Y o último homem vol 7: Bonecas de Papel

Reunindo as edições #37-42 da série regular Y: The last man, este encadernado tem texto de Brian K. Vaughan, criador da série, e arte de Pia Guerra e Goran Sudzuka (lápis) e José Marzán Jr. (finais).

Bastante adiantado na publicação da série, que será conclusa com dez volumes, aqui temos a chegada de Yorick Brown, o último homem da Terra, à Austrália e a descoberta que sua eterna “noiva” teve um sonho e partiu para Paris para encontrá-lo.

Em missão para Yorick, sua irmã encontra a outra Beth e passa a ter um objetivo para sua vida, ao confrontar-se com uma ex-namorada grávida do irmão. É uma questão de responsabilidade/culpa que permeia a série e irá, lá na frente definir o posicionamento de um personagem.

Além disso, faz parte do encadernado mais duas edições one shot, uma com o recrutamento da Agente 3-55 e outra com o paradeiro atual de Ampersand e como ele veio cair nas mãos de Yorick.

Próxima parada: Japão!

Y é uma grande história, uma grande epopeia sobre um mundo onde uma praga misteriosa mata todos os portadores do cromossomo Y, exceto o jovem americano Yorick Brown e seu macaco capuchino Ampersand.

A história da série narra sua busca para reencontrar sua noiva Beth, perdida nos Outbacks australianos, e como com o auxílio da Agente 355 e bioquímica Allison Mann eles irão encontrar uma maneira de repovoar o mundo.

Há dois conflitos principais na série. O primeiro é se sem homens o mundo não estaria melhor? E havendo uma evolução, logo as mulheres e apenas elas encontrariam um jeito de procriar, e assim, manter a espécie?

E o segundo conflito é a culpa do sobrevivente. Yorick, longe de querer ser um “super-herói”, se arrisca para morrer de modo a evitar não só a culpa do sobrevivente, mas a responsabilidade de reconstruir a humanidade.

148 páginas. R$ 17,90.

Volume
Nome
Edições
01
#01-05
02
#06-10
03
#11-17
04
#18-23
05
Anel da verdade
#24-31
06
#32-36
07
Bonecas de papel
#37-42
08
Dragões de quimono
#43-48
09
Pátria-Mãe

10



John Constantine HELLBLAZER Origens volume 1: Pecados originais

A Panini Comics estreou uma estratégia para narrar em forma cronológica as aventuras de John Constantine em sua série JOHN CONSTANTINE, HELLBLAZER no Brasil.

Aqui o personagem sofreu bastante quando a Abril, detentora dos direitos de publicação da DC Comics saltou mais de quarto anos de produção entre o início da fase de Jamie Delano e o início da fase de Garth Ennis, bastante emblemática para o personagens.

As editoras que adquiriram os direitos do personagem se sentiram no direito de continuarem a publicar fases saltadas do personagem e somente na Pixel e posteriormente na Panini, as histórias passaram a serem publicadas em ordem cronológica.

Este início, chamado PECADOS ORIGINAIS é um dos melhores arcos do personagem e traz a dupla Jamie Delano e John Ridgway trazendo os horrores daquela cena inglesa: um pouco de yuppie, um tantinho de hippies e drogas para abrir a percepção, outro tanto de demônios, cruzadas evangélicas e envolvimento do mal na política – bem sutil, mas presente.

Em Fome (#1-2), John tem que auxiliar um amigo que aprisionou o espírito (ou demônio?) da fome, com graves consequências. Depois, durante as eleições inglesas conhecemos os demônios que negociam almas. Em seguida, Constantine conhece a misteriosa grafiteira Zed, que lhe auxilia na solução do sequestro de sua sobrinha, Gemma Masters e terá grande participação no volume seguinte. Sutilmente Delano toca no assunto das pessoas sem fé verdadeira que se aliam a grupos evangélicos apenas em busca de conforto financeiro; algo que não conseguiam em uma economia em recessão.

Para concluir, no coração da América orações trazem de volta filhos que partiram para a guerra com resultados terríveis.

Estava estabelecido o conflito místico que levaria ao volume seguinte e a sensação honesta de horror moderno e real provocado pela arte adequada para o quê se propunha a série de Ridgway – que teve breve passagem na série HELLRAISER.

Vale cada centavo e funciona em perfeita harmonia com os dois volumes seguintes, ainda que se praticamente auto concluso.

Orion vol 2 (#6-11)


O arco seguinte da série Orion, que não tem uma chamada externa, compreende as edições Orion #6-11, onde Orion assume o trono de Apokolips e passa a enfrentar ameaças criadas por Desaad para destruí-lo. Nestas edições não há traço de resposta para a questão da paternidade, mas há ação suficiente para você não se importar com isso.

Um plot adicional mostra um milionário excêntrico assistindo ao vídeo da luta entre Darkseid e Orion – gravado e vendido pela Newsboy Legion – e desejando a cópia original do vídeo. Este milionário aparentemente mata jovens para manter-se jovem e não se sabe quais são suas reais intenções.

Outro plot se passa em Nova Gênese. Os cidadãos estão sendo influenciados por uma deusa chamada Meteorra, que passa a ideia que Orion é pior do que Darkseid, e que ele não estaria destruindo Apokolips, mas sim armando-o. Ao final do arco, ela captura Magtron.

O resto mostra Orion no poder, com direito a amigas íntimas como Mortalla (“a close... PERSONAL... friend of Lord Darkseid. Your father.”), que passa a acessorá-lo e cede sua caixa paterna, quando a caixa materna do novo regente deixa de funcionar, logo após a luta contra seu pai. Sem uma definição clara de a quem serve, Mortalla também está em coluio com Desaad, Vovó Bondade, Mantis e Kanto para destronar Orion.

Desaad ora envia Kalibak armado com um cinto dos deuses ancestrais, ora manipula Mantis para armar brocas infernais em Nova Gênese, obrigando Orion a ir atrás dele como uma resposta ao ataque ao mundo vizinho. Este tipo de ataque também é utilizado por Meteorra como argumento do projeto belicioso em Apokolips.

A grande surpresa é que Desaad mantém um laboratório de clones de Billion-Dolar Bates (um personagem da série original de Jack Kirby), tencionando conseguir a Equação Anti-Vida, o quê em vida Bates havia conseguido. A certa altura, depois de destruir vários clones, e perseguindo Desaad na Terra na cidade de Main Line, Nebraska (palco de eventos no primeiro volume), a Equação é utilizada para atacar Orion, que sofrendo mata Desaad e ganha a simpatia de Bates. O clone decide lhe ceder a famosa equação, objetivo da vida de seu pai.

Com um bom plot, bom desenvolvimento, excelente artes e até mesmo boas backups stories, este segundo volume de Orion consegue ser até superior ao primeiro, por mostrar que Walt Simonson tinha um plano armado para a série. Fica bem claro a decisão implícita de não mostrar Orion governando e centrar na aventura, levando o personagem a um esgotamento físico e mental, especialmente lembrando-se que a astro força está falhando e ele está tendo terríveis dores de cabeça.

Um excelente momento de Walt Simonson. Um excepcional momento para os Novos Deuses e todas as criações de Kirby.

João das Fábulas: João de Copas/João Geada

A segunda metade da minissérie em quatro números da Panini Comics trouxe as edições #06-11 da série Jack of Fables, que situa o personagem João Hornes ainda em fuga.

No arco em duas partes João Geada (edições #6 e 11 da série original) o trapaceiro narra como se envolveu com Lumi, a Rainha da Neve e como conseguiu temporariamente seus poderes de inverno. Por Matthew Sturges & Bill Willingham com arte de Steve Leialoha (os beeeeeem mais antigos irão se lembrar que Leialoha, hoje finalista da série principal, Fables, já foi artista da primeiríssima série New Mutants da Marvel Comics, mais ou menos nos idos da Guerra Secreta II).

Já o segundo arco João de Copas (edições #7-10 da série original) mostra uma aventura de João e Gary (a Falácia Patética) em Vegas – e lembre-se o que acontece em Vegas, fica em Vegas. Lá inadvertidamente o trapaceiro torna-se herdeiro de uma fortuna em cassinos após casar-se com Holly Wagner e no número seguinte enviuvar, mas tem que enfrentar a Dama da Sorte – uma sutil versão da Rainha de Copas. Com arte de Tony Akins.

[Crítica]
Olhando agora vejo que a Panini acertou em publicar os 11 primeiros números juntos (talvez o encadernado original tenha este formato), por que a série não empolga realmente e comprar este primeiro ano em pílulas e a um preço menor, torna-se atrativo aos leitores de Fábulas. Ainda que este ou aquele personagem e esta ou aquela linha de narrativa seja um pouco menos rústico, tudo é muito baseado no fato de que João fosse um personagem com o qual você leitor se importa-se muito para seguir seus passos.

Não é apenas o caso de uma história mal contada, mas que a série é um apêndice de Fábulas e apêndices devem ser extirpados. Porém diante de um mercado que produz tantas histórias ruins, pode ser que o leitor utilize o critério da política e assim como vota no menos ruim, possa escolher uma série menos ruim para gastar seu rico dinheirinho.

(Ou poderia esperar, juntar e comprar um encadernado de Fábulas o quê seria um bom emprego para o dinheiro.)


Volume
Nome Arco/Encadernado
Edições
João das Fábulas #1-2
# 1-5
João das Fábulas #3
João Geada
# 6; #11
João das Fábulas #3-4
João de Copas
#7-10

Batman Especial O cavaleiro das trevas: Aurora dourada

Com esperanças de novamente ter vínculo com alguém que remeta ao seu passado – e a seus pais – Batman decide resgatar a socialite Dawn Golden, aparentemente sequestrada pelo Pinguim. Enquanto Gordon enfrenta uma disputa pelo seu cargo, o cavaleiro das trevas resgata a moça mas se depara com uma batalha mística envolvendo o falecido pai de Dawn, o místico Retalho, Etrigan, o demônio e Blaze.

Escrito (?) e desenhado por David Finch, com finais de Scott Williams & vários o arco AURORA DOURADA, publicado originalmente em BATMAN, THE DARK KNIGHT #1-5 é uma das coisas mais tristes que já vi com o homem morcego, mais pela forma com que poderia render algo do que pela fraqueza do plot que é um arremedo de diversas tramas do herói, em especial SILÊNCIO onde também um sequestro inicia o resgate de um amigo do passado que remete aos seus pais...

Realmente é repetitivo, chato e pode ser a única coisa boa de um reboot: esquecer parcialmente esta arco.

Orion vol 1: The gates of Apokolips

Construir histórias poderosas é um risco para qualquer autor, afinal depois delas muitos diram que o melhor dele foi no passado. Alan Moore diversas vezes tenta fugir disto e nominalmente diz que o melhor de sua produção não está no passado – talvez sim, talvez não... - mas outros autores como Frank Miller parecem viver da memória de boas passagens, que hoje sabendo da interferência do editor, eu não mais atribuo somente a ele.

Walter Simonson é um autor que ficou marcado pela passagem pela revista The Mighty Thor nos anos 1.980 e apesar de bons momentos em outras séries (X-Factor. Wolverine & Destrutor: Fusão, Superman Special, Superman A última deusa de Krypton, Michael Moorcock's Multiverse, Elric The Making of a sorcerer, World of Warcraft) não se pode dizer que sua produção nos anos 1.990/2.000 seja marcante e memorável. Ele não vive à sombra de Thor, mas nunca mais trabalhou com os medalhões das grandes empresas de quadrinhos, vivendo em um regime de semi-aposentadoria.

Orion foi uma oportunidade para retornar ao estrelato mas não gerou interesse o suficiente do público para ampliar as vendas e teve vida breve, durando apenas 25 edições. Cronologicamente é posicionada após a série Jack Kirby's The Fourth World escrita e desenhada por John Byrne, que estendeu as tramas para o evento Genesis, sem muito sucesso. Byrne deixou uma trama em aberto a pedido de Simonson, onde questionava a paternidade de Orion. Tigra, mãe do personagem, espalhou a notícia de que Orion não seria filho de Darkseid, mas de um amante anterior.

Simonson decidiu concluir esta trama e narra uma nova tentativa de Darkseid que se apossar da Equação Anti-Vida, atacando novamente a Terra, o quê leva a Newsboy Legion e Jimmy Olsen a participarem da história e assistirem a um confronto – supostamente final – entre pai e filho em Apokolips.

Apesar deste plot simplório a trama é apenas o início de toda a saga e prende a atenção do leitor com os traços dinâmicos de Simonson, que a partir da segunda edição passa a narrar tramas no presente paralelas à trama central ou no passado assinadas por gente como Frank Miller, Dave Gibbons, Jon Bogdanove e Klaus Janson.

O TP é sinônimo de aventura e de qualidade, mas não funciona sozinho: é necessário ler toda a série, ou grande parte para entender que Simonson tinha muito planejado.

Publicado nos EUA em 1999/2000, exatamente em um momento de passagem da editora aqui no Brasil, a obra permanece inédita. Por isso não perca a oportunidade de adquirir os exemplares sempre que for possível.

Battlestar Galactiva Marvel Series: Arte

Aqui uma arte de Battlestar Galactica, a série da Marvel Comics, produzida por Walt Simonson.

Note que na segunda metade da década de 1970 a moda era adaptar séries de TV (O homem de seis milhões de dólares, Planeta dos Macacos), franquias cinematográficas (Star Wars, Star Trek, Indiana Jones) ou séries de brinquedos (GI Joe's, Transformers, Micronautas, ROM).


Hercules Unbound: Arte

A arte a lápis e a arte finalizada de Walt Simonson na série Hercules Unbound, já publicada no Brasil, ainda pela EBAL.

Bons tempos. (Ou não, já que a série foi vítima da DC Implosion.)


Alien: Space Jockey

Aqui o Space Jockey de Alien, agora muito famoso, em uma versão quadrinizada pela Heavy Metal e desenhada por Walt Simonson.


O Quarto Mundo de Jack Kirby

No início dos anos 2.000 a Brainstore Editora brevemente teve os direitos de várias séries da DC Comics que estavam espalhadas por várias editoras-tradutoras e publicou nove edições da série DC Millenium, um mix que reuniu Impulso, Novos Deuses e graphic novels ligadas ou não ao selo ElseWorlds.

A série foi interrompida antes de ampliar sua linha – prometia Legião dos Super-Heróis e O poder de SHAZAM! para a edição seguinte.

Um dos destaques foi a publicação de New Gods #12-15 e Jack Kirby's Fourth World #01-10 e 20 produzidos por John Byrne.

A sintese da trama apresentada é que Apokolips e Nova Gênese, os planetas antagonistas, foram fundidos e os Novos Deuses não se recordam dos motivos, voltando a se associar com os humanos que estiveram presentes na primeira série New Gods (1971) desenvolvida por Jack Kirby. Basicamente um “retorno ao básico” antes de apresentar o novo problema para os personagens.

Por sinal, Byrne concentra-se em Orion, Magtron, o Povo do Amanhã – pouco trabalhado no Brasil, especialmente quando se fala em O Quarto Mundo -, Pai Celestial, Darkseid e seus novos deuses do mal. Jimmy Olsen aparece apenas na edição 20publicada antes, mas se passando em um período cronológico distinto, por sinal a última edição da série – e Sr. Milagre e Grande Barda não passam de meros coadjuvantes.

Com os bons resultados a DC Comics decidiu cancelar a série New Gods e relançar o título como Jack Kirby's Fourth World, que iniciou o desenvolvimento de um plot que levaria à Genesis, um dos mega eventos boçais da editora, publicado em outubro de 1.997 (Jack Kirby Fourth World #10 é parte do cross-over) e relativamente inédito no Brasil, já que a minissérie não foi publicada por aqui e apenas um ou outro cross-over.

Muita gente comenta que Genesis é tão ruim que não vale o nanquim gasto na série.

Entre idas e vindas descobrimos que uma energia que permitiu a criação dos deuses e é comum a todos os planetas estaria retornando à Fonte e uma série de deuses e semi-deuses desejam a energia para si. Uma das tramas intermediárias é exatamente o resgate de Thor por Tigra, para utilizá-lo em sua vingança contra Darkseid. Isto leva a resgatar Odin fundido à Muralha. Apesar que criar um Thor visualmente bem distinto do personagem da Marvel, Byrne faz um Odin muito semelhante ao personagem da editora rival.

Há uma certa ironia aí. Quando Kirby criou o Quarto Mundo que surgiu após a destruição de um mundo anterior, muita gente entendeu que Nova Gênese e Apokolips haviam surgido das cinzas de Asgard, terra dos deuses nórdicos e palco da série The Mighty Thor da Marvel Comics. Ao apresentar tramas em que mostram os asgardianos presos à Muralha e também sendo atacados por Darkseid para reaver restígios de energia da Fonte, Byrne sutilmente confirma que uma série é o resultado de uma possível continuidade da outra: quando Asgard cair definitivamente irá surgiu uma nova geração de deuses, bons e maus.

Na citada edição #10, Pai Celestial se une a alguns deuses e atravessa a Muralha – que está se fragmentando – mas é assassinado à traição por Ares, que desejava o poder para si. Sim, este Ares é o mesmo personagem comum da série da Mulher Maravilha, na qual Byrne também trabalhou e explorou personagens de Kirby, como O Demônio e Darkseid – que atacou a Ilha e assassinou milhares de amazonas, uma forma de mostrar os ataques do deus do mal a outros panteões buscando a energia da Fonte.

O resultado de Genesis é que os planetas fundidos se separam e Darkseid, em sua busca de poder novamente é fundido à Muralha, o quê é claro não duraria muito.

[Mudanças]
→ conhecemos Christine Pequena, filha de Oberon;
→ Tigra, mãe de Orion e segunda esposa de Darkseid, afirma que Orion não é filho do regente de Apokolips. A pedido de Walt Simonson, Byrne deixou a pergunta sem resposta quando encerrou a série, e a trama continuou no título Orion.
→ Em histórias de suporte conhecemos a “origem” de Darkseid, uma banalidade que explora conceitos bons, mas afirma que os deuses de Apokolips e Nova Gênese tem uma identidade anterior e só depois ascendem à natureza definitiva de deuses.
→ Um relutante Scott Free (o Senhor Milagre), herda Nova Gênese em função da morte de Pai Celestial;
Takion, jovem cego terrestre que passou a ter acesso direto à Fonte, graças à interferência de Pai Celestial é apresentado aos leitores brasileiros. Entra mudo e sai calado, sem demonstrar nenhuma utilidade real.

[Defeitos]
Apesar de profundamente baseado no excelente trabalho de Jack Kirby em New Gods (1971) e desconsiderando o material de Mark Evanier ou Steve Englehart, a série apenas evidencia a fraqueza de John Byrne na produção de diálogos, geralmente redundantes ou descritivos demais. Algo bem anos 1960/70, época da produção da primeira série. Nota-se claramente que não é uma homenagem, mas um estilo de narrativa que já não tinha espaço no mercado em 1.997/98, época da série.

A trama em si não tem um desenvolvimento claro e o leitor só fica com a sensação que cada edição é produzida com “um mistério” seguido de mais uma dezena e meia de páginas de batalha.

Fãs do autor iram se deliciar com a arte – muito adequada – mas a leitura do material pode desestimular a acompanhar o desdobramento mais interessante, que é a série Orion de Walt Simonson.

A trilogia do Sprawl, II: Count Zero

Longe da inovação do primeiro romance – NeuromancerCount Zero (William Gibson, Aleph Editora, ISBN 978-85-7657-050-9, tradução de Carlos Angelo, 1ª edição maio de 2.008, 1ª reimpressão novembro de 2.009), a segunda parte da Trilogia do Sprawl lançado originalmente nos EUA em 1986, peca excessivamente em ser o "romance do meio", aquele que depois da apresentação dos personagens no volume anterior, tem que criar uma situação para um final "bombástico". Por isso parecer ser um romance de condução: apresenta mais personagens, resolve uma trama local, mas os conduz para algo maior, à frente.

A história é contada sob a ótica de três personagens. Turner é um mercenário responsável por "resgatar" um cientista de uma empresa e o entregar para outra, mostrando que neste futuro as relações trabalhistas são sempiternas. Marly Krushkhova é uma agente de arte com um passado sujo que é contratada por um zilionário para encontrar um objeto misterioso, quase místico, e Bobby Newmark – o Count Zero do título – é um cowboy inexperiente que teve uma experiência de quase morte quando entrou na matrix. Colando toda esta trama há a aparição de pedaços do código da matrix que assumem o comportamento de deuses vodu.

Por trás disso tudo: uma novíssima tecnologia de biochip que interessa às duas corporações rivais que permeiam a trilogia.

Apesar de toda a trama fazer sentido ao final, durante a jornada as partes são por demais desconexas e bastante cinematográficas, como o resgate do cientista e a viagem para a Sprawl, uma decisão do mercenário que só ganha sentido quando sabemos tudo que está acontecendo. Toda a trama da agente de arte também tem um quê de efêmero, deslocado, quase infantil, afinal uma trama de um zilionário que consede crédito ilimitado para que se consiga uma "caixa" tem algo que remete ao desejo infantil de sucesso e de estar com as pessoas certas.

Review: A dança dos dragões

Com a decisão do autor em dividir O festim dos corvos e A dança dos dragões com tramas que se concentram em Porto Real no primeiro e tramas que se concentram além de Westeros no segundo, fica-se com a sensação de que teríamos que esperar muito para a solução de tramas com Cersei e Arya Stark.

Não temos. A partir da página 600 – a 1ª edição tem 801 páginas, sem os apêndices – começam a surgir alguns capítulos para estes personagens, indicando que as tramas se aproximaram.

Há uma certa decepção nas tramas envolvendo estas duas personagens: o autor cancela sutilmente os eventos do fim de “O festim dos corvos” apenas dando corda e voltando habilidosamente à última instância. Pareceu-me repentino.

Mas o quê acontece em A dança dos dragões?

Na Muralha, Jon Snow passa a fazer associações com os selvagens de modo a protegê-los dos mortos que caminham. Isso torna-o extremamente impopular entre seus irmãos, especialmente em tempos de dificuldades e com um rigoroso inverno à porta. Muitos comentam que o jovem não tem experiência suficiente para comandar a Patrulha e, ao permitir que Stannis Baratheon ocupe castelos, Jon é visto como traidor do Trono de Ferro.

Em Meereen, Daenerys não consegue controlar nem seus dragões, nem seu reino conquistado. Os primeiros ela prende, mas para o segundo terá que casar-se de modo a fazer um governo de coalização. E sempre ficará a dúvida se deveria abrir mão destes reinos e partir para sua terra natal, onde supostamente a população estaria disposta a lutar por ela.

Davos Seaworth e Bran Stark tem poucos capítulos, deixando o restante do livro para Tyrion e Fedor. Davos e aprisionado por simpáticos ao Trono de Ferro e talvez não sobreviva para ver seu rei, Stannis na cadeira de rei de Westeros. Já Bran, rompido a Muralha passa a iniciar uma jornada espiritual finalmente encontrando o Corvo de 3 Olhos.

O anão Lannister vai para Pentos e inicia uma longa jornada para se unir à mãe dos dragões, jornada que será interrompida e depois reiniciada, fazendo com que Jorah Mormont, torne-se coadjuvante de suas tramas.

Mas será nas tramas de Tyrion que iremos ter contato com a revelação de que Daenerys não é a única Targaryen viva e que este outro Targaryen deseja conquistar Westeros para impressionar a tia e casar-se com ela – sim, como os leitores sabem os casamentos consaguíneos sempre foram comuns na realeza e especialmente entre os Targaryen. Acordo antigos também são revelados e tramas sórdidas contra Daenerys são postas em andamento.

Já Fedor é um prisioneiro do Forte do Pavor que irá narrar eventos em Winterfell e o confronto entre Stannis e o atual auto proclamado senhor do norte. É uma trama profundamente baseada na humilhação, na expectitativa e na expiação por pecados pregressos.

A grande diferença é que as tramas realmente param em um momento de tensão dramática. As tramas de Jon e Daenerys realmente param em momentos chaves para seus personagens e a partir de agora a espera será dramática, afinal o próximo livro “The winds of winter” ainda não tem prazo para ser concluso.

Como as Crônicas de Gelo & Fogo tem uma trama delineada para (atuais) sete volumes, não faz sentido para neófitos. Quem quiser ouvir esta canção que que iniciar do primeiro volume.



As crônicas de gelo & fogo
Vol
Título
01
02
03
04
05
A dança dos dragões
06

07


Também de George R R Martin, autor d'As crônicas de gelo & fogo: A morte da luz (aqui).

George R R Martin: Semelhanças

É evidente que todo fã de primeiro momento de George R R Martin quer encontrar semelhanças entre seu romance de ficção científica – A morteda luz - e sua As crônicas de gelo & fogo.

É uma tentação boba, quase infantil dos leitores, já que As crônicas se passa em um mundo medieval e A morte da luz, em um mundo decadente mas com uma longa história registrada e acesso à tecnologia característica dos romances de ficção científica.

Não resistindo à tentação às vezes a palavra Valíria soa semelhante quando se lembra o contexto: na Valíria das Crônicas iniciou a civilização e alto-valiriano é uma língua e uma civilização antiga em A morte da luz.

Tudo, assumo, coincidências. Coincidências infantis.

Mas em A dança dos dragões, 1ª edição, pg 327, é narrado que Ramsay Bolton, anteriormente Ramsay Snow, solta mulheres nuas na floresta, dá um dia de vantagem e sai a persegui-las com armas, companheiros e cães famintos.

Apesar de ser um esporte bárbaro que poderia caber em qualquer narrativa de ação ou fantasia, quando se observa a obra de Martin nota-se a coincidência, já que em A morte da luz há um clã que usa como passatempo um “esporte” semelhante.

Tudo certamente não passa de uma coincidência, do uso da mesma situação (um esporte sangrento) apenas para que o autor não tenha que criar e descrever uma nova. Em Crônicas ele apenas é mencionado e descrito rapidamente, em A morte da luz há uma passagem inteira com uma longa perseguição.

Mas não deixa de uma semelhança.