Perry Rhodan #848: Titã, o último bastião


Perry Rhodan retorna à vida dos brasileiros no formato virtual, próprio para os leitores acostumados a ler em computador ou tablets. Após confirmação do pagamento é possível fazer o download que vem acompanhado de três arquivos (mob, e-pub e PDF) e o leitor escolhe a mídia que deseja ler e por extensão o formato de arquivo mais adequado.

A estratégia é ousada e favorece a pirataria, afinal posso reenviar facilmente o arquivo, mas o preço – pouco menos de R$6,00 – favorece a honestidade. Por sinal, sem honestidade não haverá sobrevida à cinquentenária série.

Tenho apenas a impressão que o ciclo atual, o 13º da série, chamado Bardioc, que vai do episódio 800 a 867 deveria ter uma atenção diferenciada. O melhor, devido ao novo formato seria mais interessante iniciar em um ciclo mais significativo (qual?) e publicar os ciclos anteriores de forma alternada. Talvez um episódio de jubileu – como são chamados os episódios de início de ciclos. Economicamente criaria um problema como duas traduções e sempre a lembrança de que há uma informação para trás, algo que em uma série de 2.300 episódios publicados é impossível não ter.

[Trama]
A trama do episódio trata da viagem do lare Hotrenor-Taak à Titã, a última fortaleza dos super-pesados neste sistema solar para uma missão em prol da humanidade, mesmo certo que não terá gratidão.

De fundo, a trama sobre o retorno da Terra à sua posição original e o risco da existência de um buraco negro.

[Impressões]
A trama realmente tem uma boa dose de ação, mas é evidente que o leitor – mesmo o fã de Rhodan – sente-se acordado em um trem (uma nave?) desgovernado! Não há maneira de compreender perfeitamente todas as tramas em aberto e todas as implicações. De um modo geral é como comprar uma edição do Homem-Aranha depois de seis anos sem ler nada… e no meio de um arco.

(Evidentemente no caso do Aranha a Marvel em dois ou três anos retornará ao status quo padrão e você reconhecerá o personagem como alguém que não evolui; sempre desempregado e sem esposa. Acho que no caso dele, os leitores se divertem em imaginar alguém estagnado e incapaz modificar positivamente sua vida.)

Apesar de minhas resistências pessoais ao formato digital, que inclusive me levaram a parar de adquirir edições do Comixology, acompanharei a série. Por sinal, sempre é bom lembrar: o Comixology periga tornar-se para os quadrinhos o equivalente à Amazon nos livros ou o Google nas buscas e serviços. Em síntese: estou nadando contra a corrente.

Perry Rhodan
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847:
Metamorfose
13º ciclo:
Bardioc, episódio 48
848:
Titã, o último bastião
13º ciclo:
Bardioc, episódio 49
Kurt Mahr
849:
Salto sobre o abismo
13º ciclo:
Bardioc, episódio 50
Kurt Mahr

Rei Rato de China Miéville


A primeira impressão que o texto de China Miéville passar é de empolamento. Suas frases cheias de referências são grandiloquentes, criando descrições intensas e lembrando a escrita de Sagarana, passando a ideia de texto produzindo, pensando e obviamente cinematográfico. Às vezes soa artificial, e mesmo quando delicioso, reconhecemos um certo artificialismo.

Dizer que não lembra uma série de outros autores seria uma mentira, ao mesmo tempo que dizer que não é original. Miéville é original a seu termo, pois seu foco não é na história, mas no ambiente. Recria a trama mais batida da literatura inglesa: após morte do pai, com quem tem pouco contato, SAUL GARAMOND, descobre-se ligado a uma sinistra criatura que lhe apresenta uma visão distinta de sua Londres. Daí surge o fantástico, uma herança e um conflito com uma criatura que põe em risco a sua existência.

O autor procura descrever uma Londres com um pé no real e outro no onírico; assim como explicar ao leitor parte do conceito musical que inspira o trabalho – parte, porque em última instância quem não tem contanto com aquele estilo não poderá compreender perfeitamente o ritmo que Miéville tenta criar.

Há um sabor de DEPOIS DE HORAS, ALICE, DEUSES AMERICANOS, apenas para ficar nos mais óbvios. Há também um quê do “menino príncipe injustiçado”, ainda que disperso em tanto texto. Miéville corre um sério risco de virar um pastiche de ideias já executadas como maestria por outrem. Num determinado momento força uma história de romance entre um príncipe rato e uma sem-teto louca. Seria terno, exceto que não há sexo (na sequência e no livro) e que ao leitor é impossível esquecer o fedor dos personagens. Se algo consegue ultrapassar do livro é o sentido do olfato. Os personagens fedem!


Às vezes o conflito de Saul em assumir uma herança não convence. Em contraponto sua rápida aceitação de sua nova condição, também não. É diferente dos diálogos que vemos, por exemplo, em UM OCEANO NO FIM DO CAMINHO de Neil Gaiman, que, de tão realistas, soam artificiais. Se em Gaiman é apenas o diálogo que é artificial e provoca um choque, aqui parte do cenário soa artificialmente, forçado. Tudo parece bloco de texto cuidadosamente costurados seguindo uma receita.

Mas Miéville consegue criar bons diálogos e cenários, ambos cinematográficos, como já disse. E isso salva o livro e nos provoca a continuar a leitura. Falta evidentemente uma motivação verdadeira ao seu vilão, pois perseguir o sobrevivente não se sustenta a não ser que estejamos lendo FÁBULAS (em tempo o livro é de 1998 e Fábulas, a série em quadrinhos da VERTIGO é de 2001).

Mesmo com uma tradução que busca explicar a sonoridade cockney de um dos personagens e a dezena de termos musiciais, o livro tem ritmo e é fácil de ser lido. Porém sempre fica uma impressão de distanciamento. De estarmos assistindo e não imersos na trama, por isso nem mesmo algumas reviravoltas na trama soam surpreendentes de fato. Soam como um gigantesco “passo a passo do novo escritor”, pontuais; as vezes imperceptíveis; mas ao mesmo, estão aí tão estruturados que sabemos alguns lances com páginas – e capítulos – de antecedência.

REI RATO, China Miéville, ISBN 978-85-61541-29-3, tradução Alexandre Mandarino, Tarja Editorial, 2011.

Who's Who: Madame Xanadu, Doorway to Nightmare

Madame Xanadu foi criada por David Michelinie (escritor), Val Mayerik (artista) e Michael W Kaluta (designer da personagem e capista). Estreou em Doorway to Nightmare 1 (1978), e a estrutura de suas histórias era mais ou menos a seguinte: um “cliente” chega a loja de Madame Xanadu e através da leitura das cartas de tarô, uma história é contada. História, é claro, com os elementos sobrenaturais.

Doorway to Nightmare foi o último dos títulos de “mistério” da DC. Durou apenas cinco números e as histórias de Madame Xanadu passaram para a The Unexpected, que havia se transformado em uma antologia de 68 páginas (um dos famosos “Dollar Comics”) depois de ser fundida com The Witching Hour. Ficou lá por quatro números e em 1981 ganhou um único número próprio, Madame Xanadu.

Ela é identificada com Nimue, a feiticeira dos mitos arturianos (coisa explorada mais tarde por várias séries... a última sendo Demon Knights e Justice League Dark, dos Novos 52).

Aqui no Brasil, as histórias de Madame Xanadu (assim como várias outras de terror de The Unexpected) foram publicadas pela EBAL em Histórias de Assombração entre 1977 e 1981.

Texto: Ben Santana.
Originalmente publicado na página do Facebook do Quadrinhos Neolíticos.

Os Invisíveis vol 1: Revolução



Rico com os lucros de ASILO ARKHAM Grant Morrison resolveu viajar pelo mundo e experimentar drogas e narrativas confusas, entremeadas de delírios e com uma trama geral que visivelmente se perde no caminho. Assim pode ser definido os três volumes americanos da série THE INVISIBLES, e tanto por entusiastas como por detratores, está definido entre um dos mais interessantes trabalhos publicados pela indústria mainstream de quadrinhos americana ou como um cansativo delírio regado a drogas.

Escolha a sua opção e saiba que não existe caminho certo.

Morrison experimenta demais. Os experimentos em PATRULHA DO DESTINO são fichinha perto dos experimentos de OS INVÍSIVEIS. Nem sempre acerta, mas mesmo quando o faz, nesta série não produz um material de fácil compreensão, e nem o seria, dado o estado em que o autor estava quando criou a obra. Em momentos à frente será possível entender a função do editor, que limita o campo de ação de Morrison e tenta indicar a ele um caminho, daí a tentativa de um reinicio no volume 2… e em um volume 3!

OS INVISIVÉIS: REVOLUÇÃO, encadernado da PANINI COMICS reúne oito números da série americana THE INVISIBLES volume 1 e ainda uma história curta de ABSOLUTE VERTIGO. Em BEATLES MORTOS (#1) somos apresentados ao revolucionário KING MOB – um alter ego de Grant Morrison até na aparência – que coordena uma célula do grupo autointitulado OS INVÍSIVEIS e confronta criaturas que dominam o mundo.

Estas criaturas desejam a diminuir a resistência e criar um estado de uniformidade e, a partir disso, o completo controle social. KING MOB liberta DAVE McGOWAN, feito prisioneiro, ao mesmo tempo em que percebemos que está iniciando um novo ciclo (final?) nesta guerra.

O primeiro arco NA PIOR ENTRE CÉU E INFERNO (#2-4) trata do treinamento de McGowan e sua descoberta de novas percepções de realidade e mundos dentro de mundos. Depois de Neil Gaiman (em especial LUGAR NENHUM, mas também DEUSES AMERICANOS) e China Mieville não posso dizer que isto seja ao menos chocante. Narrativas construídas sobre o conceito de “cidade por trás da cidade” já perderam o impacto, exceção feita aos neófitos. Em 1994, no entanto era conceito novo, creio – mas alguém sussurou “Um conto de duas cidades” de Charles Dickens, hum…

O próprio conceito geral de que a realidade nada mais é do que uma percepção do existente já foi adequadamente mostrado na trilogia cinematográfica MATRIX, que sempre foi relacionada com Os Invisíveis, no sentido de que acusam de plágio. Formalmente nada, mas há relação evidentes entre as obras.

ARCÁDIA (#5-8) também não colabora com o leitor, nem torna as coisas mais fáceis. A célula de agentes que temos contato vai ao passado para resgatar O MARQUES DE SADE e se percebe perseguida no presente – eles viajam em um transe e seus corpos ficam no presente exposto a um assassino que domina corpos, semelhante em termos, àquilo que veríamos em MATRIX anos depois – e no passado, onde encontram confusos agentes que obedecem a um artefato que fala exatamente aquilo que eles esperam ouvir: ordens!

Morrison atira em tantas direções, relacionando células ancestrais de OS INVISÍVEIS ao iluminismo francês, à Revolução, assim como os vilões aos TEMPLÁRIOS e à cabeça de JOÃO BATISTA, aqui o “tesouro” escondido. Se não foi original, afinal cabeça falante, por cabeça falante eu prefiro a de Orpheus, foi uma saída inteligente para justificar ordens cumpridas de modo torto, pois eram fornecidas assim, pelas metades.

Neste arco há espaço para personagens secundários além de King Mob e o novato Dave. LORD FANNY rouba parte da cena ao incorporar deuses de civilizações pré-colombianas, mas neste caso, parte da magia se perderá quando o leitor descobrir que Fanny não é mexicano, nem de nenhum país da América Central (Olhe um pouco abaixo no mapa). BOY treina McGowan e participa do tour de Mob e Sade, sem acrescentar muito como personagem à trama e RAGGED ROBIN tem uma passagem interessante na trama, mas nenhum desenvolvimento efetivo como personagem.

Ao resgatar Sade para auxiliar na criação de um futuro para a humanidade a série aponta numa direção que não seguirá; pelo contrário. Hermética demais nas histórias iniciais a série se aproximará – muito pouco, admito – da narrativa padrão com o passar dos números. Haverá espaço inclusive para arcos centrados nos personagens, nas suas motivações e na solução da grande conspiração.

Ao ler a edição fica, evidentemente, a saudade de quando a VERTIGO era tão pouco comprometida com vendas e dava espaço para seus autores fazerem o que quisessem. Serem realmente inovadores. Em 1994 mesmo tendo vendido muitos exemplares de ZENITH, HOMEM-ANIMAL, PATRULHA DO DESTINO, FLEX MENTALLO e ASILO ARKHAM, Morrison ainda não tinha construído suas séries mais populares (LJA, DC UM MILHÃO, NOVOS X-MEN, GRANDES ASTROS SUPERMAN, BATMAN, CRISE FINAL) e ainda poderia ser classificado como um jovem iniciante.

É de espantar que tivesse tanta liberdade… ou devemos reconhecer que, naquele momento, o selo era realmente o lugar para o experimental? – O EXTREMISTA, já publicado no Brasil, talvez seja uma prova disso?

OS INVISÍVEIS: REVOLUÇÃO, PANINI COMICS, 2014, 236 páginas, R$ 25.90.

Star Wars, A trilogia de Thraw III: A última ordem

 
Gente como eu penei! 20 anos depois de iniciado eu finalmente terminei! E como sofri.

Primeiro passei 17 destes 20 anos procurando os volumes dois e três do arco (A Editora Aleph republicará a série em 2015). Depois reli OS HERDEIROS DO IMPÉRIO e li O DESPERTAR DA FORÇA NEGRA. Mas A ÚLTIMA ORDEM não me prendeu. Comecei e sofri nas primeiras 125 páginas durante meses, sempre interrompendo com outras leituras. Mas eis que consegui, em um último fôlego encerrar as 467 páginas do livro, tornando o arco um calhamaço de mais de 1.200 páginas.

Devo dizer que não me arrependi.

[A trama até aqui]
Capitão PELLAEON, Grande Almirante Thrawn e Mara Jade
Cinco anos após a BATALHA DE ENDOR surge um novo gênio militar no IMPÉRIO o GRANDE ALMIRANTE THRAWN, um alienígena azul, e grande habilidade de comando. Thrawn poderá fazer a diferença na guerra entres os restos do Império e a Rebelião. Observe que o Império perdeu seu Imperador, mas suas unidades de comando continuam a manutenção. A morte do Imperador foi um revés terrível, mas que poderá ser contornado com a liderança correta. Thrawn é auxiliado pelo CAPITÃO PELLAEON no comando do QUIMERA e descobre três trunfos militares:
a) um clone JEDI, MESTRE JEDI JORUUS C'BAOTH. Um clone enlouquecido mas que controlará a frota do Império como PALPATINE fazia, permitindo grandes conquistas militares;
b) Em WAYLAND, um depósito do Império, dezenas de milhares de cilindros spaarti, que permite a produção de clones em série e em escala industrial;
c) A FROTA KATANA, uma frota de grande poder de fogo, perdida há algum tempo.

Pelo lado da NOVA REPÚBLICA, marca o nascimento dos gêmeos de Leia & Han e a apresentação do contrabandista KARRDE e de sua assistente MARA JADE, anteriormente a MÃO DO IMPERADOR ainda com a última missão em aberto: matar Luke Skywalker!

[A trama aqui]
Sim, a última ordem do título é realmente a última instrução de Palpatine à Mara Jade (“Matar Luke Skywalker!”) e sua relação de conflito, amor e ódio com o Jedi, assim como o conflito deste com as novas responsabilidades: terminar o treinamento de Leia, treinar os gêmeos e agora aquela fascinante senhorita. Reconstruir assim, a Ordem Jedi.

Mas para chegar a este ponto a trama é rocambolesca: Thrawn tem uma posição militar superior, novamente uma máquina de grande poder de destruição e CORUSCANT – sede do poder do Império, agora sob domínio da NOVA REPÚBLICA – sob sítio. Então uma nova missão: conseguir um aparato científico que equilibrará novamente as forças, emulando em muito a situação de O RETORNO DE JEDI.

O RETORNO DE JEDI também parece ser inspiração para WAYLAND com suas raças estranhas simpáticas aos rebeldes – em especial a raça noghri, apresentada nos volumes anteriores e fundamental para o arco – e ao combate orientado por uma força do MAL em um centro do IMPÉRIO. É inegável que o conflito Imperador X Darth Vader X Luke Skywalker orientou em muito o conflito C'baoth X Mara Jade X Luke em A última ordem – assim como o criativo uso de um certo clone, que justifica boa parte da trama do arco STAR WARS: DARK EMPIRE.

Com vários focos: a tensão entre Thrawn e C'baoth; a tentativa deste último em estar no controle do Império e seu desejo em ter como servos Leia, os gêmeos recém-nascidos, Luke e Mara Jade; a organização da Nova República e o conflitos de seus generais, além de muitos e muitos conflitos envolvendo os contrabandistas de Karrde, o livro consegue divertir… se você vencer o quarto inicial.

E ainda apresenta a fina elegância de encerrar tudo e… deixar (quase) tudo em aberto.

GUERRA NAS ESTRELAS Parte III: A ÚLTIMA ORDEM, Timothy Zahn, ISBN 85-7123-445-0, Editora Best Seller/Círculo do Livro, 1993.

Star Wars: A trilogia de Thrawn
ou
A trilogia Herdeiros do Império
1
2
3
A última ordem

COPA 2014 VS THE SIMPSONS: É o futebol tão previsível assim?



Quando todo mundo falou do episódio You Don't Have to Live Like a Referee, 16º episódio da 25ª temporada da série de TV THE SIMPSONS e suas coincidências com a COPA DO MUNDO 2014 eu fui assistir ao episódio ainda que, admito, não gosto do esporte. Mas a série de animação com 25 temporadas e mais de 500 episódios é outra história. Crítica dos costumes norte-americanos, THE SIMPSONS é quase uma instituição há uma geração.

[TRAMA]
LIZA escolhe o pai como herói – após Marie Curie ser apresentada por um outro aluno – e o elege como símbolo de retidão. Em consequência a FEDERAÇÃO DE FUTEBOL o escolhe para árbitro e ele mantêm a imagem de incorruptível para a filha, ainda que haja dezenas de tentativas para corrompê-lo – algumas hilárias sendo exibidas nos telões dos estádios, atualmente chamados de ARENAS.

Por estas e outras acaba apitando a FINAL da COPA 2014, um jogo entre BRASIL e ALEMANHA, onde o astro da SELEÇÃO DE FUTEBOL DO BRASIL (El Divo) finge uma falta. Assim o pênalti não cedido por HOMER leva a sentimental SELEÇÃO BRASILEIRA a perder o CAMPEONATO DE FUTEBOL – afinal, por aqui, a responsabilidade é sempre alheia, nunca do time.

[OPINIÃO]
A série é piedosa com o BRASIL. Não há crítica à falta de estrutura do país nem às obras. Acho até que os produtores não estudaram o contexto do país no último ano. Então apenas as piadas de sempre: sexualização, alegria exacerbada, sedução pelo estrangeiro e destruição da AMAZÔNIA.

Se o astro do time no episódio tem as características do astro na vida real e se uma disputa é “prevista” com uma rodada do campeonato não há mistério: há dezenas de listas de países na final e os autores apenas escolheram algo que refletisse a história do esporte. Quando ao fingimento de faltas e CORRUPÇÃO DE JUÍZES NO FUTEBOL, bem… ora… “prefiro não comentar”!

No mais a grande impressão que fica é que o FUTEBOL e seu principal CAMPEONATO INTERNACIONAL, a COPA DO MUNDO DE FUTEBOL DA FIFA, é altamente previsível!


















Copa Feminina de Basquete 2014! Aonde? No YouTube!


Alguns canais tentam introduzir uma nova tradição esportiva no Brasil. Evidentemente não por amor à diversidade esportiva, mas sim às verbas publicitárias que advirão de novos campeonatos e o consequente barateamento dos custos de exibição de outros.

O canal SPORTV exibe com exclusividade o NBB, a versão nacional do campeonato de basquete, nos meses de novembro a maio e às vezes vaza para o canal livre – a Globo, dona do SPORTV – a abertura e a final. Por sinal no NBB 6 – 2013/2014, a abertura foi exibida com exclusividade na GLOBO, e só lá!

Eventualmente rola o Pan-americano e o campeonato de clubes. Mas, durante o NBB, mesmo com três canais a rede SPORTV no máximo exibe dois jogos por semana. Quando muito! Uma pena!

Já o ESPN, o ESPN Brasil, os canais da rede Bandeirantes e o SPORT + exibem o Campeonato Paulista, o Campeonato Europeu e a estrela do esporte, a NBA, o longo e lucrativo campeonato americano. Na exibição da NBA junta-se também ao menos um canal de reprises de filmes, o TNT.

Mas depois de maio cé fini! Quem gosta de basquete terá que esperar a nova temporada – todas ao mesmo tempo! Infelizmente!

Este ano tem a COPA masculina DE BASQUETE DA FIBA, desimportante no Brasil, especialmente em ano de COPA DE FUTEBOL, mas que será exibida no SPORTV em agosto.

A importância do campeonato é tamanha que sua versão feminina está sendo exibida no YouTube enquanto canais que não tem os direitos de exibir os jogos da COPA exibem filmes e depois VTs. Pelo jeito ninguém se interessou em exibir o campeonato. Deve haver um fundo de razão, pois as quadras/ginásios não estão exatamente lotadas…

No jogo do Brasil, então…

Eu assisti e confesso que fiquei fã de jogos sem narradores e sem estrelas artificialmente fabricadas. Sem narradores não há espaço para criar heróis e fica visível a falta de técnica e diria até o amadorismo de algumas seleções.

Veja o jogo China 44 vs Brazil 48 neste link e o canal da FIBA neste.

A Saga do Monstro do Pântano, Livro Um

A fase do escritor inglês ALAN MOORE na série americana THE SAGA OF THE SWAMP THING não tem no Brasil uma publicação tão confusa quanto, por exemplo, JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER ou PREACHER.

Basicamente toda a fase foi publicada pela Editora Abril (menos a edição #20 onde ele arruma as “Pontas Soltas” pelas tramas anteriores) nas séries OS NOVOS TITÃS, SUPERAMIGOS, SUPERPOWERS, BATMAN 2ª SÉRIE e O MONSTRO DO PÂNTANO. É depois que a confusão inicia.

Mas realmente havia bastante tempo que a série não era publicada de forma completa e contínua, algo que se supõe a PANINI COMICS pretenda fazer.

* * *

Convocado por Len Wein para manter a peteca em jogo do ressuscitado título do MONSTRO DO PÂNTANO, em exposição por causa de um filme de WES CRAVEN, ALAN MOORE (Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária) decidiu desconstruir o personagem. Jogou na terra o quê se sabia dele e construiu um personagem novo.

Basicamente o MONSTRO DO PÂNTANO era um CAPITÃO AMÉRICA que deu errado em uma narrativa de terror, enfrentando monstros, sádicos e alienígenas! Hum… ?!?

Nada a ver! (Será?)

Bem, vamos por partes. Conta ROBERTO GUEDES que os criadores de MONSTRO DO PÂNTANO e HOMEM-COISA (personagem da Marvel Comics) moravam no mesmo apartamento, bebiam juntos e trocavam ideias. As semelhanças entre os dois personagens são gritantes!

Em linhas gerais: um cientista é exposto a uma fórmula que estava criando após uma explosão! O cientista cai no pântano e ressurge como uma coisa ou um monstro (em inglês é MAN-THING e SWAMP THING, ampliando as coincidências ainda mais).

Na MARVEL o cientista estava tentando recriar a fórmula do supersoldado que havia dado origem ao Capitão América. Na DC o cientista estava tentando criar uma fórmula bio-restauradoura da flora.

Moore reconhece estas coincidências e diversas vezes quando se refere ao PARLAMENTO DAS ÁRVORES pede que o ilustrador mostre a imagem do Homem-Coisa. Mas o Parlamento é assunto para o futuro.

* * *

Moore pegou aquele conceito esdrúxulo e levou a outro caminho, que veremos em detalhes no volume dois, já que primeiro o autor inglês amarrou as “Pontas Soltas” pelos artistas anteriores (#20), depois afirmou que o MONSTRO não era Alec Holland (#21). Reintroduzindo o personagem Jason Woodrue (um vilão secundário do ELEKTRON e membro da SOCIEDADE SECRETA DOS SUPERVILÕES), Moore o faz dissecar o Monstro e tirar conclusões científicas sobre o quê encontrou a mando do industrial SUNDERLAND, inimigo do personagem naquela fase e que tencionava a posse da fórmula.

Irado com a revelação de que nunca foi Alec Holland, o Monstro mata Sunderland (#21), entra em coma (#22) onde questiona quem é. Claro, que com resquícios de histórias de heróis, ainda haveria o confronto entre o Alec (sim, ele não é Alec, mas é melhor que escrever MONSTRO toda hora) e Jason Woodrue, com direito a participação da Liga da Justiça da Era do Satélite nas edições # 23 e #24.

O trio final de aventuras (edições #25-27) brinca com o leitor. Primeiro aparentemente esquece a nova condição do personagem – ela está lá, mas não vira uma narrativa constantemente revista – e embarca em uma digna narrativa de horror moderno.

Influenciada por uma força oculta, um casal inadvertidamente invoca um macaco demônio. O demônio mata o casal e enlouquece o filho, que vai para uma instituição onde Abby Cable conseguiu emprego. Por sinal o casamento da moça vai mal e Matthew tem apresentado um estranho domínio de seus poderes (#20 e #22), além de uma tendência ao alcoolismo e o sadismo. Estaria o jovem delirando, manifestando poderes místicos ou poderes científicos ou ainda sendo influenciado por uma força externa? Se sim, qual força? Seria o distanciamento de Abby de seu esposo e a constante tentativa de estar ao lado de Alec um indício de algo que aconteceria em breve?

Na edição #26 Matthew sofre um acidente e após ser visitado por um inseto falante – Um delírio? Um demônio? – reaparece recuperado e sem explicações (#27).

Mas o foco destas três edições é o medo e a criatura que se alimenta dele. Moore reinterpreta DEMÔNIO, criado por JACK KIRBY e acerta no tom, criando uma narrativa que realmente dá medo. Criado nos anos 1970 na série própria THE DEMON e com algumas aventuras publicadas em DETECTIVE COMICS, o demônio Etrigan andava esquecido. Ele retornará à série no futuro, mas seu uso por Moore certamente influenciou o tratado de magia que foi a série THE DEMON de Matt Wagner.

Esta coleção de histórias é um grande momento de todos os personagens e autores envolvidos e a cada página ressalta a perfeição da união de STEPHEN BISSETTE e JOHN TOTLEBEN. Um pântano cheio de garças, mariposas e sapos nunca foi um lugar tão ameaçador quanto aqui.

O volume 1 é composto pelas seguintes histórias da série The Saga of the Swamp Thing:
#
Data de Capa
Título
20
Jan/1984
Pontas Soltas
21
Fev/1984
A Lição de Anatomia
22
Mar/1984
Empantanado
23
Abr/1984
Outro Mundo Verde
24
Maio/1984
Raízes
25
Jun/1984
O Sono da Razão…
26
Jul/1984
…Uma Hora de Correr…
27
Ago/1984
…Movido por Demônios!

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO, LIVRO UM, PANINI COMICS, 212 páginas, formato americano, em cores, 2014, R$ 29,90.

A Saga do Monstro do Pântano no Brasil


Minha infância foi tão normal quanto possível. Mas confesso que minha mãe não tinha realmente cuidado com o quê eu lia – fornecido em geral, pela própria.

Eu conheci MONSTRO DO PÂNTANO em HERÓIS EM AÇÃO (EDITORA ABRIL), uma das três revistas que a Abril lançou em 1.984 em sua tentativa de publicar a DC Comics. Muitos em 84 conheciam o personagem da série e especiais publicados pela EBAL – algumas histórias já publicadas em dois volumes pela Panini.

Monstro do Pântano foi coadjuvante de revistas para adolescentes (minha mãe não tinha tanta culpa assim). A fase de ALAN MOORE estreou em Os Novos Titãs, passou para Superamigos (revistas que substituiu Heróis em Ação) e esteve presente no almanaque trimestral SuperPowers (de onde vem a lenda que Monstro do Pântano vende pouco, pois foi a edição que vendeu menos) e eventualmente apareceu em Batman 2ª série/formatinho da Abril, que ficou famosa por publicar Ano Um, Sombra e Questão.

Um dia o Monstro deixou se ser publicado em Superamigos.

O tempo passou, e passou, e passou.

No início dos anos 1.990, a Editora Abril decidiu retomar de onde parou e lançou uma série mensal, primeiro em formatinho, depois em formato americano. Foi um período dourado onde vimos Gótico Americano, o famoso arco de dezesseis partes que apresenta John Constantine, o ataque à Gotham City e o arco Mistério no Espaço, quando o personagem navegou no espaço sideral.

A Editora Abril reduziu sua linha de quadrinhos e a série, que já constava com a participação da série americana JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER foi interrompida.

Anos depois a Metal Pesado republicou o material inicial de Moore em um formato preto & branco e já como Tudo em Quadrinhos, com uma política de publicar títulos do selo VERTIGO publicou O CELESTIAL E O PROFANO, uma série de histórias escritas brilhantemente por RICK VEITCH. Com mais uma ou duas mudanças de nome a editora publicou um especial e uma série mensal com apenas duas edições, hoje razoavelmente difíceis de encontrar.

Nos anos 2.000, primeiro a DEVIR e depois a PIXEL publicaram encadernados. A DEVIR publicou um encadernado da série mais recente naquele momento, ao que a Pixel deu sequência em várias edições da PIXEL MAGAZINE e também publicou um belo encadernado equivalente ao A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO da PANINI.

Quando a PANINI assumiu a VERTIGO há quase cinco anos iniciou um projeto de republicar muito material antigo, ainda que seu foco fosse séries recentes porcamente publicadas. Desse projeto tivemos os sete encadernados JOHN CONSTANTINE HELLBLAZER: ORIGENS e agora começa a publicação de A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO.

Nesta série teremos a republicação de material do início da fase de ALAN MOORE, STEPHEN BISSETTE, JOHN TOTLEBEN e DAN DAY aos quais depois se somariam Rick Veitch e ALFREDO ALCALA. Se for apenas o material de Moore, temos material para uns cinco encadernados e nenhuma aventura inédita (ainda que parte delas tenha sido publicada apenas em formatinho). Mas se o projeto vingar tenho esperança de finalmente ver toda a passagem de Veitch no título, algo que, mesmo comparado com o gênio anterior não é um momento menor.

Boa sorte no projeto, Panini!

The Flash: Piloto



[Trama]
Catorze anos atrás em uma noite onde borrões vermelhos e amarelos juntam-se ao clichê da noite tempestuosa, o garoto Barry Allen é confrontado pelo fato de que seu pai assassinou sua mãe.

Hoje, perito forense da polícia de Central City, Barry (Grant Gustin) é inteligente, mas distraído e retardatário. Amigo do detetive Joe West (Jesse L. Martin), pai de Iris (Candice Patton), que o regatou da cena de crime anos antes e o protege na polícia – criando um vínculo semelhante ao de Gordon/Bruce Wayne na trilogia de filmes de Nolan.

Uma experiência complexa cria uma série de meta-humanos na cidade, deixando Barry em coma por nove meses, após um raio o atingir e ao mesmo tempo derrubar um armário de produtos químicos em seu corpo.

Quando acorda descobre que tem o dom de correr a altas velocidades, além da possibilidade de se recuperar de ferimentos. Ao descobrir que alguém que foi exposto à mesma experiência está controlando o clima, decide, com o auxílio da equipe de cientistas do Laboratório STAR, vestir um uniforme de bombeiro vermelho adaptado para altas temperaturas e tentar capturar o criminoso. Esta equipe é coordenada pelo Dr. Harrison Wells (Tom Cavanagh) e conta com Caitlin Snow (Danielle Panabaker) e Cisco Ramon (Carlos Valdes) – nos quadrinhos esta foi são respectivamente Killer Frost e Vibe.

Obtêm sucesso e no processo releva sua condição para o detetive West. Os poderes, as memórias dos borrões e a existência de meta-humanos dá a ela a certeza de que seu pai é inocente e que algo ainda não explicado aconteceu naquela noite, catorze anos antes. West, agora também convencido que não foi um delírio do menino para explicar o crime, decide auxiliar na busca de pistas, contanto que Barry não revele seus poderes à Iris.

[Opinião]
A trama adapta a origem clássica do Flash II (o segundo personagem da DC Comics a usar este nome, criado na Era de Prata e adaptado dos conceitos do primeiro Flash, conhecido no Brasil como Joel Ciclone). Ao mesmo tempo, já nota-se a mão de Geof Johns na produção: ele adaptou conceitos apresentados na série THE FLASH: REBIRTH, série em quadrinhos escrita por ele para o formato da série, além do tom da série de 2.010, onde o herói retornou à polícia para agir como investigador forense.

Com um tom de misto de série de herói pós-adolescente para a TV e série policial forense, THE FLASH torna-se a melhor surpresa do ano – empatando com vantagens com PENNY DREADFULL e GAME OF THRONES, quarta temporada, episódios 8 e 9.

A presença de Johns permite a construção de uma mitologia pertinente ao personagem. Há dicas claras como sobre a presença do Gorila Grodd, o Flash Reverso/Professor Zoom (o personagem Eddie Thawne, interpretado por Rick Cosnett aparece no piloto) e a possibilidade de viagem no tempo – em um determinado momento se vê um jornal de 10 anos no futuro!; além de uma sensibilidade ímpar dos produtores em contratar o ator John Wesley Shipp para interpretar o pai de Barry, Henry. John Wesley Shipp, para quem não se lembra foi o ator que interpretou FLASH/Barry na série de TV do início dos anos 1.990.

Uma grande aposta para esta temporada, com estreia oficial para 07/10/2014 no The CW, a série parte de uma pensada estratégia da DC Comics e The CW em criar uma nova série baseada em um personagem de quadrinhos, mas situada no mesmo universo ficcional da série de TV Arrow. Os produtores, no entanto, optaram em aproximar em muito o visual e narrativo ao contexto dos quadrinhos. Além de Barry Allen, também apareceram primeiro na série Arrow dois personagens de suporte, Caitlin Snow e Cisco Ramon, que agoram foram “transferidos” Central City.

Como método para estabelecer o universo ficcional, Arrow (Stephen Amell) aparece neste piloto.

[Dúvida]
Resta, por fim, lembrar que o Flash tem uma das galerias de vilões mais memoráveis dos quadrinhos, e uma das poucas que se reconhece como uma “Galeria de Vilões”. Terão os produtores a habilidade de transportar isto para a série, sem usar o cansativo expediente de “freak-of-the-week”, a famosa aberração da semana?

Pagarei para ver.