Noé Tome 1 Pour la cruauté des hommes

Nos últimos anos tenho tido um cansaço especial com os quadrinhos enquanto mídia em função de seus temas: o quadrinho de super-herói cansa, especialmente se você o lê há mais de trinta anos como eu.

Torna-se cada dia mais comum deixar de acompanhar séries de personagens para acompanhar autores. Troco facilmente o lote de histórias do kryptoniano produzidas por John Byrne e Dan Jurgens, pelo lote de Grant Morrison. São gostos, é claro.

O certo, no entanto, é que a repetição de acontecimentos e de estratégias afasta o leitor. Qual a diferença entre The New 52 para Marvel NOW?

Então, às vezes penso que Alan Moore é apenas um velho gagá com ego inflado, para então acordar e ver que o mago inglês tem razão quando disse que todas as histórias já foram contadas e o talento reside em contá-las de novo para uma nova audiência.

Assim é Noé, Livro 1 Por causa da maldade dos homens (tradução livre de Noé Tome 1 Pour la cruauté des hommes, álbum publicado na França por Le Lombard em 2011) de Darren Aronofsky & Ari Handel e arte e cores de Niko Henrichon.

O livro, que tenciona ser o primeiro de quatro, reconta a história clássica – e bíblica – de Noé, um homem justo em uma sociedade profundamente corrompida que é avisado pelo criador que o mundo será purificado através de uma grande inundação. Caberá a Noé um papel de salvar os justos e os animais com a construção de uma arca.

A história nas mãos competentes deste trio torna-se uma narrativa apocalíptica e um cenário de sci-fi bem construído e condizente com muito da produção da revista Heavy Metal ou dos Humanóides Associados. Há evidentemente um tom ecológico na trama, sem, no entanto, ser piegas, chato, eco-xiita ou pretensioso. Noé é, acima de tudo o ecologista mor da humanidade, já que resgatou os animais de uma grande catástrofe natural, permitindo a sobrevivência dos mesmos enquanto os atos dos homens provocaram o seu fim.

De acréscimo há uma simpática reformulação do conceito de serafins caídos, que nós, criados na cultura judaico cristã, automaticamente atribuímos aos demônios e suas hordas; mas aqui são retratados de forma original: por escolha própria caem para ensinar ao homem a ciência e são vítimas do mau uso deste conhecimento. No livro os serafins tornam-se os gigantes várias vezes referidos no Pentateuco.

A única crítica fica por conta do pouco desenvolvimento da família de Noé, o quê se diga de passagem é bastante condizente com o papel da mulher e dos filhos no contexto da sociedade retratada na Bíblia. A esposa entra muda e saí calada e aceita todo o radicalismo do esposo.

Espero que seja publicado no Brasil no mais breve possível e faço votos que a Editora Nemo conheça o material e tenha, não só interesse, mas capital para adquirir os direitos e publicar a obra.







Faça como seus heróis: leia livros!

Aqui o Coisa lê Salem's Lot (A hora do vampiro) de Stephen King em Marvel Two-in-One Annual 02 (1977).

Contexto: A Marvel tinha fornecido apenas duas edições anuais para Starlin terminar a saga de Warlock e esta era a segunda. O Aranha vai em busca de transporte para auxiliar aos Vingadores a impedirem o genocídio estelar.
Relação com a obra: A história não tem relação nenhuma com o livro, mas a passagem que Ben cita realmente existe e é tensa.
Texto & lápis Jim Starlin, finais Joe Rubinstein.

Poeira assentando

Em 1.985 Roy Thomas soube que a sua série All-Star Squadron não iria sofrer alterações com a reconstrução do Universo DC que ocorreria após a publicação da série Crise nas Infinitas Terras.

A série e os personagens de A-SS transcorriam na Terra-2, uma das Terras do Multiverso de então. Neste universo os super-heróis da DC surgiram nos anos 1939/1940 e a série contava aventuras que passavam em 1.941 fazendo retro-continuidade.

Thomas então viajou para a Europa com a esposa. Quando retornou descobriu que não poderia utilizar mais alguns personagens como Batman & Robin, Superman e Mulher-Maravilha. Logo a própria série seria cancelada para passar por uma reestruturação que visava adequar-se à nova realidade da editora: um só universo.

Neste novo universo a trindade só surgiria no início dos anos 1.980.

* * *

Paul Levitz e John Byrne procuraram uma maneira para explicar a existência de uma Legião dos Super-Heróis no século XXX. Afinal o grupo havia sido inspirado na lenda do Superboy, a identidade que o Superman utilizou quando adolescente.

Porém no novo universo DC o Superman não havia sido Superboy. John Byrne, o escritor contratado para reformular o homem de aço – junto com Marv Wolfman – preferiu aproximar-se do conceito original do herói e tirou a retro-cronologia do garoto de aço da história do kryptoniano, fato que assumidamente se arrependeu posteriormente.

Sem um Superboy, Levitz – escritor da Legião – e Byrne criaram o conceito do Universo Compacto criado por um vilão da equipe. Ficamos com um gosto ruim na boca. Gosto que se repetiu várias vezes naquele período, seja nas história do Gavião Negro ou nos adendos em Lanterna Verde.

Era um universo em construção e a poeira ainda não tinha assentado definitivamente.

Anos depois a editora mataria o homem do amanhã e apresentaria quatro novos Supermen. Um deles se transformaria no Superboy “definitivo”: um clone mal construído do Superman. Ambos, o kryptoniano e o clone, fizeram parte de Legiões distintas; o primeiro da Legião clássica e o segundo da Legião presente na série The Legion.

* * *

Em ambos os casos, de Roy Thomas ou de Paul Levitz & John Byrne, o tempo se encarregou de cuidar dos destroços, da poeira. Mark Waid chegou a dizer sobre o período que algo que era válido em uma semana talvez não fosse válido na semana seguinte.

Algumas histórias criadas em um primeiro momento se tornavam erros terríveis e eram esquecidos e refeitos, vide Poderosa.

Assim é com o Batman em Os Novos 52. O universo de super-heróis da DC Comics surgiu a apenas cinco anos antes do reboot de outubro de 2.011.

Alguém então se lembrou de perguntar como Batman teve quatro Robin em tão pouco tempo: Dick Graysson, Jason Todd, Tim Drake e Damian Wayne, entendendo que a Salteadora já havia sido retirada da lista.

Bobos. Assim como no período 1.987-2.011 basta escrever ou reescrever diálogos ou simplesmente ignorar a história. Ou por acaso você se esqueceu que Salteadora, que foi uma Robin por cinco minutos – e morreu... e voltou – também foi mãe e deu o bebê para a adoção?

Com isso em mente os editores da DC Comics explicaram que Tim Drake nunca foi Robin, tornando-se deste o primeiro momento o Red Robin (Robin Vermelho). E aí a editora reconta a história do arco “A lonely place for dying” explicando que após descobrir a identidade do Batman, Drake tornou-se o Robin Vermelho.

Seus pais não passaram pelo “Ritual de passagem” para ser Robin, eufemismo para dizer que não foram assassinados.

A explicação da DC não convence por que Dick, Jason, um período de luto com uma rápida parceria com Tim Drake, mesmo utilizando uma alcunha diferente, e então o atual Robin em cinco anos continua a ser muito pintassilgo para pouco bat-ano.

* * *

Nisto vejo o caso de Levitz, de novo escritor da Legião: continuou a escrever a série sem tocar nos pontos de conflito e esperar a poeira assentar.

Aprendeu a lição.

Soft porn: Cinquenta tons de cinza

O sucesso de Cinquenta Tons de Cinza não me ofende. 340 mil pessoas compraram a edição brasileira e ninguém as obrigou a isto. Certamente alguém que nunca comprou um livro, adquiriu o volume para encher a imaginação com suas fantasias SM e, creio eu, gozarem sem culpa.

Afinal livro é chique. (Quadrinho é que é sujo.)

A EL James faz agora o quê Harold Robbins e Sidney Sheldon fizeram uma geração atrás. Robbins, que tinha títulos como “O garanhão” chegou a ter volumes traduzidos por Nelson Rodrigues para dar ao leitor o “tom” da obra. Detalhe: o dramaturgo não tinha conhecimento algum da língua de Shakespeare e apenas assinava as traduções.

No fundo voltamos à questão primordial: leitores de “Harry Porter” continuaram a ler livros depois da série? Ou na narrativa contaminada do livros e filtrada pela cine-série apenas viciou os leitores infanto-juvenis?

Noto claramente que todo o contexto de “revolução dos duendes escravos” da série do menino-mago nunca foi um tópico muito distinto de debates, assim como o fato atual que uma garota aceita ser submissa numa relação romântica e sadomasoquista não vai acender a luz vermelha de ninguém, para transferir para o romance a responsabilidade de transformar as mulheres em objetos submissos. Ninguém realmente liga para o livro que rendará quando muito uma experiência sexual com menor culpa.

O melhor de tudo é que depois dos três livros, dos três filmes (sim, eles virão, espere) e passados dez anos ninguém irá se lembrar. Nenhuma mãe daqui dez anos irá entregar à filha a sua cópia do livro, com a mesma tranquilidade que passo para minha filha um Jules Vernes. Se as cópias ainda existirem nesta época, ficarão em algum lugar sujo e empoeirado como “cabe” ao soft porn que lemos na adolescência e temos vergonha de ter lido.

No mais, o desejo aceso irá encontrar uma recepção em muitos maridos, que irão locar produções soft porn para abastecer o manancial de expectativas criadas. Alguns apenas trarão para o quarto do casal as produções habituais que já assistiam, mas tinham vergonha do fato. A indústria do porn irá criar novas produções e assim um produto supostamente cultural irá criar uma geração de consumidores de pornografia.

Não a culpa não é de James, nem das editoras, nem dos leitores, mas todos usam o contexto, o mercado e as necessidades do público para ter lucros.

Grandes lucros.

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post scriptum: Ninguém fala, mas o grande objetivo por trás de toda a indústria de robôs é a pornografia. Robôs com pele, cheiro e aparência humana serão comercializados como bonecos infláveis e terão modelos criados sob encomenda para necessidades bem específicas. A ficção científica se não trata deste assunto de forma mais explícita é por que os editores querem ver livros que seus pais tenham orgulho e leiam.

Sword of Azrael (1992)

Poucos personagens novos surgem com uma mitologia poderosa por trás deles. Azrael – o segundo personagem da DC Comics a usar este nome, o primeiro foi um personagem dos Novos Titãs – foi assim.

Azrael é o anjo vingador, uma espécie de capanga da Ordem de São Dumas, uma ordem secular de cruzados que se descobre falida e traída por um dos seus, que serve agora ao demônio Biis, antagonista de São Dumas.

Azrael morre em um confronto e como o Fantasma de Lee Falk, passa o cargo automaticamente para a próxima geração. Seu filho que passa a ser treinado pelo nada gentil anão Nomoz, que deseja vingança, e por vingança entenda-se sangue e morte.

Dennis O'Neil, Joe Quesada e Kevin Nowlan conseguem uma costura adequada de ação e tensão, mesmo tendo que juntar o homem morcego na aventura. Batman, seguindo os passos do assassinato de Azrael em Gotham City passa ser o fio condutor do processo de treinamento do próximo Azrael, especialmente quando descobre que o adolescente teve um treinamento intra-uterino que o deixou mais rápido e apto para resposta sobre-humanos. Este treinamento (“O sistema”), no entanto, torna o jovem um assassino e o homem-morcego quer romper com isto.

Ao final aceita treinar o garoto.

Esta série e o dois primeiros anos da série regular de Azrael são a nata do personagem, um resquício dos cruzados no mundo moderno. Há bastante aventura, tumbas e segredos milenares que, de certo modo, remetiam a um momento da indústria em que personagens como “Tomb Raider” tinham bastante aceitação do público.

Posteriormente, muito envolvido na cronologia de Batman o personagem perdeu o interesse e os leitores, mas recomendo esta aventura. Especialmente por que trás o Alfred Pennyworth de O'Neil, com suas tiradas rápidas, inteligentes e sarcásticas que tanto fazem falta – outra fonte para este Alfred são as edições The Legends of the Dark Knight escritas pelo autor.






The Defenders Over-Mind!


"From beyond the stars shall
come the Over-Mind and he shall
crush the universe!"

No verão de 1982 a série The Defenders #112-115 (out/82-jan/83) apresentou a primeira aparição do Esquadrão Supremo após A Saga da Coroa da Serpente. Era um conflito semelhante à estrutura dos eventos Liga da Justiça/Sociedade da Justiça da DC Comics, levando duas equipes a lutarem contra um inimigo comum.

Kyle Richmond foi eleito o presidente da Terra-S (nominada na edição #114), mas passou a sofrer influência de uma criatura alienígena chamada Over-Mind (um avatar para a consciência de uma raça chamada Os Eternos, mas não aqueles Eternos). Over-Mind ganha a simpatia do Esquadrão Supremo, mas logo seu controle é questionado quando Richmond instaura um estado de sítio. Over-Mind controla a equipe e Hiperion foge, envenenado por argonita.

Na Terra-616 (a Terra padrão do Universo Marvel) ele consegue o auxílio dos Defensores, que na época contavam com muitos membros clássicos e também Visão, Feiticeira Escarlate e o recém ressurrecto Nighthawk. Ao avisar que Over-Mind, Richmond e o Esquadrão estão construindo uma base lunar para invadir todas as dimensões possíveis de modo a dominar o universo, não resta mais dúvida senão partir para a Terra-S e atacar os vilões.

Com a ajuda de uma mulher composta de energias e poderes mentais chamada Mindy, que supostamente teria salvado Nighthawk da morte edições antes, os Defensores chegam à Base Lunar Um e degladiam com o Esquadrão, numa típica luta de equipe de heróis.

Durante a luta Kyle Richmond, o presidente dos EUA da Terra-S, é assassinado por um descontente com seu reinado de terror e descobrimos que em seu corpo estava NULL, the living darkness, um inimigo recém derrotado dos Defensores.

Na edição seguinte Mindy soma suas energias com Defensores e Esquadrão Supremo e consegue derrotar Null – uma batalha que toma toda a edição – mas descobrimos que Kyle era um constructo e, na verdade, Nighthawk era Kyle! Ou seja: ninguém morreu!

É o seguinte: quando Nighthawk morreu, ele morreu mesmo! Mindy o substituiu com o Kyle da dimensão seguinte, alterando suas memórias. Na Terra-S Over-Mind criou um constructo que foi ocupado pela essência de Null.

Hum... que gosto ruim que fica na boca.

Mas é uma boa história que mostra o segundo caso de domínio mental do Esquadrão Supremo na sua segunda aparição.

Por JM De Matteis & Don Perlin (#112-114) e De Matteis (#115), Don Perlin, Mike Gustovich (#112-114) e Hilary Barta (#115).

Observação: a explicação da substituição dos Kyle's leva apenas quatro páginas da edição #115, que continua a história com um desvio interdimensional dos Defensores antes de retorna à Terra-616.






Sarcófago: Kung Fu Fighting!

Nos anos 1970 o modelo mais legal era Bruce Lee e as produções cinematográficas de arte marciais começaram a aportar nos cinemas americanos, sendo sucessivamente redistribuídas para países como o Brasil.

Os quadrinhos embarcaram na onda depois do sucesso de Operação Dragão (1973) e da série de TV Kung Fu com David Carradine (reprisada atualmente no canal por assinatura TCM).

Mas quais foram os quadrinhos de kung fu mais significativos?

MESTRE DO KUNG FU – Marvel Comics
Certamente o mais expressivo e importante título de arte marciais da indústria, surgiu da mente de Steve Englehart & Jim Starlin, mas seu período “dourado” é com Doug Moench & Paul Gulacy, onde explorou-se muito a influencia da espionagem típica dos longas de James Bond. Influenciados pela série de TV, Englehart & Starlin chegaram a levar o editor Roy Thomas para assistir o programa de modo a coaptá-lo para a ideia. Thomas sugeriu aproveitar o conceito de Fu Manchu, um vilão da literatura inglesa, e Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, tornou-se a “arma viva” que herdaria o reino de terror de Fu Manchu, mas se rebela depois de descobrir a verdade sobre seu pai.

O sucesso de Mestre do Kung Fu abriu o caminho para uma série de outros personagens e também para edições “Giant Size” da Marvel que exploravam artes marciais.

FILHOS DO TIGRE – Marvel Comics
Três lutadores de artes marciais dividiam um amuleto e a série tinha foco em adolescentes, problemas e o dia a dia em uma academia. A série é mais lembrada como primeiro trabalho de George Pérez e por ter sido origem de Hector Ayala – o Tigre Branco – que herdaria o amuleto compartilhado depois de encontrá-la abandonado! Anos depois em uma série do Aranha, Ayala teve sua identidade publicamente revelada e décadas depois morreria em um arco da série Demolidor, já por Bendis. Criados por Gerry Conway, Dick Giordano & George Pérez.

PUNHO DE FERRO – Marvel Comics
Danny Rand, herdeiro de um império econômico teve seus pais mortos em uma expedição e foi criado em uma cidade mística. Treinado nas artes marciais, adquiriu a marca do dragão que permitiria canalizar seu chi em seu punho. Retorna para a América e se torna vigilante – não sem antes cuidar da sucessão dentro da companhia. Surgiu em Marvel Premiere – um título de estreias da Marvel – por Roy Thomas, Gil Kane e Dick Giordano e continuou em série solo que foi produzida por Chris Claremont & John Byrne. É aqui que o mutante Dentes de Sabre surgiu, antes de tornar pai, irmão, marido, mulher... do Wolverine.

No Brasil o personagem teve série própria na Bloch com o título “PUNHOS DE AÇO”

RICHARD DRAGON, KUNG FU FIGHTER – DC Comics
Surgido em um livro de Dennis O'Neil, que supostamente seria o primeiro de uma série como o Executor, Dragon foi adaptado para os quadrinhos pelo próprio autor e com arte de Leopoldo Duranona. Pequeno ladrão teve roubar um monastério mas é convidado a ser estudante, levando o amigo negro Ben Turner – o Tigre de Bronze do Esquadrão Suicida.

A série teve vida curta, mas nos anos 1980, O'Neil o utilizou como coadjuvante na série Questão. Recentemente teve uma nova série.

Você estudaria em uma escola de caratê, onde o mestre fosse o Karate "Kid"?
KARATE KID – DC Comics
O garoto da Legião dos Super-Heróis decide viver um período no presente do Universo DC e tem sua própria série que durou 15 números. Não fez falta! Afinal você faria aulas em uma academia de caratê em que seu mestre é o Karate Kid?

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(*) Parte das informações deste post vieram do artigo “In the Kung Fu Grip” de Tom Stewart publicado em Back Issue #13 (dezembro de 2005).

Justice League, The Satellite Years: 1980


A grande surpresa de 1.980 foi a saída de Arqueiro Verde ( #181-182) que desde um encontro com o Black Lightning se questionava sobre a função da equipe. Ele estava foi preocupado com o criminoso comum, do dia a dia, enquanto a equipe estava concentrada em ameaça cósmicos.

Também foi o ano da entrada do Nuclear (#179) e do arco Crise em Nova Gênese (# 183-185), que infelizmente trouxe a última edição de Dick Dillin (#183), que havia morrido em março de 1.980. Felizmente o desenhista substituto foi o excelente George Pérez, ainda não plenamente envolvido com a Nova Turma Titã. Para nossa tristeza durou pouco.

Mas vamos lá.

Justice League of America #175 (feb/1980) - “But can an android dream?” - Tornando Vermelho de afasta da equipe para adotar a pequena Traya e reassumir a identidade civil de John Smith, reatando o romance com Kathy Sutton. Doctor Destiny foge da prisão e constrói um novo materioptikon e projeta ilusões em uma parada de Halloween.

#176 - “The Dream factories of Doctor Destiny” - A Liga rastreia o Doctor Destiny que inicia um programa de escravização dos seres humanos chamado “Omega Program”, ativando três máquinas que devem ser desativadas ao mesmo tempo. Uma oportunidade para a equipe se dividir em duplas e conseguir interromper a máquina nos segundos finais.

# 177 – 178 - “The Graveyard Gambit” & “ The Chess Master of Mars” - A Liga (Arqueivo Verde & Canário Negro, Lanterna Verde Hal Jordan, Mulher Maravilha, Superman, Batman, Hawkgirl, Zatanna e Tornado Vermelho) enfrentam peças de xadrez com poderes entre seus próprios casos, até que Zatanna descobre que J'Onn J'Onzz, o Caçador de Marte está enfrentando o vilão Despero em um jogo de xadrez e é o vilão que domina as peças que representam a equipe. Por isso J'Onn está permitindo a derrota.
# 179 (jun/1980) - #180 - “The Siren Song of the Satin Satan” & “A beautiful evil” – Numa aventura que parece aproveitada da série cancelada do Nuclear, o herói adolescente é indicado para a equipe pelo Superman e após aprender alguns detalhes sobre o funcionamento da Liga vai investigar o desaparecimento de um colega de escola e se depara com Satin Satan, um demônio que dominou o corpo da top model Sabrina Sultress.

Arqueiro Verde questiona o papel da equipe e se seu lugar é ali e mesmo o teoricamente frio Tornado Vermelho percebe as reflexões do vigilante de Star City.

Capturado, Nuclear convoca a equipe e descobrimos a trama do demônio que possuiu a modelo que transformado homens em um exército para futuramente atacar a Terra!

# 181 - “The Stellar Crimes of The Star-Tsar!” - Quando o Star-Tsar retorna e fere Arqueiro Verde e Canário, a culpa imediatamente recai sobre Snapper Carr, mas a roupa foi roubada e a equipe consegue encontrar o novo criminoso. Arqueiro Verde decide sair da equipe.

# 182 (set/1980) - “Reprise” - Arqueiro Verde grava parte de suas memórias para ajudar a por em ordem seu pensamentos e suas decisões recentes. Narra assim a aventura recente da equipe onde o regenerado Felix Fausto que encontrou o diário de Nostromus, mas é dominado pelo espírito do mago preso no diário para entoar cânticos para ressuscitá-lo. Fausto pede auxílio à Liga que conta com a colaboração de Ollie, que não aceita voltar à equipe.

# 183 – 185 - “Crisis on New Genesis” - Um revivido Darkseid conta com o auxílio da Sociedade da Injustiça (The Shade, The Icicle e The Fiddler) para ressuscitar e escravizar Nova Gêsese. Metron pede o auxílio da Liga & Sociedade da Justiça em seu encontro anual.

Esta arco dá sequência aos eventos de The return of The New Gods & Adventure Comics #460 escritos por Gerry Conway e posteriormente banidos da cronologia quando Jack Kirby retornou para a DC Comics e produziu a 12ª aventura do título New Gods (publicado na 6ª edição de uma série de reprints) caminhando para a graphic novel The Hunger Dogs.

Veja mais encontros Liga da Justiça & Sociedade da Justiça aqui.

Todas por Gerry Conway (texto), Dick Dillin (arte até a edição #183, depois George Pérez) e Frank McGaughlin (finais).








Justice League, The Satellite Years

Quartéis generais de equipes de heróis sempre tiveram um lugar especialmente na imaginação coletiva dos leitores de quadrinhos.

A Liga da Justiça da América ofereceu aos seus fãs dois dos mais conhecidos: o satélite e a Sala da Justiça – esta última presente apenas na versão animada da equipe “Super Amigos” até Brad Meltzer a transformar em realidade nos quadrinhos, já nos anos 2.000. Isso sem desmerecer a importância da Torre de Vigilância, a base da fase 1.997-2.006.

O satélite surge após a sede da equipe ser revelada e possibilitou aos heróis ter uma visão mais holística do mundo, ainda que muitas aventuras continuassem a ter como base os EUA.

Posicionado 22.300 milhas acima da Terra em órbita geo-estacionária o novo quartel faz sua primeira aparição na edição Justice League of America #78 (fevereiro/1970) e segue até a edição #230 (setembro/1984), quando é destruído.

O transporte dos membros era permitido através de tubos de teletransporte – levemente inspirados em Jornada nas Estrelas – que ficavam posicionados em pontos chave ao redor do globo, ainda que também fosse possível o transporte tem o tubo.

O período é bem lembrado pelos leitores como um ponto alto da série em quadrinhos e foi geralmente escrito por Gerry Conway (há vários fill-ins), a Era do Satélite, como passou a ser conhecido este período, é certamente um dos melhores períodos de produção para a equipe, especialmente durante a curta passagem de George Pérez pelo título.

Após a destruição do satélite em Justice League of America Annual #02 (out/1984) o Caçador de Marte retorna à Terra e auxilia na convocação de novos membros que iriam iniciar o quê é conhecido como “Detroit Era” (edições #231-261), um momento muito criticado mesmo pelos fãs mais ardorosos.

Caso você tenha interesse neste dois períodos da Liga da Justiça, aconselho a leitura da revista Back Issue #58 (agosto/2012), que traz uma longa matéria sobre na equipe.

John Constantine HELLBLAZER Origens volume 2: Triângulos infernais

Continuando seu projeto de estabelecer uma cronologia para John Constantine republicando seu material em ordem cronológica, a Panini nos presenteia com esta edição que além de trazer um excelente material de Hellblazer #7-10 e Swamp Thing #76-77, traz uma dezena de páginas da edição especial Vertigo Secret Files & Origins: Hellblazer escrita com habilidade por Michael Bonner.

Enquanto os eventos deste volume ocorriam, Constantine também auxiliava o Monstro do Pântano em encontrar um novo hospedeiro para o Broto – o próximo elemental, criado pelo Parlamento das Árvores enquanto o Monstro estava no espaço. Estes eventos já foram publicados no Brasil em MONSTRO DO PÂNTANO/HELLBLAZER – O CELESTIAL E O PROFANO #1-4.

Limitando-se apenas aos eventos da série HELLBLAZER, descobrirmos que Zed, o atual interesse romântico de John, foi preparada para conter o próximo messias e o demônio Nergal não deseja que o delicado equilíbrio atual entre inferno e céu seja rompido. Para tanto usa seu sangue para que Constantine recupere a forma física – o mago jogou-se de um trem em movimento, depois de perseguido por fantasmas de amigos que foram assassinados por seus atos.

Constantine transa com Zed e, sem saber, a conspurca, tornando-a suja para abrigar o próximo messias – o quê era o plano de Nergal desde o início, pois sabia que o mago inglês não a mataria. Isso destrói a sede da Cruzada da Ressurreição, mas não destrói os inimigos naturais deles, o Exército da Danação, mantido por Nergal. Os Cruzados já haviam sido apresentados no volume anterior prometendo milagres e facilidades.

Monstro do Pântano ocupa à força o corpo de John, para ter um ato físico com Abby Arcane e na fecundação, permitir um corpo para o Broto – o quê daria origens à Tefé Holland, filha do Monstro do Pântano & Abby, com direito ao sangue de Nergal e da família Constantine.

Nergal percebe o quê John fez e se irrita jurando vingança. Não há uma relação direta entre a concepção imaculada pretendida pela Cruzada da Ressurreição e a fecundação do Broto, mas no encadernado da forma como é apresentado, fica-se com a impressão que o demônio temia o nascimento de uma nova força que poderia destruí-lo. Esta, no entanto, seria o fruto de Zed e o Anjo e não o Broto. Passa à história apenas que John o enganou e permitiu a concepção que iria ameaçá-lo.

Na ira Nergal remete à Newcastle, um exorcismo mal sucedido que John e seus pares fizeram em 1.978. Na época o exorcismo deu errado por que John invocou um demônio cujo nome não sabia e portanto não tinha controle. John agora sabe o nome e jura vingança a Nergal!

Com texto Jamie Delano e Rick Veitch (Swamp Thing), arte de John Ridgway, Richard Piers Raynier, Brett Ewins e Jim McCarthy e Veitch, Alfredo Alcala e Tom Mandrake (Swamp Thing) o encadernado facilita a vida dos fãs da série Hellblazer e com isto permite criar uma linha histórica para o personagem.

Excelente aquisição.


Volume
Nome
Edições
1
Pecados originais
Hellblazer # 1-6
2
Triângulos infernais
Hellblazer # 7-10; Swamp Thing # 76-77; Vertigo Secret Files & Origins: Hellblazer