Y o último homem vol 7: Bonecas de Papel
Reunindo as edições
#37-42 da série regular Y: The last man, este
encadernado tem texto de Brian K. Vaughan, criador da série,
e arte de Pia Guerra e Goran Sudzuka (lápis) e José
Marzán Jr. (finais).
Bastante adiantado na
publicação da série, que será conclusa com dez volumes, aqui
temos a chegada de Yorick Brown, o último homem da Terra, à
Austrália e a descoberta que sua eterna “noiva” teve um
sonho e partiu para Paris para encontrá-lo.
Em missão para Yorick,
sua irmã encontra a outra Beth e passa a ter um objetivo para
sua vida, ao confrontar-se com uma ex-namorada grávida do irmão. É
uma questão de responsabilidade/culpa que permeia a série e irá,
lá na frente definir o posicionamento de um personagem.
Além disso, faz parte
do encadernado mais duas edições one shot, uma com o
recrutamento da Agente 3-55 e outra com o paradeiro atual de
Ampersand e como ele veio cair nas mãos de Yorick.
Próxima parada: Japão!
Y é uma grande
história, uma grande epopeia sobre um mundo onde uma praga
misteriosa mata todos os portadores do cromossomo Y, exceto o
jovem americano Yorick Brown e seu macaco capuchino Ampersand.
A história da série
narra sua busca para reencontrar sua noiva Beth, perdida nos Outbacks
australianos, e como com o auxílio da Agente 355 e bioquímica
Allison Mann eles irão encontrar uma maneira de repovoar o
mundo.
Há dois conflitos
principais na série. O primeiro é se sem homens o mundo não
estaria melhor? E havendo uma evolução, logo as mulheres e apenas
elas encontrariam um jeito de procriar, e assim, manter a espécie?
E o segundo conflito é
a culpa do sobrevivente. Yorick, longe de querer ser um
“super-herói”, se arrisca para morrer de modo a evitar não só
a culpa do sobrevivente, mas a responsabilidade de reconstruir a
humanidade.
148 páginas. R$ 17,90.
Volume
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Nome
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Edições
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01
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#01-05
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02
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#06-10
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03
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#11-17
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04
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#18-23
|
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05
|
Anel da verdade
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#24-31
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06
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#32-36
|
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07
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Bonecas de papel
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#37-42
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08
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Dragões de quimono
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#43-48
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09
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Pátria-Mãe
|
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10
|
John Constantine HELLBLAZER Origens volume 1: Pecados originais
A
Panini Comics estreou uma estratégia para narrar em forma
cronológica as aventuras de John Constantine em sua série
JOHN CONSTANTINE, HELLBLAZER no Brasil.
Aqui
o personagem sofreu bastante quando a Abril, detentora dos
direitos de publicação da DC Comics saltou mais de quarto anos de
produção entre o início da fase de Jamie Delano e o início
da fase de Garth Ennis, bastante emblemática para o
personagens.
As
editoras que adquiriram os direitos do personagem se sentiram no
direito de continuarem a publicar fases saltadas do personagem e
somente na Pixel e posteriormente na Panini, as histórias
passaram a serem publicadas em ordem cronológica.
Este
início, chamado PECADOS ORIGINAIS é um dos melhores arcos do
personagem e traz a dupla Jamie Delano e John Ridgway trazendo
os horrores daquela cena inglesa: um pouco de yuppie, um tantinho de
hippies e drogas para abrir a percepção, outro tanto de demônios,
cruzadas evangélicas e envolvimento do mal na política – bem
sutil, mas presente.
Em
Fome (#1-2), John tem que auxiliar um amigo que aprisionou o
espírito (ou demônio?) da fome, com graves consequências. Depois,
durante as eleições inglesas conhecemos os demônios que negociam
almas. Em seguida, Constantine conhece a misteriosa grafiteira Zed,
que lhe auxilia na solução do sequestro de sua sobrinha, Gemma
Masters e terá grande participação no volume seguinte.
Sutilmente Delano toca no assunto das pessoas sem fé verdadeira que
se aliam a grupos evangélicos apenas em busca de conforto
financeiro; algo que não conseguiam em uma economia em recessão.
Para
concluir, no coração da América orações trazem de volta filhos
que partiram para a guerra com resultados terríveis.
Estava
estabelecido o conflito místico que levaria ao volume seguinte e a
sensação honesta de horror moderno e real provocado pela arte
adequada para o quê se propunha a série de Ridgway – que teve
breve passagem na série HELLRAISER.
Vale
cada centavo e funciona em perfeita harmonia com os dois volumes seguintes,
ainda que se praticamente auto concluso.
Orion vol 2 (#6-11)
O arco seguinte da série Orion, que não tem uma chamada externa, compreende as edições Orion #6-11, onde Orion assume o trono de Apokolips e passa a enfrentar ameaças criadas por Desaad para destruí-lo. Nestas edições não há traço de resposta para a questão da paternidade, mas há ação suficiente para você não se importar com isso.
Um
plot adicional mostra um milionário excêntrico assistindo ao
vídeo da luta entre Darkseid
e Orion – gravado e vendido pela Newsboy Legion – e
desejando a cópia original do vídeo. Este milionário aparentemente
mata jovens para manter-se jovem e não se sabe quais são suas reais
intenções.
Outro
plot se passa em Nova Gênese. Os cidadãos estão
sendo influenciados por uma deusa chamada Meteorra, que passa
a ideia que Orion é pior do que Darkseid, e que ele não estaria
destruindo Apokolips, mas sim armando-o. Ao final do arco, ela
captura Magtron.
O
resto mostra Orion no poder, com direito a amigas íntimas como
Mortalla (“a close... PERSONAL... friend of Lord
Darkseid. Your father.”), que passa a acessorá-lo e cede sua caixa
paterna, quando a caixa materna do novo regente deixa de
funcionar, logo após a luta contra seu pai. Sem uma definição
clara de a quem serve, Mortalla também está em coluio com Desaad,
Vovó Bondade, Mantis e Kanto para destronar
Orion.
Desaad
ora envia Kalibak armado com um cinto dos deuses ancestrais,
ora manipula Mantis para armar brocas infernais em Nova Gênese,
obrigando Orion a ir atrás dele como uma resposta ao ataque ao mundo
vizinho. Este tipo de ataque também é utilizado por Meteorra como
argumento do projeto belicioso em Apokolips.
A
grande surpresa é que Desaad mantém um laboratório de clones de
Billion-Dolar Bates (um personagem da série original de Jack
Kirby), tencionando conseguir a Equação Anti-Vida, o quê
em vida Bates havia conseguido. A certa altura, depois de destruir
vários clones, e perseguindo Desaad na Terra na cidade de Main Line,
Nebraska (palco de eventos no primeiro volume), a Equação é
utilizada para atacar Orion, que sofrendo mata Desaad e ganha a
simpatia de Bates. O clone decide lhe ceder a famosa equação,
objetivo da vida de seu pai.
Com
um bom plot, bom desenvolvimento, excelente artes e até mesmo
boas backups stories, este segundo volume de Orion consegue
ser até superior ao primeiro, por mostrar que Walt Simonson tinha um
plano armado para a série. Fica bem claro a decisão implícita de
não mostrar Orion governando e centrar na aventura, levando o
personagem a um esgotamento físico e mental, especialmente
lembrando-se que a astro força está falhando e ele está tendo
terríveis dores de cabeça.
Um
excelente momento de Walt Simonson. Um excepcional momento para os
Novos Deuses e todas as criações de Kirby.
João das Fábulas: João de Copas/João Geada
A
segunda metade da minissérie em quatro números da Panini Comics
trouxe as edições #06-11 da série Jack of Fables,
que situa o personagem João Hornes ainda em fuga.
No
arco em duas partes João Geada (edições #6 e 11
da série original) o trapaceiro narra como se envolveu com Lumi,
a Rainha da Neve e como conseguiu temporariamente seus poderes de
inverno. Por Matthew Sturges & Bill Willingham com arte de
Steve Leialoha (os beeeeeem mais antigos irão se lembrar que
Leialoha, hoje finalista da série principal, Fables, já foi
artista da primeiríssima série New Mutants da Marvel
Comics, mais ou menos nos idos da Guerra Secreta II).
Já
o segundo arco João de Copas (edições #7-10 da série
original) mostra uma aventura de João e Gary (a Falácia
Patética) em Vegas – e lembre-se o que acontece em Vegas, fica
em Vegas. Lá inadvertidamente o trapaceiro torna-se herdeiro de uma
fortuna em cassinos após casar-se com Holly Wagner e no
número seguinte enviuvar, mas tem que enfrentar a Dama da Sorte
– uma sutil versão da Rainha de Copas. Com arte de Tony
Akins.
[Crítica]
Olhando
agora vejo que a Panini acertou em publicar os 11 primeiros números
juntos (talvez o encadernado original tenha este formato), por que a
série não empolga realmente e comprar este primeiro ano em pílulas
e a um preço menor, torna-se atrativo aos leitores de Fábulas.
Ainda que este ou aquele personagem e esta ou aquela linha de
narrativa seja um pouco menos rústico, tudo é muito baseado no fato
de que João fosse um personagem com o qual você leitor se
importa-se muito para seguir seus passos.
Não
é apenas o caso de uma história mal contada, mas que a série é um
apêndice de Fábulas e apêndices devem ser extirpados. Porém
diante de um mercado que produz tantas histórias ruins, pode ser que
o leitor utilize o critério da política e assim como vota no menos
ruim, possa escolher uma série menos ruim para gastar seu rico
dinheirinho.
(Ou
poderia esperar, juntar e comprar um encadernado de Fábulas o quê
seria um bom emprego para o dinheiro.)
Volume
|
Nome Arco/Encadernado
|
Edições
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João das Fábulas #1-2
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# 1-5
|
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João das Fábulas #3
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João Geada
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# 6; #11
|
João das Fábulas #3-4
|
João de Copas
|
#7-10
|
Batman Especial O cavaleiro das trevas: Aurora dourada
Com
esperanças de novamente ter vínculo com alguém que remeta ao seu
passado – e a seus pais – Batman decide resgatar a
socialite Dawn Golden, aparentemente sequestrada pelo
Pinguim. Enquanto Gordon enfrenta uma disputa pelo seu
cargo, o cavaleiro das trevas resgata a moça mas se depara com uma
batalha mística envolvendo o falecido pai de Dawn, o místico
Retalho, Etrigan, o demônio e Blaze.
Escrito
(?) e desenhado por David Finch, com finais de Scott
Williams & vários o arco AURORA DOURADA, publicado
originalmente em BATMAN, THE DARK KNIGHT #1-5 é uma das
coisas mais tristes que já vi com o homem morcego, mais pela forma
com que poderia render algo do que pela fraqueza do plot que é
um arremedo de diversas tramas do herói, em especial SILÊNCIO
onde também um sequestro inicia o resgate de um amigo do passado que
remete aos seus pais...
Realmente
é repetitivo, chato e pode ser a única coisa boa de um reboot:
esquecer parcialmente esta arco.
Orion vol 1: The gates of Apokolips
Construir
histórias poderosas é um risco para qualquer autor, afinal depois
delas muitos diram que o melhor dele foi no passado. Alan Moore
diversas vezes tenta fugir disto e nominalmente diz que o melhor de
sua produção não está no passado – talvez sim, talvez não... -
mas outros autores como Frank Miller parecem viver da memória
de boas passagens, que hoje sabendo da interferência do editor, eu
não mais atribuo somente a ele.
Walter
Simonson é um autor que ficou marcado pela passagem pela revista
The Mighty Thor nos anos 1.980 e apesar de bons momentos em
outras séries (X-Factor. Wolverine & Destrutor: Fusão,
Superman Special, Superman A última deusa de Krypton,
Michael Moorcock's Multiverse, Elric The Making of a
sorcerer, World of Warcraft) não se pode dizer que sua
produção nos anos 1.990/2.000 seja marcante e memorável. Ele não
vive à sombra de Thor, mas nunca mais trabalhou com os medalhões
das grandes empresas de quadrinhos, vivendo em um regime de
semi-aposentadoria.
Orion
foi uma oportunidade para retornar ao estrelato mas não gerou
interesse o suficiente do público para ampliar as vendas e teve vida
breve, durando apenas 25 edições. Cronologicamente é posicionada
após a série Jack Kirby's The Fourth World escrita e
desenhada por John Byrne, que estendeu as tramas para o evento
Genesis, sem muito sucesso. Byrne deixou uma trama em aberto a
pedido de Simonson, onde questionava a paternidade de Orion. Tigra,
mãe do personagem, espalhou a notícia de que Orion não seria filho
de Darkseid, mas de um amante anterior.
Simonson
decidiu concluir esta trama e narra uma nova tentativa de Darkseid
que se apossar da Equação Anti-Vida, atacando novamente a
Terra, o quê leva a Newsboy Legion e Jimmy Olsen a
participarem da história e assistirem a um confronto –
supostamente final – entre pai e filho em Apokolips.
Apesar
deste plot simplório a trama é apenas o início de toda a saga e
prende a atenção do leitor com os traços dinâmicos de Simonson,
que a partir da segunda edição passa a narrar tramas no presente
paralelas à trama central ou no passado assinadas por gente como
Frank Miller, Dave Gibbons, Jon Bogdanove e Klaus
Janson.
O
TP é sinônimo de aventura e de qualidade, mas não funciona
sozinho: é necessário ler toda a série, ou grande parte para
entender que Simonson tinha muito planejado.
Publicado
nos EUA em 1999/2000, exatamente em um momento de passagem da editora
aqui no Brasil, a obra permanece inédita. Por isso não perca a
oportunidade de adquirir os exemplares sempre que for possível.
Battlestar Galactiva Marvel Series: Arte
Aqui uma arte de Battlestar Galactica, a série da Marvel Comics, produzida por Walt Simonson.
Note que na segunda metade da década de 1970 a moda era adaptar séries de TV (O homem de seis milhões de dólares, Planeta dos Macacos), franquias cinematográficas (Star Wars, Star Trek, Indiana Jones) ou séries de brinquedos (GI Joe's, Transformers, Micronautas, ROM).
Note que na segunda metade da década de 1970 a moda era adaptar séries de TV (O homem de seis milhões de dólares, Planeta dos Macacos), franquias cinematográficas (Star Wars, Star Trek, Indiana Jones) ou séries de brinquedos (GI Joe's, Transformers, Micronautas, ROM).
Hercules Unbound: Arte
A arte a lápis e a arte finalizada de Walt Simonson na série Hercules Unbound, já publicada no Brasil, ainda pela EBAL.
Bons tempos. (Ou não, já que a série foi vítima da DC Implosion.)
Bons tempos. (Ou não, já que a série foi vítima da DC Implosion.)
Alien: Space Jockey
Aqui o Space Jockey de Alien, agora muito famoso, em uma versão quadrinizada pela Heavy Metal e desenhada por Walt Simonson.
O Quarto Mundo de Jack Kirby
No início dos anos
2.000 a Brainstore Editora brevemente teve os direitos de
várias séries da DC Comics que estavam espalhadas por várias
editoras-tradutoras e publicou nove edições da série DC
Millenium, um mix que reuniu Impulso, Novos Deuses
e graphic novels ligadas ou não ao selo ElseWorlds.
A série foi
interrompida antes de ampliar sua linha – prometia Legião dos
Super-Heróis e O poder de SHAZAM! para a edição
seguinte.
Um dos destaques foi a
publicação de New Gods #12-15 e Jack Kirby's Fourth World
#01-10 e 20 produzidos por John Byrne.
A sintese da trama
apresentada é que Apokolips e Nova Gênese,
os planetas antagonistas, foram fundidos e os Novos Deuses não
se recordam dos motivos, voltando a se associar com os humanos que
estiveram presentes na primeira série New Gods (1971)
desenvolvida por Jack Kirby. Basicamente um “retorno ao
básico” antes de apresentar o novo problema para os personagens.
Por sinal, Byrne
concentra-se em Orion, Magtron, o Povo do Amanhã
– pouco trabalhado no Brasil, especialmente quando se fala em O
Quarto Mundo -, Pai Celestial, Darkseid e seus novos
deuses do mal. Jimmy Olsen aparece apenas na edição 20
– publicada antes, mas se passando em um período cronológico
distinto, por sinal a última edição da série – e Sr. Milagre e
Grande Barda não passam de meros coadjuvantes.
Com os bons resultados
a DC Comics decidiu cancelar a série New Gods e relançar o título
como Jack Kirby's Fourth World, que iniciou o desenvolvimento
de um plot que levaria à Genesis, um dos mega eventos
boçais da editora, publicado em outubro de 1.997 (Jack Kirby
Fourth World #10 é parte do cross-over) e relativamente
inédito no Brasil, já que a minissérie não foi publicada por aqui
e apenas um ou outro cross-over.
Muita gente comenta que
Genesis é tão ruim que não vale o nanquim gasto na série.
Entre idas e vindas
descobrimos que uma energia que permitiu a criação dos deuses e é
comum a todos os planetas estaria retornando à Fonte e uma série de
deuses e semi-deuses desejam a energia para si. Uma das tramas
intermediárias é exatamente o resgate de Thor por Tigra,
para utilizá-lo em sua vingança contra Darkseid. Isto leva a
resgatar Odin fundido à Muralha. Apesar que criar um Thor
visualmente bem distinto do personagem da Marvel, Byrne faz um Odin
muito semelhante ao personagem da editora rival.
Há uma certa ironia
aí. Quando Kirby criou o Quarto Mundo que surgiu após a destruição
de um mundo anterior, muita gente entendeu que Nova Gênese e
Apokolips haviam surgido das cinzas de Asgard, terra dos
deuses nórdicos e palco da série The Mighty Thor da Marvel
Comics. Ao apresentar tramas em que mostram os asgardianos presos
à Muralha e também sendo atacados por Darkseid para reaver
restígios de energia da Fonte, Byrne sutilmente confirma que uma
série é o resultado de uma possível continuidade da outra: quando
Asgard cair definitivamente irá surgiu uma nova geração de deuses,
bons e maus.
Na citada edição #10,
Pai Celestial se une a alguns deuses e atravessa a Muralha – que
está se fragmentando – mas é assassinado à traição por Ares,
que desejava o poder para si. Sim, este Ares é o mesmo personagem
comum da série da Mulher Maravilha, na qual Byrne também
trabalhou e explorou personagens de Kirby, como O Demônio e
Darkseid – que atacou a Ilha e assassinou milhares de amazonas, uma
forma de mostrar os ataques do deus do mal a outros panteões
buscando a energia da Fonte.
O resultado de Genesis
é que os planetas fundidos se separam e Darkseid, em sua busca de
poder novamente é fundido à Muralha, o quê é claro não duraria
muito.
[Mudanças]
→ conhecemos
Christine Pequena, filha de Oberon;
→ Tigra, mãe de
Orion e segunda esposa de Darkseid, afirma que Orion não é filho do
regente de Apokolips. A pedido de Walt Simonson, Byrne deixou
a pergunta sem resposta quando encerrou a série, e a trama continuou
no título Orion.
→ Em histórias de
suporte conhecemos a “origem” de Darkseid, uma banalidade
que explora conceitos bons, mas afirma que os deuses de Apokolips e
Nova Gênese tem uma identidade anterior e só depois ascendem à
natureza definitiva de deuses.
→ Um relutante Scott
Free (o Senhor Milagre), herda Nova Gênese em função da morte
de Pai Celestial;
→ Takion,
jovem cego terrestre que passou a ter acesso direto à Fonte, graças
à interferência de Pai Celestial é apresentado aos leitores
brasileiros. Entra mudo e sai calado, sem demonstrar nenhuma
utilidade real.
[Defeitos]
Apesar de profundamente
baseado no excelente trabalho de Jack Kirby em New Gods (1971)
e desconsiderando o material de Mark Evanier ou Steve
Englehart, a série apenas evidencia a fraqueza de John Byrne na
produção de diálogos, geralmente redundantes ou descritivos
demais. Algo bem anos 1960/70, época da produção da primeira
série. Nota-se claramente que não é uma homenagem, mas um estilo
de narrativa que já não tinha espaço no mercado em 1.997/98, época
da série.
A trama em si não tem
um desenvolvimento claro e o leitor só fica com a sensação que
cada edição é produzida com “um mistério” seguido de mais uma
dezena e meia de páginas de batalha.
Fãs do autor iram se
deliciar com a arte – muito adequada – mas a leitura do material
pode desestimular a acompanhar o desdobramento mais interessante, que
é a série Orion de Walt Simonson.
A trilogia do Sprawl, II: Count Zero
Longe da inovação do
primeiro romance – Neuromancer – Count Zero
(William Gibson, Aleph Editora, ISBN 978-85-7657-050-9,
tradução de Carlos Angelo, 1ª edição maio de 2.008, 1ª
reimpressão novembro de 2.009), a segunda parte da Trilogia do
Sprawl lançado originalmente nos EUA em 1986, peca
excessivamente em ser o "romance do meio", aquele que
depois da apresentação dos personagens no volume anterior, tem que
criar uma situação para um final "bombástico". Por isso
parecer ser um romance de condução: apresenta mais personagens,
resolve uma trama local, mas os conduz para algo maior, à frente.
A história é contada sob a
ótica de três personagens. Turner é um mercenário
responsável por "resgatar" um cientista de uma empresa e o
entregar para outra, mostrando que neste futuro as relações
trabalhistas são sempiternas. Marly Krushkhova é uma agente
de arte com um passado sujo que é contratada por um zilionário para
encontrar um objeto misterioso, quase místico, e Bobby Newmark
– o Count Zero do título – é um cowboy inexperiente que
teve uma experiência de quase morte quando entrou na matrix.
Colando toda esta trama há a aparição de pedaços do código da
matrix que assumem o comportamento de deuses vodu.
Por trás disso tudo: uma
novíssima tecnologia de biochip que interessa às duas corporações
rivais que permeiam a trilogia.
Apesar de toda a trama fazer
sentido ao final, durante a jornada as partes são por demais
desconexas e bastante cinematográficas, como o resgate do cientista
e a viagem para a Sprawl, uma decisão do mercenário que só ganha
sentido quando sabemos tudo que está acontecendo. Toda a trama da
agente de arte também tem um quê de efêmero, deslocado, quase
infantil, afinal uma trama de um zilionário que consede crédito
ilimitado para que se consiga uma "caixa" tem algo que
remete ao desejo infantil de sucesso e de estar com as pessoas
certas.
Review: A dança dos dragões
Com a decisão do autor
em dividir O festim dos corvos e A dança dos dragões com tramas que
se concentram em Porto Real no primeiro e tramas que se concentram
além de Westeros no segundo, fica-se com a sensação de que
teríamos que esperar muito para a solução de tramas com Cersei e
Arya Stark.Não temos. A partir da página 600 – a 1ª edição tem 801 páginas, sem os apêndices – começam a surgir alguns capítulos para estes personagens, indicando que as tramas se aproximaram.
Há uma certa decepção
nas tramas envolvendo estas duas personagens: o autor cancela
sutilmente os eventos do fim de “O festim dos corvos” apenas
dando corda e voltando habilidosamente à última instância.
Pareceu-me repentino.
Mas o quê acontece em
A dança dos dragões?
Na Muralha, Jon Snow
passa a fazer associações com os selvagens de modo a protegê-los
dos mortos que caminham. Isso torna-o extremamente impopular entre
seus irmãos, especialmente em tempos de dificuldades e com um
rigoroso inverno à porta. Muitos comentam que o jovem não tem
experiência suficiente para comandar a Patrulha e, ao permitir que
Stannis Baratheon ocupe castelos, Jon é visto como traidor do Trono
de Ferro.
Em Meereen, Daenerys
não consegue controlar nem seus dragões, nem seu reino conquistado.
Os primeiros ela prende, mas para o segundo terá que casar-se de
modo a fazer um governo de coalização. E sempre ficará a dúvida
se deveria abrir mão destes reinos e partir para sua terra natal,
onde supostamente a população estaria disposta a lutar por ela.
Davos Seaworth e Bran
Stark tem poucos capítulos, deixando o restante do livro para Tyrion
e Fedor. Davos e aprisionado por simpáticos ao Trono de Ferro e
talvez não sobreviva para ver seu rei, Stannis na cadeira de rei de
Westeros. Já Bran, rompido a Muralha passa a iniciar uma jornada
espiritual finalmente encontrando o Corvo de 3 Olhos.
O anão Lannister vai
para Pentos e inicia uma longa jornada para se unir à mãe dos
dragões, jornada que será interrompida e depois reiniciada, fazendo
com que Jorah Mormont, torne-se coadjuvante de suas tramas.
Mas será nas tramas de
Tyrion que iremos ter contato com a revelação de que Daenerys não
é a única Targaryen viva e que este outro Targaryen deseja
conquistar Westeros para impressionar a tia e casar-se com ela –
sim, como os leitores sabem os casamentos consaguíneos sempre foram
comuns na realeza e especialmente entre os Targaryen. Acordo antigos
também são revelados e tramas sórdidas contra Daenerys são postas
em andamento.
Já Fedor é um
prisioneiro do Forte do Pavor que irá narrar eventos em Winterfell e
o confronto entre Stannis e o atual auto proclamado senhor do norte.
É uma trama profundamente baseada na humilhação, na expectitativa
e na expiação por pecados pregressos.
A grande diferença é
que as tramas realmente param em um momento de tensão dramática. As
tramas de Jon e Daenerys realmente param em momentos chaves para seus
personagens e a partir de agora a espera será dramática, afinal o
próximo livro “The winds of winter” ainda não tem prazo
para ser concluso.
Como as Crônicas de
Gelo & Fogo tem uma trama delineada para (atuais) sete volumes,
não faz sentido para neófitos. Quem quiser ouvir esta canção que
que iniciar do primeiro volume.
As crônicas de gelo & fogo
|
Vol
|
Título
|
01
|
|
02
|
|
03
|
|
04
|
|
05
|
A dança dos dragões
|
06
|
|
07
|
Também de George R R
Martin, autor d'As crônicas de gelo & fogo: A morte da luz
(aqui).
George R R Martin: Semelhanças
É evidente que todo fã
de primeiro momento de George R R Martin quer encontrar
semelhanças entre seu romance de ficção científica – A morteda luz - e sua As crônicas de gelo & fogo.
É uma tentação boba,
quase infantil dos leitores, já que As crônicas se passa em um
mundo medieval e A morte da luz, em um mundo decadente mas com uma
longa história registrada e acesso à tecnologia característica dos
romances de ficção científica.
Não resistindo à
tentação às vezes a palavra Valíria soa semelhante quando se
lembra o contexto: na Valíria das Crônicas iniciou a civilização
e alto-valiriano é uma língua e uma civilização antiga em A morte
da luz.
Tudo, assumo,
coincidências. Coincidências infantis.
Mas em A dança dos
dragões, 1ª edição, pg 327, é narrado que Ramsay
Bolton, anteriormente Ramsay Snow, solta mulheres nuas na
floresta, dá um dia de vantagem e sai a persegui-las com armas,
companheiros e cães famintos.
Apesar de ser um
esporte bárbaro que poderia caber em qualquer narrativa de ação ou
fantasia, quando se observa a obra de Martin nota-se a coincidência,
já que em A morte da luz há um clã que usa como passatempo um
“esporte” semelhante.
Tudo certamente não
passa de uma coincidência, do uso da mesma situação (um esporte
sangrento) apenas para que o autor não tenha que criar e descrever
uma nova. Em Crônicas ele apenas é mencionado e descrito
rapidamente, em A morte da luz há uma passagem inteira com uma longa
perseguição.
Mas não deixa de uma
semelhança.


















