Just a dream: Wolverine
Anos
atrás quando a Editora Abril publicou a série The Savage
Dragon no Brasil, o criador da série Erik Larsen explicou
que criou um concurso onde os leitores ofereciam um design e
uma história básica para um personagem novo e o prêmio que caberia
ao vencedor era aparecer na revista. Algo como The Savage Dragon
versus [adjetivo] [nome do vencedor].
Larsen
disse ao fim do concurso, que ficou preocupado pois inconscientemente
poderia reter mais detalhes que o necessário e se apropriar
inadequadamente de alguns daqueles personagens que ele teve contato.
Ele diz que alguns deles realmente tinham plots semelhantes a
ideias que ele já tinha concebido para serem utilizadas no futuro.
Há
dezenas de casos na indústria de quadrinhos de personagens
semelhantes. Não são os X-Men muito semelhantes à Patrulha
do Destino – aberrações e um professor em uma cadeira de
rodas? Não é o Quarteto Fantástico semelhante aos
Desafiadores do Desconhecido? Thanos não se parece
fisicamente com Darkseid? Ambos não tem motivações
semelhantes? Isso sem contar as inspirações explícitas como
Cavaleiro da Lua, Esquadrão Supremo e Sentinela
(Sentry) – revisando o parágrafo fiquei com a impressão que só a
Casa das Ideias copia (e melhora, em alguns casos) a Divina
Concorrente, mas no momento continuo a não lembrar inspirações em
caminho inverso.
O
detalhe que a matéria “The case of Marvel's First Wolverine: a
look at the mysterious creation of Marvel's most popular mutant!”
de John Cimino em Back Issue #76 (outubro/2014) traz à
tona é que houve um outro “Wolverine” na empresa, resultado de
um concurso na FOOM Magazine para criar um personagem no
estilo Marvel. O ganhador foi o personagem Humus Sapiens de
Michael A. Barreiro que realmente apareceu em uma revista
Marvel – Thunderbolts #55 de 2001, 28 anos depois do
concurso!
Um
dos concorrentes foi Andy Olsen que apresentou o seu “The
Wolverine” na FOOM #02 (verão, 1973) que é descrito por
Cimino da seguinte maneira “O personagem parece ser resultado
de algum estranho experimento de alta tecnologia,
tem uma estrutura de ossos de metal sob a pele, e, mais interessante,
tem um fator de cura”.
Roy
Thomas, famoso escritor e editor, atualmente responsável pela
revista Alter Ego publicada pela TwoMorrows que também
publica Back Issue, foi o responsável pela criação do
Wolverine que nós conhecemos. Sua preocupação, diz no artigo, era
ampliar as vendas das revistas Marvel no Canadá. Decidiu criar um
personagem canadense e fez questão que o escritor que assumisse a
empreitada ressaltasse isto na história. Foi Thomas que decidiu qual
animal seria a inspiração do personagem e que este deveria ser
“baixinho”.
Quem
aceitou o trabalho foi Len Wein (texto) e Herb Trimpe
(arte), este último baseando-se em um design de John
Romita Sr. Wolverine surgiu no último quadro de The
Incridible Hulk #180, sendo a edição seguinte de novembro de
1.974 a sua primeira aparição completa. Thomas admite
que viu todos os números publicados de FOOM e que pode ter sido
influenciado subconscientemente (ele não faz ênfase do PODE, mas eu
faço). Wein diz que não, não se recorda de ter visto o Wolverine
da FOOM e que por isto não foi influenciado em sua criação.
Mas
não é esta a impressão que Andy Olsen passa. Hoje com 57 anos e
designer gráfico, dá a entender em seu depoimento a Cimino
que o personagem famoso tem como ponto de partida o personagem que
ele criou para o concurso. Ele diz que quando enviou a arte para a
FOOM seu tio, um artista estabelecido, o criticou informando que as
empresas roubavam ideias e não pagavam nada aos fãs que haviam
colaborado. Olsen acrescenta que se afastou dos quadrinhos, mas anos
depois quando na faculdade passou em um stand de quadrinhos e
viu Wolverine nos X-Men. Comenta então, com notada amargura “Ele
está nos X-Men! (…) Aquilo me chocou (…) meu tio estava certo”.
Curiosamente
a edição #2 da FOOM Magazine é constantemente oferecida como uma
visualização do “primeiro protótipo do Wolverine” no
mercado de edições antigas e vale cerca de US$ 400,00!
Alguém
tem uma cópia aí?
---
Este
post é inspirado na matéria “The case of Marvel's First
Wolverine: a look at the mysterious creation of Marvel's most popular
mutant!” de John Cimino em Back Issue #76
(outubro/2014). A revista está a venda em formato on-line e
print edition no site da TwoMorrows.
E
eu não entendo por que há um certo interesse em ligar Gládio
(Steel) ao Capitão América e tão pouco em ligá-lo à
Wolverine. Ligue os pontos.
Star Trek: The Mirror Universe Saga
Muitos
anos atrás quando conheci os quadrinhos importados Star Trek: The
Mirror Universe Saga foi um dos primeiros encadernados que vi no
catálogo. Gente como isso tem tempo!
Estes
dias li a história. Não é muita coisa e tem de ser colocada demais
no contexto. Trinta anos atrás, em 1.984 a DC Comics
publicava uma série mensal de Star Trek. Em 1.982, 1.984 e 1.986 a
Paramount lançou A ira de Khan, À procura
de Spock e De volta para casa, filmes que davam sequência
a uma longa jornada iniciada na TV e filmes considerados por muitos
como um extrato do que há de melhor na cine-série.
A
série em quadrinhos estava sendo editada antes e depois do terceiro
filme (À procura de Spock). A nave Enterprise é destruída
neste filme. Kirk tem problemas com a Federação dos Planetas Unidas
que, no cinema seriam resolvidos no quarto filme – não há
intervalos real entre estes filmes, apesar de a produção ter dois
anos de diferença.
Mas
nos quadrinhos a DC Comics e o autor Mike W Barr tinha
uma equipe da Enterprise sem uma Enterprise durante meses. Decidiram
narrar uma história “alternativa” onde a versão do Universo
Espelho inicia uma invasão a este universo.
Publicada
originalmente como “New Frontiers” em Star Trek, DC
Comics, 1984 series #09 (dezembro/1984) – #15 (junho/1985),
com um epílogo na edição #16, vemos o ainda Almirante Kirk
perceber que seu destino na Federação dos Planetas Unidos não
seria agradável. Ainda com a Ave de Rapina klingon, ele é detido e
levado prisioneiro pelo Capitão Styles na USS Excelsior, que
é invadida pela tripulação da Enterprise do Mirror Universe.
Neste momento achei que W. Barr substituiria uma Enterprise pela
outra e continuar as tramas nos quadrinhos com uma nave de qualquer
jeito.
A
trama, no entanto é confusa e em alguns momentos o corte entre
Excelsior e Enterprise confunde o leitor visto que a diferença entre
os universos é basicamente a barba de Spock e o logo do Império –
o uniforme parece ser em um tom mais escuro, mas com a colorização
da época isto não é certo. Confesso que “comi pança” umas
duas ou três vezes e tive que escanear atentamente a página em
busca do logo da Federação ou do Império. Tom
Sutton, artista da série, em minha opinião deveria ter
construído um visual distinto para o Império – mas não há
maneira de garantir que a opção não tenha sido resultado de
interferência dos licenciadores, mesmo que W. Barr diga em Back
Issue #5, agosto de 2004, que o
relacionamento era bom, pois são mais famosas as limitações que
Peter David sofreu nas mãos dos licenciadores.
Kirk
consegue retomar a Excelsior rompe a barreira dos universos e tenta
destruir a invasão por dentro, passando por sua contraparte. Lá é
cooptado por um movimento rebelde que tem David Marcus – seu
filho, recém-falecido no filme – como líder!
Além
disso o conflito entre os Spock's, que passam a defender um objetivo
comum, e a associação do descoberto e fugitivo Kirk com o Império
Klingon e o Império Romulano são itens que mantém o
interesse na agradável “mas-não-leve-a-sério-demais” história.
No epílogo Kirk burla novamente os canais para continuar a ter uma
nave e Spock recebe o comando de uma nave científica.
Vale
lembrar aquilo que disse no review do primeiro arco (aqui): a
cronologia não tem efeito nenhum no cinema. O quarto filme se passa
IMEDIATAMENTE depois do terceiro e todas as aventuras dos quadrinhos
tornaram-se “ElseWorlds” - por falta de um termo melhor. Mas não
são assim todas as histórias?
Texto
de Mike W. Barr, arte de Tom Sutton e finais de Ricardo Villagran.
Com este arco W. Barr encerra sua participação na série dedicando
exclusivamente a The Outsiders (Os Renegados,
anteriormente Batman and the Outsiders) e Detective Comics.
Nesta última, além de uma passagem com Alan Davis que está
sendo reeditada agora no Brasil pela Panini, Barr escreveu Ano
Dois. Apesar dos adendos posteriores em Zero Hora (1994) e
Crise Infinita (2004) que irritaram os fãs de cronologia, Ano
Dois é uma boa história presa em uma época de quadrinhos sérios e
violentos.
Star Trek (DC Comics, 1984 series) #05-08: A Origem de Saavik
Nada
muito interessante aconteceu nos seis meses e quatro edições
seguintes – a série teve um gap entre as edições #07 e
08.
Qual o motivo do gap?
A versão em quadrinho do filme Star
Trek III: A procura de Spock que estava para ser lançado e já
trazia modificações importantes para a Enterprise e sua
equipe. Assim Mike W Barr ficou no básico criando tramas que
repetiam padrões da série de TV original e focando em um personagem
“estranho” e “quase” seu – a Saavik.
Então
na edição #05 trouxe um conto de violação da primeira
diretriz. Aqui um conhecido de Kirk cai em um planeta e se passa como
deus em um mundo de seres semelhantes à grandes ratos. Nada de novo,
portanto.
A
edição seguinte (#06) traz uma aventura onde um embaixador é
ameaçado por um transmorfo, que é sua filha! Ambas as tramas caem
bem mesmo na série de TV dos anos 1.960, pois não oferecem risco
algum, pois tratavam de diferenças políticas ou religiosas.
Este
ciclo termina com as edições #07 (ago/1984) e #08
(nov/1984) – no gap foi lançada a adaptação em quadrinhos
do terceiro filme em uma edição especial – que traz A origem
de Saavik, uma menina meia romulana, meia vulcana que, encontrada
abandonada pelo Sr. Spock é criada pela família do oficial de
ciência da USS Enterprise.
Em Vulcano ela se liga a Xon
e, adulta e servindo na Enterprise, passa a sofrer os efeitos do Pon
Far, exatamente quando o “noivo” está infiltrado em uma
missão no Império Romulano, portanto inacessível para resolver o
problema do desejo da moça.
A arte da edição #07 é de Eduardo
Barreto, mas o restante tem Tom Sutton no lápis. Barreto
não era exatamente estranho à ficção científica, visto que foi o
segundo artista da série Esquadrão Atari.
Sabendo
do destino de David Marcus, o filho de Kirk, Mike W Barr o
introduz na série em quadrinhos para uma (última) viagem.
Ainda que
não seja a preocupação de W Barr a narrativa consegue “contar”
a história de Saavik sem revelar nada. Na história ela não tem
lembranças de sua família, então pode ser filha de qualquer casal
que estivesse na colônia romulana onde foi encontrada.
Há, no
mínimo, um momento duvidoso: ao tentar criar um clifhanger
para o próximo número, Barr põe a gigantesca Enterprise armada e
100% ativa sob a mira da pequena nave da febril Saavik que ameaça
destruir a nave da Federação!
Sabe
de nada, inocente!
Devo
confessar que o arco seguinte “Novas Fronteiras” (Star
Trek 1984 series, DC Comics #09-16) em oito partes é muito
interessante. Fique conosco foi retornaremos ao assunto.
Star Trek (DC Comics, 1984 series) #01-04
Spock está
morto! Longa vida a Spock!
Os
quadrinhos que adaptam séries de TV e filmes sempre sofreram por ser
um produto marginal, não só pela mídia sempre mal vista, mas por
terem uma linha narrativa própria e distinta do produto original.
Chama-se esta linha de “Universo Expandido”, mas
sabe que seu valor é exclusivo para a mídia derivada para a qual
foi projetado. Desconheço a influência dos quadrinhos e dos livros
nas séries originais – mas, lembre-se, desconhecer não significa
que não exista.
Fica-se
com este gosto quando leio o quarteto inicial de histórias de Star
Trek (DC Comics, 1984 series). A trama passa-se após Star
Trek II: A ira de Khan (1982) onde Spock sucumbiu. Para
substituí-lo a também meia vulcana/romulana Tenente Saavik
assume como oficial de ciências. Evidentemente Kirk passa a exigir
muito da moça e McCoy passa a tentar relativizar tudo. A surpresa
termina aí! O resto e mais do mesmo, ainda que Tom Sutton
e Ricardo Villagran tenham um traço belíssimo e
adequado ao propósito da série.
Na
trama escrita por Mike W. Barr Kirk pede para reassumir o
comando da Enterprise, sem, no entanto, perder a patente de
almirante. A primeira missão é um conflito com klingons que estão
explorando uma tecnologia de buraco de minhoca e fazendo ataques
repentinos. A trama leva a uma guerra declarada entre klingons e a
Federação, que na verdade, estão sendo manipulados por criaturas
semideuses apresentadas na série clássica, que teve um gigantesco
compêndio de tais criaturas. Rumando para Organia, Kirk se
alia ao klingon Capitão Kor e enfrentam excalbianos
que desejam descobrir quem era mais forte: o bem ou o mal.
Apesar
de uma boa dose de ação e da criação de vários personagens
secundários bem críveis e divertidos, como um alferes herdeiro de
nativos americanos (Bearclaw) ou um klingon amante da paz
(Konom), mas existentes só nesta versão do universo
expandido a trama é muito semelhante aos conflitos existentes na
série clássica e não me convenceu. Muito “semideuses querendo
descobrir a verdadeira natureza do mal”.
Curiosidade:
Em uma edição seguinte pela pureza da época os autores permitem
que McCoy examine Konom para descobrir o quê há de errado com ele.
Seria o mesmo que examina um homossexual para descobrir o “quê há
de errado”. Não há nada! É uma opção!
Como
o editor da série é Marv Wolfman cabe ao companheiro George
Pérez as capas destas quatro primeiras edições.
Curiosidade:
Wolfman foi o responsável pela adaptação em quadrinhos do primeiro
filme ainda pela Marvel Comics. Após as três edições de adaptação
Mike W. Barr foi o primeiro roteirista da série da Casa das Ideias.
Comics Star Wars vol 1: Clássicos 1
A
editora Planeta DeAgostini se propôs a publicar uma coleção
de 70 volumes de histórias selecionadas das adaptações em
quadrinhos da cine-série Star Wars. Bom. 70 volumes x 11
histórias por edição é 770 aventuras, mas nem todas em o formato
de 22 páginas, então é saudável levar a conta para 700 histórias.
É muito material, mesmo para universos ficcionais mais antigos como
a Marvel Comics ou a DC Comics.
A
editora inicia com o trabalho da Marvel Comics, publicado
originalmente a partir de 1977/78 na esteira do lançamento do
primeiro filme. Bom. E decide utilizar como fonte a série de
encadernados Star Wars: A long time ago, onde a partir de
2.002 a editora americana Dark Horse reeditou a série,
recolorindo-o – ironicamente a partir de 2.015 a Marvel reeditará
algumas séries da Dark Horse.
A
edição reúne a adaptação do filme Star Wars (#1-6)
com roteiro de Roy Thomas e arte de Howard Chaykin e
a arte-final de Steve Leialoha, Rick Hoberg e
Bill Wray. Nada de novo, exceto o encontro entre Han Solo e
Jabba, the Hutt, com um visual bem distinto. A cena, como se
sabe, foi excluída do filme original, mas aqui aparece outra versão
de Jabba, sendo portante a primeira a aparecer para o público. Uma
curiosidade somente, já que Jabba sempre será a criatura que vimos
em O retorno de Jedi.
Depois
temos Novos Planetas, novos perigos (#7) e as três edições
seguintes (Os oito campeões de Aduba-3 - #8; Confronto em
um mundo desolado - #9 e O behemoth do mundo subterrâneo
- #10) que traz roteiros de Roy Thomas, Roy Thomas & Don Glut
(#10) e arte de Howard Chaykin com Tom Palmer e Alan
Kupperberg. A la Os sete samurais, Han Solo
tem o pagamento que recebeu por auxiliar a Rebelião roubado –
pagamento com o qual pretendia pagar Jabba, diga-se de passagem – e
vai para o mundo agrícola de Aduba-3 onde é contratado para
proteger uma vila, constantemente ameaçada por arruaceiros que
roubam a produção agrícola local. Alia-se a um grupo de
desajustados de segunda classe. A trama muda um pouco na edição #10
quando é inserido a ideia de um monstro – o behemoth –
que anteriormente protegia a aldeia e agora sai do controle.
Este
quarteto de histórias, visivelmente inspirado em Os sete samurais ou
no western Sete homens e um destino é a
primeira história do Universo Expandido de Star Wars,
visto que as edições #1-6 eram apenas uma adaptação em quadrinhos
do filme. Como curiosidade o coelho Jaxxon (criado para emular
Rocket Raccon?) e o pretenso jedi Don-Wan Kihotay,
um velho tido como tolo ou louco que defende ser um dos jedis
sobreviventes e tem um sabre de luz! E a história do behemoth lembra
uma meia dúzia de aventuras de espada & magia com o qual Thomas
tinha muita intimidade, o suficiente para evitar o clichê do xamã
tido como louco, mas que não era não louco assim.
Em
Busca Estelar! (edição #11) com roteiros de Archie
Goodwin e arte de Carmine Infantino & Terry Austin,
retornamos a atenção à Luke Skywalker e Leia Organa.
Em uma trama secundária das edições #8-10, Luke vai em busca de
uma nova base, visto de Yavin foi descoberto e assim que Darth
Vader chegar à sede do Império certamente haverá um
ataque. Ao encontrar um mundo e fazer uma transmissão o sinal de
Skywalker se perde e Leia, desesperada e levemente apaixonada, vai em
sua busca. A edição começa com Solo saindo de Abuba-3, sendo
recapturado pelo mesmo pirata que roubou seu pagamento – Jack
Escarlate – e encontrando Leia prisioneira.
Leia
preocupado com Skywalker, fornece informações que os levam à
Drexel, onde Luke tenta sobreviver a um monstro marinho,
enquanto os amigos se aproximam.
[Opiniões]
Indicado
apenas para fãs 1) de Star Wars; 2) da Marvel Comis; ou de 3)
quadrinhos da Era de Bronze, a coleção é uma boa maneira de
resgatar este material em geral inédito no Brasil – teve algumas
edições publicados pela Bloch e algumas pela Editora
Abril.
Mas
advirto que é um material que envelheceu mal. Diferente de um
Strange Tales ou um Jungle Action, apenas para ficar em
material da Marvel Comics, Star Wars é uma leitura que hoje desperta
apenas curiosidade e não desejo. A arte de Chaykin é desleixada e
alterna vários quadros bem construídos, com momentos poucos
inspirados. Quando Tom Palmer chega à arte-final fica-se, como
sempre, com a impressão de que o artista é John Buscema.
A
edição termina com a primeira mudança de equipe de produção,
indo para as mãos de Archie Goodwin e Carmine Infantino. Goodwin foi
um dos responsáveis pela adaptação para as tiras de jornais (que
não sei se fará parte desta coleção), que volta a trabalhar com
os personagens juntos, mas sem o Império como incômodo principal –
aqui são os piratas os vilões – têm-se a impressão de que
naquele primeiro momento os quadrinistas não tinham entendido
realmente quem era o vilão da história.
Devo
lembrar que a trama geral da busca de uma nova base para a Rebelião
é a mesma premissa da atual série Star Wars: Legends,
recém-iniciada pela Panini.
Repito:
apenas para fãs!
Star Wars: Legends #01
Depois
da Bloch, da Abril Jovem, da Pandora, da
Ediouro, da On Line Editora e da Planeta DeAgostini
é a vez da Panini Comics publicar quadrinhos Star Wars no
Brasil. Fica a ressalva de que a DeAgostini está iniciando sua
publicação e por problemas de distribuição é capaz de alguns
leitores entenderem a ordem de maneira diferente, mas será nesta
série de encadernados a estreia de várias histórias editadas nos
EUA no início dos anos 1.980 pela Marvel Comics.
Ao
traduzir a última série Star Wars da Dark Horse, iniciada em
2.013 a Panini apenas evidencia o cansaço da série em quadrinhos
com os personagens de George Lucas. A Dark Horse ousou em
diversos momentos, publicou quadrinhos em diversos períodos seja 4
milênios antes ou 150 anos depois; publicou quadrinhos centrados no
Rogue Squadron e histórias de mercenários, das Guerras
Clônicas e apresentou várias novas visões como Star Wars:
Invasion e Star Wars: Legacy. No fim ficou redundante e
voltou para o básico, ou seja, o mesmo tema que foi tratado em Star
Wars #11 da Marvel Comics lá em 1.978, a busca de uma nova base para
a Rebelião depois da descoberta de Yavin-4.
Vale
relembrar que o período da rebelião já foi tema de ao menos três
séries anteriores – Star Wars da Marvel, Star Wars
da Dark Horse e Star Wars: Rebellion da Dark Horse. Retornar a
este tema para “oferecer uma nova visão” é como tirar água de
pedra. Rende um TOP 10 da distribuidora Diamond, mas
inevitavelmente a série cairá – atualmente está em torno da 80ª
posição, mas vendas não tem relação com qualidade, lembre-se.
Por sinal esta série também já se encerrou após 20 edições e o
título terá um reboot na próxima editora.
Brian
Wood & Carlos D'Anda oferecem uma boa história, melhor ainda
para neófitos e leitores/expectadores que conhecem a série Star
Wars pelos produtos mais recentes como Clone Wars, a série
animada. É bom? É! Mas para quem já leu alguma coisa que se passa
no mesmo período fica cansativo e incômodo o fato de a série não
progredir.
Mas
eu descobri algo: os consumidores é que não gostam deste progresso!
Querem ler histórias com os mesmos personagens e situações. É por
isso que Peter Parker ainda é um coitado sem dinheiro e cheio
de responsabilidades. É por isso que a série Star Wars daqui a 20
anos ainda narrará histórias que se passarão ainda no período dos
episódios IV, V e VI.
Star
Wars #1 e 2 (janeiro e fevereiro/2013) se passa meses depois da
Batalha de Yavin (Star Wars Episódio IV: Uma nova
esperança). A Rebelião necessita de uma nova base
permanente, mas o Império parece ter uma especial que fornece
informações de dentro do movimento. Darth Vader é
responsabilizado pelo Imperador pela perda da Estrela da
Morte e Han Solo é enviado por Mon Mothma em uma missão
à Coruscant, sede do império!
A
edição se completa com Star Wars – Dark Times: Out of the
wilderness #01 (agosto/2011) de Randy Stradley e Douglas
Wheatley. A série se passa meses depois do fim de Star Wars
Episódio III e trata da sobrevivência de jedis após a Ordem
66, da ascensão do Império, da busca de Darth Vader pelos
últimos jedis e da busca de um homem comum por sua família. A série
iniciou em Star Wars Dark Times que foi publicada no Brasil
pela On Line Editora. Certamente será a série que sofrerá
mais com as mudanças de Star Wars Rebels pois faz uma narrativa
paralela a estes acontecimentos que podem ser anulados pela próxima
revisão de cânone.
O fim do Quarteto Fantástico
A
Marvel Comics prova como os tempos são diferentes. A
série americana Fantastic Four passou por diversos
relançamentos mas suas vendas não se ampliam. Novidade?
Não!
Ao longo dos anos sempre tivemos conhecimento de séries boas com
baixa vendagem, a série do Quarteto apenas vem engrossar a lista.
Até aí nada de novo.
A
novidade é a abordagem que a Disney/Marvel está dando
ao tema. Os direitos para cinema e TV do Quarteto e dos mutantes
pertencem à FOX. Desde que a Marvel Studios conseguiu
sucesso na administração das propriedades intelectuais da Marvel
Comics, em especial com a franquia dos personagens derivados de
Os Vingadores (Homem de Ferro, Capitão América,
Thor e a própria série Os Vingadores) e conseguiu unir esta
franquia ao enredo de construção de um universo com Os Guardiões
da Galáxia, a Disney tem tentado reaver os direitos das duas
franquias perdidas na época da falência da editora – Quarteto e
mutantes.
Bem,
ao que parece, os mutantes vão bem, obrigado! O último filme não é
um primor, mas rendeu o suficiente para garantir uma sequência. Por
sinal é a maior bilheteria da franquia que já chega a sete filmes,
com cinco dos mutantes (X-Men 1, 2 e 3, X-Men:
Primeira Classe e X-Men: Dias de um futuro esquecido) e
dois do Wolverine. A FOX aproveitando a onda de novas séries
para TV baseadas em quadrinhos anunciou a possibilidade de X-Men ou
derivados irem para a TV! Parece que pisou no calo de alguém!
Já
com o Quarteto é diferente. Seus dois filmes são mais lembrados por
a) cenas refeitas para evitar comparações com Os
Incríveis – há um personagem com poderes elásticos em ambos
e Reed Richards teve cenas inseridas para ampliar sua
relevância na trama e a importância de seu poder; b) Jessica
Alba.
A
FOX está produzindo um reboot que inseriu uma série de
ideias estranhas quando comparadas ao material dos quadrinhos. Mas é
certo que nenhum espectador de TV e cinema se importa com quadrinhos!
Gotham está aí para provar isto! É uma boa série? Até o
momento, sim! Excelente até, em alguns momentos. Mas é
cronologicamente possível de ser encaixada na história do Batman?
Não! Só para ficar no absolutamente óbvio: Montoya foi
inserida nos quadrinhos graças à série de animação de Bruce
Timm e só passou a atuar em Gotham pouco antes de A queda do
morcego.
Isto
incomoda a mim quando estou assistindo ao programa?
Não!
São
universos diferentes, onde um bebe n'outro criando um processo
infinito de alimentação e antropofagia de ideias. Logo, se a série
de TV Gotham se estabelecer como um sucesso constante e ganhar novas
temporadas, algum autor “inteligente” adaptará conceitos para os
quadrinhos e revisará cronologias. Espere e verá!
Mas
voltando ao Quarteto, como represália ao retorno dos direitos para
produção de longas a Disney/Marvel diz que devido às baixas vendas
da série mensal em quadrinhos, decidiu cancelá-la – é uma
possibilidade, não um fato. Fará diferença?
Não!
Mesmo
que a Marvel envie instruções para que os autores e ilustradores
não se refiram ou desenhem o Quarteto e seus personagens, apenas a
editora perderá. E mesmo que se resolva fazer o mesmo com os X-Men,
apenas a editora será afetada.
Sim!
Existe um boato em que a Marvel/Disney fará uma franquia
cinematográfica com Os Inumanos e os estabeleceriam como um
concorrente direto dos mutantes.
[Conclusão]
As
séries em quadrinhos alcançam de 20 a 70 mil leitores nos EUA.
Séries TOP 10 70 a 120 mil. Um filme alcança milhões no mundo! A
Marvel encerrar seu título primordial – Fantastic Four –
é a prova da incapacidade de mostrar a série da família Marvel por
definição, de uma maneira interessante aos leitores.
Se a
possibilidade é parar de nutrir os roteiristas da FOX com temas para
serem adaptados (tolinhos!) há uma quantidade tão grande de
histórias nestes 50 anos de aventuras que dariam no mínimo uma
dúzia de filmes, isto apenas para ficar nas histórias de Kirby &
Lee, Roy Thomas & John Buscema, John Byrne e
Mark Waid & Mike Wieringo. Ou melhor, só as histórias de
Kirby & Lee dariam uma dúzia de filmes!
Mas
algo de bom pode surgir disto?
Sim.
Se a ideia de a Marvel encerrar a série vingar, os personagens
poderão ganhar novas séries apenas quando houver novas ideias, e
isto é bom. Afinal histórias devem ser
contadas por uma necessidade intelectual e não um cronograma de
lançamentos. Em
última instância uma história deve ser contada apenas quando há
algo para ser contado. Se em algum momento a Disney
ganhar a queda de braço sempre haverá a possibilidade de alguma
série chamada, por exemplo, Fantastic Four: The Hidden Years,
que hipoteticamente poderia
narrar o quê aconteceu com os personagens quando não estavam sendo
publicados.
Ganhará
o leitor de quadrinhos?
Dificilmente,
mas ao mesmo não encontrará nas bancas – ou comic shops – uma
série que só o faz lembrar de como um dia aquela revista foi boa.
Mas
quero ver a Marvel cancelar todas as séries mutantes!
Gateway, Frederik Pohl
No futuro a humanidade passou a colonizar mundos próximos – Vênus e Marte – enquanto a Terra está superlotada com 25 bilhões de pessoas e a fome e miséria é uma constante.
Durante a exploração de Vênus é encontrado em um asteroide (ou cometa morto) um hangar cheio de naves alienígenas, da raça denominada Heechees, desaparecida a milhares de anos. A partir daí inicia-se a exploração do espaço externo em naves que levam 1, 3 ou 5 pessoas no máximo e cujo controle não é compreensível pelos operadores. Basicamente não há garantias de retorno de cada missão e por isso paga-se bem por missão bem-sucedida e pelas descobertas. A estação é controlada por uma empresa chamada Gateway e recebe pessoas dos Estados Unidos, Brasil, União Soviética e Índia para treinamento, tentando sempre vender a ideia de que há uma necessidade urgente de conseguir uma nova tecnologia que “faça a diferença”.
Robinette “Bob” Broadhead é o personagem principal do romance. É sob sua ótica que vemos a sua chance de vencer a miséria após ganhar na loteria e ir para o treinamento na estação Gateway – o hangar onde estão estacionados as naves. Anos depois, consultando com um psiquiatra eletrônico apelidado de Sigfrid von Shrink, Bob tenta exorcizar os fantasmas do período em que passou na estação.
Sim, Bob Broadhead teve sucesso! Mas a que preço?
[Opiniões]
Gateway lembra em muito as ficções distópicas, as ficções militares e as ficções que se passam em estações espaciais. Há algo dela em Babylon 5 e Star Trek: Deep Space Nine, séries de TV que tratam do dia a dia em estações espaciais. Diferente delas Pohl detalha as questões oferente à manutenção, despesas e parte da questão política. Ali eles estão mexendo no lixo em busca que algo que leve a humanidade para a frente e que permita a colonização do espaço. Há uma ironia fina em certo momento. Ao relatar o preço pago pela descoberta de um novo planeta ele não é tão interessante quanto o valor pago por lixo heechee, exatamente por que não é possível transporte a humanidade para ele – a não ser que se considere o transporte de quatro pessoas de cada vez, correndo o risco de a viagem não se completar por falta de combustível.
Gateway assim, oferece algo em maior profundidade: a alma humana, o desejo e a necessidade de conquistar o espaço e evidentemente o risco que envolve esta missão. Em última análise também vemos o quê toda esta pressão faz com a psique humana.
Aqui ninguém quer realizar estes feitos apenas para a glória da humanidade como em Star Trek, mas por uma necessidade econômica. Todos querem ficar ricos com os dividendos da Gateway, Inc. Mas não deixa de ser realista a maneira aprensentada: os prospectores, a Gateway e a humanidade não sabe operar as naves e cada missão é uma missão suicida! A opção é a miséria na Terra, ou Vênus, ou Marte ou conseguir a sorte grande e encontrar algum artefato valioso dos misteriosos Heechees que foram embora há milênios e deixaram para trás uma Vênus perfurada, assim como uma estação em um cometa morto e também perfurado.
Quem são os Heechees? Quais são seus objetivos? Para onde foram? Todas perguntas filosóficas demais para a grande questão: qual a missão terá a sorte grande e trará algo de tão valioso que pague bons royalties aos sobreviventes que permita abandonar aquela vida?
Gateway, Frederick Pohl, Del Rey Book, 1977, ISBN 0-345-25378-7.
Durante a exploração de Vênus é encontrado em um asteroide (ou cometa morto) um hangar cheio de naves alienígenas, da raça denominada Heechees, desaparecida a milhares de anos. A partir daí inicia-se a exploração do espaço externo em naves que levam 1, 3 ou 5 pessoas no máximo e cujo controle não é compreensível pelos operadores. Basicamente não há garantias de retorno de cada missão e por isso paga-se bem por missão bem-sucedida e pelas descobertas. A estação é controlada por uma empresa chamada Gateway e recebe pessoas dos Estados Unidos, Brasil, União Soviética e Índia para treinamento, tentando sempre vender a ideia de que há uma necessidade urgente de conseguir uma nova tecnologia que “faça a diferença”.
Robinette “Bob” Broadhead é o personagem principal do romance. É sob sua ótica que vemos a sua chance de vencer a miséria após ganhar na loteria e ir para o treinamento na estação Gateway – o hangar onde estão estacionados as naves. Anos depois, consultando com um psiquiatra eletrônico apelidado de Sigfrid von Shrink, Bob tenta exorcizar os fantasmas do período em que passou na estação.
Sim, Bob Broadhead teve sucesso! Mas a que preço?
[Opiniões]
Gateway lembra em muito as ficções distópicas, as ficções militares e as ficções que se passam em estações espaciais. Há algo dela em Babylon 5 e Star Trek: Deep Space Nine, séries de TV que tratam do dia a dia em estações espaciais. Diferente delas Pohl detalha as questões oferente à manutenção, despesas e parte da questão política. Ali eles estão mexendo no lixo em busca que algo que leve a humanidade para a frente e que permita a colonização do espaço. Há uma ironia fina em certo momento. Ao relatar o preço pago pela descoberta de um novo planeta ele não é tão interessante quanto o valor pago por lixo heechee, exatamente por que não é possível transporte a humanidade para ele – a não ser que se considere o transporte de quatro pessoas de cada vez, correndo o risco de a viagem não se completar por falta de combustível.
Gateway assim, oferece algo em maior profundidade: a alma humana, o desejo e a necessidade de conquistar o espaço e evidentemente o risco que envolve esta missão. Em última análise também vemos o quê toda esta pressão faz com a psique humana.
Aqui ninguém quer realizar estes feitos apenas para a glória da humanidade como em Star Trek, mas por uma necessidade econômica. Todos querem ficar ricos com os dividendos da Gateway, Inc. Mas não deixa de ser realista a maneira aprensentada: os prospectores, a Gateway e a humanidade não sabe operar as naves e cada missão é uma missão suicida! A opção é a miséria na Terra, ou Vênus, ou Marte ou conseguir a sorte grande e encontrar algum artefato valioso dos misteriosos Heechees que foram embora há milênios e deixaram para trás uma Vênus perfurada, assim como uma estação em um cometa morto e também perfurado.
Quem são os Heechees? Quais são seus objetivos? Para onde foram? Todas perguntas filosóficas demais para a grande questão: qual a missão terá a sorte grande e trará algo de tão valioso que pague bons royalties aos sobreviventes que permita abandonar aquela vida?
Gateway, Frederick Pohl, Del Rey Book, 1977, ISBN 0-345-25378-7.
The Ghost Brigades (2006) de John Scalzi
(OldMan's War volume 2: The Ghost Brigades)
Três
raças – Rraeys, Eneshans e Obins – estão
secretamente se preparando para atacar a Colonial Union, mas a
equipe de inteligência do braço armado do empreendimento humano, a
Colonial Defense Forces (CDF), utilizando a Special
Forces – cujo apelido é The ghost brigades, consegue
descobrir o plano e também, que um humano, Charles Boutin, um
cientista da CDF, está auxiliando as raças!
Por
que? Qual a motivação dele? Como ele está auxiliando estas raças?
O quê ele ganha com esta guerra?
Quebrando
alguns protocolos éticos, a Colonial Defense autoriza a clonagem de
um ser humano vivo – Boutin havia clonado e matado seu clone para
encobrir sua fuga. De posse de um sistema que permite a gravação da
consciência utilizando restos da tecnologia do Consu, que
Boutin foi o pioneiro na pesquisa, a CDF crê ser possível que a
consciência do cientista habite o novo corpo. O processo falha e o
clone é enviado para a Special Forces com o nome de Jared Dirac,
indo para as mãos de Jane Sagan, que sabe que tem alguém de
poderá trair a todos, como seu “pai genético” já o fez!
Lentamente
emerge a consciência de Boutin. Compreendendo que a CDF é
responsável pela morte da filha de Boutin, Dirac deverá escolher
seu próprio caminho. Qual será seu posicionamento em relação à
guerra?
[Opiniões]
John
Scalzi dá uma sequência inteligente à Old Man's War,
seu romance de estreia. Aqui ele se concentra em narrar o processo de
construção dos membros das Special Forces: criados a partir do DNA
dos mortos, a brigada fantasma não tem infância nem memórias
afetivas. Nasceu, cresceu e foi preparada para a guerra. Este é seu
mundo!
Scalzi
não procura esconder suas fontes de inspiração e consegue manter
um romance militar com uma enorme quantidade de surpresas. (Uma das
minhas críticas aos romances de ficção científica militares é
exatamente que é tudo bastante previsível).
É
palpável as homenagens à Frankestein – explícita, por
sinal, inclusive com a indicação de que os membros das Special
Forces leem o livro em uma passagem. Há também uma sutil homenagem
a Aliens de James Cameron. Há também dezenas de citações a
vários personagens da cultura pop, que vão de Proust, a
Tintin e Asterix.
Há
diversas camadas de intriga e de rancor na trama. Tudo é maior do
quê o leitor vê. Ao desembrulhar o pacote (não resisti a esta
“piada” interna aos leitores da série) o leitor fica
impressionado com a maneira como as coisas são narradas. Scalzi
conta uma surpreendente macro-história sobre o futuro da humanidade
através da colonização do espaço concentrando-se em
micro-histórias. E não é um romance curto! A versão pocket tem
340 páginas!
Aqui,
temos o questionamento ético de fazer clones dos mortos e de eles
tem consciência – leia-se “alma”. Seria possível dar a “alma”
a alguém? E depois uma pergunta secundária: poderia estes clones
dos mortos superarem o condicionamento militar e realmente aprenderem
a escolher? Afinal escolha é algo intrínseco ao ser humano. A
tentação também!
Este
romance retorna à personagem Jane Sagan, clone da esposa de
John Perry, e mostra o dia a dia das Special Forces e suas
ações para impedir a guerra, nem sempre éticas, e mesmo em uma
guerra chegam a ser gritantes. Assim ele produz um romance tão
saboroso quanto o primeiro. E tão misterioso. Scalzi não segue o
padrão do narrador habitual de sci-fi. Ao apresentar uma raça não
faz uma pormenorizada descrição do sujeito, preferindo pincelar
detalhes. Agir deste modo enerva e enriquece o leitor, que pode
sonhar livre e obviamente faz os sonhos dos produtores de TV, que
sentem-se livres para criar qualquer coisa.
Em
2015 de Old Man's War, o primeiro romance da série, será
lançado no Brasil pela Aleph e o canal Syfy deverá
lançar a série de TV que adapta a trama do primeiro volume. Como
“old man's war” não é um nome muito bom para uma série
de TV, os releases têm divulgado que a série se chamará
“The Ghost Brigades”.
Um
livro essencial! Espero que a série de TV também o seja! Assim como
espero que isto permite que o autor retorne à série.
The
ghost brigades, John Scalzi, TOR, ISBN
978-0-7653-5406-8.
|
Lançamento
|
Título
|
|
2005
|
The Old Man's War |
|
2006
|
The Ghost Brigades |
|
2007
|
The Last Colony |
|
2008
|
Zoe's Tale |
O tempo e o vento, Parte 1: O continente
É
impossível ler O tempo e o vento sem saborear de imediato as
palavras, as métricas, as frases, os clichês e a sensação de
tragédia do romance.
Fictício,
O tempo e o vento é dividido em três partes O continente
(publicado em 1949), O retrato (publicado em 1951) e O
arquipélago (publicado em 1961-62) e narra através de seus
personagens a história da formação do Rio Grande do Sul desde as
guerras missionárias, passando pela Revolução Farroupilha e
chegando até a Revolução Federalista na década de 1890.
Érico
Veríssimo tem uma narrativa impecável e uma preocupação, se não
original, ao mesmo elegante. Tolkien em O senhor dos anéis
queria unificar lendas do continente europeu; Érico queria construir
a história d'um canto de mundo pela ótica de sua gente humilde,
simples, birrenta. Este é o povo de Santa Fé: teimoso como mula e
sempre pronto para amar, guerrear e festejar.
Os
dois volumes de O continente somam 800 páginas que narram sete
passagens: A fonte, Ana Terra, Um certo Capitão
Rodrigo, estes três no primeiro volume e A teiniaguá, A
guerra, Ismália Caré estes três no segundo volume e
iniciando, entrecortando as histórias e finalizando o volume, O
sobrado. Pelas adaptações para TV – novela e série – e
cinema é comum confundir a trama total – O tempo e o vento – com
sua primeira parte – O continente. A história é maior e mais
saborosa.
Há
na história um sabor de Macondo, e um leve toque do sobrenatural,
pincelado de forma energética do início nas visões de Pedro
Missioneiro e em menor estágio nas visões de Ana Terra e
de seu filho Pedro. Tão repentinamente quanto surgia o
sobrenatural desaparece por completo, e poderia facilmente receber o
epíteto de “realismo fantástico” - os jovens mudam o nome das
coisas.
Quando
o ritmo já estava bom, mas a cadência parecia que se repetiria, eis
que surge o Capitão Rodrigo um homem… comum! E por isso
mesmo, especial!
O
que impressiona em Rodrigo Cambará não são as bravatas nem a
paixão com que fazia as coisas, mas é que tudo nele tem cheiro –
repito-me – de tragédia anunciada.
Homem
como outros de seu tempo, Rodrigo gostava da vida, queria poucas
obrigações e, no processo, uma rapariga para passar alguns
momentos. Encontrou e se apaixonou por uma moça, mas nunca foi
marido que preste. Seu destino é previsível e nos divertimos em ver
a desgraça alheia. E nos identificamos, glorificando os momentos
heroicos e lamentando os momentos por demasiado humanos. Afinal temos
vergonha de nos refletirmos tanto em tal personagem.
Daí
o narrador brinca novamente conosco. Cria a figura do estrangeiro
Carl Winter para narrar grande parte dos eventos. Ao ver nossa
história narrada por um estrangeiro entendemos qual estranho devemos
ser aos seus olhos, especialmente no século XIX.
Winter
não é um narrador onisciente, mas cabe a ele a narrativa de
momentos importantes de A teiniaguá, A guerra e Ismália Caré, que
contam a história de Bibiana Terra Cambará, seu filho Bolivar,
a nora Luzia Silva e, em seguida, o neto Licurgo Terra
Cambará.
Nuns
momentos roubam a atenção e ganham luz própria a loucura doentia
de Luzia e sua guerra muda com a sogra; noutros as figuras de Winter
ou do padre Atílio Romano
ambos excêntricos,
ou ainda a história de fortuna e tragédia da burguesia ascendente
representado ora pelos Amarais, ora por Aguinaldo Silva. Há contra
este último um ressentimento tão comum contra o usurário. Já o
Amarais não tem muito espaço, pois cabe a eles o papel de “vilão”
e da indiferença do grande proprietário de terra avesso a mudanças.
Além do ódio entre estes e os Terra Cambará.
Em
certo momento Veríssimo brinca conosco novamente e faz de Ismália,
apenas uma coadjuvante no máximo terciária, que surge só para
complementar a narrativa do personagem principal Licurgo, o nome de
uma seção da trama. Ismália Caré entra muda, sai calada mas é
imprescindível à história. Para quê? Julgar Licurgo e seu
caráter.
Há
em Bibiana Terra Cambará, Carl Winter e em um capataz chamado
Fandango um pragmatismo saboroso, próprio dos velhos. Sabendo que
Bibiana foi interpretada pela atriz Fernanda Montenegro na adaptação
cinematográfica recente amplia-se o interesse em ver a história
vertida para cinema, ainda que se saiba de antemão o foco que o
filme dá.
Há
em Rodrigo, Bólivar e Licurgo uma teimosia própria dos jovens. Uma
ansiedade, uma urgência. Uma humanidade!
Se,
em alguns momentos é impossível não lembrar de Macondo, noutros
faz-se igualmente impossível não trazer à tona em momentos febris
Crime & Castigo. Em nenhum, no entanto, há cópia. Existe algo
sim, que lembra a homenagem em maior ou menor tom.
Veríssimo
constrói um romance saboroso, com personagens críveis e
apaixonantes.
Uma
leitura se não obrigatória (o quê realmente o é?); no mínimo
necessária!
Mais uma chance para a DC Comics: A Multiversidade
Os
leitores do blog devem ter percebido que a quantidade de reviews
de séries mensais caiu drasticamente. Perdi a esperança em Marvel e
DC há algum tempo!
Não
reconheço os personagens e longe de um saudosismo tolo, não vi
evolução. Peter Parker não é um professor casado, com
filhos e que, nas horas vagas combate o crime; continua um
basicamente a mesma coisa de 50 anos atrás. Os heróis não evoluem.
Batman
continua sendo um solitário combatente do crime com dezenas de
auxiliares!?!
Mas
The Multiversity #01 me resgatou do mesmo jeito que haviam
feito outras revistas ao longo destes 35 anos que leio quadrinhos. A
série pode (e deve) desandar, mas gostei do conceito, afinal é uma
requentada de Crise nas Infinitas Terras: um mal supremo
obriga os heróis de diversas Terras a se unirem.
Se é
café requentado, por que The Multiversity me prendeu?
Não
sei exatamente. Talvez tenha uma grande relação com a arte de Ivan
Reis, perfeita para a série. Um Superman negro em um universo de
negros não traz nenhuma novidade. Ser o presidente dos EUA não é
um conceito inovador. Parodiar a Marvel e o Universo Marvel
Ultimate não é exatamente novo.
Reunir
todos no satélite do Monitor e enviá-los para resgatar o
último monitor também não!
Mas
de repente se percebe o Capitão Cenoura e não se para a
trama para explicar quem são aqueles personagens. O Dino Cop,
evidentemente uma versão do The Savage Dragon, a Aquawoman,
ou ainda a dupla de heróis homossexuais da Justiça 9 que
lembra Flash e Lanterna Verde. Tudo é derramado sem nenhuma
explicação além da simplista: um mal que ameaça o Multiverso
obrigou novamente heróis de diversos mundos a se unirem em prol de
uma causa comum.
Café
requentado; eu sei!
Mas
divertido.
Doctor Who [8x01] - Deep Breath
Eu
sempre penso que quando as séries ganham audiência planetária,
elas perdem algo de si. Doctor Who é a prova disto. Desde
2.010 a série está em um crescendo sem paralelos para o tema, o
formato e o tipo de série.
Muito
da série é ridículo, mas funciona bem em uma narrativa sci-fi,
especialmente quando não
vemos as imagens. Às vezes um vilão ou outro emborrachado
choca pelo esquisito da situação, mas há uma boa dose de
canastrice e o poder da descrença na série. Há episódios com
todos os Doutores que são o quê há de melhor em sci-fi e há
episódios, também com todos os Doutores que pensamos: deu tudo que
tinha para dar!
O
problema da nova temporada (sábado, 23/08/2014) é aprender demais
com a atual safra de filmes americanos e assim explicar demais. Se o
vilão, um complexo robô que está substituindo peças robóticas
por órgãos humanos a milhares de anos, é misterioso ao ponto de
termos mais perguntas que respostas, a condição da regeneração é
exaustivamente explicada.
Peter
Capaldi é o 12º Doctor e a 13ª encarnação do personagem –
há o John Hurt, lembrem-se! Não existe espectador novato que
não saiba que para justificar a troca de atores, os produtores
“matam” e “regeneram” o personagem. Eu, que até este momento
vi as regenerações que levaram ao Quarto Doutor, o War Doctor,
o Nono, o Décimo, o Décimo Primeiro e o Décimo Segundo – apesar
de já ter assistido a episódios com todos os Doutores – achei que
foi a mais demorada explicação.
Clara
Oswald a atual companheira, sendo a Garota Impossível, trabalhou com
todos os Doutores, alguns sem saber, evidentemente. Ela, no entanto,
assistiu a regeneração! Ela viu a mudança e mesmo assim achou que
aquele ser não era o DOUTOR.
Para
piorar vira e mexe o episódio retornava ao tema do estranho que era
renascer em um novo corpo, com novos hábitos. E quando achávamos
que o assunto tinha acabado, torna. E torna. E torna…
[A
trama]
O
novo Doutor e sua companheira, Clara Oswald, aterrissam
na Londres Vitoriana junto com um dinossauro fêmea.
Ficam aos cuidados de Madame Vastra, Jenny e Strax,
enquanto o Doutor passa por um doloroso processo de redescoberta.
Um
ciborgue, que vem matando cidadãos para adquirir peças de reposição
para seus circuitos, mata o dinossauro, mas alguém o põe no caminho
do Doutor e de Clara. Surge uma nova misteriosa personagem, chamada
de Missy. O curioso é que o ciborgue faz o caminho inverso.
Se tradicionalmente o ciborgue é um ser com partes robóticas e o
clássico questionamento de perda da humanidade, aqui há o robô que
recebe parte humanas e passa a ter alguns questionamentos também
humanos.
Com
tanto mistério por que tinham de explicar tanto a regeneração?
Nova
versão do tema, nova abertura – algo de steampunk, novo
figurino, nova TARDIS (externa e internamente) e novo Doutor. Tudo
novo, mas cansa a quantidade de explicações. E como cansa!
Mas
sábado que vem tem mais e já teremos esquecido as explicações.
(Isso significa que explicarão de novo?)
Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley
Qualquer
que fosse a surpresa de Admirável Mundo Novo o tempo encarregou-se
de dissipar. Sim, as pessoas são dadas umas às outras e trocam de
pares com a mesma frequência de que os personagens e os animais.
Sim,
existe um “cinema sensorial” que com suas tramas grandiloquentes
e maniqueístas substituem o prazer da leitura, e este coitado, o
livro, virou peça de repugnâncias - (“Você aí com o livro nas
mãos! Sai com as mãos na cabeça!”).
Sim,
mães e pais perderam o valor como instituição e surgem como
procriadores que parem e cedem o filho ao mundo, aproximando o ato de
um novo significado para a expressão “dar à luz”.
Sim,
os dirigentes têm conhecimentos das verdades, mas preferem as
cartilhas criadas pelos departamentos de propaganda e,
invariavelmente, punem quem pensa ou age diferente.
Sim,
quem não gosta de um determinado esporte não é normal, assim como
quem não tem a maior quantidade de experiências sexuais.
Especialmente no Brasil.
Aldous
Huxley é tão passado, que seria brochante não fosse o vigor do
texto. As 250 páginas são lidas como metade disto, num fôlego só.
* * *
A
trama?
Em
um futuro onde a razão substituiu tudo, onde os bebês são
produzidos em linhas de montagem para determinadas classes sociais,
onde Ford substituiu Deus, onde a droga da alienação
– o soma – é fornecida pelo Estado, temos o desenrolar de
um pequeno drama que envolve pessoas que estão deslocadas neste novo
mundo e que, se não prezam totalmente “os valores arcaicos”,
sentem falta de parte deles.
Um
casal em visita a uma Reserva – um gueto onde vivem os
incivilizados – descobrem um ser fruto do mundo civilizado, mas
criado ali. Ele não pertence a nenhum dos mundos, não se encaixa em
lugar algum e é convencido a ir à Londres do ano 634 dF
(depois de Ford).
* * *
Há
na trama aquela sensação de tragédia vindoura. Às vezes nota-se o
destino dos personagens com dezenas de páginas de antecedência, mas
há um interesse genuíno para saber quando capitularão.
Se o
texto não traz nada de novo para a sociedade atual, ao menos nos
alerta destes defeitos que temos e que não percebemos, ou percebemos
e não nos importamos.
Junto
com 1984 e Fahrenheit 451, estabelece uma tríade
básica das distopias e oferece visões sem a água com açúcar de
algumas das várias séries distópicas para adolescentes. Por sinal
os três livros, sem necessidade de sequências, oferecem mais por
mililitro de tinta negra que os litros nas páginas das aventuras
açucaradas dos novos tempos.
Uma
tríade que merece ser lida e divulgada.
To Rescue Tanelorn
Antes
de mais nada devo confessar que esta não é uma aventura de Elric,
mas do Red Archer – e não, não é o parceiro do Ollie
– e é o segundo conto do segundo volume de crônicas do
personagem principal (Chronicles of the Last Emperor of Melniboné:
Volume 2 To Rescue Tanelorn,
Del Rey, 2008).
Eu
li o primeiro volume no início de 2013 e mesmo tinha iniciado o
segundo volume há um ano, quando li que Michael Moorcock
havia assinado um contrato para publicação de quatro livros no
Brasil. Com a chegada da Saída de Emergência, que publica a
série em Portugal, eu acreditei que não haveria maior demora.
Me
enganei e retomei a leitura dos contos, que intercalarei entre os
romances que lerei a partir de agora.
To
Rescue Tanelorn, o
conto, foi publicado pela primeira vez em Science Fantasy
#56 de dezembro de 1.962 e ajuda a criar o cenário para a guerra
entre o Caos e a forças da Ordem. Vale lembrar que no universo de
Moorcock nenhuma das forças dá muita importância para a
humanidade, daí neste conto os personagens decidirem auxílio aos
lordes cinzentos, ou seja, nem branco (Ordem) nem negro (Caos), mas
um meio termo. No texto a decisão é justificada com a explicação
de que, atacados por forças do Caos, se pedissem auxílio à Ordem
tomariam lado na guerra que ocorre.
Aqui
conhecemos a cidade de Tanelorn, além do Deserto
Sussurrante que é um ponto de repouso para os aventureiros e
viajantes cansados; mas as forças de Lorde Narjhan, que
lidera Nadsokor, a Cidade dos Mendingos,
orientados pela agenda do Caos, partem para atacar Tanelorn.
Rackhir,
o Arqueiro Vermelho, decide pedir auxílio aos Lordes
Cinzentos e para tanto conta com a ajuda do ermitão e
sábio Lamsar que irá conduzi-lo entre os reinos e portais
interdimensionais – os Cinco Portões – para alcançar a
dimensão dos tais lordes. A viagem, rápida e a descrição dos
reinos é uma das partes mais saborosas do conto.
Resta
saber se chegarão a tempo para salvar Tanelorn e, mais importante,
se conseguirão a ajuda esperada.
[Impressões]
Depois
da grandiosidade de The Eternal Champion – o conto que abre
o volume, To Rescue Tanelorn parece uma história muito certinha e
perfeita.
Na
trama tudo dá certo e o quê cria um terrível contraponto entre a
tragédia de Elric e a sorte de Rackir.
Feita
para leitura rápida, o conto ajuda a criar o cenário das forças em
conflito, da urgência do Caos atacar a Terra e as cidades livres,
mas o quê fica ao final é a impressão de ser um conto menor,
importante para criar um background para os eventos que já se
concluíram no primeiro volume da coletânea.
[Artes
& Adaptações]
Vale
ressaltar que o livro é ilustrado com artes de Michael
Wm Kaluta, lendário artista que se estabeleceu como artista de
série de terror e fantasia nos anos 1.960/1.970, e que o artista faz
uma belíssima ilustração do personagem que não tem relação
alguma com a visão do artista da série The Vanishing Tower
(First Comics, 1987/1988) donde tirei a ilustração que o
apresenta à la Robin Hood.
O
conto To Rescue Tanelorn foi adaptado para os quadrinhos em Elric:
The Bane of the Black Sword #06 (1989) por Roy Thomas,
Mary Mitchell e Eric Vincent, já nos estertores de
First Comics. The Bane of the Black Sword é o nome da
coletânea que anteriormente trazia o conto. Infelizmente a arte
muito estilizada não faz jus ao clima sombrio que exige a história.
Roy
Thomas é um dos principais autores da nona arte e responsável por
adaptações de vários personagens de outras mídias para os
quadrinhos, em especial, Conan e Star Wars – dois
extremos. Seus trabalhos para a First Comics, adaptando o
texto de Moorcock foram publicados em um momento em que se afastou da
Marvel Comics (início dos anos 1.980) e após desenvolver as
séries All-Star Squadron e Young All-Stars para a DC
Comics.








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