Superman, 10 histórias, 3ª: Point of View
Se eu olhar para trás
não tenho muitas lembranças do Superman pré Crise, mas o
motivo é que eu nasci em 1975 e fui educado no primeiro momento com
os quadrinhos da Marvel. Tanto que a “primeira história do
Superman” que li não é do personagem, é do Superboy (a
segunda é da Supergirl).
Eu conheci o Superman na
Editora Abril e realmente Superman Special #02 (1984) é
a primeira história que li completa do homem de aço. Assim, não
tenho tantas lembranças de Lex Luthor como um vilão
cientista maléfico. Especialmente por que depois da edição #1,
sabendo que as tramas de Action Comics e New Teen Titans
iriam se cruzar a Abril decidiu publicar a revisão do herói de
1971, onde, por sua vez, o Luthor (e todos os vilões tradicionais)
sumiam por um tempo.
Minhas lembranças de
Luthor são as produzidas por Marv Wolfman, Jerry Ordway
e John Byrne, um empresário levemente baseado na
interpretação de Gene Hackman em Superman, o filme (1978)
e malévolo. Não penso apenas em um vilão ruim e confuso, invejoso
do espaço que o Superman lhe roubou na imprensa. Penso em um
empresário inescrupuloso, malévolo, a incarnação do demo, da
mesma forma que fui ensinado pelos pensadores da esquerda a odiar os
empresários. Com os anos sarei da doutrinação, mas na fantasia eu
poderia me dar ao luxo de continuar.
Então nada mais lógico
do que Luthor tenta sabotar a ascensão da raça humana para um
próximo passo evolucionário. É certo que hoje sabemos que
Millennium (1987/88) não foi tudo isso, mas temos que pensar
que foi apresentado como tal: um grupo de escolhidos iria evoluir
para a próxima fase da raça humana e iria se transformar em... mais
um grupo de heróis! (Ridículo! Eu sei)
Mas Point of View
publicado em Adventures of Superman #437 (fevereiro de
1988) produzido por John Byrne & Jerry Ordway (texto), Jerry
Ordway (lápis) e John Beatty (finais) mostrou um uso
inteligente para um personagem inteligente. Lex Luthor queria provar
que a humanidade era fraca, essencialmente egoísta e convida uma das
pessoas a serem evoluidas, Celia Windward, para um jantar onde
ele narra uma versão de um confronto entre o Superman e Combator,
que supostamente deveria estar acontecendo naquele momento.
Mal sabe o empresário,
que deseja plantar a semente da dúvida, que um ser humano comum se
sacrificou no combate devido a ausência do homem de aço. José
Delgado, o Predador, enfrenta o Combator com o auxílio de
transeuntes e paga um preço alto por isso.
A arte divide a página
em dois painéis, um mostrando a narrativa fictícia de Luthor e
noutro mostrando os acontecimentos no conflito Predador e Combator.
Ainda que Millennium
tenha se tornado nota de rodapé na história dos quadrinhos, a
história é muito boa e merece atenção pela forma odiosa e polida
em que apresenta Luthor: diante da possibilidade de que a humanidade
avance, o empresário só pensa em implantar a semente da dúvida em
seres que poderiam tornar-se deuses.
Se você conhecer algo
mais malévolo que isso me avise.
Superman, 10 histórias, 4ª: “What's só funny about Truth, Justice, & The American Way?”
Talvez a história mais
importante da década de 2.000 do homem de aço, a história de
Action Comics # 775 (março de 2001) já se transformou em uma
animação (Superman contra a Elite) e iniciou um ciclo de
questionamentos sobre os valores apresentados na indústria de
quadrinhos.
Produzida por Joe
Kelly (texto), Doug Mahnke e
Lee Bermejo (lápis), a aventura mostra um grupo chamado de
Elite, claramente inspirado no grupo Authority criado
por Warren Ellis para a WildStorm, que defende a
postura de impor sua visão de mundo com o uso da força e de
destruição em massa – repetindo assim o tema do choque de
gerações abordado também em O reino do amanhã de Mark
Waid & Alex Ross.
Diante de uma sociedade
que aceita bem o uso da força para eliminar aqueles que a incomodam,
o Superman questiona-se sobre os limites auto-impostos, visto que
esta “versão corrente” do personagem não admitia em nenhum
momento a solução definitiva: a morte (algo provado em última
instância quando em uma guerra ele não cede à tentação da
solução “fácil” e não mata Imperiex).
A história é bem
escrita e consegue lembrar os momentos em que os escritores não eram
obrigados a seguirem uma cronologia pesada e limitadora. Todos os
elementos necessários para entender a aventura estam ali e lê-la
tendo em visto o momento geopolítico, em especial o contexto
beligerante do governo George W Bush, torna-a apenas mais saborosa.
Com a chegada de um grupo
que não age limitado por valores morais deveria o Superman se
adaptar aos novos tempos, e entender assim que sua proposta de defesa
do mundo estava ultrapassada? Deveria agir a qualquer custo com a
premissa de que os fins justificam os meios?
Ao observar a população,
uma massa de manobra nas mãos dos gigantes de telecomunicações e
empresas de marketing que criam e influenciam opiniões,
aceitar aquelas atitudes, o herói sente-se solitário como um último
cowboy, defendendo valores que só ele acredita. É inevitável
que haja um choque entre ele e o grupo e parte da aventura narra este
confronto.
Superman, 10 histórias, 5ª: Return to Krypton
Em poucas oportunidades é
possível ver o choque de valores provocado por John Byrne
no Superman, como
quando se compara duas aventuras nomeadas Return to Krypton –
há também um arco na fase Jeph Loeb.
Publicado em Superman
#141 (novembro de 1960) a Return to Krypton de
Jerry Siegel, Wayne Boring e Stan
Kaye é um belíssimo conto sobre a perda e a aceitação
do destino. Superman viaja no tempo, indo para Krypton algum tempo
antes da explosão. Lá, sem poderes, encontra seus pais e se
apaixona por uma atriz, Lyla Lerrol.
Conhecida como um ponto
alto da carreira de Jerry Siegel quando ele retornou para a DC
Comics, depois de um período afastado, Return to Krypton é um
conto sobre o amor perdido e sobre como a memória de um amor
inesquecível pode se apagar, tornando-se um doce lembrança, até se
tornar nada (ao voltar para a Terra Superman pensa “Tudo já
parece um sonho estranho e fantástico!”). A veia romântica é
tão estranha e onipresente que há uma sequência passada na Terra
com Jonathan e Martha, ainda não casados e observados
pelo Superman lá de Krypton. Nesta sequência Jonathan tímido, mas
honesto, percebe que um banqueiro desonesto está ganhando a afeição
de Martha mas se impõe de forma física.
Seria a história um
reflexo de sua vida conjugal destruída? Uma versão de seus sonhos
pueris, agora transformados em pesadelos de contas e limitações
financeiras?
Não sei. Só sei dizer
que é uma história romântica, meio piegas e razoavelmente bem
escrita e lindamente ilustrada por Boring – diversas vezes
homenageado em Adventures of Superman na fase Marv
Wolfman/Jerry Ordway.
Então em Superman #18
(julho de 1988) John Byrne, Mike Mignola e Karl Kesel
criam uma versão distópica da história. Agora o herói de aço vai
ao escombros do planeta morto com o auxílio do Gavião Negro
e Mulher-Gavião e, delirando devido à exposição à
kryptonita, sonha com uma realidade onde os seus pais e parte da
população de Krypton – frios, lógicos e insensíveis – vem à
Terra. Aqui, dominam o nosso mundo e anos depois iniciam uma guerra
interna, um lado defendendo o direito dos terráqueos, outro
acreditando que sejam apenas uma raça a ser subjugado, deixando como
antagonistas Jor-El e Lara.
Apesar de um delírio a
aventura é de certo modo uma “continuação” da excelente série
World of Krypton com a mesma equipe de produção de texto e
lápis e que apresentava o passado daquele Krypton distópico criado
e defendido por Byrne e ilustrado com um segurança seca e sombria
por um iniciante Mike Mignola.
Comparar as duas
aventuras, separadas por 28 anos de distância, mostra como um
personagem de quadrinhos é adaptável aos sabores do mercado, das
tendências e das limitações e visões de seus artistas. A primeira
é uma história romântica, inspirada na vida pessoal e no sucesso
de mercado que havia naquele momento em histórias de amor. A
segunda, uma história que tinha um esquema cronológico implícito
(Superman não podia ir aos escombros de Krypton, então pediu uma
carona a dois policiais alienígenas que atuavam na Terra) e mostrava
por que só deveria haver um único kryptoniano na Terra, condições
também imposta pelo padrão do mercado de então.Superman, 10 histórias, 6ª: Curse of the Banshee
Minha trama preferida da
fase de John Byrne foi a trama da gritadora Banshee
Prateada, ainda (talvez) que fosse unicamente pelo visual preto &
branco da vilã. Sua história seguia um padrão de narrativa dos
anos 1970/80: a trama não tinha um início, meio e fim formal e
linear como depois de 1.992 tornou padrão na indústria; mas sim,
uma apresentação, e se fizesse sucesso um retorno (e retorno, e
retorno, e retorno) até que terminasse a trama.
John Byrne como se sabe,
não encerrou a narrativa. Abandonou a série do Superman na
edição #22 e retornou para a Marvel Comics, mas a
história foi contada com habilidade por Roger Stern (amigo de
longa data de Byrne), Mike Mignola e P. Craig Russell.
Não sei se fiquei
impressionado com a arte da dupla de Gotham by Gaslight, 1889,
sou se algum resquício do primeiro Highlander ainda estavam
impregnado em mim, mas Curse of the Banshee foi minha história
preferida do Superman durante anos. Talvez seja o terreno místico da
trama, o quê faria um herói como o último kryptoniano ficar
completamente deslocado, mas com a arte de Mignola os elementos se
casavam de forma adequada – o quê certamente não aconteceria com
um artista como Kerry Gammill, o substituto oficial de Byrne
na arte.
Desde sua primeira
aparição a Banshee estava em busca de um livro. O livro foi
encontrado por Batman que o entrega ao Superman, percebendo
que misticamente ele acrescenta novas páginas. Assim o herói ruma
para o Castelo Broen (entre Escócia e Irlanda) do Clã
McDougal onde estão Lois Lane e Jimmy Olsen, a
vilã e seus familiares e a conclusão da trama.
Minha estima pela
história é principalmente pelo fato de que história místicas e
sombrias podem funcionar com o Superman desde que haja uma verdadeira
história para contar.
Superman, 10 histórias, 7ª: Superman: Doomsday & Beyond
Meu maior incômodo com A
morte do Superman, que já analisei aqui sob o ponto de vista do
mercado, da história e de suas sequências (clique nos links para
ler) é que além de uma história risível é muito, muito, mas
muito longa.
O evento A morte, em si é
pequeno. Nove aventuras que duram dois meses. Depois tem o Funeral
(mais dois meses), depois o Legado (um mês) e depois O
retorno (quatro meses). Se alguns destes eventos tinha apenas
(“apenas” aqui é usado em sentido irônico) as quatro séries do
homem de aço de então como capítulos semanais, em O retorno
a coisa cresceu muito, envolvendo uma série de títulos secundários
da DC, em especial a série Green Lantern,
onde provocou profundas
alterações.
Ou seja, além de ruim a
história era enorme e pretendia envolver todo o Universo DC (DCU)
Mas como não falar da
Morte quando se fala em histórias do herói? Para tantos A morte foi
o ponto de partida para perceber o último filho de Krypton. Para
tantos foi o momento em que a Editora Abril passou a se preocupar em
aproveitar o marketing e adiantar cronologias lançado (e
relançado) várias edições especiais. Até hoje a história é
permanentemente reeditada em vários formatos. Apesar da baixa
qualidade geral a trama é de fundamental importância para o
personagem.
Preferi então abordar o
evento através do excelente livro “Super-Homem: Morte e
Ressurreição” (Editora Abril, 1995, ISBN 85-7305-202-3),
tradução de Superman: Doomsday & Beyond (Bantam Books,
1993) escrito por Louise Simonson e com arte de Dan Jurgens
& José Luis García-López e capa de Alex Ross.
Louise Simonson foi a
escritora da série Superman: The Man of Steel e junto com o
artista Jon Bogdanove ficava encarregada de abordar histórias
mais humanas do último kryptoniano. Crianças perdidas, mães
famintas, drogadas e aidéticas, a questão do negro, o terrorismo, a
revolta adolescente, o consumismo e tudo mais em um tom que o leitor
das aventuras do homem de aço não pudesse se chocar. Além disso
era também a responsável pela ligação das aventuras das quatro
séries (Superman, Action Comics, Adventures of
Superman e Superman: The Man of Steel), mostrando até onde cada
escritor poderia ir sem interferir na trama da semana seguinte.
Considerando o ego de
alguns autores, certamente não era uma tarefa fácil, o quê também
não impediu tramas redundantes em alguns momentos.
O livro consegue em
rápidas 209 páginas resumir toda a série de morte e ressurreição
e ainda inserir na história pontos importantes de Man of Steel,
a série de John Byrne que reapresentou o herói ao mundo em
1.986.
Falando de forma
resumida, Simonson condensa todas estas aventuras e cria uma
narrativa capaz de prender a atenção dos leitores de quadrinhos que
não foram apresentados ainda aos livros. Sem nenhuma complexidade e
retirando da trama personagens secundários de outras séries (como
Liga da Justiça e o Lanterna Verde), Louise Simonson
faz um livro envolvente, descomplicado e de rápida leitura. Por si
só isto já torna o livro superior à versão em quadrinhos.
Merece a leitura.
Superman, 10 histórias, 8ª: The Sandman
Em 1992 a edição
Superman Special! #01 escrita e desenhada por Walt Simonson
trazia na capa dois avisos “kryptonite no more!” e bem
abaixo “Doomsday is coming!”, deixando claro o destino do
herói em poucos meses.
A edição, inédita no
Brasil até hoje, trouxe uma releitura da Sandman Saga,
conhecida por aqui como “A saga da criatura de areia”,
onde após um acidente o homem de aço se depara com uma criatura de
areia de origem desconhecida, que a cada oportunidade de encontro,
suga-lhe parte dos poderes.
Simonson bebe na fonte da
história original e faz uma aventura que homenageia elementos do
momento cronológico da primeira versão como Jimmy Olsen,
Projeto Cadmus e Legião Jovem, mas que não foram
utilizados e em seguida simplifica a história, dando espaço para a
ação do empresário Lex Luthor, que na história original
estava “de molho” quando daquele processo de reformulação.
Basicamente a trama trata
de um experimento em uma subsidiária de Luthor que destrói a
kryptonita existente no mundo. O herói é atingido por uma onda de
energia e dos escombros surge um homem de areia, que passa a sugar as
energias do herói kryptoniano.
Ao perceber o padrão,
Luthor tenta se apropriar da criatura para usá-la em seus
enfrentamentos com o Superman.
Certamente não é uma
história original, já que explicitamente referencia a história de
O'Neil & “Swanderson”, mas Simonson sabe impor
um ritmo e terminar a trama em apenas 48 páginas, algo que talvez
tenha faltado na saga dos anos 1970: a brevidade.
Curiosamente a edição
não vem com o escudo na capa. Naquela época a DC Comics já
utilizava um escudo nas capas das séries do homem de aço, para
deixar claro ao leitor a posição da edição na cronologia anual do
Superman. Esta edição especial não utiliza este recurso, podendo
ser encaixada em qualquer momento de 1992. Porém várias assinaturas
do artista deixam claro que se produziu a série em março e
propagandas internas anunciam um filme, Pet Cemetary 2, com
lançamento previsto para agosto. Deixando claro que foi lançada em
algum momento entre abril e agosto de 1992.
Superman, 10 histórias, 9ª: The last god of Krypton
De longe Superman: The
last god of Krypton [1999] é a minha graphic novel
preferida com o herói. Publicada no Brasil como o título de
Superman Especial: A última deusa de Krypton (Mythos Editora,
2003) a história foi escrita pelo saudoso (mas não morto) Walt
Simonson e tem arte pintada pelos irmãos Greg & Tim
Hildebrandt.
A trama é bem simples.
Anos depois da destruição de Krypton uma deusa aprisionada é
libertada e vem para Terra em busca do último kryptoniano vivo. Ao
chegar aqui, em um primeiro momento, acredita que o Superman é
um deus e deseja se acasalar com ele. Mas logo percebe que o herói é
mortal e então busca destruí-lo.
[Comentários]
Walt Simonson é um
excelente autor, meio perdido nos anos 1990-2000, e consegue fazer
uma história inteligente com o homem de aço que faz referências ao
passado de Krypton, ao deus
Rao e toca levemente no fato de que Kal El é um
descendente local do deus sol, sem maiores consequências no texto,
mas deixando claro o caráter messiânico do herói.
A graphic novel
usa elementos da cronologia padrão (o casamento com Lois Lane,
a morte dos kryptonianos do Universo Compacto, Lex Luthor)
sem a necessidade de textos explicativos e sem obrigar ao leitor
fazer uma busca para entender as referências.
A arte dos Hildebrandt é
adequada e alterna entre um frio e gélido azul e um quente vermelho
nas páginas finais.
Há certamente sequências
meio pudicas demais como quando Clark troca de roupa no banheiro
feminino avisando a Lois que o banheiro está vazio, e a esposa
questiona se ele usou a visão de raio X. Ele responde que usou a
super-audição. A participação de Luthor é a esperada para o
personagem. Ele tenta se aliar à Cythonna, a deusa, mas ao
ser subjugado e perceber que ele é um mal maior do que o Superman,
decide ceder uma arma a ele – um fragmento de kryptonita.
É uma história
divertida, bem feita, simples e auto-contida, algo que falta na
cronologia do herói. Por isso aconselho a buscar nos sebos a edição
da Mythos Editora (2003) ou da DC Comics (1999).
Superman, 10 histórias, 10ª: For a Thousand Years
Em janeiro de 2.000,
semana 4 (data de capa) tínhamos Action Comics #761,
traduzida por aqui em Superman (Super-Heróis Premium) #03 de
outubro de 2.000 (Editora Abril). Trazia a história For a
Thousand Years por Joe Kelly, German Garcia e Joe
Rubinstein.
A história tinha que se
encaixar no conceito vigente na época de que cada série do Superman
era um capítulo semanal e então perdia algumas páginas para situar
o leitor de coisas que aconteceram em outras séries. Em síntese uma
foto mostrou o Superman com uma aliança e foi amplamente questionado
o fato do herói ser ou não casado.
Então no conforto de seu
lar Lois Lane, então a esposa, brinca com Clark
sobre quem seria a mulher perfeita para o homem de aço, enquanto o
jornalista teima em simplificar a questão informando que havia a
escolhido. Lois brinca sobre os nomes possíveis e então eis que a
Mulher Maravilha bate à janela.
No resto da história a
jornalista se questiona sobre seu papel e se está à altura do seu
esposo, mas o foco que quero é outro.
Superman e Mulher
Maravilha são transportados para Valhala onde auxiliam Thor
e alguns deuses asgardianos em uma batalha contra um inimigo mortal.
A batalha dura 1000... isto mesmo, mil anos!
Para provar o amor (super
amor?) o roteirista apresenta um homem apaixonado por sua esposa,
mesmo ciente que tem uma deusa ao seu lado. A dupla não envelhece e
o amor do herói se mantêm até que ao final, derrotando a ameaça
retornam exatamente para o momento em que foram para Valhala.
[Comentários]
Tolinha, a história
serve para o eterno fetiche dos leitores de quadrinhos: quem é a
mulher perfeita para o “homem perfeito”?
Sinto, mas em mil anos o
herói teria perdido o cheiro de Lois (várias vezes citado na
história), a linguagem e até mesmo alguns conhecimentos de sua
profissão, como padrão de produção de texto, afinal são mil anos
enferrujado!
Dizer que o Superman
resistiria a 1000 anos (ou 365.000 dias e noites) ao lado da amazona
é criar uma fábula, por sinal função da história, criar
a fábula do marido perfeito, mesmo exposto diariamente à
perfeita tentação. Porém é uma fábula impossível de ser crível,
especialmente quando ao ler a aventura percebe-se claramente que a
heroína deseja o homem de aço.
Dizer que alguém retorna
de 1000 anos de isolamento sem nenhuma alteração (ou resolvê-la
apenas com um truque de mágica) é chamar o leitor de tolo, mas
deixa claro que o padrão da época era tentar contar uma história e
“colá-la” no esquemão da editora.
Earth 2 volume 1: The Gathering
Cada fã tem uma área
que lhe é especial. Eu sempre gostei muito de universos alternativos
nos quadrinhos. Séries como “What
if... ?” e os “Just imagine...” da DC (os dos
anos 1960/70/80, não o de Stan Lee), assim como os ElseWorlds
tem histórias que estão sempre entre aquelas que tenho grande
simpatia.
Cerca de um ano depois de
iniciado o projeto Os Novos 52, a DC lançou a série Earth 2,
escrita por James Robinson (Starman) e com arte de
Nicola Scott. A série inicia com o “santíssima”
trindade da editora Superman, Batman e Mulher-Maravilha
sacrificando-se para encerrar a guerra com Apokolips, uma
versão alternativa para os eventos da série da Liga da Justiça,
sacramentando em definitivo a futura equipe como uma versão da
equipe amplamente conhecida.
De pano de fundo a
transposição de Powergirl e Huntress – filha de
Batman daquele universo – para a “Terra padrão” da DC Comics,
invertendo posições com o Sr. Incrível
que foi da Terra padrão para a Terra 2; o uso do Sr.
Incrível da Terra 2 como um vilão para a série e o uso de uma
organização da nível global (bem semelhante a SHIELD,
especialmente na obediência a superiores mostrados apenas como
insensíveis rostos em tela ditando ordens).
Conhecer e seguir as
aventuras da Sociedade da Justiça, criada antes nos anos
1940, mas efetivamente considerada pelo fandom como apenas uma
versão alternativa da Liga da Justiça, sempre foi um deleite para
mim. A série JSA e a série subsequente Justice Society of
America volume 3 estão entre as melhores séries na área de
quadrinhos de heróis, com inegável valorização da família como
base para estruturar um indivíduo.
Quando houve a
reformulação de 2011 (Os Novos 52) a DC Comics
instituiu que o primeiro, e ênfase em primeiro, herói foi o
Superman e ponto. Assim, a Sociedade não poderia existir.
E não existiu.
Cerca de um ano depois de
iniciado o projeto Os Novos 52, a DC lançou a série Earth 2,
escrita por James Robinson (Starman) e com arte de
Nicola Scott. A série inicia com o “santíssima”
trindade da editora Superman, Batman e Mulher-Maravilha
sacrificando-se para encerrar a guerra com Apokolips, uma
versão alternativa para os eventos da série da Liga da Justiça,
sacramentando em definitivo a futura equipe como uma versão da
equipe amplamente conhecida.
Cinco anos depois uma
nova ameaça paira sobre o mundo e a Terra passa a escolher seus
novos campeões. Um adolescente torna-se o Flash
após herdar a velocidade do
deus Mercúrio, um executivo de telecomunicações
torna-se o Lanterna Verde e descobrimos que o exército tem
mantido entre seus quadros algumas “maravilhas” - wonders
no original, fugindo do “marvels”, mas com objetivo
idêntico – como a Hawkgirl e Atom.
E neste primeiro momento
estes campeões, ainda não um grupo unido mas uma série de novas
maravilhas que não tem controle sobre suas habilidades, tem que
enfrentar uma criatura chamada Grundy – numa trama por
demais semelhante às tramas da série Swamp Thing, mais do
que eu gostaria de admitir.
De pano de fundo a
transposição de Powergirl e Huntress – filha de
Batman daquele universo – para a “Terra padrão” da DC Comics,
invertendo posições com o Sr. Incrível
que foi da Terra padrão para a Terra 2; o uso do Sr.
Incrível da Terra 2 como um vilão para a série e o uso de uma
organização da nível global (bem semelhante a SHIELD,
especialmente na obediência a superiores mostrados apenas como
insensíveis rostos em tela ditando ordens).
Divertida, empolgante e
bem famosa em função da opção sexual do Lanterna Verde daquela
dimensão, Earth 2 é sobre um grupo de maravilhas que terão que
aprender como trabalharem juntas para salvar novamente a Terra.
Funciona e é de longe o
melhor material que li de Os Novos 52, superando os bons materiais
escritos por Scott Snyder (Batman, Swamp Thing) e até
mesmo a releitura de Grant Morrison para o Superman (Action
Comics).
Sweet Tooth ou Escolha o apocalipse
Apocalipse quer dizer
“revelação”, mas seu uso mais corrente é o de “fim do
mundo”.
Atualmente três séries
chamam atenção sobre esta tipo de trama. Y O ÚLTIMO HOMEM
recém conclusa, narra a história do último homem quando uma praga
extermina todos os portadores do cromossomo y (os homens).
Em dez volumes a série é
um achado e há anos se fala em uma adaptação ora para o cinema,
ora para a TV. No Brasil foi publicada até o fim pela Panini
Comics em 10 volumes correspondentes aos 60 números
norte-americanos.
THE WALKING DEAD
trata sobre o apocalipse zumbi e a sobrevivência de um grupo de
pessoas orientados por Rick Grimmes. A série é cheia de
altos e baixos e mesmo tendo conseguido uma venda recorde no 100º
número no ano passado, dá sinais evidentes de cansaço e de uso de
choque de valores para manter o público.
Adaptada para a TV pelo
canal AMC, mesmo de Breaking Bad e Mad Men,
ambas séries premiadas, a série concluiu a terceira temporada e já
tem uma quarta contratada, mas teve um final de temporada
decepcionante apesar de audiência recorde.
No Brasil a série é
publicada pela HQM Editora em encadernados trimestrais e agora
em uma série em formato comics mensal e para bancas.
SWEET TOOTH é uma
série da Vertigo escrita e desenhada por Jeff Lemire
que trata sobre a sobrevivência após uma praga que fez com que as
crianças nascessem com anormalidades que o fazem lembrar animais.
Aparentemente a praga afetou o mundo de alguma maneira a ser
devidamente explicada para frente.
O desenho de Lemire só
pode ser classificado como “alternativo” e a trama se desenvolve
sob o ponto de vista do personagem principal que nunca havia saído
da fazenda onde vivia com o pai. Com a morte do velho, ela inicia uma
jornada, transformando assim a série em um “road comics”,
“um quadrinho sobre sobreviventes de uma praga”, “um quadrinho
'sério e sensível'” e um “quadrinho sobre uma jornada de
autodescoberta”. Será que eu precisava de mais um?
Publicada pela Panini
Comics a série deve ter colhido bons resultados, pois depois de uma
edição lançado no último trimestre de 2012 já recebeu mais duas
edições. A mim não impressionou e achei deveras repetitiva e
tediosa, mal que assola os atuais quadrinhos.
Mas se Glenn pode
morrer...
O negócio é esperar o
choque de valores e descobrir o quê os autores vão fazer para
impressionar os leitores e manter/aumentar as vendas. Difícil e
imaginar uma série com início, meio e fim e trabalhar de forma
adequada usando estes recursos.







































