O trem dos órfãos (2015, Editora 8Inverso)
[História]
No
fim do século XIX um grande programa realocou crianças órfãs ou
em condições de miséria de Nova Iorque para o oeste dos Estados
Unidos da América.
Esta
história se passa em 1.920 e narra a viagem de Jim, tentando
proteger seus irmãos e permanecer unidos ao mesmo tempo em que
aprende a regras da vida que lhe foram impostas. Setenta anos depois,
em 1.990 o velho Jim procura juntar os cacos de sua vida e
reencontrar-se com seu passado.
[Comentários]
De
longe o melhor lançamento inédito que li neste ano, O trem dos
órfãos consegue atingir seu objetivo sem ser didático em
demasiado. Narra a história do Orphan Train Riders, explica o
contexto, os objetivos, e os vícios do programa sem longas passagens
cheias de diálogos tediosos. O leitor sente a tristeza de Jim e como
o personagem se encontra perdido nos eventos que o cercam. Seu pai o
abandona e ele, analfabeto, não sabe reconhecer o fato. Aos poucos
vê seu irmão mais novo e sua irmã de colo também serem adotados
e, no processo, perde a própria identidade.
A
obra de Phillipe Charlot (texto) e Xavier Fourquemin
(arte), com cores de Scarlet Smulkowski e tradução de
Danielle Reichelt é belíssima e o único senão é o formato
adotado pela Editora 8Inverso, menor que o tradicional formato
“álbum” usando um formato parecido com o adotado pelo HQM na
série Os mortos-vivos. O álbum merecia não somente o formato
padrão para os álbuns franco-belgas como um acabamento em capa
dura.
Belíssimo
trabalho com texto, arte e cores que conseguem unir-se para
apresentar um resultado final adequado e pungente.
No
site da editora original (aqui) é possível notar que há um segundo ciclo
da série e mais quatro álbuns vinculados a este segundo ciclo.
O
trem dos órfãos – 1 – Jim/ 2 – Harvey de Phillipe Charlot &
Xavier Fourquemim, tradução de Danielle Reichelt, Editora 8Inverso,
1ª Edição, Porto Alegre, julho de 2015. ISBN 978-85-62696-30-5.
Sense8, Rising Stars e Os Eternos
Lendo
a tonelada de papel impresso e colorido e deixando de lado as duas
toneladas de papel branco impresso com tinta preta e eventualmente
assistindo aos finais de campeonatos de basquete, Flash e
algumas séries da Netflix.
Eis
que me deparo com Sense8, que merecerá uma análise
detalhada. Mas no primeiro momento o produto dos criadores de Matrix
(The Wachowskis) e Babylon 5 (J. Michael Straczynski) que
lembrou… Os Eternos, não o de Jack Kirby, mas o de
Neil Gaiman que calhou de eu estar lendo no mesmo momento. Por
que? A forma em que apresenta os super-seres, com seus flashes e
memórias compartilhadas me fez lembrar as duas primeiras edições
dos Eternos (2006).
Há
em Sense8 boas tiradas como a dos ladrões de cofres, onde um
deles interrompe um assalto para assistir a um programa na TV, e há
o casal homossexual da vez, que não parece deslocado. Há uma
sensibilidade no casal real, mas não se deixa de notar uma ironia
estranha, que parece remeter aos produtores/diretores: o casal
homossexual é formado por uma moça e um transsexual, que
aparentemente mudou de gênero de macho para fêmea. Pode ser uma
impressão errada do primeiro episódio, mas o detalhe chama a
atenção.
Resta
lembrar que Straczynski já trabalhou com super-seres em vários
oportunidades nos quadrinhos, mas temos boas lembranças do primeiro
trabalho dele: Rising Stars, já publicado no Brasil. A razão é que
o autor gosta de reciclar ideias e é bom ver as fontes.
E
por fim... que tolo o season finale de Flash. Me lembrou uns dois ou
três season finales de Smallville, especialmente depois que Jeph
Loeb passou a trabalhar na série: um evento de impacto... que será
ignorado na próxima temporada ou será resolvido com um lance
mágico.
Multiversidade, Fim dos Tempos e Convergência
A
Panini Comics anunciou que vai reunir as séries Multiversidade,
Terra 2 e Fim dos Tempos em um mix chamado de Multiverso DC.
Multiversidade
é uma série de especiais escrito por Grant Morrison e passam em
Terras alternativas do Multiverso DC. Dos oito especiais, li cinco e
achei razoável, ainda que ver a enésima versão de um conceito
simples (Terra X, por exemplo) não seja tão relevante assim. Se
fosse um encadernado somente com os oito especiais, renderia mais.
Terra
2 é um dos títulos de Os Novos 52 e se passa em uma Terra
alternativa onde surgiu a Sociedade da Justiça. Apesar de um bom
início nas mãos do escritor James Robinson, que havia trabalhado em
Starman (1994) e no relançamento da Sociedade da Justiça na série
SJA em 1998, o autor se afastou devido a interferências editoriais.
Fim
dos Tempos é uma série semanal – mais uma – e teve muitos
especiais e minisséries para abordar o tema.
A
Panini reúne tudo isso em um mix e abre caminho para publicar aí
também o evento Convergência.
Reunir
desta maneira é um excelente jeito de ignorar tudo.
Convergência
não resolve o problema do Multiverso da DC e só faz fan service
ao apresentar histórias das versões antigas dos personagens da
editora. Algumas são excelentes: o Superman pré-Flashpoint, o
Gavião Negro de Tony Isabella, mas algumas são extremamente datadas
e presas ao contexto em que foram geradas, como o Aquaman de Peter
David.
Incapaz
de produzir conteúdo de qualidade, Convergência será nota de
rodapé em alguns... anos? Não, em alguns meses! Multiversidade, que
aqui será publicado junto, deverá ter um destino melhor: ganhará
um espaço nos livros futuros. O de primeiro lugar em que surgiram
versões modernas de alguns personagens.
Pela
soma do apresentado: ignore tudo isso e continue a comprar
encadernados do material Marvel e DC entre 1962 e 1994. Há raras
exceções de material de qualidade posterior e normalmente é
vinculado a apenas uma série.
A Guerra Secreta da Convergência
A DC
Comics ressuscitou pela enésima vez seu Multiverso!
Agora para
um objetivo muito nobre: as Terras brigarão entre si.
Caso
você tenha perdido o interesse a muito tempo, em linhas gerais este
é o mesmo argumento de Countdown: Arena, onde versões dos
personagens do Multiverso lutavam entre si. Naquele momento lutavam para um lugar em um exército, agora pela vida e sobrevivência de sua cidade/exército.
O
mais terrível é que as premissas gerais lembram a atual série
Guerra Secreta, que está sendo publicada pela outra editora.
Em ambas, Convergence (DC Comics) e
Secret Wars (Marvel Comics) cidades são roubadas de seus
mundos e o universo é reestruturado.
Ironicamente
a série Crise nas Infinitas Terras (1985) foi, durante um
tempo, referenciada como uma versão de Guerras Secretas da Marvel
Comics.
O
triste é que com todo o potencial do Multiverso e, por extensão, do
Omniverso, nem a Marvel nem a DC sabem o quê fazer com ele.
A
série de Jeff King & Scott Lobdell é risível, ridícula
e a premissa geral é enfadonha. É triste ver morrer desta maneira
personagens que acredito em seus potenciais. Será que ao trazer o
Multiverso de volta a DC também trará os personagens, conceitos e
situações de outrora? Ao vai continuar com suas versões Os Novos
52?
Se
não vai mudar nada, então para que trazer o Multiverso de volta?
A saga do Monstro do Pântano Livro 3
Este volume reúne
The Saga of Swamp
Thing
|
#
|
Mês
|
Título
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35
|
Abril/1985 |
Notícias do Fuça-Radioativa |
|
36
|
Maio/1985 |
Notícias do Fuça-Radioativa II |
|
37
|
Jun/1985 |
Padrões de Crescimento |
|
38
|
Jul/1985 |
Águas paradas |
|
39
|
Ago/1985 |
História de pescador |
|
40
|
Set/1985 |
A maldição |
|
41
|
Out/1985 |
Mudanças sulistas |
|
42
|
Nov/1985 |
Estranhos frutos |
É a
nata da produção. Reúne a parte inicial daquilo que chamamos
durante muito tempo de “Gótico Americano” e reedita material que
foi visto em Superamigos e os primeiros números da série Monstro do
Pântano da Editora Abril.
Aqui
vemos pela primeira vez John Constantine (#37) e descobrimos que uma
seita está tentando atrair Cthulu, um ser
primordial para a Terra, explorando as energias de Crise nas
Infinitas Terras. Para tanto a Brujeria passa a se valer
de histórias de vampiros (#38-39), lobisomens (#40) e misticismo
vodu, com direito a zumbis (#41-42), para espalhar boatos e colher
energias. Ao fundo, em algumas edições, notamos um céu vermelho
que funciona bem, dado o tema de terror das aventuras, mas é tão
sutil que nem percebemos que o Universo DC estava sendo
reestruturado.
Constatine
era um jovem inglês amoral e que flertava com magia. Naquele momento
parecia um lorde com a face do Sting. Manipulador, queria usar Alec
para fazer frente a Brujeria, nem sempre conseguindo plenamente. Em
algum momento pensei em um lorde inglês entendiado que flertava com
punks, drogas e magia.
Moore
conseguia narrar histórias antigas com incrível criatividade e
força. Se as edições que relatam os acidentes radioativos parecem
um pouco panfletárias passados estes trinta anos, se a edição #37
não acrescenta muito além da habilidade de regeneração e
transporte instantâneo, ainda que imensamente importante para o
personagem, é nas edições seguintes que o autor nos surpreende ao
mostrar vampiros embaixo d'água – elas não são “águas
correntes” como aprendemos nos velhos filmes da Hammer – ou vai
além, quando mistura tradições indígenas, misoginia, ciclo
menstrual e licantropia. Depois usa a habilidade para transformar o
cenário de uma novela em uma vingança entre almas que não
descansam. É necessário observar o contexto: as revistas de fofocas
certamente dariam espaços para o ocorrido e os boatos alimentariam a
Brujeria.
Faltando
ainda três edições agora (uma para o final de “Gótico
Americano”, uma para a prisão de Abby e o conflito em Gotham e
outra que narre o período no espaço), já tenho saudades daquele
período da série – e, por extensão da indústria – onde tudo
parecia ser possível.
Uma
série memorável e que merece ser lida e relida.
Os mortos-vivos volume 16: Um mundo maior (2014)
Rick
Grimmes encontrou Alexandria e descobriu que
poderia viver em comunidade novamente e que seria interessante.
Robert Kirkman, autor da série, então queima etapas nas
questões de poder e sua tomada e retomada e nos leva ao próximo
nível: Hilltop.
Hilltop
é uma comunidade pacífica maior e que faz está produzindo e
comercializando há um maior tempo. Mas temos que ter um vilão. O
vilão da vez será Negan e os Redentores, que exigem
metade da produção e são violentos.
Um
mundo maior reúne as edições The walkind dead #91-96 e
chega esquemático: já inventamos a roda, agora vamos girá-la em
outras velocidades e ver o resultado. O interessante é que funciona
e deixa para trás a sensação de trama requentada.
A
trama é básica: Jesus é o recrutador de Hilltop, uma
comunidade pacífica de cerca de duzentas pessoas, que deseja
estabelecer relações comerciais com Alexandria, pois já tem
comércio com outras comunidades. Depois das longas (e merecidas)
páginas de desconfiança, Rick, Carl, Glenn, Andrea
e Michonne vão à Hilltop e verificam que tudo é verdade.
Mas chegam em um momento de conflito, onde Negan está ameaçando a
comunidade.
Incapaz
de negociar algo pois Alexandria não produz nada, Rick oferece
acabar com a ameaça dos Redentores, ainda que tenha que convencer
seus pares.
Prepare-se
para o choque das próximas edições.
Os
mortos-vivos volume 16: Um mundo maior, outubro de 2014. Texto de
Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard, tons
de cinza de Cliff Rathburn. HqM Editora/Image Comics.
ISBN 978-85-998-5989-6.
Os mortos-vivos volume 15: Redescobertas (2014)
Comentei
no review do volume anterior (14: Sem saída) que a
história estava narrando tramas muito semelhante, com pouca
diferença real. Desta vez Rick não quer ser o “Lobo Solitário e
Filhote”, quer estabelecer um lar e defendê-lo, quer viver em
comunidade.
É
isto. Carl foi ferido e se recupera, Andrea se aproxima
de Rick e ele reorganiza a comunidade para ampliar a proteção e
buscar recursos. Nada muito novo e nem mesmo quando um dos habitantes
inicia um motim e Rick e seu grupo descobrem temos um choque. Nem
mesmo quando Rick não o mata: já vimos Rick matar, agora o vemos
não fazer isto. Variações do mesmo tom, sem sair do tom.
No
mais é inverno, há pouca comida próxima e os invasores que
cobravam impostos ainda não retornaram. É o típico volume
“estrutural” que define ou redefine os eventos que ocorrerão nos
volumes seguintes e funcionar bem. Kirkman parece fazer um volume que
limpa a história até o momento e cria um novo divisor.
Os
mortos-vivos volume 15: Redescobertas, outubro de 2014, HqM
Editora/Image Comics. Reúne The walking dead #85-90 e uma
história curta para CBLDF Liberty Annual 2012. Texto de
Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard, tons
de cinza de Cliff Rathburn. ISBN 978-85-998-5988-9.
Astro City v2: Álbum de Família em pré-venda
Nesta semana a LigaHq anunciou uma série de encadernados em regime de pré-venda.
Entre eles se destaca Astro City volume 2: Álbum de Família.
O encadernado reúne as primeiras edições de Kurt Busiek's Astro City volume 2 dando foco nas mudanças da família seja em First Family, Jack-in-the-box ou um mero morador da cidade.
Veja abaixo o vídeo que fiz do primeiro encadernado:
Entre eles se destaca Astro City volume 2: Álbum de Família.
O encadernado reúne as primeiras edições de Kurt Busiek's Astro City volume 2 dando foco nas mudanças da família seja em First Family, Jack-in-the-box ou um mero morador da cidade.
Veja abaixo o vídeo que fiz do primeiro encadernado:
Batman e o telefone
Batman
Eterno é a uma série semanal do homem-morcego onde um personagem
misterioso está orquestrando um ataque ao protetor de Gotham City e,
por extensão, à própria cidade.
Em
um determinado momento Bard e Bullock necessitam conversar com o
Batman, mas a política do atual comissário é de combate ao
vigilante. Decidem o quê?
Usar
um telefone!
O
simples assusta! E assusta muito! Mas é muito mais inteligente usar
um telefone para ligar para o morcego que acender um sinal apontado
para os céus da cidade e indicar onde o encontro será, permitindo
que criminosos também saibam.
Batman
poderia ter um número de celular pré-pago com tecnologia de ponta e
tudo estaria resolvido – ou pelos menos a parte do “entrar em
contato”.
A
mítica do sinal para alimentar o medo é uma premissa interessante,
mas pelo advertir, nem sempre inteligente. Às vezes o moderno
funciona.
Superman: À prova de balas (2015)
A
sensação que fica quando se termina a leitura de SUPERMAN: À
PROVA DE BALAS é a de decepção! E é uma sensação que
começou a se arrastar lá atrás, por volta do meio da edição.
A
edição da Panini Comics é um tijolo de 680 páginas que
reúne Action Comics #01-18; a edição #0 e
Action Comics Annual #01 e mostra a repaginada série
inaugural do homem de aço agora sob a bandeira do reboot intitulado
Os Novos 52, que
reiniciou o Universo DC em 2011 e fez profundas alterações em
especial no Superman e Liga da Justiça – em contrapartida Batman
e Lanterna Verde
tiveram a continuidade mantida.
Grant
Morrison derrama alguns conceitos interessantes no primeiro arco,
especialmente até a edição #9 onde apresenta um Superman
presidente dos EUA em uma Terra alternativa… hum, eu falei que ele
é negro?
Depois
disso é um marasmo em costurar uma improvável história que envolve
mágicos e princesas da 5º dimensão. No meio uma confusão para
mostrar que Clark Kent em algum momento fingiu sua morte, que o
Superman morreu enfrentando o Super-Apocalipse (um Superman de
outra Terra alternativa! Precisa?) e a perda dos pais humanos em uma
história de viajantes do tempo. Perdidos na trama temos a Legião
dos Super-Heróis (clássica) e o Capitão Cometa, este
numa trama digna de livro B de sci-fi mas deslocado
aqui.
A
arte de Rags Morales casa bem com o tom da série, mas ele tem
vários fill-in para auxiliá-lo. Em vários momentos ouço
ecos de Tom Strong e outras obras de Alan Moore. Aí eu paro e
penso como a indústria está canibalizando o autor inglês. Será
Morrison ou a infinitas interferências editoriais da DC Comics?
Diferente
do quê fez em GRANDES ASTROS: SUPERMAN, talvez uma ode de
amor ao personagem, Grant Morrison produz um material que será
facilmente esquecido. Memorável e divertido são as duas, talvez
três primeiras aventuras, com um jovem Clark Kent/Superman
infringindo a lei e tentando solucionar todas as mazelas do mundo.
Depois tudo se torna uma confusão e os responsáveis esquecem do
essencial: divertir!
Uma
pena!
* * *
Considerando
o preço praticado por OS INVISÍVEIS do mesmo Grant
Morrison, mas extremamente hermética, À PROVA DE BALAS foi
desnecessariamente caro. A Panini praticou o preço de R$24,00 em
média para uma edição que reúne oito aventuras da série THE
INVISIBLES com a encadernação em capa mole (entre o outono e
primavera de 2014). As 25 edições da primeira série americana teve
o custo final de cerca de R$ 72,00, dividido em três encadernados,
enquanto À PROVA DE BALAS tem preço sugerido de R$ 158,00 e só em
alguns sites é possível preços diferenciados. Depois de
pesquisar e me decidir por R$ 110,00 encontrei na FNAC a R$ 94,00,
60% do preço sugerido.
Apesar
de extras típicos da era da Wizard/Wizmania com comentários das
primeiras edições, falta uma entrevista em que Morrison explique
por que decidiu trabalhar daquela maneira.
No
fim é uma edição decepcionante e cara.
Superman:
À Prova de Balas (2015), reúne Action Comics #01-18; 0 e Action
Comics Annual #01 (2011-2012). Texto de Grant Morrison, Sholly
Fisch, arte de Rags Morales, Brad Walker, Andy
Kubert, Cullin Hamner, Gene Ha, Brent Anderson
e outros. ISBN 978-85-8368-072-7.
O Superman da Terra-23
Se
existe algo divertido e relevante em SUPERMAN: À PROVA DE BALAS
(Panini Comics, 2015) além do uniforme de Clark Kent nas primeiras
edições é Calvin Ellis, o presidente dos EUA e o Superman…
da Terra-23.
A
prova de que o uniforme é divertido é que a DC o está utilizando
(com adaptações) no semi-reboot que está construindo neste momento
nos EUA. Já Calvin Ellis consegue ser divertido, interessante e
politicamente ativo. Seu personagem é o resultado do “endurecimento”
do Clark Kent que Grant Morrison nos apresentou: ele é o presidente
dos EUA e decide tomar o destino do mundo em suas mãos, fazendo
aquilo que crê ser correto. É assim, um misto de Hiperion de Poder
Supremo (cadê o encadernado Panini?), com o Superman dos anos
1970/80 e parte do radicalismo presente no texto de Morrison na
versão Superman do Universo Os Novos 52. Talvez a DC não tenha
deixado o autor brincar o suficiente com seu Clark e ele tenha
decidido criar um universo paralelo para dar vazão.
É
bom?
Esta
é uma pergunta difícil. O Superman da Terra-23 surgiu em Action
Comics #09 e teve direito a história principal e também a história
backup da edição. Depois retornou em The Multiversity #01.
Como personagem de edição única e série, mostra-se interessante.
Algo que me lembra da série dos Positrônicos de Isaac Asimov:
alguém que passa a guiar a humanidade levemente, mas sem o
radicalismo de tomar o poder e sem as consequências destes atos.
Mas
a DC tem histórico em arruinar seus personagens. E afinal todo dia é
dia de a DC Comics fazer algo errado.
Veremos.
Os mortos-vivos volume 14: Sem saída (2014)
Há
um momento em que toda série cansa e parece não progredir com a
mesma força. A partir daí as situações são repetitivas e ecoam o
quê já vimos. Às vezes o eco é sutil, às vezes forte. Os
mortos-vivos chegou neste ponto para mim. As tramas são
desdobramentos, alguns sutis, outros nem tanto, de tramas anteriores,
estendidas e com trajetórias distintas.
Ainda
assim Sem saída o arco das edições The walking dead
#79-84 é bom, pois nos mostra até onde Rick Grimmes está
disposto a chegar para manter aqueles que lhe são caros, e mais
importante: quem são esses!
Imperceptivelmente
também corre a questão das semelhanças entre Rick e o Governador,
melhores exploradas nas temporadas quatro e cinco da série de TV.
A
edição trabalha o conceito de horda que surgiu nos volumes
anteriores (veja volumes 10, 11, 12 e 13)
e mostra que os andarilhos são atraídos por sons, especialmente de
tiros que se propagam. Aqui uma horda invade a cidade que vivia em
relativa paz e autonomia e o grupo é separado em diversos grupos.
Rick decide fugir e abandonar, mas um evento o faz perceber que é
importante ficar e estabelecer uma posição.
A
partir daí ele percebe que é possível fazer frente a praga zumbi.
Mas quanto de sua humanidade ele perdeu no caminho? E a perda da
edição, será possível superar?
Os
mortos-vivos volume 14: Sem saída, março de 2014. Tradução de
The walking dead #79-84. Escrito por Robert Kirkman, lápis e
nanquim Charlide Adlard, tons de cinza Cliff Rathburn.
HqM Editora. ISBN 978-85-998-5980-3.
Marco Polo (Netflix, 2014)
[Trama]
Marco
Polo (Lorenzo Richelmy), genovês, é um jovem que não
conhece o pai em viagem desde antes do seu nascimento (e que não
tinha conhecimento da existência do rapaz) e que crê que viverá
aventuras com seu pai viajante quando este retornar. Assim que se
encontram e partem para a China, Marco é deixado por seu pai e tio
na corte do mongol Kublai Khan (Benedict Wong), o khan
dos khans, neto de Gengis Khan e fundador da Dinastia
Yuan (1271-1368).
Praticamente
vendido como uma mercadoria, já que ficou na corte enquanto seu pai
obtinha permissão para negociar no império do khan, Polo
terá que provar seu valor de diversas formas e vezes. Terá que se
provar para o vice-rei Yusuf (Amr Waked), para o
ciumento Príncipe Jingim (Remy Hii) e o ministro das
finanças Ahmad (Mahesh Jadu), apesar de conseguir um
bom relacionamento com Byamba (Uli Latukefu) um
bastardo de Kublai e a amizade verdadeira com o monge cego Hundred
Eyes (Tom Wu, preferi deixar em inglês pela conotação
que o som de “cem olhos” teria em português para um personagem
cego).
Marco
ganha confiança do khan e aparentemente sua amizade, mas é
posto em cheque em diversas ocasiões. Numa o pai retorna e
contrabandeia o bicho da seda e ele é envolvido, sendo acusado de
traição. Noutra se envolve com a “princesa azul” Kokachin
(Zhu Zhu), com quem se enamora e descobre ser uma das servas
da verdadeira Kokachin que se suicidou. Ao longo da trama a
“princesa” será prometida como segunda esposa ao Príncipe
Jingim, filho de Kublai e sua imperatriz Chabi, um jovem fraco
que deseja se provar diante do pai, por sinal o mote da temporada:
filhos que desejam provar aos pais o valor. A partir do momento em
que passa a habitar no palácio de Kublai, Marco tem treinamento
marcial com Hundred Eyes e será enviado em várias
missões de modo a agir como conselheiro e estrategista. É ele que
descobre a traição de um dos irmãos de Kublai – o quê humilha
Jingim que não conseguiu perceber a ameaça – mas falha ao fazer
um relato incorreto da muralha que circunda a sede do poder Song, a
cidade murada.
A
grande trama da temporada é a tentativa do chanceler Jia Sidao
(Chin Han) em manter a Dinastia Song no poder a todo
custo. Sidao mata embaixadores de seu próprio reino que negociam a
paz a mando da imperatriz-mãe, mata a própria e não hesita em
explorar da prostituição da irmã Mei Lin (Olivia Cheng),
primeiro como concubina do imperador Song, de quem tem uma filha e
depois concubina infiltrada no harém de Kublai Khan, a quem mataria.
[Opinião]
Escrito
e criado por John Fusco a série de dez episódios
disponibilizada em 12 de dezembro de 2.014 pelo serviço Netflix,
teve uma recepção morna e
demora a pegar. Recebeu críticas acerca de não ser empolgante. É
um fato. Tem um início confuso, como de uma história contada a
partir do segundo capítulo. Claro que há a questão de domínio
territorial e o conflito de mongóis e chineses, mas falta algo para
situar melhor o conflito entre Kublai e Sidao. A motivação é o
poder, mas não há uma apresentação adequada dos personagens. Não
fica claro a razão de tanto conflito familiar na família de Kublai,
que enfrenta o irmão em duelo e bane um primo que não aceita
marchar sob sua bandeira, depois de algumas derrotas. Novamente a
questão é o poder, mas com o irmão a trama não é dissecada
adequadamente e com o primo a história fica truncada.
O
primeiro terço da temporada é lento. As paisagens são bonitas, mas
não convence a fácil ascensão de um europeu no Império Mongol.
Ou melhor não convence a quase instantânea simpatia do khan
por ele em contrapartida da antipatia de grande parte de sua corte.
Porém
é uma temporada com dez episódios, então as coisas têm que ter
velocidade. Assim a metade final da temporada melhora bastante a
ação, os conflitos, os mistérios e tem um óbvio, mas bem
explorado gancho para a segunda temporada, confirmada em pelo serviço
em um anúncio em 7 de janeiro de 2015.
A mão esquerda da escuridão, Ursula K. Le Guin
[Trama]
Genly
Ai, embaixador de uma organização que agrega vários planetas,
chamada Ekumênico, chega a Gethen, conhecido como
Inverno, e encontra um mundo dividido em nações onde se
destaca uma monarquia (Karhide) e uma suposta nação
tecnológica (Orgotta), mas que se revela um regime comunista
com direito a emprego para nada fazer fornecido pelo Estado, censura
prévia e prisões em ermos gélidos.
Incapaz
(como eu) de entender as nuances daquele mundo, onde seus habitantes
possuem ambos os sexos e a fisionomia andrógina, Ginly Ai é tratado
como aberração e mentiroso em ambas as nações. A trama
basicamente é sobre o estranho de uma sociedade sem sexo e sem
papéis pré-definidos e sua fuga para chamar seus companheiros que
aguardam no espaço. Desconfiado da ambiguidade levemente feminina de
Estraven, que desde sua chegada em Karhide passou a ser seu
interlocutor com o rei, Ai teme uma traição. Foge e se percebe em
uma situação ainda pior.
Sentido-se
culpado do destino de Ginly Estraven decide resgatá-lo para permitir
que convoque seus companheiros. Como subplot parte da história
das tradições de Gethen e parte da história de Estraven.
[Opinião]
Mais
longo do quê acredito ser necessário, A mão esquerda da
escuridão daria um excelente conto ou novelletta. No
formato em que ficou, se entende tediosamente na fuga dos personagens
principais e sua luta para enfrentar uma região gélida.
Ganhador
do Hugo e Nebula como melhor romance (1969 e 1970,
respectivamente), em 1987 a revista de ficção científica Locus
o ranqueou como o segundo melhor romance de sci-fi
de todos os tempos.
Há
detalhes interessantes como o tratamento da sexualidade dos
habitantes de Inverno e o fato que eles são essencialmente
assexuados exceto em um período de cio chamado kemmer. Como
cada habitante pode assumir atributos femininos ou masculinos
variáveis a cada kemmer, este fator influenciou profundamente
aquele mundo. Um bom exemplo é que eles não conhecem a guerra e nem
o sexo não consensual e o estupro. Por extensão aparentemente não
há prostituição e excessivo protecionismo aos filhos ou disputa de
amor entre “pai” e “mãe”. Em divisão entre sexos não há a
submissão do feminino antes o masculino e nem a ligação exclusiva
de um sexo com o espiritual. Talvez eu ficasse mais feliz se a autora
escrever de maneira rasteira e se concentrasse em comparar as
sociedades “padrão” e de Inverno.
Então,
apesar de um cenário bastante interessante no que se refere às
pessoas, mas pouco desenvolvido na questão do clima, não consegui
manter-me entusiasmado no trabalho tão elogiado.
A
mão esquerda da escuridão, Ursula K. Le Guin, tradução
de Susana L. de Alexandria. Aleph, 2014, 2ª edição.
ISBN 978-85-7657-184-1.
Mangá: All you need is kill (2015)
[Trama]
Alistado
sem experiência para combater uma invasão alienígena, jovem
soldado descobre que ao morrer em no campo de batalha retorna sua
consciência com as memórias intactas para seu corpo, alguns dias
antes. É o loop infinito de morte e ressurreição, dor e
renascimento.
Após
choque inicial usa a seu favor a habilidade e desenvolve um
treinamento que permite fazer a diferença na guerra. Algum tempo
depois encontra uma jovem em posição semelhante à sua e pretendem,
trabalhando juntos encerrar a guerra.
[Opinião]
Ótimo
mangá publicado em apenas dois volumes em fins de 2014 e início de
2015, All you need is kill é muito bem desenhado e
extremamente violento. Se a primeira parte é empolgante, com um
crescendo constante focado no treinamento do soldado Keiji Kiriya
e sua caracterização, a segunda centrada na sua parceira, Rita
Vrataski não é tanto, especialmente quando passa a traçar um
motivo para os loops e como acabar com eles e junto com a
invasão. Fica extremamente técnico e pouco crível.
A
principal falha da história é sobre os vilões, os
mimetizadores. Criaturas descaracterizadas, sem moral, sem
sentimentos, sem personalidades, praticamente bidimensionais. Existem
para atacar e morrer e justificar parte da trama. Em alguns momentos
lembram os marcianos de Guerra dos Mundos assim
como a raça do pai de Moonshadow.
Em
vários momentos a equipe de arte cria painéis com Keiji e Rita
lutando contra os mimetizadores em suas armaduras e cada qual com um
enorme machado que evoca o melhor que havia em séries de sci-fi
e fantasia como Heavy Metal e (acredite!) A espada selvagem
de Conan. Noutros lembra a vasta tradição nipônica de humanos
vestidos em armaduras contra alienígenas e suas batalhas
extenuantes.
Ainda
assim é uma história de guerra e sci-fi acima da média.
All
you need is kill, 2 edições, JBC Editora, 2014 e 2015.
História de Hiroshi Sakurazaka, storyboards de Ryosuke
Takeuchi, ilustrações de Yoshitoshi Abe e arte de
Takeshi Obata e equipe.
Coleção Histórica Marvel, Os Vingadores #4: Ultron (2014)
[Trama]
Em quatro
oportunidades os Vingadores e seus aliados enfrentam o
androide Ultron.
Na
primeira os Vingadores e o Quarteto Fantástico são
convidados para o casamento de Cristalys e Mercúrio,
ela uma inumana e ele um mutante, filho de … alguém! A
história em duas partes foi publicada em The Avengers #127 e
Fantastic Four #150 e, se não empolga enquanto enfrentamento
entre as equipes e o Ultron-7, ao menos dá um ponto final
para a trama do coma de Franklin Richards.
Três
anos depois em 1.977 o robô retornaria em The Avengers #161-162
para usar Hank Pym, seu criador nos quadrinhos, para construir
uma companheira a quem pretendia ser animada com os padrões mentais
de Janet Van Dyne, a Vespa. Jim Shooter não é
o melhor escritor da equipe e investia muito na trama de Korvac,
mas consegue uma boa aventura semelhante em linhas gerais à história
de A noiva de Frankenstein. Nos anos 1.970 a narrativa poderia
ser dada aos leitores aos pedaços e meses depois em The Avengers
#170-171, a “noiva” é ativada e há um novo enfrentamento
entre a equipe e os heróis, enquanto fica evidente que há, no
mínimo, mais uma aventura sendo narrada.
Para
terminar em The Avengers #201-202, a noiva já tem nome
(Jocasta) e colabora com a equipe que enfrenta novamente a
ameça de Ultron, que agora foi reconstruído pelo Stark em
função de uma sugestão hipnótica feita em seu último ataque.
[Opinião]
Sou
um entusiasta da série Coleção Histórica Marvel e em
especial de seu papel baxter que creio ser melhor que o LWC,
exatamente pela falta de brilho – ler à noite virou um pesadelo.
Mas como leitor das antigas prefiro uma publicação mais linear e
não períodos tão distintos juntos. A seleção é boa, mas logo
vejo que ali tem a história de Korvac, a história da Madonna
Celestial, entre outras.
São
boas histórias, bastante significativos para o Ultron, ainda que
tenha um arco com o Demolidor na época de Atos de Vingança
que ajudaria a cimentar a questão das inúmeras versões da
armadura. Mas de um modo geral, a segunda série da Coleção
Histórica dos Vingadores que trouxe Warlock, Thanos,
A Guerra Skrull-Kree e esta edição é uma surpresa agradável
para os leitores. Veremos qual será a próxima.
Fúria Vermelha (Red Rising)
[Trama]
Darrow,
um jovem da classe operária – os vermelhos -- que trabalha para
transformar Marte em habitável, descobre ser impossível ter
acesso a recompensas mesmo com a produção adequada. Em seguida
descobre que a semi-escravidão de sua "raça" é baseado
em uma mentira: Marte já é habitável, mas somente as castas nobres
tem acesso a estas áreas.
Por ter
desafiado as classes superiores – os ouros – ele e a esposa são
executados, mas em seu caso é parte de um elaborado plano para
reconstruí-lo geneticamente e inserí-lo em uma escola exclusiva
para os ouros, depois de fornecer um passado falso. Lá ele, além de
conseguir boas notas, deverá se ligar a algum áurico de riqueza e
prestígio incontestável de modo a que este lhe forneça as
condições para continuar uma ascensão social e militar e em algum
momento vingar-se.
[Opinião]
Mais um
trilogia distópica com jovens que será adaptada em breve para o
cinema, Fúria Vermelha é um clichê após o outro. Lembra,
por demais, as escolas de magia de Harry Porter e a luta dos
jovens de Jogos Vorazes. Pelo tema lembra outras obras
importantes da ficção científica como Gateway, AdmirávelMundo Novo e até mesmo 1984, mas não espere nenhuma
complicação.
A motivação
de Darrow é fraca e todo o resto tediosamente previsível. Ele
aceita ser parte do plano de Dancer por sentir a dor da perda da
esposa e sentir-se traído. Acredita que ao terraformar Marte estava
garantindo a sobrevivência da humanidade, uma ideia que foi imbutida
na sua classe social. Ao descobrir que é uma mentira, crê que sua
existência foi uma mentira.
Ao se
infiltrar é previsível os momentos em que ele percebe que nem todos
os ouros são maus e que foram "apenas criados daquela maneira",
assim como os momentos em que se afeiçoa a alguns deles. Diálogos
que remetem ao fato de que em algum momento no futuro terá que
traí-los, ajudam o leitor a lembrar que já viu uma dúzia de filmes
e livros semelhantes.
Se há algo
de bom a ser dito em favor do livro prefiro me concentrar na ousadia
da Globo Livros em lançar um livro recente – foi publicado
nos EUA em janeiro de 2014 e a edição nacional é de
outubro/novembro do mesmo ano. Uma editora nacional investir em
literatura de ficção recente é bom, pena que seja motivado por uma
futura adaptação para cinema, que em caso de sucesso, fará a série
vender bem.
Fúria
Vermelha (Trilogia Red Rising, livro 1), Pierce Brown,
tradução de Alexandre D'Elia, Globo Livros, 2014.
ISBN 978-85-250-5822-5.
Os mortos-vivos volume 13: Fomos longe demais (2013)
[Trama]
A
vida em Alexandria e as escolhas de seus cidadãos. Abraham
é escalado para construir os muros e assume uma posição de mando
em função da covardia do líder anterior. Rick rouba algumas
armas do arsenal com o auxílio de Glenn, depois se envolve em
uma briga doméstica com amargas consequências. Glenn sai para
buscar antibióticos e de volta tem que enfrentar o distanciamento de
Maggie. Michonne depois de uma tentativa falha de
relacionamento com Morgan, assume como “agente” e tem que
deter Rick e por algum juízo nele. Andrea se enamora e se
torna atiradora de elite de uma torre de vigilância. Carl não
se sente bem com a ideia de falhas de seu pai e o recrimina em vários
momentos.
Eles
enfrentam a chegada de um grupo de desconhecidos armados e
momentaneamente vencem. Douglas questiona sua liderança e
praticamente a entrega à Rick.
[Opinião]
O
décimo terceiro volume reúne as edições The Walking Dead
#73-78 e mais uma história curta para o Free Comic Book Day
de 2013. É uma trama política acima de tudo. O quê os
personagens são e fazem e como Alexandria é importante para eles e
até que ponto eles irão para proteger a cidade.
A
interação entre os personagens é importantes para a trama e faz
bem ao desenvolvimento. Pessoalmente acho um pouco arrastado.
De
resto a ideia dos andarilhos atraídos por tiros, ou seja, a horda
conceito cimentado nos últimos dois anos, mas não visto em sua
totalidade ainda, continua a ter espaço, ainda que ninguém cite
neste volume as dificuldades motoras dos zumbis que tinham sido
citadas antes. Há também o surgimento de um novo grupo de
antagonistas. Aqui os incursores são eliminados, mas sabe-se, sem
sombra de dúvida que em breve haverá uma nova tentativa de contato.
Os
mortos-vivos volume 13: Fomos longe demais, março de 2014. HqM
Editora. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais Charlie
Adlard e tons de cinza Cliff Rathburn. ISBN
978-85-998-5979-7.
Os mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos (2013)
[Trama]
Cai
por terra a farsa do centro de comando em Washington: Eugene é
um simples professor que lutava para parecer importante e manter-se
vivo. Havia mentido para que o grupo o protegesse.
Em
seguida Rick e seu grupo são recrutados para uma comunidade
de sobreviventes e assim que aceitos, tem dificuldades em viver em um
grupo de pessoas.
[Opinião]
Observe
atentamente a página 24 deste encadernado. É um divisor de águas.
Podemos dizer, sem sombra de dúvida que The Walking Dead vai
do número 1 ao 67 e depois há o restante.
Não
quero dizer que a série se tornará inferior. Mas o primeiro ciclo
termina e a partir de agora inicia um segundo ciclo que é a
reconstrução da civilização. Woodbury não era a
reconstrução da civilização pois mantinha em vista o mundo
apocalíptico em que vivia. Era fácil lembrar disso com sua arena e
seu líder. Alexandria, nos
arredores de Washington, realmente parece uma comunidade
normal.
Isto
é que choca! E ao leitor é um pisão brusco no pedal de freio. Nós
estávamos acostumados a um outro padrão e Kirkman altera levemente
as regras do jogo. Não posso dizer que gostei.
O
volume reúne as edições The Walking Dead #67-72. A edição
#67 é sobre a mentira de Eugene, daí para frente é
chegar em Washington (eles chegam na edição #69), mas
o foco é aceitar o rastreador Aaron e depois a vida na
cidade.
Rick,
no entanto é Rick. Convidado pelo líder de Alexandria e
ex-congressista Douglas Monroe para ser um “agente” um
equivalente a policial, nosso velho e desconfiado sobrevivente começa
de imediato a construir planos de tomar o poder a partir do primeiro
momento em que as coisas deem errado! Andrea e Glenn
estão a par de suas maquinações.
Há
situações em aberto e algumas fechadas. Carl e Rick
conversam sobre o que motivou o menino a matar o Ben e acertam
suas diferenças. Carl, tão endurecido pelos catorze meses que
passou, tem dificuldades de conviver com as crianças da comunidade.
Teme que este período no conforto vá amolecer o grupo. O mesmo
temor compartilhado por Abraham, Rosita e Andrea.
A
questão da pouca ameaça dos zumbis volta novamente – na página
12 – quando Glenn diz que bastava empurrar o zumbi para fugir dele.
Nos últimos três encadernados esta trama secundária tenta
estabelecer um novo nível de risco para os mortos-vivos. Seriam
perigosos apenas em grandes grupos e em ataques repentinos. O risco
agora são os vivos. Definitivamente!
Uma
das situações em aberto se referem à comunidade. Há uma clara
disputa de poder e já houve uma ovelha negra – Davidson.
Nem todos estão realmente felizes com o fato de um grupo de doze
pessoas ser inserido em uma comunidade de quarenta. É uma questão
estratégica. Uma dúzia de pessoas unidas podem tomar o poder. Outra
questão é que o arco é focado na comunidade, na chegada, na
ambientação, mas pouco sobre como eles vivem e o quê fazem os
homens armados fora da comunidade. Rick inclusive nota isto ao
comentar com Andrea: “Você deu uma boa olhada nessas pessoas?
Eles mandam os mais perigosos deles lá fora para trabalhar na
construção de muros todos os dias. Se algum dia tentarem nos
expulsar, só precisamos tomar esse lugar e fazer dele nosso.”
Mas
o quê virá pela frente será uma segunda página quando comparado
ao período em que eram apenas nômades enfrentando zumbis e
garantido a sobrevivência edição a edição.
[Em
tempo]
Há
uma dúvida sobre a data exata. A dúvida não é razoável para mim.
A série não faz menções a alguns apetrechos tecnológicos atuais,
mas como foi citado um gameboy em um dos episódios
anteriores, é plausível que se passa após a segunda metade dos
anos 1.990. Neste arco Douglas cita a internet como local de
informações, o quê ajuda a cimentar que a série se passe neste
intervalo de tempo, após o surgimento e quando a rede mundial já
havia recebido este papel de informativo e ampliador de fuxico.
Então
é também plausível que as pessoas tenham relógios digitais que
tenham baterias que duram dois, três ou quatro anos. Se Rick e seu
grupo estão errando a catorze meses é possível que alguém tenha
um relógio desses, ou que seja encontrado e confirme a data.
Diálogos que reforçam que todos não sabem com precisão a data me
entristecem. Outro detalhe é que se há painéis solares em
Alexandria que permite o uso de eletricidade. Então também é
plausível que alguém tenha trago um computador para utilizar nos
registros. A bateria que alimenta as placas-mãe não teria se
esgotado em catorze meses.
Se a
preocupação é sobre um pulso eletromagnético – estamos
extrapolando – há sempre a memória de Alfred em The Dark Knight
Returns (1986) e confiando no seu relógio de pulso. Estes relógios
mais antigos não necessitavam de baterias.
Insistir
que não se sabe o dia é meio que incômodo. O ser humano tem uma
necessidade de saber exatamente onde está e que dia é. Acho,
inclusive que haveria um grupo de sobreviventes empenhado em
encontrar o maior número de relógios para determinar o dia e hora
exata. Mas o autor não pensa assim.
Os
mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos, junho de 2013. HqM
Editora. ISBN 978-85-998-5968-1. Texto de Robert Kirkman,
lápis e finais Charlie Adlard e tons de cinza de Cliff
Rathburn.
Os mortos-vivos volume 11: Sob a mira dos caçadores (2013)
[Trama]
Seguindo
para Washington o grupo de sobreviventes liderado por Rick Grimmes
vê-se com tensões internas quando um dos gêmeos mata o outro e
eles sabem que há uma decisão difícil a ser tomada. Do nada surge
o Padre Gabriel Stokes e o grupo passa a ser perseguido por
caçadores nas sombras, que capturam Dale e se revelam
canibais!
O
grupo terá que resgatar o colega e vingar-se caso necessário!
[Opinião]
Novamente
todo o cansaço que pode haver quando se pensa racionalmente sobre a
série se vai após a leitura deste arco. Esta é a melhor edição
desde o volume 2 da série! O quê faz isto? Um conjunto de
fatores. Primeiro Rick volta para a liderança, que ainda é
um coletivo e ele dá espaço para todos partilharem do peso das
decisões. Segundo, Kirkman ousa tocar em pontos espinhosos. E
vários!
Primeiro
sobre a loucura juvenil, pois Ben mata Billy, mas
parece não saber o quê fez. Como saber como o apocalipse zumbi
afetou o menino? Diante do quadro eles conversam sobre matá-lo, mas
ninguém quer fazê-lo, especialmente Dale e Andrea que se recusam
simplesmente a discutir a questão. A frieza das páginas que mostram
os diálogos sobre o futuro do garoto são um show à parte.
Mas alguém tem que tomar a difícil decisão. E alguém inesperado
toma!
Um
padre que se manteve protegido em sua igreja enquanto seus fiéis
morriam pelo lado de fora é um detalhe sombrio que marca a crueldade
do texto. Mas o detalhe de mestre são os caçadores canibais,
covardes, incapazes de lutar, que primeiro mataram as crianças de
seu próprio grupo!
O
momento em que o leitor se dá conta do que aconteceu com Dale é
chocante, e mesmo diante do festival de atrocidades que já vimos na
série, temos um choque que permanece nítido quando se pensar no
personagem. A trama é muito bem desenvolvida e, ao fazer opção por
caçadores covardes, os autores deixam subentendido que em algum
momento poder ser que eles encontrem caçadores que não sejam.
O
sofrimento de Andrea, que perde os gêmeos, a quem junto com
Dale adotou deste o início da série e o próprio companheiro é
digno, tocante. Devo lembrar que do grupo inicial restam apenas Rick,
Carl e Andrea que junto com a popular Michonne parecem serem
intocáveis. Esta, por sinal, Kirkman poupa neste ano (os volumes 10
e 11 correspondem a um ano de edições da série mensal), ainda que
comece a demonstrar um interesse em Morgan.
Há
algumas dicas sobre o futuro. Kirkman busca mostrar Eugene
como um deslocado em um determinado momento observando bobamente um
encontro sexual entre Abraham e Rosita. Em outro ele
surge, com conhecimentos genéricos pouco úteis, mas novamente
parece ter algum conhecimento científico quando observava uma falta
de habilidade motora nos zumbis. Aqui um zumbi aparentemente não
consegue se mover para atacar suas presas. É a segunda sequência
que mostra tal detalhe.
Pelo
conjunto do reunido neste volume, as edições The Walking Dead
#61-66, meu interesse foi novamente renovado e percebi que os
autores poderiam ousar um pouco mais e eu continuaria acompanhando –
ao menos os próximos volumes. À medida que alguém cai fica-se com
a curiosidade mórbida sobre como cairá o próximo.
Os
mortos-vivos volume 11: Sob a mira dos caçadores, março de
2013, HqM Editora. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de
Charlie Adlard e tons de cinza de Cliff Rathburn. ISBN
978-85-998-5965-0.
Os mortos-vivos volume 10: O que nos tornamos (2012)
[Trama]
A
viagem para Washington continua e a tensão cresce. Maggie
tenta o suicídio pela perda da família. Salva do enforcamento por
Glenn, Abraham decide matá-la antes que se torne um
andarilho, dificultando a possibilidade de salvá-la. Ele briga com o
grupo e Rick tem que ameaçá-lo com uma arma. O clima não
fica amigável entre eles.
Pouco
à frente, Rick e seu grupo se aproximam de sua cidade de origem e
ele decide retornar com Carl e Abraham para resgatar algumas
armas, mesmo sem confiar no sargento. Lá encontram Morgan, um
dos primeiros sobreviventes da série – lá do primeiro
encadernado.
Apesar
de fortes diferenças de opinião Abraham e Rick se unem e no retorno
se deparam com uma horda. Conseguem fugir e chegar a tempo de avisar
ao agrupamento sobre o ataque. Dale, que havia encontrado uma
nova fazenda, onde acredita ser possível viver algum tempo, fica
insatisfeito com a nova fuga.
[Opinião]
Publicado
em outubro de 2012, exatamente quando a série de TV baseada nos
quadrinhos retomava para a terceira temporada, O que nos tornamos
reúne as edições The Walking Dead #55-60. As edições
que compõem o encadernado eram do momento em que a série completou
seu quinto ano de publicação nos EUA, mas atualmente havia uma
diferença de cerca de quatro anos em relação ao Brasil – mais ou
menos 50 edições, sem muita precisão. Na capa da edição #56
americana temos um shot do grupo atual: Rosita,
Abraham, Michonne, Eugenne, Maggie,
Glenn, Andrea, Billy, Dale, Ben,
Rick, Carl e Sophia. Falta apenas Morgan
que entraria até o fim do encadernado.
A
trama é fortemente centrada na tentativa de Rick em se recuperar da
perda da esposa e da filha. Por isto dá espaço para uma narrativa
de enfrentamento contra Abraham e, na extensão, foca nos
enfrentamentos entre os personagens. Em um momento Michonne fica
feliz que Rick tenha recuperado a iniciativa, mesmo que o próprio
ainda não tenha se perdoado.
Abraham
narra a sua versão da perda da família. Ele e a família se uniram
a um grupo de sobreviventes do bairro. As mulheres foram estupradas
coletivamente e quando teve a oportunidade o sargento matou os
culpados. A família assistiu e ficou com medo dele. Decidiu ir
embora. Abraham os seguiu e os encontrou mortos por zumbis. Abraham
se apresenta com um personagem frágil quando na intimidade e em
envolvido em um romance com Rosita – que ainda não mostrou
exatamente a que veio e é certamente a personagem mais estereotipada
da série, algo como “a chicana namorada de militar”. Eugene
parece ter algum conhecimento e nota o curioso estado de um zumbi sem
energia para se arrastar e atacar – este detalhe não é
aprofundado mas Kirkman faz questão que alguns personagens
concordem. Mas Andrea não acha o mullet do cientista
convincente…
Finalmente
a teoria da horda – um grupo de zumbi andando a esmo
atraídos um som – é validada. E retornaria algumas vezes na
série.
De
resto a tentativa de suicídio de Maggie, a reação de Sophia que
tinha a garota como mãe, o comportamento bizarro de Ben e Billy –
os gêmeos, e a insatisfação de Dale em mudar-se novamente. Ele
responsabiliza Rick por isto. Pode ser a reação natural de um velho
cansado e ranzinza ou pode ser o início de um ódio maior. Só o
tempo e Kirkman dirão!
No
entanto, passa a ser uma constante a questão da fuga: fugiram das
cidades, da fazenda de Hershell, da prisão, estão nas estradas.
Eles sempre estão fugindo. Talvez em breve decidam que existe um
lugar em queiram ficar em permanente. Que vala a pena cercar e chamar
de seu.
Os
mortos-vivos volume 10: O que nos tornamos.
Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard
e tons de cinza Cliff Rathbur. HqM Editora, outubro de 2012.
ISBN 978-85-998-5956-8.


















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