entender um acidente em Ganymede, Chrisjen contrata
para seu escritório a sargento marciana renegada Bobbie Drapper algo
que as jogará em uma missão diplomática para a lua distante!
Prax
Meng – Botânico que trabalha em Ganymede, Prax está em busca
de sua filha sequestrada durante o início dos conflitos. O seu
caminho se cruza com o da pessoal da Roccinante que assumem para si a
missão de encontrar e resgatar Mei.
Bobbie
Drapper – Em uma missão em Ganymede Roberta Drapper tem seu
esquadrão estraçalhado por um monstro que anda na superfície da
lua de Júpiter sem armadura. Bobbie sobrevive, mas descobre-se
responsabilizada por atacar o esquadrão terrestre que patrulhava a
fronteira junto seu seu e que seu governo a jogou aos leões! Irada,
Bobbie se desliga das forças marcianas e passa a trabalhar para a
política terrestre Chrisjen Avasarala, união que as levará a
encontrar a tripulação da Rocci.
Assim
que há o ataque em Ganymede, no primeiro capítulo do livro,
inicia-se um conflito acima da lua de Jupiter e a OPA envia a Rocci
para auxiliar no resgate de civis. Holden está transtornado pela
culpa do conflito anterior e ao descobrir evidências de que um
monstro transformado pela protomolécula tem envolvimento no início
do conflito, isto se acirra ainda mais, já que foi ele que entregou
a protomolécula para Fred Johnson, chefe da OPA. A lenta
transformação de Holden em alguém frio e violento, com uma enorme
carga de culpa para expiar, cria uma tensão entre ele e Naomi
Nagata, parceira na Rocci. De resto a tripulação original da Rocci,
que a Holden e Naomi somam-se Amos e Alex, continua
sendo um time divertido e bastante azeitado. Amos é o típico “tio”
violento e explosivo, cuja personagem é responsável por dezenas de
bons momentos; enquanto Alex continua sendo apenas o piloto. A maior
informação sobre o piloto é dada por Avasarala e não passa de
linha e meia de texto. Com a chegada de Bobbie Draper e Chrisjen na
Rocci (após a metade do livro) o personagem recebe alguma
relevância, já que também é marciano, mas nada que o torne
realmente interessante. Amos rende um pouco mais, já que
imediatamente se sensibiliza pela situação de Prax, o quê deixa
relevar várias partes de seu passado, seja em flashbacks,
seja em narrativa de relatórios. O personagem cresce, mas ainda é
pouco profundo, certamente sendo uma excelente possibilidade para um
futuro personagem narrador. Evidentemente não ter um conflito
interno sobre o quê faz o simplifica bastante, mas em uma situação
extrema será uma oportunidade impar para ver sua versão dos fatos.
Caliban’s
War [ISBN 978-0-316-20227-5, Orbit, 2012] é
essencialmente um livro de ação, centrado nas ações de time em um
cenário de guerra em um cenário maior de sci-fi. É, por definição,
um romance de space opera. Os personagens são envolvidos em
um conflito menor e passam a tentar impedir que haja um conflito
maior, assim como impedir que uma empresa forneça mão de obra para
fomentar este conflito maior. Em torno disto, o drama de um pai que
perdeu sua filha e a pouca chance em recuperá-la nos faz torcer
automaticamente por ele. Se a simplicidade de Holden, com sua ação
típica de “vamos divulgar tudo” irrita, parece que os autores
tem perfeito conhecimento disto e querem que o personagem seja assim,
já que Avasarala o critica abertamente por estas posturas e rouba a
cena: pouco após atracar na Rocci é a sub-secretária que está
realmente mandando na nave! Mas novamente, como Miller no primeiro
romance, o falso antagonismo entre Holden e Avasarala faz com que os
personagens se complementem. E o resultado funciona!
Como
quase todos os romances atuais, vencer as primeiras 250-300 páginas
exige um pouco do leitor, já que os autores estão posicionando seus
personagens e os eventos, mas a partir daí tudo funciona muito bem.
Eu mesmo venci 120 páginas no último dia de leitura, incapaz de
deixar para lá o livro. Por fim, Corey cria uma tensão que se
assemelha em tom ao final do primeiro romance, mas conseguem não se
repetir. E até o penúltimo capítulo “fecham” a trama, deixando
em aberto a continuação apenas no último momento do último
capítulo.
Vencer
as 598 páginas de Caliban’s War foi importante para mim por dois
motivos. O primeiro é que se torna o mais volumoso livro que li em
inglês. Para mim o nível de concentração e de energia é maior
que eu gasto quando o livro está em português. Segundo, que rompi
em parte o preconceito contra dispositivos digitais, pois o li no
Kindle (versão iPad, confesso). Já havia lido alguns
livros técnicos e da área de administração pública, minha área
de formação, mas na ficção eu havia ficado restrito em contos e
noveletas, algo curto e geralmente barato.
Mas
minha crítica ao equipamento continua: enquanto a proprietário do
software de leitura digital (o Kindle pertence à Amazon)
tiver possibilidade de alterar e censurar livros depois que estão em
meu equipamento eu não me sentirei plenamente à vontade em usar
este meio. Há dois itens adicionais: a possibilidade de empréstimo
e a possibilidade de revenda, ambas inexistente no momento – ao
menos são pouco divulgadas, se existirem – também me afastam de
usar intensamente o formato. E é claro, o medo de transformar o
livro digital no formato preferencial de distribuição e como isso
dará poder à Amazon.
Nota:
8/10.
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The Expanse, a série de livros
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1
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Leviatã Desperta [Leviatan Wakes
02/06/2011, no Brasil Editora Aleph, 2017]
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2
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Caliban’s War [26/06/2012]
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3
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Abaddon’s Gate [04/06/2013]
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4
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Cibola Burn [05/06/2014]
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5
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Nemesis Games [02/06/2015]
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6
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Babylon’s Ashes [06/12/2016]
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7
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Persepolis Rising [05/12/2017]
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8
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Tiamat’s Wrath [04/12/2018]
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The Expanse, contos/novelas
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1
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The Butcher of Anderson Station [17/10/2011]
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2
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Gods of Risk [15/09/2012]
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3
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Beloved of Broken Things [27/11/2012]
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4
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The Churn [29/04/2014]
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5
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The Vital Abyss [15/10/2015]
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6
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Strange Dogs [18/06/2017]
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Mulher-Maravilha: Guerra [Panini, 2018]
O
ponto mais difícil para um autor é saber quando dizer “Fim”. As
histórias coletadas em “Guerra” são exemplos claros disto.
Nos
volumes anteriores descobrimos que Diana é filha de Zeus e que há
um novo “último” herdeiro, dono de uma maldição própria. A
heroína decide proteger a criança e agrega alguns personagens
interessantes, outros nem tanto, mas se destaca Órion de Nova
Gênese, visto que foi na série Wonder Woman de Os Novos 52 que
a DC Comics decidiu trazer para o Universo DC o conceito de Os Novos
Deuses.
A
série é visualmente interessante e tem conceitos de arte originais
para representar os deuses e semideuses, mas parte da magia se perde
na quarta edição exatamente porque já vimos tudo aquilo antes. E é
isto! Surge mais o inimigo bestial, o “Primogênito”, mais uma
luta, mais feridos e em determinado momento da trama Orion decide
levá-los para Nova Gênese para tratar os ferimentos e para dar um
respiro. Surge a edição 22 que é o interlúdio no mundo dos Novos
Deuses sem, no entanto, aprofundar muito nas motivações,
apresentando um Pai Celestial mais militar e menos tolerante com
Órion. Deixa claro que teremos mais para a frente.
A
irritação é que a última edição (23) termina sem terminar a
trama, deixando tudo em aberto, deixando claro que as edições
#19-23 foram “apenas” um capítulo e o melhor resumo do capítulo
é “um inimigo poderoso se estabelece, conhecemos Nova Gênese e um
amigo caí” é isto que acontece na edição.
Chocada
com mortes ditas desnecessárias, a heroína decidir não matar o
antagonista que vitimou tantos companheiros e segue para velar pelo
meio-irmão tombado. Estende a conclusão de parte da trama para os
arcos seguintes, ao meu ver desnecessariamente. Há uma certa beleza
e até poesia no desenrolar, mas como não há conclusão de fato e
tudo fica em aberto para uma nova rodada do conflito que era o foco
da edição, então soa mal. Novamente muito volume de papel para
pouca história.
Mulher-Maravilha
(volume 4): Guerra; Panini Comics, 2018, ISBN
978-85-4260-988-2; reúne Wonder Woman #19-23 com texto de
Brian Azzarello, lápis de Cliff Chiang e Goran Sudzuka e finais de
Tony Akins e Dan Green.
Scooby Apocalipse volume 1 [Panini, 2018]
Reunir
JM DeMatteis, Keith Giffen e Howard Porter
(emulando em muito Kevin Maguire) certamente seria uma tentativa de
reeditar o processo de Liga da Justiça Internacional, mas não
funcionou assim! Infelizmente!
Scooby
Apocalipse tem uma história sólida mas que não consegue evitar
a sensação de “já vi isto” a todo o momento!
A
trama que adapta o plot básico da série de desenhos animados
“Scooby-Doo onde está você?” para nosso contexto de
conspiração a cada esquina e mostra os astros de um programa de TV
decadente, Daphne e Fred, sendo convocados por uma
cientista misteriosa Velma para denunciar um experimento
genético. Inadvertidamente se unem a eles “Salsicha” Rogers,
um treinador de cães, que se afeiçoou ao covarde dogue alemão
Scooby-Doo que vive com implantes que lhe permite falar em
reduzido nível e projetar emoticons!
A
trama tem seu ápice quando os cinco já reunidos invadem a estação
de pesquisa, mas o vírus de nanitas é liberado na atmosfera,
transformado alguns infectados em monstros da cultura pop. Velma
passa a expiar a culpa e uma história bem risível é construída em
cima disso, enquanto ora Daphne a culpa, ora compreende que a
cientista queria denunciar o experimento.
A
representação dos personagens está adequada, bem palatável.
Salsicha é retratado como um hipster idiota, Fred como um
apaixonado que é capaz de fazer tudo por Daphne, mas certamente
esta, Velma e Scooby se destacam, especialmente a cientista que é
dona de parte da narrativa sobre os “comos” e os “porquês”.
Há, no entanto, espaço para todos. Infelizmente parece um “The
Walking Dead” genérico, algo que nos ligaremos afetivamente
enquanto durar a série, mas que, quando encerrar, poremos no fundo
do baú e só tiraremos a cada década para dizer falsamente “quanto
era bom”.
A
arte do Porter é ruim, estática e seu personagens parecem
envelhecidos, isto quando não está copiando a construção facial
de Maguire! Em alguns momentos Fred parece uma “tiazona” de
sessenta anos com sucessivas plásticas que não funcionaram tão
bem! Salvam as belas capas alternativas de Jim Lee –
evidentemente para quem gosta da arte dele. O roteiro é básico: com
a contaminação os cinco tem que resolver suas diferenças enquanto
estão aprisionados em um mercado após terem fugido da estação de
pesquisa em uma “Máquina do Mistério” em formato de
tanque. Estarem presos daquela maneira me lembrou muito “The
Walking Dead” no início, quando estavam na prisão.
Construída
no processo de repaginação das propriedade “Hanna-Barbera”,
“Scooby Apocalipse” foi minha maior expectativa e maior decepção!
Acompanhei o lançamento e li os dois primeiros números, mas lendo o
primeiro volume completo achei parado, sem desenvolvimento, com um pé
no freio! Muita coisa acontece no número 1, alguma no número 2 e
depois é só repetição ou estagnação. Talvez se a série migrar
para o humor sem limites que caracterizou a Liga da Justiça
Internacional eu continue! Curiosamente neste momento já foi lançado
no número 25 nos EUA, tornando-se uma das séries com maior duração
do projeto, indicando que certamente os autores conseguiram salvar o
arroz! No Brasil o volume 2 já está disponível para pré-venda.
Certamente
um material que não é apenas para saudosistas, pois atira em todas
as direções, mas me soa como o produto mais fraco do projeto.
Scooby
Apocalipse volume 1, ISBN 978-85-8368-280-6, Panini
Comics, 2018, reúne as edições #1-6 da série americana Scooby
Apocalypse.
Thanos volume 1: Thanos retorna [Panini, 2018]
Ontem
li Dylan Dog Mater Mobi, onde uma personificação da doença
contaminada o detetive do pesadelo, Hoje leio Thanos (Panini,
março de 2018, ISBN 978-85-4261-060-4) onde o personagem
título descobre-se doente de uma doença terminal e isto é o
gatilho para toda a trama deste volume que coleta as edições #1-6
da série de 2016 do personagem – em tempo: há, no mínimo, mais
uma série “Thanos” inicialmente escrita por Jim Starlin e
também publicada pela Panini Comics.
Escrita
por Jeff Lemire e com arte digital de Mike Deodato a
trama não é realmente complexa. Enquanto Thanos tenta achar uma
explicação e cura para a doença que o acomete, navegando no
espaço, enfrentando seu pai, Mentor dos Eternos de Titã e a
Guarda Imperial de Shiar, e fazendo o leitor de bobo, pois ali
está a ação mas não a trama de fato; do outro lado temos Thane,
filho de Thanos, que reúne uma equipe formada pelo Ancião do
Universo Tryco Slatterus, o Campeão; o irmão de Thanos, Eros
o Starfox e Nebulosa, tudo com as bençãos de uma
personificação da Senhora Morte, que aparentemente trocou o
pai pelo filho.
Tudo
parece cansativo, roteiro requentado e reprisado ad eternum. A
arte de Deodato impressiona positivamente. As hachuras, as linhas
verticais e horizontais, tudo em excesso e detalhadas conseguem
realmente me fazer imaginar os cenários, os locais em mínimos
detalhes. Apenas para registro, é cenário dizer que o artista
trabalha há muito (no mínimo desde a passagem em Hulk de Bruce
Jones) com o uso de equipamento digital para compor seu desenho.
Todo o detalhamento que existe é resultado das ferramentas
empregadas e da competência do artista em usá-las. O resultado é
impressionante e ofusca o roteiro primário de Jeff Lemire, que
retorna há uma questão que está dominando as últimas duas ou três
décadas da produção cultural norte americana: a necessidade de o
filho sobrepujar o pai e “matá-lo” ou “exorcizá-lo”. De Os
Sopranos a Battlestar Galactica, de Thor de Dan Jurgens a Mulher
Maravilha de Azzarello há um excesso de exorcismo paternos na
indústria cultural.
Divertido
como um entretenimento para leitura rápida, “Thanos retorna”
de Jeff Lemire e Mike Deodato não sobrevive a uma análise mais
profunda de “comos” e “porquês” e certamente é uma diversão
bonita, bem desenhada e colorida de acordo ao tema.
Impressiona
a capacidade de a Panini Comis conseguir colocar um título “Thanos”
nas bancas ao mesmo tempo em que o filme “Vingadores: A guerra
infinita” chega aos cinemas e mais, conseguir ainda colocar o
encadernado “Desafio Infinita” à disposição no mesmo
período! Evidentemente há um “custo” Thanos tem “data de
capa” de março de 2018, quando não foi distribuído antes da
segunda quinzena de abril.
Thanos
diverte mas é mais uma história com 140 páginas que poderia ser
contada no formato “graphic novel” em 48 ou 60 sem nenhum
prejuízo.
Dark (Netflix, 2017)
Em
uma época de ânimos tão acirrados vejo poucas críticas à Dark, a
série de TV alemã, disponível no catálogo da Netflix desde 1º de
dezembro de 2017.
Sob
o risco de soar repetitivo a trama é bem rasteira. Um cidade alemã
vive à sombra de uma usina nuclear que gera energia e seus
habitantes jovens desejam sair de lá ou ao envelhecer se corrompem.
Um
garoto some e isto desestrutura a família e alguns habitantes, já
abalados com um suicídio recente. No entanto didaticamente os
produtores vão explicando o quê aconteceu e a cada personagem novo
que surge, logo ficamos sabendo quem e qual o seu papel na trama.
O
mistério da série vem mais de um climão criado e mantido ao longo
dos dez episódios. O clima casa com um excelente trilha sonora e
música, diálogos bem escritos e atuações boas – ainda que parte
do elenco jovem peque em vários momentos.
Criado
para alimentar os nerds mas sem chocar muito, tem sexo não
explícito, casal de jovens que transa semi nus (ela transa com
calcinha, deixando claro a censura: mostrar peitos pode, vagina
não!), uso de drogas, traições, lesbianismo e… viagem no tempo.
Se a
força está no clima que se sustenta até o último momento, as
fraquezas estão em não haver nenhum mistério, basta assistir ao
próximo episódio, e a viagem do tempo ser estável. Faça
determinada coisa que você alcançará determinado resultado. Não
há apuro ou dificuldade e evidentemente os personagens caem em
armadilhas previsíveis como viajar no tempo para matar “Hitler”
e acabar criando o vilão!
Vale
a pena? Sim, mas sem expectativas e sem deslumbramentos. É
divertido, mas logo vemos que não se sustenta! Lembra um vídeo
clipe lindo e empolgante para uma música ruim! Assim é perfeito
para uma maratona e duas semanas depois ter esquecido tudo!
Black Hammer v1: Secret Origins [Dark Horse, 2017]
Devo
confessar que vi e li Black Hammer em um site de scans. Torci o nariz
para o Lemire e baixei uma temporada completa. Nunca li!
Mais
de um ano depois um dos amigos da Arte-Final HQ teceu elogios para a
série e encontrei a edição número um em um leilão em uma página
que participo. Comprei e li. Achei muito interessante! Decidi seguir
e comprar o primeiro encadernado em uma das dezenas de lojas virtuais
que há por aí!
Chegou
ontem e já devorei!
A
edição apresenta um grupo bem estranho, ridículo até, e o arco
trata de expandi-los para nós. Existem seis personagens que são
arquétipos de heróis/personagens de quadrinhos (exatamente como
Astro City do Kurt Busiek, mas com uma outra pegada). Há o bravo
astronauta interplanetário e seu robô semi-inteligente; há a
menina com a palavra mágica dada por um mago; há a feiticeira
isolada que narra histórias para o leitor; há o alienígena de
Marte e transformo e há o jovem que foi rejeitado na guerra mas,
ainda assim, tornou-se um “supersoldado”.
Reduzi-los
a isto é idiotice!
Jeff
Lemire consegue ir além, criando camadas lentamente, deixando-nos
nos apaixonar pelos personagens à medida que, sem pressa, os
conhecemos. Cada um deles é mais do quê o resumo de arquétipo de
personagem. Cada um deles é mais interessante do que os personagens
em que o autor se inspirou para criá-los.
Qual
é a trama?
Seis
combatentes do crime de Spiral City estão presos por dez anos
em uma fazenda em uma cidade do interior. À medida que a história é
apresentada descobrimos que eles enfrentaram um “deus louco”,
salvaram Spiral City com o sacrifício de um sétimo membro; mas
foram transportados para um outro universo.
Há
dez anos eles tentam retomar para sua dimensão padrão ao mesmo
tempo em que tem que conviver como uma família para não levantar
suspeitas.
O
primeiro volume apresenta os personagens, suas vidas anteriores (sem
se aprofundar muito), tocar muito levemente na batalha contra o “deus
louco” e mostra como é difícil viver em família e respeitar as
individualidades. Em nenhum momento é maçante ou chato, ou menos
bom! E ainda consegue terminar o volume que reúne as edições #1-6
da série regular com um excelente gancho para o volume seguinte!
Prêmio
Will Eisner que Melhor Série Nova de 2017.
Black
Hammer volume 1: Secret Origins, Dark Horse Books,
ISBN 978-1-61655-786-7 de Jeff Lemire (texto), Dean Ormston
(arte) e Dave Stewart (cores).


























