A mão esquerda da escuridão, Ursula K. Le Guin


[Trama]
Genly Ai, embaixador de uma organização que agrega vários planetas, chamada Ekumênico, chega a Gethen, conhecido como Inverno, e encontra um mundo dividido em nações onde se destaca uma monarquia (Karhide) e uma suposta nação tecnológica (Orgotta), mas que se revela um regime comunista com direito a emprego para nada fazer fornecido pelo Estado, censura prévia e prisões em ermos gélidos.

Incapaz (como eu) de entender as nuances daquele mundo, onde seus habitantes possuem ambos os sexos e a fisionomia andrógina, Ginly Ai é tratado como aberração e mentiroso em ambas as nações. A trama basicamente é sobre o estranho de uma sociedade sem sexo e sem papéis pré-definidos e sua fuga para chamar seus companheiros que aguardam no espaço. Desconfiado da ambiguidade levemente feminina de Estraven, que desde sua chegada em Karhide passou a ser seu interlocutor com o rei, Ai teme uma traição. Foge e se percebe em uma situação ainda pior.

Sentido-se culpado do destino de Ginly Estraven decide resgatá-lo para permitir que convoque seus companheiros. Como subplot parte da história das tradições de Gethen e parte da história de Estraven.

[Opinião]
Mais longo do quê acredito ser necessário, A mão esquerda da escuridão daria um excelente conto ou novelletta. No formato em que ficou, se entende tediosamente na fuga dos personagens principais e sua luta para enfrentar uma região gélida.



Ganhador do Hugo e Nebula como melhor romance (1969 e 1970, respectivamente), em 1987 a revista de ficção científica Locus o ranqueou como o segundo melhor romance de sci-fi de todos os tempos.

Há detalhes interessantes como o tratamento da sexualidade dos habitantes de Inverno e o fato que eles são essencialmente assexuados exceto em um período de cio chamado kemmer. Como cada habitante pode assumir atributos femininos ou masculinos variáveis a cada kemmer, este fator influenciou profundamente aquele mundo. Um bom exemplo é que eles não conhecem a guerra e nem o sexo não consensual e o estupro. Por extensão aparentemente não há prostituição e excessivo protecionismo aos filhos ou disputa de amor entre “pai” e “mãe”. Em divisão entre sexos não há a submissão do feminino antes o masculino e nem a ligação exclusiva de um sexo com o espiritual. Talvez eu ficasse mais feliz se a autora escrever de maneira rasteira e se concentrasse em comparar as sociedades “padrão” e de Inverno.

Então, apesar de um cenário bastante interessante no que se refere às pessoas, mas pouco desenvolvido na questão do clima, não consegui manter-me entusiasmado no trabalho tão elogiado.

A mão esquerda da escuridão, Ursula K. Le Guin, tradução de Susana L. de Alexandria. Aleph, 2014, 2ª edição. ISBN 978-85-7657-184-1.

Mangá: All you need is kill (2015)


[Trama]
Alistado sem experiência para combater uma invasão alienígena, jovem soldado descobre que ao morrer em no campo de batalha retorna sua consciência com as memórias intactas para seu corpo, alguns dias antes. É o loop infinito de morte e ressurreição, dor e renascimento.

Após choque inicial usa a seu favor a habilidade e desenvolve um treinamento que permite fazer a diferença na guerra. Algum tempo depois encontra uma jovem em posição semelhante à sua e pretendem, trabalhando juntos encerrar a guerra.

[Opinião]
Ótimo mangá publicado em apenas dois volumes em fins de 2014 e início de 2015, All you need is kill é muito bem desenhado e extremamente violento. Se a primeira parte é empolgante, com um crescendo constante focado no treinamento do soldado Keiji Kiriya e sua caracterização, a segunda centrada na sua parceira, Rita Vrataski não é tanto, especialmente quando passa a traçar um motivo para os loops e como acabar com eles e junto com a invasão. Fica extremamente técnico e pouco crível.

A principal falha da história é sobre os vilões, os mimetizadores. Criaturas descaracterizadas, sem moral, sem sentimentos, sem personalidades, praticamente bidimensionais. Existem para atacar e morrer e justificar parte da trama. Em alguns momentos lembram os marcianos de Guerra dos Mundos assim como a raça do pai de Moonshadow.

Em vários momentos a equipe de arte cria painéis com Keiji e Rita lutando contra os mimetizadores em suas armaduras e cada qual com um enorme machado que evoca o melhor que havia em séries de sci-fi e fantasia como Heavy Metal e (acredite!) A espada selvagem de Conan. Noutros lembra a vasta tradição nipônica de humanos vestidos em armaduras contra alienígenas e suas batalhas extenuantes.

Ainda assim é uma história de guerra e sci-fi acima da média.

All you need is kill, 2 edições, JBC Editora, 2014 e 2015. História de Hiroshi Sakurazaka, storyboards de Ryosuke Takeuchi, ilustrações de Yoshitoshi Abe e arte de Takeshi Obata e equipe.

Coleção Histórica Marvel, Os Vingadores #4: Ultron (2014)


[Trama]
Em quatro oportunidades os Vingadores e seus aliados enfrentam o androide Ultron.

Na primeira os Vingadores e o Quarteto Fantástico são convidados para o casamento de Cristalys e Mercúrio, ela uma inumana e ele um mutante, filho de … alguém! A história em duas partes foi publicada em The Avengers #127 e Fantastic Four #150 e, se não empolga enquanto enfrentamento entre as equipes e o Ultron-7, ao menos dá um ponto final para a trama do coma de Franklin Richards.

Três anos depois em 1.977 o robô retornaria em The Avengers #161-162 para usar Hank Pym, seu criador nos quadrinhos, para construir uma companheira a quem pretendia ser animada com os padrões mentais de Janet Van Dyne, a Vespa. Jim Shooter não é o melhor escritor da equipe e investia muito na trama de Korvac, mas consegue uma boa aventura semelhante em linhas gerais à história de A noiva de Frankenstein. Nos anos 1.970 a narrativa poderia ser dada aos leitores aos pedaços e meses depois em The Avengers #170-171, a “noiva” é ativada e há um novo enfrentamento entre a equipe e os heróis, enquanto fica evidente que há, no mínimo, mais uma aventura sendo narrada.

Para terminar em The Avengers #201-202, a noiva já tem nome (Jocasta) e colabora com a equipe que enfrenta novamente a ameça de Ultron, que agora foi reconstruído pelo Stark em função de uma sugestão hipnótica feita em seu último ataque.

[Opinião]
Sou um entusiasta da série Coleção Histórica Marvel e em especial de seu papel baxter que creio ser melhor que o LWC, exatamente pela falta de brilho – ler à noite virou um pesadelo. Mas como leitor das antigas prefiro uma publicação mais linear e não períodos tão distintos juntos. A seleção é boa, mas logo vejo que ali tem a história de Korvac, a história da Madonna Celestial, entre outras.

São boas histórias, bastante significativos para o Ultron, ainda que tenha um arco com o Demolidor na época de Atos de Vingança que ajudaria a cimentar a questão das inúmeras versões da armadura. Mas de um modo geral, a segunda série da Coleção Histórica dos Vingadores que trouxe Warlock, Thanos, A Guerra Skrull-Kree e esta edição é uma surpresa agradável para os leitores. Veremos qual será a próxima.

Fúria Vermelha (Red Rising)


[Trama]
Darrow, um jovem da classe operária – os vermelhos -- que trabalha para transformar Marte em habitável, descobre ser impossível ter acesso a recompensas mesmo com a produção adequada. Em seguida descobre que a semi-escravidão de sua "raça" é baseado em uma mentira: Marte já é habitável, mas somente as castas nobres tem acesso a estas áreas.

Por ter desafiado as classes superiores – os ouros – ele e a esposa são executados, mas em seu caso é parte de um elaborado plano para reconstruí-lo geneticamente e inserí-lo em uma escola exclusiva para os ouros, depois de fornecer um passado falso. Lá ele, além de conseguir boas notas, deverá se ligar a algum áurico de riqueza e prestígio incontestável de modo a que este lhe forneça as condições para continuar uma ascensão social e militar e em algum momento vingar-se.

[Opinião]
Mais um trilogia distópica com jovens que será adaptada em breve para o cinema, Fúria Vermelha é um clichê após o outro. Lembra, por demais, as escolas de magia de Harry Porter e a luta dos jovens de Jogos Vorazes. Pelo tema lembra outras obras importantes da ficção científica como Gateway, AdmirávelMundo Novo e até mesmo 1984, mas não espere nenhuma complicação.

A motivação de Darrow é fraca e todo o resto tediosamente previsível. Ele aceita ser parte do plano de Dancer por sentir a dor da perda da esposa e sentir-se traído. Acredita que ao terraformar Marte estava garantindo a sobrevivência da humanidade, uma ideia que foi imbutida na sua classe social. Ao descobrir que é uma mentira, crê que sua existência foi uma mentira.

Ao se infiltrar é previsível os momentos em que ele percebe que nem todos os ouros são maus e que foram "apenas criados daquela maneira", assim como os momentos em que se afeiçoa a alguns deles. Diálogos que remetem ao fato de que em algum momento no futuro terá que traí-los, ajudam o leitor a lembrar que já viu uma dúzia de filmes e livros semelhantes.

Se há algo de bom a ser dito em favor do livro prefiro me concentrar na ousadia da Globo Livros em lançar um livro recente – foi publicado nos EUA em janeiro de 2014 e a edição nacional é de outubro/novembro do mesmo ano. Uma editora nacional investir em literatura de ficção recente é bom, pena que seja motivado por uma futura adaptação para cinema, que em caso de sucesso, fará a série vender bem.

Fúria Vermelha (Trilogia Red Rising, livro 1), Pierce Brown, tradução de Alexandre D'Elia, Globo Livros, 2014. ISBN 978-85-250-5822-5.

Os mortos-vivos volume 13: Fomos longe demais (2013)


[Trama]
A vida em Alexandria e as escolhas de seus cidadãos. Abraham é escalado para construir os muros e assume uma posição de mando em função da covardia do líder anterior. Rick rouba algumas armas do arsenal com o auxílio de Glenn, depois se envolve em uma briga doméstica com amargas consequências. Glenn sai para buscar antibióticos e de volta tem que enfrentar o distanciamento de Maggie. Michonne depois de uma tentativa falha de relacionamento com Morgan, assume como “agente” e tem que deter Rick e por algum juízo nele. Andrea se enamora e se torna atiradora de elite de uma torre de vigilância. Carl não se sente bem com a ideia de falhas de seu pai e o recrimina em vários momentos.

Eles enfrentam a chegada de um grupo de desconhecidos armados e momentaneamente vencem. Douglas questiona sua liderança e praticamente a entrega à Rick.

[Opinião]
O décimo terceiro volume reúne as edições The Walking Dead #73-78 e mais uma história curta para o Free Comic Book Day de 2013. É uma trama política acima de tudo. O quê os personagens são e fazem e como Alexandria é importante para eles e até que ponto eles irão para proteger a cidade.

A interação entre os personagens é importantes para a trama e faz bem ao desenvolvimento. Pessoalmente acho um pouco arrastado.

De resto a ideia dos andarilhos atraídos por tiros, ou seja, a horda conceito cimentado nos últimos dois anos, mas não visto em sua totalidade ainda, continua a ter espaço, ainda que ninguém cite neste volume as dificuldades motoras dos zumbis que tinham sido citadas antes. Há também o surgimento de um novo grupo de antagonistas. Aqui os incursores são eliminados, mas sabe-se, sem sombra de dúvida que em breve haverá uma nova tentativa de contato.

Os mortos-vivos volume 13: Fomos longe demais, março de 2014. HqM Editora. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais Charlie Adlard e tons de cinza Cliff Rathburn. ISBN 978-85-998-5979-7.

Os mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos (2013)


[Trama]
Cai por terra a farsa do centro de comando em Washington: Eugene é um simples professor que lutava para parecer importante e manter-se vivo. Havia mentido para que o grupo o protegesse.

Em seguida Rick e seu grupo são recrutados para uma comunidade de sobreviventes e assim que aceitos, tem dificuldades em viver em um grupo de pessoas.

[Opinião]
Observe atentamente a página 24 deste encadernado. É um divisor de águas. Podemos dizer, sem sombra de dúvida que The Walking Dead vai do número 1 ao 67 e depois há o restante.

Não quero dizer que a série se tornará inferior. Mas o primeiro ciclo termina e a partir de agora inicia um segundo ciclo que é a reconstrução da civilização. Woodbury não era a reconstrução da civilização pois mantinha em vista o mundo apocalíptico em que vivia. Era fácil lembrar disso com sua arena e seu líder. Alexandria, nos arredores de Washington, realmente parece uma comunidade normal.

Isto é que choca! E ao leitor é um pisão brusco no pedal de freio. Nós estávamos acostumados a um outro padrão e Kirkman altera levemente as regras do jogo. Não posso dizer que gostei.

O volume reúne as edições The Walking Dead #67-72. A edição #67 é sobre a mentira de Eugene, daí para frente é chegar em Washington (eles chegam na edição #69), mas o foco é aceitar o rastreador Aaron e depois a vida na cidade.

Rick, no entanto é Rick. Convidado pelo líder de Alexandria e ex-congressista Douglas Monroe para ser um “agente” um equivalente a policial, nosso velho e desconfiado sobrevivente começa de imediato a construir planos de tomar o poder a partir do primeiro momento em que as coisas deem errado! Andrea e Glenn estão a par de suas maquinações.

Há situações em aberto e algumas fechadas. Carl e Rick conversam sobre o que motivou o menino a matar o Ben e acertam suas diferenças. Carl, tão endurecido pelos catorze meses que passou, tem dificuldades de conviver com as crianças da comunidade. Teme que este período no conforto vá amolecer o grupo. O mesmo temor compartilhado por Abraham, Rosita e Andrea.

A questão da pouca ameaça dos zumbis volta novamente – na página 12 – quando Glenn diz que bastava empurrar o zumbi para fugir dele. Nos últimos três encadernados esta trama secundária tenta estabelecer um novo nível de risco para os mortos-vivos. Seriam perigosos apenas em grandes grupos e em ataques repentinos. O risco agora são os vivos. Definitivamente!

Uma das situações em aberto se referem à comunidade. Há uma clara disputa de poder e já houve uma ovelha negra – Davidson. Nem todos estão realmente felizes com o fato de um grupo de doze pessoas ser inserido em uma comunidade de quarenta. É uma questão estratégica. Uma dúzia de pessoas unidas podem tomar o poder. Outra questão é que o arco é focado na comunidade, na chegada, na ambientação, mas pouco sobre como eles vivem e o quê fazem os homens armados fora da comunidade. Rick inclusive nota isto ao comentar com Andrea: “Você deu uma boa olhada nessas pessoas? Eles mandam os mais perigosos deles lá fora para trabalhar na construção de muros todos os dias. Se algum dia tentarem nos expulsar, só precisamos tomar esse lugar e fazer dele nosso.

Mas o quê virá pela frente será uma segunda página quando comparado ao período em que eram apenas nômades enfrentando zumbis e garantido a sobrevivência edição a edição.

[Em tempo]
Há uma dúvida sobre a data exata. A dúvida não é razoável para mim. A série não faz menções a alguns apetrechos tecnológicos atuais, mas como foi citado um gameboy em um dos episódios anteriores, é plausível que se passa após a segunda metade dos anos 1.990. Neste arco Douglas cita a internet como local de informações, o quê ajuda a cimentar que a série se passe neste intervalo de tempo, após o surgimento e quando a rede mundial já havia recebido este papel de informativo e ampliador de fuxico.

Então é também plausível que as pessoas tenham relógios digitais que tenham baterias que duram dois, três ou quatro anos. Se Rick e seu grupo estão errando a catorze meses é possível que alguém tenha um relógio desses, ou que seja encontrado e confirme a data. Diálogos que reforçam que todos não sabem com precisão a data me entristecem. Outro detalhe é que se há painéis solares em Alexandria que permite o uso de eletricidade. Então também é plausível que alguém tenha trago um computador para utilizar nos registros. A bateria que alimenta as placas-mãe não teria se esgotado em catorze meses.

Se a preocupação é sobre um pulso eletromagnético – estamos extrapolando – há sempre a memória de Alfred em The Dark Knight Returns (1986) e confiando no seu relógio de pulso. Estes relógios mais antigos não necessitavam de baterias.

Insistir que não se sabe o dia é meio que incômodo. O ser humano tem uma necessidade de saber exatamente onde está e que dia é. Acho, inclusive que haveria um grupo de sobreviventes empenhado em encontrar o maior número de relógios para determinar o dia e hora exata. Mas o autor não pensa assim.

Os mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos, junho de 2013. HqM Editora. ISBN 978-85-998-5968-1. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais Charlie Adlard e tons de cinza de Cliff Rathburn.

Os mortos-vivos volume 11: Sob a mira dos caçadores (2013)


[Trama]
Seguindo para Washington o grupo de sobreviventes liderado por Rick Grimmes vê-se com tensões internas quando um dos gêmeos mata o outro e eles sabem que há uma decisão difícil a ser tomada. Do nada surge o Padre Gabriel Stokes e o grupo passa a ser perseguido por caçadores nas sombras, que capturam Dale e se revelam canibais!

O grupo terá que resgatar o colega e vingar-se caso necessário!

[Opinião]
Novamente todo o cansaço que pode haver quando se pensa racionalmente sobre a série se vai após a leitura deste arco. Esta é a melhor edição desde o volume 2 da série! O quê faz isto? Um conjunto de fatores. Primeiro Rick volta para a liderança, que ainda é um coletivo e ele dá espaço para todos partilharem do peso das decisões. Segundo, Kirkman ousa tocar em pontos espinhosos. E vários!

Primeiro sobre a loucura juvenil, pois Ben mata Billy, mas parece não saber o quê fez. Como saber como o apocalipse zumbi afetou o menino? Diante do quadro eles conversam sobre matá-lo, mas ninguém quer fazê-lo, especialmente Dale e Andrea que se recusam simplesmente a discutir a questão. A frieza das páginas que mostram os diálogos sobre o futuro do garoto são um show à parte. Mas alguém tem que tomar a difícil decisão. E alguém inesperado toma!

Um padre que se manteve protegido em sua igreja enquanto seus fiéis morriam pelo lado de fora é um detalhe sombrio que marca a crueldade do texto. Mas o detalhe de mestre são os caçadores canibais, covardes, incapazes de lutar, que primeiro mataram as crianças de seu próprio grupo!

O momento em que o leitor se dá conta do que aconteceu com Dale é chocante, e mesmo diante do festival de atrocidades que já vimos na série, temos um choque que permanece nítido quando se pensar no personagem. A trama é muito bem desenvolvida e, ao fazer opção por caçadores covardes, os autores deixam subentendido que em algum momento poder ser que eles encontrem caçadores que não sejam.

O sofrimento de Andrea, que perde os gêmeos, a quem junto com Dale adotou deste o início da série e o próprio companheiro é digno, tocante. Devo lembrar que do grupo inicial restam apenas Rick, Carl e Andrea que junto com a popular Michonne parecem serem intocáveis. Esta, por sinal, Kirkman poupa neste ano (os volumes 10 e 11 correspondem a um ano de edições da série mensal), ainda que comece a demonstrar um interesse em Morgan.

Há algumas dicas sobre o futuro. Kirkman busca mostrar Eugene como um deslocado em um determinado momento observando bobamente um encontro sexual entre Abraham e Rosita. Em outro ele surge, com conhecimentos genéricos pouco úteis, mas novamente parece ter algum conhecimento científico quando observava uma falta de habilidade motora nos zumbis. Aqui um zumbi aparentemente não consegue se mover para atacar suas presas. É a segunda sequência que mostra tal detalhe.

Pelo conjunto do reunido neste volume, as edições The Walking Dead #61-66, meu interesse foi novamente renovado e percebi que os autores poderiam ousar um pouco mais e eu continuaria acompanhando – ao menos os próximos volumes. À medida que alguém cai fica-se com a curiosidade mórbida sobre como cairá o próximo.

Os mortos-vivos volume 11: Sob a mira dos caçadores, março de 2013, HqM Editora. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard e tons de cinza de Cliff Rathburn. ISBN 978-85-998-5965-0.

Os mortos-vivos volume 10: O que nos tornamos (2012)


[Trama]
A viagem para Washington continua e a tensão cresce. Maggie tenta o suicídio pela perda da família. Salva do enforcamento por Glenn, Abraham decide matá-la antes que se torne um andarilho, dificultando a possibilidade de salvá-la. Ele briga com o grupo e Rick tem que ameaçá-lo com uma arma. O clima não fica amigável entre eles.

Pouco à frente, Rick e seu grupo se aproximam de sua cidade de origem e ele decide retornar com Carl e Abraham para resgatar algumas armas, mesmo sem confiar no sargento. Lá encontram Morgan, um dos primeiros sobreviventes da série – lá do primeiro encadernado.

Apesar de fortes diferenças de opinião Abraham e Rick se unem e no retorno se deparam com uma horda. Conseguem fugir e chegar a tempo de avisar ao agrupamento sobre o ataque. Dale, que havia encontrado uma nova fazenda, onde acredita ser possível viver algum tempo, fica insatisfeito com a nova fuga.

[Opinião]
Publicado em outubro de 2012, exatamente quando a série de TV baseada nos quadrinhos retomava para a terceira temporada, O que nos tornamos reúne as edições The Walking Dead #55-60. As edições que compõem o encadernado eram do momento em que a série completou seu quinto ano de publicação nos EUA, mas atualmente havia uma diferença de cerca de quatro anos em relação ao Brasil – mais ou menos 50 edições, sem muita precisão. Na capa da edição #56 americana temos um shot do grupo atual: Rosita, Abraham, Michonne, Eugenne, Maggie, Glenn, Andrea, Billy, Dale, Ben, Rick, Carl e Sophia. Falta apenas Morgan que entraria até o fim do encadernado.

A trama é fortemente centrada na tentativa de Rick em se recuperar da perda da esposa e da filha. Por isto dá espaço para uma narrativa de enfrentamento contra Abraham e, na extensão, foca nos enfrentamentos entre os personagens. Em um momento Michonne fica feliz que Rick tenha recuperado a iniciativa, mesmo que o próprio ainda não tenha se perdoado.

Abraham narra a sua versão da perda da família. Ele e a família se uniram a um grupo de sobreviventes do bairro. As mulheres foram estupradas coletivamente e quando teve a oportunidade o sargento matou os culpados. A família assistiu e ficou com medo dele. Decidiu ir embora. Abraham os seguiu e os encontrou mortos por zumbis. Abraham se apresenta com um personagem frágil quando na intimidade e em envolvido em um romance com Rosita – que ainda não mostrou exatamente a que veio e é certamente a personagem mais estereotipada da série, algo como “a chicana namorada de militar”. Eugene parece ter algum conhecimento e nota o curioso estado de um zumbi sem energia para se arrastar e atacar – este detalhe não é aprofundado mas Kirkman faz questão que alguns personagens concordem. Mas Andrea não acha o mullet do cientista convincente…

Finalmente a teoria da horda – um grupo de zumbi andando a esmo atraídos um som – é validada. E retornaria algumas vezes na série.

De resto a tentativa de suicídio de Maggie, a reação de Sophia que tinha a garota como mãe, o comportamento bizarro de Ben e Billy – os gêmeos, e a insatisfação de Dale em mudar-se novamente. Ele responsabiliza Rick por isto. Pode ser a reação natural de um velho cansado e ranzinza ou pode ser o início de um ódio maior. Só o tempo e Kirkman dirão!

No entanto, passa a ser uma constante a questão da fuga: fugiram das cidades, da fazenda de Hershell, da prisão, estão nas estradas. Eles sempre estão fugindo. Talvez em breve decidam que existe um lugar em queiram ficar em permanente. Que vala a pena cercar e chamar de seu.

Os mortos-vivos volume 10: O que nos tornamos. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard e tons de cinza Cliff Rathbur. HqM Editora, outubro de 2012. ISBN 978-85-998-5956-8.

Os mortos-vivos volume 09: Aqui permanecemos (2012)


[Trama]
Após a destruição e a fuga da prisão onde habitaram por uma temporada, Rick Grimmes e seu filho, Carl tornam-se errantes, mas reencontram os sobreviventes do grupo, primeiro Michone, depois Gleen, Maggie, Dale, Andrea, Ben, Billy e Sophia, estes que haviam retornado fazenda da família de Hershell.

Pouco depois chega à fazenda o Sargento Abraham Ford acompanhado de Rosita Espinosa e pelo doutor Eugene Porter em missão para ir à Washington, pois lá haveria a chance de concertar toda a bagunça provocada pela praga!

[Opinião]
Aqui permanecemos foi publicado no Brasil em junho de 2012, então após a segunda temporada da série de TV. O encadernado trata de assuntos após as tramas da prisão e Woodbury. A segunda temporada exibida entre 2011/2012 tratou basicamente da Fazenda de Hershell e não tocou no assunto da prisão ou Woodbury. A trama da prisão foi apresentada na série na temporada 3 e Woodbury introduzida na 3ª, mas desenvolvida na quarta e quinta temporadas.

A edição reúne The Walking Dead #49-54 e A história de Michonne (Playboy, abril de 2012) e é possível ver uma ruptura entre o formato de encadernados da Image/HqM Editora e a trama. O encadernado anterior termina a história da prisão, mas as edições #49-51 são extensões deste período, um posfácio. Nestas três histórias Carl amadurece e percebe que seu pai não é infalível, ao mesmo tempo em que Rick tem uma convalescença fruto de uma bala durante o ataque à prisão – um truque é não usar o ex-policial na capa da série mensal, criando uma expectativa sobre ele estar ou não vivo.

Há espaço para a loucura de Rick provocada pela solidão e perdas recentes, assim como pelas suas responsabilidades diante destas perdas. Ele conversando com um telefone mudo e levando o aparelho consigo me lembra em muito um filme com Whoopie Goldberg chamado O telefone, praticamente uma peça de teatro filmada e também praticamente um monólogo. Vale a pena conhecer para comparar a dor da perda em ambos os casos.

A edição seguinte (#52) mostra o reencontro com os amigos e as edições finais do encadernado (#53-54) inserem alguns conceitos como horda e a possibilidade da praga ter origem em uma tentativa de criar um vírus genético específico para determinada etnia. Vale ressaltar que Os mortos-vivos nunca foi sobre o quê motivou a praga e, então, estranha-se de imediato quando um cientista diz ter se envolvido com um experimento e que chegando em Washington ele poderá auxiliar a resolver a situação. Mas já que a longa trama de Woodbury tinha tomado um grande espaço na série, era pouco provável que imediatamente Kirkman os levasse a uma outra comunidade de sobreviventes com características semelhantes. Ainda assim, mesmo um corpo estranho na trama, faz sentido em uma narrativa. Uma missão deixa o grupo coeso e com um objetivo. Agora é chegar em Washington e lá encontrar os resquícios de uma civilização. De lá reconstruir o mundo.

Porém desde o primeiro momento o leitor sabe que a pílula não é tão suave.

A introdução de Abraham e seu foco militar e o distanciamento de Rick das decisões tornam a série crível novamente. Rick é falível e certamente poderia ser qualquer um. Agora o grupo decide em um coletivo, com o passar das edições Abraham ocuparia um lugar neste coletivo. Diante do aviso da existência da horda – algo como uma manada de zumbis seguindo a esmo sons que se propagam e procurando aplacar sua fome – o grupo decide investir na missão à Washington e dá adeus definitivo à fazenda. É bem trabalhada a dor da perda de Maggie.

Como militar Abraham tem uma função no grupo e faz sentido aceitá-lo, assim como Eugene. Rosita, no entanto, que entra calada e sai muda, é o típico personagem que quando morrer nem saberemos quem foi.

Colocar a história da Playboy americana na edição foi uma sacada, pois ela tinha saído nos EUA há pouco tempo. Na época a emissora estava divulgando imagens de Michone, que tornou-se um personagem tão complexo na TV quanto nos quadrinhos.

De um modo geral, o volume é um excelente ponto zero para atrair leitores.

Os mortos-vivos volume 9: Aqui permanecemos. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard e tons de cinza Cliff Rathbur. HqM Editora, junho de 2012. ISBN 978-85-998-5949-0.

Doctor Who [Arco 143a]: The Mysterious Planet


O Doctor (Colin Baker) é convocado à Gallifrey onde é julgado, com acusações não muito claras.

[Localização no Continuum]
The Mysterious Planet é o 143ª arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o primeiro arco da 23ª temporada e também o primeiro arco do ciclo nominado THE TRIAL OF A TIME LORD, que se prolongaria durante toda a temporada. Em algumas classificações THE MYSTERIOUS PLANET é numerado como “143a”, considerando que o arco 143 é toda a trama de THE TRIAL OF A TIME LORD, e sua primeira porção é THE MYSTERIOUS PLANET.

The Mysterious Planet tem quatro episódios de 25 minutos em média e foi exibido de 6 a 27/setembro/1986.

[Trama]
O Doctor aterrisa em Gallifrey e descobre-se em julgamento onde contracenará com The Inquisitor (Lynda Bellingham) que será a juíza e The Valeyard (Michael Jayston) que será o promotor de acusação.

Valeyard não deixa claro a acusação, mas certamente é sobre a interferência do Doctor em assuntos de outras espécies. Sua primeira evidência é um vídeo resgatado da Matrix de Gallifrey (estamos em 1986, lembre-se, de qualquer modo Neuromancer já havia sido lançado) onde temos o envolvimento do Doctor e de Peri Brown (Nicola Bryant) em assuntos do planeta Ravolox.

Lá civilizações que emergiram após um cataclismo natural que calcinou a superfície se dividiram em subterrânea (científica e orientada sob um misterioso ser que não veem, mas sabemos ser um robô chamado Drathro que mantém jovens inteligentes sob seu comando) e na superfície (uma civilização caçadora/coletora com poucas mulheres que tem de serem compartilhadas entre os homens e orientada pela Rainha Katryca). Indícios levam a crer que apesar de estar na órbita errada Ravolox é a Terra! Quem ou o quê teria tirado a Terra de sua órbita?

Parte da trama envolve os caçadores Sabalom Glitz (Tony Selby) e Dibber (Glen Murphy) que usam o planeta como local de caça.

[Opiniões]


É mais um daqueles quase infinitos arcos em que a trama poderia render mais. Em um planeta misterioso o Doctor se separa de Peri – que é capturada. Cada um conhece uma civilização distinta e descobrem um risco em comum (a antena que alimenta o robô, que o caçador Sabalom quer destruir). Resolvida a trama resta alguns mistérios para a temporada e a macrotrama do julgamento.

A postura do Doctor no julgamento, sozinho, indicando que algo aconteceu a Peri, é a mesma de irreverência e deboche. Não convence! Em um julgamento sério o acusado teria uma postura mais inquisidora.

[Curiosidades – fonte Wikipedia.org ]
Em fevereiro de 1985 a BBC anunciou que a 23ª temporada de Doctor Who haveria sido cancelada! Após os protestos corrigiu a informação para um “hiato” na série e que Doctor Who retornaria em setembro de 1986. Muitas tramas foram encomendas e abandonadas em favor de uma macrotrama sobre o julgamento do personagem, refletindo o fato de que o programa estava em julgamento pela BBC.

Esta é a última história completa escrita por Robert Holmes e seu roteiro é muito similar à primeira contribuição do autor, o arco The Krotons. Ambos arcos tratam de uma máquina alienígena subjugando uma civilização humanoide e forçando jovens a trabalharem para si.

Mulheres compartilhadas entre homens em uma sociedade competitiva e com traços de caçadores/coletores é também a trama do primeiro romance de George R R Martin, A morte da luz.

O arco foi adaptado para o formato de novela em DOCTOR WHO The Mysterious Planet (The Trial of a Time Lord) por Terrance Dicks e lançado pela Target Books na edição 127 de sua série em 19 de novembro de 1987.

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(Arco 142)
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(Arco 143a)
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(Arco 143b)
Revelation fo the Daleks
The Trial of a Time Lord: The Mysterious Planet
The Trial of a Time Lord: Mindwarp

Doctor Who [Arco 065]: The Three Doctors


Um Time Lord renegado chamado OMEGA mantém Gallifrey sob sítio e os Time Lords decidem pedir auxílio ao Doctor (Jon Pertwee). Quando a situação não se resolve, pedem auxílio para as duas encarnações anteriores do Doctor – William Hartnell e Patrick Troughton.

[Localização no Continuum]
The Three Doctors é o 65º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o primeiro arco da 10 temporada e comemora os dez anos da série. É composto de quatro episódios com 25 minutos em média e foi exibido entre 30/12/1972 a 20/01/1973.

[Trama]

Mantido em sítio por um Time Lord renegado e agora enlouquecido pelos efeitos do poder que adquiriu, os Time Lords de Gallifrey quebram suas leis e permitem que três versões do Doctor interajam para tentar derrotar o vilão que pretende destruir o universo. O vilão, Omega, vive em um universo de anti-matéria e capturou o Doctor e sua companheira (Jo Grant – Katy Manning) além dos colaboradores da UNIT o Brigadeiro Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney), Sargento Benton (John Levene) e o Dr. Tyler (Rex Robinson).


[Opiniões]
É interessante ver Pertwee e Troughton juntos e como se desenrola a ação. O primeiro deixa a clara impressão de um mágico de Las Vegas e o segundo de um bobo herdado de Os 3 Patetas. Já Hartnell, bastante adoentado, aparece apenas em sequências de monitor e sentado, sem realmente interagir com suas outras contrapartes. Neste arco o Brigadeiro passa a acreditar definitivamente na questão da regeneração do Doutor, algo que seria facilitado na próxima regeneração (Robot) pois ele veria o processo.

O episódio é basicamente sobre o poder absoluto e a corrupção que o poder provoca em quem o detêm. Há cenas de ação quando Omega envia seres para capturar o Doctor. O problema é que tais seres não passam de atores cobertos de plástico bolha queimado e colorido, beirando o ridículo. Beirando, mas não ultrapassando.

Como prêmio pela colaboração os Time Lords fornecem novos circuitos para a TARDIS e restauram o conhecimento da viagem no tempo e espaço no Doutor. Assim se encerra o exílio do Doctor na Terra.

[Curiosidades]
Omega retornaria no arco Arc of Infinity (1983, 5º Doctor), na produção de áudio Omega, no romance The Infinity Doctors e no livro-jogo Search for the Doctor.

O arco foi adaptado para o formato de novela em “Doctor Who The Three Doctors”, adaptado por Terrance Dicks e lançado em 20 de novembro de 1.975 na edição 64 da série de romance do Doctor pela Target Books.

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(Arco 64)
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(Arco 65)
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(Arco 66)
The Time Monster
The Three Doctors
Carnival of Monsters

Doctor Who [Arco 050]: The War Games


O Doctor (Patrick Troughton), Jamie McCrimmon (Frazer Hines) e Zoe Heriot (Wendy Padbury) chegam a um planeta desconhecido, supostamente a Terra, em um período que aparenta ser a 1ª Guerra Mundial, imediatamente se distanciam da TARDIS e são feitos prisioneiros em um dos fronts de batalha, impedindo que saiam do planeta.

[Localização no Continuum]
The War Games é o 50º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o sétimo e último arco da 6º temporada. É composto de dez episódios com 25 minutos em média e foi exibido de 19/04/1969 a 21/06/1969. É o último arco com o Segundo Doutor – que voltaria em participações em TheThree Doctors e no Especial de 20 anos – e também é o último episódio com os companheiros Jamie e Zoe.

[Trama]
A TARDIS aterriza na Terra no período da 1ª Guerra Mundial. O Doctor, Jamie e Zoe são feitos prisioneiros e em uma das tentativas de fuga descobrem que estão, na verdade, em um planeta formado por várias zonas de guerras de várias épocas distintas (1ª Guerra Mundial, Período Romano, Guerra Civil, etc.) onde uma raça alienígena treina os combatentes para formarem um grande exército de dominação.

Entre os auxiliares dos alienígenas o Doctor encontra um Time Lord, chamado de War Chief, e após várias tentativas de fuga, hesitando por seu destino o Doctor decide chamar sua raça para resgatar e enviar as pessoas para suas eras corretas. Há a primeira e mais consistente referência aos Time Lords, a Gallifrey e ao status do Doctor em seu planeta: ele é um criminoso, pois roubou a TARDIS e quebra a lei de não interferência de sua raça.

No último episódio do arco os Time Lords devolvem Jamie e Zoe aos respectivos períodos de tempo sem a memória de suas aventuras e o Doctor é julgado!

Por seus crimes é exilado na Terra e passa por uma “renovação” forçada – ele não morre e ainda não havia o termo “regeneração” – e a temporada termina com os Time Lords enviando-o para o nosso planeta, onde deverá agir como guardião do planeta mas sem a TARDIS.

[Opiniões]
The War Games é bem mais longo que o necessário! Há uma dezena de fugas e capturas sem que a trama evolua, possivelmente para fixar a questão das diversas zonas temporais e da maneira como os alienígenas constantemente limpam as memórias dos terráqueos e como é cruel um jogo para descobrir quem é o mais apto soldado.

Por sinal, ainda que a trama de treinamento para um exército de dominação faça sentido e que um planeta criado por várias zonas temporais seja um tema já clássico (o planeta de Guerras Secretas da Marvel é uma versão do tema e tendo em visto o reboot da editora em 2015 é bastante atual), o fato do Time Lord auxiliar os alienígenas não convence plenamente, especialmente em uma posição subalterna. Ele é o War Chief que presta contas ao War Lord e é constantemente posto à prova pelo chefe de segurança. Morto na trama, o War Chief não se regenera, mas muito do que se vê nele encontraríamos no adversário clássico do Doctor, o Mestre.

O arco ganha importância por ser o final da era do segundo Doutor e a primeira aparição dos Time Lords. Na próxima temporada que se iniciaria dez meses depois teríamos a chegada do Terceiro Doutor (Jon Pertwee) e o início do Exílio na Terra. O programa poderia perder parte de seu charme sem a TARDIS, mas teríamos cores e então um novo interesse!

[Curiosidades]
O arco foi adaptado para o formato de novela em “Doctor Who and The War Games”, adaptado por Malcolm Hulke e lançado em 25 de setembro de 1.979 na edição 70 da série de romance do Doctor pela Target Books.

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(Arco 49)
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(Arco 50)
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(Arco 51)
The Space Pirates
The War Games
Spearhead from space





Doctor Who [Arco 039]: The Ice Warriors


O Doctor (Patrick Troughton) e os companheiros Jamie McCrimmon (Frazer Hines) e Victoria Waterfield (Deborah Watling) chegam à Brittanicus Base em um futuro distante em uma nova era glacial e enfrentam a ameaça de alienígenas, anteriormente congelados, e agora libertos e desejosos de destruir a base.

[Localização no Continuum]
The Ice Warriors é o 39º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o terceiro arco da quinta temporada da série. Tem seis episódios de 25 minutos em média e foi exibido entre 11/11 a 16/12/1967.

[Trama]
O Doctor e seus companheiros retornam a Terra em um futuro distante que o planeta passa por uma nova era glacial. Lá, são aceitos na Brittanicus Base que enfrenta um dilema, está sem cientistas qualificados após um conflito de interesses entre o Líder Clent (Pent Barkworth) e um arrojado cientista chamado Penley (Peter Sallis) – este último abandonou a base e vive isolado na tundra.

Arden (George Waring), outro cientista, encontra o Doutor e seus companheiros e também um alienígena congelado – o tal ice warrior do título. Daí para frente inicia o processo de descongelar alguns membros desta raça, eles capturarem ou ameaçarem Jamie e Victoria ou os cientistas da base, ao mesmo tempo que o líder da base tem dúvidas sobre o uso de um novo dispositivo. O líder não crê que o computador tenha cometidos erros e o cientista faz questão de deixar claro que eles existem.

Varga (Bernard Bresslaw) o Ice Warrior descongela os companheiros e após algumas ameaças faz uma trégua, tencionando encontrar combustível para sua nave. A nave explode graças ao ionizador que também funciona para reverter a era glacial.

[Opiniões]
Mais longo do que deveria e com tramas que se repetem The Ice Warriors é cansativo ainda que os atores Pent Barkworth e Peter Sallis sejam acima da média, algo que é desconcertantemente destruído pelo ridículo som de voz dos marcianos. A história é um desdobramento de uma trama muito comum na série: uma máquina que não se deve confiar, partes em conflito, alienígenas contra todos e um Doutor algo que deslocado na história. Se tivesse quatro partes seria suficiente. Vai assim para a lista dos arcos inchados.

[Curiosidades]
The Ice Warriors é o terceiro arco incompleto que foi restaurado com animações. Aqui foram os episódios dois e três.

Os guerreiros do gelo são marcianos e retornaram à série em The Seeds of Death (1969), The Curse of Peladon (1972), The Monster of Peladon (1974) e Cold War (2013). São mencionados no especial The Waters of Mars (2009).

O arco foi adaptado para o formato de novela em DOCTOR WHO and The Ice Warriors por Brian Hayles e lançado pela Target Books na edição 33 de sua série em 18 de março de 1976.

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(Arco 38)
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(Arco 39)
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(Arco 40)
The Abominable Snowmen
The Ice Warriors
The Enemy of the World