Fábulas vol 10: O bom príncipe

Personagem coadjuvante de Fábulas, geralmente retratado como um cômico e secundário responsável pela limpeza, o Papa Moscas tinha um potencial enorme para ser trabalhado, especialmente por que na fábula de origem ele não tem nome, nem definição: é apenas um sapo que beijado por uma bela dama retorna ao formato humano e revela-se um príncipe.

Sendo um nada, poderia ser qualquer coisa.

Na série em quadrinhos da DC Comics/Vertigo, Papa Moscas nunca foi nada além de um alívio cômico para a série, que por sinal tem outros alívios cômicos, então era coadjuvante mesmo entre os coadjuvantes.

Neste encadernado que reúne as edições #60-69 da série Fables ele vê-se diante de um papel ativo na cada dia mais próxima guerra contra o Adversário e o Império. Bill Willingham (texto) e Mark Buckingham (lápis) & Steve Leialoha e Andrew Pepoy (finais) constroem uma sensível história de redenção quando não houve pecado, de sacrifício apenas em prol do alheio. Papa, agora Príncipe Ambrose, abandona a cidade das fábulas e retorna às Terras Natais, com um séquito de seguidores resgatados do além e realmente se apresenta como uma preocupação para o Adversário. Mas poderia eles fazerem frentes às hordas de soldados de madeira ?

De pano de fundo o início do treinamento militar das Fábulas e uma história fechada com a Ninhada (a família de Branca de Neve & Bigby Lobo) com arte de Aaron Alexovich.

Volume
Nome
Edições
01
Lendas no Exílio
#01-05
02
A revolução dos bichos
#06-10
03
O livro do amor
#11-18
04
O último castelo; #19-21; #23-27
05
#22; 28-33
06
#34-41
07
Noites (e dias) da Arábia
#42-47
08
Lobos
#58-51
09
#52-59
10
O bom príncipe
#60-69
11
Guerra!
#70-75

Flash, a série de Panini Comics

Desde que decidiu publicar todas as 52 séries da DC Comics pós reformulação, muito se havia especulado sobre os mixes nacionais. Alguns ficaram evidentes desde o primeiríssimo momento como Superman (Superman, Supergirl, Action Comics) e as séries do BatmanBatman e A sombra do Batman.

Supus que Arqueiro Verde e Exterminador ficariam perdidos em alguma série de sete aventuras como a antiga Universo DC, mas para minha surpresa ambas foram alocadas em Flash, que volta a narrar as aventuras de Barry Allen, personagem, em parte responsável pela reconstrução do Universo DC agora fundindo os resquícios de DC + WildStorm + Vertigo.

Arqueiro Verde choca por ter um visual de super-herói ultrapassado, recontando a velha história do herdeiro de indústria de alta tecnologia que é aventureiro. Se você quer ler isto, leia na fonte: Homem de Ferro! E mesmo a DC já tinha feito melhor: Batman. É uma série esquecível que só deve ter uma sobrevida maior que seu primeiro ano em função da nova série de TV (Arrow) com o personagem. Mas nem vale como curiosidade para conhecer o Arqueiro.

Exterminador parece com os filmes de Bruce Willis onde ele é f@dão e mesmo enganado prova sua força, inteligência e subjuga os inimigos. Não é uma grande história, mas também não deve ser entendido como o próximo Cães de Guerra e então pode ser divertido de um jeito bizarro. É o conjunto básico de histórias de um mercenário que pode estar cansado de guerra e tem sempre que se provar para o mercado para constantemente se reinventar em sua profissão.

Já o personagem principal não tem uma história de impacto, com uma narrativa bem simples e de segunda linha que não prende muito a atenção. Curiosamente, por causa do mixes é a melhor coisa da revista.

João das Fábulas: A grande fuga

 Há anos as editoras em quadrinhos norte-americanas estão dividir séries para capturar vendas e raramente tem algo a acrescentar mesmo nos quadrinhos de aventuras e super-heróis. Jack of Fables (João das Fábulas, no Brasil) série derivada de Fables (Fábulas) é assim: não acrescenta nada de interessante à Fábulas e não deve ser entendida como uma leitura obrigatória.

A Panini tentou vender a série no Brasil como uma minissérie em 4 edições, iniciando um ciclo de várias séries, mas aparentemente a ideia não foi bem aceita por que a partir do segundo ciclo a editora já retornou ao já clássico e consagrado formato de encadernados.

Nas edições #1-2 da série nacional temos a publicação do arco “A grande fuga”, originalmente publicada nas edições #1-5 da série americana com texto de Bill Willingham & Matthew Sturges, arte de Tony Akins e finais de Andrew Pepoy. Após o fracasso do fim do projeto em Hollywood, João, o trapaceiro das Fábulas mais preocupado em estabelecer sua própria fábula como importante, é capturado pelo senhor Revisor e suas assistentes, as senhoritas Páginas e aprisionado na Comunidade do Asilo Galhadas Douradas.

O arco mostra a sua fuga desta Comunidade, junto com alguns tipinhos já vistos em Fábulas, como Cachinhos Dourados, e uma dezena ou duas de fábulas secundárias, entras elas se destacando Dorothy & a trupe de Oz, a lebre e a tartaruga e os anões – de Branca de Neve.

A história se sustenta mais na personalidade canalha de João do que realmente numa estrutura de história em si. Se você curte os exageros e as indiscrições do personagem, que não tinham um espaço na série principal, você irá se divertir, ou então vai entender que é um preâmbulo para criar uma história para esta série, que só se desenvolverá adequada mais à frente.

A trilogia Sprawl, I: Neuromancer de William Gibson

A primeira impressão que se tem quando se lê um livro de 25 anos que fala sobre tecnologia é que a tecnologia retratada, assim como a linguagem e a maneira como foi escrito caducaram, afinal em 1.984 já existia uma série de coisas que eram retratadas no livro, mas em um nível diferente, acadêmica ou empresarial. Assim, rede de computadores para transmissão de dados, celulares e bio-engenharia já existia, mas ninguém realmente os conhecia e tudo era apenas um modelo de ficção científica. A maneira de se referir a algumas coisas resultantes da criatividade humana estava mais para Star Trek com que para uma ficção científica (sci-fi) razoavelmente pé no chão.

Isso não aconteceu com Neuromancer, romance de sci-fi de William Gibson, considerado o inaugurador do movimento cyberpunk.

Naquele tempo retratado as grandes corporações tomaram o lugar do Estado. Elas eram o estado. A matrix – o cyberespaço – era possível de ser acessada e ser vivenciada – alguém falou em internet, redes sociais e uma segunda geração de programas como o atualmente finado Second Life?

Isto era (é) o cyberpunk em suas origens, e é aqui que encontramos Case um sujeito no meio do caminho da última volta de seu parafuso, exilado quimicamente da matrix e cada dia mais próximo da última trapaça. Mas Case encontra Molly – uma ninja em couro, olhos com lâminas espelhadas e lâminas sob os dedos – e Armitage – um militar obsessivo, mas militares obsessivos não são exatamente o tipo de sujeito a quem devemos confiar – que lhe oferecem uma chance de redenção – e redenção aqui quer dizer voltar para a matrix – em troca de um servicinho cheio de detalhes; muitos detalhes; detalhes sujos. Para coroar este aglomerado – porque é um aglomerado e não uma união – de pessoas, temos uma inteligência artificial cheia de ideias pouco razoáveis.

Primeiro romance a ganhar os três maiores prêmios da sci-fi (Hugo, Nebula e Philip K. Dick) Neuromancer envelheceu bem e sua linguagem ainda é desafiante, atual. A história é bem narrada, ainda que aqueles que estão acostumadas a lerem livros que seus pais leriam, possam achar que há sexo, violência, drogas e referências obscuras demais. Outros podem achar que estão lendo a história que influenciou uma geração.

Neuromancer (ISBN 978-85-7657-049-3), Aleph (2012, 4ª edição, 4ª reimpressão), publicado originalmente em 1.984. Tradução de Fábio Fernandes a partir da edição de 25 anos.

Coerência e analfabetismo funcional

Temos um contingente de 27% de analfabetos funcionais no Brasil, segundo pesquisa da divulgada pela ONG Ação Educativa.

Afora o analfabetismo puro e simples, o INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) considera três níveis de alfabetização: a rudimentar, a básica e a plena. A rudimentar é a que permite ler um anúncio e operar com pequenas quantias; a básica, a que possibilita ler textos mais longos e vencer operações com as que envolvem proporções; a plena, a que contempla os níveis mais altos de análise de textos e de operações matemáticas.
(…)
Também é desanimadora a constatação de que, mesmo entre os portadores de diploma universitário, há carências na alfabetização. Trinta e oito por cento deles não alcançam o nível de alfabetização plena. Tal constatação põe por terra o argumento de que o mar de faculdades mambembes espalhado pelo país cumpriria ao menos o papel de suprir as deficiências escolares anteriores do aluno”.
(Roberto Pompeu de Toledo, VEJA edição nº 2.279, 25 de julho de 2012)

Aqui a educação e o diploma universitário é apenas um detalhe, mas nos EUA nem mesmo a desesperada Yahoo!, um outrora famoso site de buscas na internet, aceita presidentes mentirosos. Há alguns dias o CEO Scott Thompson, contratado à peso de ouro para reestruturar a empresa e reposicioná-la no mercado, foi demitido após 130 dias de contratado porque se verificou que em seu currículo havia escrito que graduou-se em ciência da computação, quando, na verdade, se formou em contabilidade.

Em terras tupiniquins seria um deslise menor do “chefe” e alguém apenas iria corrigir o currículo, se tanto.

Os Novos 52: Dark, três quintos é uma boa conta

A Panini resolveu aproveitar o conceito da série mensal Vertigo na nova série Dark, já que ambas tem espaço para cinco aventuras.

Dark traz Liga da Justiça Dark (eu prefiro Liga da Justiça Sombria, ou “das trevas”), Homem Animal, Ressurreição, Eu, Vampiro e Monstro do Pântano.

As aventuras de Homem-Animal de Jeff Lamire & Travel Foreman, Eu, Vampiro de Joshua Hale Fialkov & Marcelo Maiolo e Monstro do Pântano de Scott Snyder & Yahick Paquette, que perfazem 3/5 da edição estão entre o melhor da produção “sombria” da nova era da DC Comics. Tanto o texto, quanto a arte são convincentes e realmente nos convencem a adquirir a próxima edição.

Já a Liga e Ressurreição é apenas mais do mesmo, sem grandes novidades.

A proposta da DC é trazer de volta estas aventuras sombrias para o Universo DC padrão, evidentemente passando à margem. As aventuras citam os heróis da editora, Superman e Batman pululam em Monstro do Pântano, Andrew Bennett desencoraja sua adversária justificando o grande número de heróis, mas fica-se com a impressão de cenas “forçadas” para deixar “claro, sem sombra de dúvida” que o universo é o mesmo. Claro que se centenas de pessoas fossem assassinadas em Boston e aguardassem o amanhecer, se houvesse um universo de heróis, certamente um surgiria para investigar a cena.

Quem gosta da atual VERTIGO (Panini), gostará de DARK, e afinal aproveitar 60% da edição é um grande acerto

Os Novos 52: Edge

Há alguns anos a Marvel Comics disse que alguns personagens normais dela viviam no limite do Universo Marvel, na “borda”, o quê não era novidade já que a DC tinha dito o mesmo com os personagens que iriam formar o selo Vertigo. A DC criou o famoso selo de terror e a Marvel criou o selo Edge, pouco divulgado e logo encerrado.

Os anos passaram e logo a DC era dona da WildStorm e no terceiro ou quarto relançamento procurou fundir os universos também em um selo chamado Edge.

Assim, agora no Brasil a Panini Comics lança a série mensal EDGE que irá trazer as aventuras do StormWatch, Bandoleiro e Vodu, com os temas padrões de: grupo de super-seres misterioso que enfrenta grandes ameaças com pouco respeito pela vida humana; agente que se tornou um trapaceiro e agora está envolvido em uma conspiração alienígena e agente alienígena infiltrada como dançarina, colhendo dados para uma invasão alienígena.

Devo dizer que o StormWatch de Paul Cornell & Miguel Sepúlveda e o Bandoleiro de Nathan Edmondson & Cafú merecem ao menos uma segunda e talvez uma terceira olhada para avaliar melhor o caminho que os autores iram tomar, mas Vodu de Ron Marz & Sami Basri, apesar de essencial para a macro-história da invasão, é uma série dispensável.

Mas como tudo custa apenas R$ 5,90, pode ser uma boa maneira de gastar seu rico dinheirinho. Ou não...

Sarcófago: Batman Blood Secrets

Era 1989 e o novo universo DC Comics era novo, novíssimo. Mark Waid e Denny O'Neil procuravam criar um homem morcego que tinha passado por um profundo treinamento, no rastro de conceitos genéricos apresentados em BATMAN: ANO UM, mas só suficientemente aprofundados nos trabalhos de O'Neil seja como editor em AS VÁRIAS MORTES DE BATMAN, seja como autor em O HOMEM QUE CAI e nas séries iniciais de THE LEGENDS OF THE DARK KNIGHT, que procuravam criar um mito plausível para Batman.

Mark Waid & Brian Augustyn, dupla que trabalharia em parceria também em THE FLASH, acrescentou em DETECTIVE COMICS ANNUAL #02 (1989) uma história interessante sobre HARVEY HARRIS, um dos homens que tornou o quê ele é ao ensiná-lo parte da arte de ser detetive, quando sob disfarce Bruce Wayne foi à Huntsville a tempo de auxiliá-lo na investigação de uma série de crimes brutais com homens influentes e no início da terceira idade.

A arte de Val Semeiks (lápis) e Michael Bair (finais) produz uma narrativa adequada à trama, geralmente com um estilo próprio e poderoso, mas que não devo me furtar a comentar que em alguns momentos – não todos – emula Michael Golden (artista de Batman no fim dos anos 1970) e Todd McFarlane (artista de BATMAN: ANO DOIS). Outro detalhe é a colorização pré separação via computador de Adrienne Roy que flutua muito a cor da pele de um coadjuvante importante para a trama. Para oferecer uma chance do leitor descobrir a verdade ele deveria ser apresentado sempre como mulato (página 29, quadro 2 ou página 44) e não com um tom de pele que arremete aos brancos da série (página 5, 6, 9 e 10, por exemplo), um leitor apressado supõe apenas que quando apresentado como mulato ele estava em um ambiente com pouca iluminação.

Mas nada que atrapalhe o prazer da leitura de uma história que se aprofunda no treinamento de Wayne para vingar seus pais.

Foi publicado no Brasil em BATMAN 3ª série EDITORA ABRIL – a série em formato americano. Vale a pena procurar nos sebos.

HBO + Girls + VEEP: a nova safra de séries

Na segunda, 23 de julho estreou no Brasil no canal por assinatura HBO as séries VEEP (22h35, segundas) e GIRLS (em seguida).

VEEP é protagonizado pela vice-presidente Selina Meyer, interpretada com inteligência por Julia Louis-Dreyfus (Seinfeld, The New Adventures of Old Christine) e em um estilo deliciosamente semelhante ao The Office britânico mostra o dia a dia da VP e seus assessores. É interessante e não tem a claque – o som da risada – para obrigar a você entender a piada sem graça e rir naquele momento.

No primeiro episódio a VP inicia um ataque à indústria do plástico e para não irritar a indústria do petróleo, do qual o plástico é um derivado, tem um discurso sumariamente cortado pelo assessor do presidente.

É impossível não salivar pelo próximo episódio depois de ver um preview onde, diante da notícia da ausência do presidente, Selina não consegue conter o contentamento, ao mesmo tempo em que procura não parecer muito feliz.

Já GIRLS se passa na Nova Iorque da era da crise econômica. Hannah (Lena Dunham) quer ser a voz de sua geração, mas seu pais – professores – desejam parar de financiá-la e passarem a ter uma vida digna. Assim querem que a filha caminhe com as próprias pernas. O problema é que mesmo após dois anos da conclusão de seu curso, ela tem apenas um emprego não remunerado de estagiária. É hilariante e tão deja vú a sequência onde ela se arrasta ao diretor da empresa para conseguir a efetivação de seu emprego e transformação em um cargo remunerado, e o diretor diz que tem dezenas de currículos para avaliar e que a vaga dela será facilmente substituída.

Girls não tem vergonha de soar semelhante à Sex and the City – série sobre um quarteto de balzaquianas glamourosas em Nova Iorque – e não corre do quarteto de personagens centrais lideradas por Hannah e todas com cerca de vinte e poucos anos. Mas não há glamour, seja no ar de constante preocupação com o aluguel e dependência financeira, seja na forma em que os casais são retratados: uma amiga tem um namorado pegajoso a que evita e Hannah tem um ficante que só pensa em sexo e na autossatisfação e protagoniza uma das cenas de sexo menos glamourosas da TV, ela querendo conversar e extravasar suas neuroses e ele preocupado em comê-la o mais rapidamente possível.

Juntas a séries podem dar um ar de inteligente às noites de segunda.

Sarcófago: Batman #424: The diplomat's Son

Recentemente quando iniciou Os Novos 52, Batman encontrou um corpo e material genético de Dick Grayson sob as unhas do defunto.

Não me criou nenhum frisson a possibilidade de que Dick Graysson, o primeiro Robin e atualmente o Asa Noturna, pudesse mesmo remotamente ser o assassino.

Mas em Batman #424 (outubro – 1988), a coisa era levemente diferente. O Robin de então era Jason Todd, mas a “segunda versão” de Todd. Explico: Todd foi criado antes de Crise nas Infinitas Terras e nada mais era que um segundo Dick Graysson. Se duvida, veja a clássica história “Para o homem que tem tudo” de Superman Annual #11 de Alan Moore & Dave Gibbons. É Todd, mas poderia muito bem ser Graysson.

Ele existia apenas por que Batman precisava de um Robin, preferencialmente obediente e por que Dick abandonou o uniforme, tornando um “adulto” e assumindo a persona de Asa Noturna na série The New Teen Titans.



Quando foi reintroduzido após a Crise, Todd tornou-se um personagem odiável, rancoroso, desobediente, chato, o que fatalmente o levou à morte em uma famosa saga.

Na aventura desta edição da série americana Batman, escrita por Jim Starlin, com lápis de Mark Bright e finais de Steve Mitchell, Robin salva uma modelo de um espancamento de um hispânico genérico chamado Felipe Garzonas. O rapaz tem imunidade diplomática e é liberto, com uma versão levemente diferente da história, que não há como comprovar qual é a verdadeira.

A dupla dinâmica consegue comprovar a ligação do jovem com tráfico e ele está prestes a ser extraditado, quando por vingança liga para a modelo e a ameaça, levando a frágil garota ao suicídio.

Robin decide ir em busca de respostas com Felipe e surge na sacada do apartamento, onde Garzonas está (pág. 20 da edição #424). Repentinamente, após uma página de propaganda, Felipe surge caindo em painel vertical da página 21.

Batman chega à sacada e segue o seguinte diálogo:

Batman: Robin, what happened?!

Robin encara Batman, depois abaixa a cabeça, claramente envergonhado.

Batman torna a perguntar: Robin, did Felipe fall... or was he pushed?

Robin: I guess I spooked him. He splipped.

A página termina com Batman carrancudo na sacada enquanto Robin sai pendurado numa bat-corda qualquer.

O legal da história e criar uma dúvida legítima sobre o envolvimento de Jason Todd no crime.

Ao final da história há a dúvida. Ela é palpável. Não fica claro o quê realmente aconteceu na sacada e isto é genial por que é mostrado uma possibilidade real de Robin ter falhado com os ideais defendidos pelo homem morcego.

É uma história simples e fechada que consegue delinear bem os personagens, a situação e o comportamento deles.

No mês seguinte teve uma sequência que continuava a tentar mostrar para o público que Todd era um Robin ruim.

É interessante que mostrar Jason Todd como um Robin inadequado para Batman era uma estratégia do editor Denny O'Neil repassado para o excelente escritor Jim Starlin. No fim, quando o pior aconteceu com o garoto, a culpa recaiu apenas sobre os ombros de Starlin.

Uma pena...

(Obrigado Yuga pelas edições)

Sarcófago: Batman, Paul McCartney está morto?

"Dead... Till proven alive!" de Batman #222 (june 1970) é uma preciosidade dos anos 1970 que explora o mito da "morte de Paul McCartney".

Existe uma lenda urbano de que o cantor/compositor morreu em 1.966 e foi substituído por um sósia. Segundo os seguidores da teoria conspiracionista, existem evidências da morte do Beatle em várias gravações e imagens, tratando a morte como um quebra-cabeças que deveria ser desvendado pelo público. Algumas destas supostas evidências – como mensagem gravadas ao contrário, nas músicas – é explorada na aventura por Robin, alimentando, assim o mito.

Nesta edição que tem como pano de fundo a ida de Dick Grayson para a faculdade e seu envolvimento com tramas que tivessem relevância para o público adolescente da época, a dupla dinâmica tem que desvendar o mistério da "suposta" morte do componente de uma banda chamada Oliver Twister. Os desenhos, as roupas, o cenário lembra em muito The Beatles, seus componentes e seu mistério.

Enquanto o homem morcego investiga o mistério, observamos que o álbum da Oliver Twister nomeado “Morto... até provar o contrário!” (tradução livre) tem a capa muito semelhante à segunda capa de Sgt. Pepper's Lonnely Heart Club Band... dos The Beatles!

Uma divertida aventura detetivesca por Frank Robbins, Irv Novick e Dick Giordano.




A queda do morcego, Parte 1

Não sou fã das revisões de status que a DC Comics produziu entre 1991/94, pois entendo que a editora estava produzindo história apenas chocar.

A queda do morcego, um longo ciclo de histórias do Batman, é uma destas histórias do choque pelo choque em si e traz um novo vilão Bane que une o improvável: a força bruta com a inteligência. Para que os leitores tenham uma ideia, Bane une conceitos que já tinham sido apresentados em outros vilões especialmente o Crocodilo, o Máscara Negra e Ra's Al Ghul, com maior ou menor proximidade, mas foi o vilão hispânico que levou a fama de “quebrar” Batman.

[Quem é Bane?]
Criado em uma prisão em Santa Prisca, uma republiqueta de bananas do universo DC que já tinha sido visitada por Batman em um Legends of the dark knight chamado Veneno que se passa à margem da cronologia, Bane utiliza a droga veneno para lhe dar força física e tem no totem do morcego um inimigo.

Aprisionado desde antes do nascimento por um crime que seu pai cometeu, Bane foge e ruma para Gotham City disposto a destruir o homem que usa o emblema do morcego, Batman de Gotham City.

[Enquanto isso em Gotham City]
Na cidade natal do Batman, Bane o encontra dividido entre lutas de gangues – a gangue do Máscara Negra, vilões violentos e à beira do stress físico e mental, o que permite que vilões de quinta categoria façam frente à sua experiência. Nota-se uma tentativa extrema de humanizar o herói em várias frentes, fazendo perder imóveis (parte significativa da fortuna Wayne é em função dos imóveis que possui), renda e a saúde.

Porém nota-se que o Batman quebradiço de Doug Moench não encontra um verdadeiro correspondente no texto de Alan Grant e Chuck Dixon, mas isso não atrapalha um “possível prazer” que o leitor tenha ao ler o material, apenas evidencia que arcos envolvendo vários títulos.

Decide então libertar os prisioneiros do Asilo Arkham para criar o ambiente perfeito para destruir o homem morcego.

De pano de fundo a crise faz com que o Robin da época (Tim Drake) treine um possível substituto, o violento Azrael, agente de uma ordem secreta com um complexo sistema de implante mental e para coroar o Comissário Gordon passa a ser ainda mais questionado por sua associação com um vigilante.

Como era praxe na época o evento cobriu as várias séries mensais do cruzado encapuzado, a saber: Batman, Detective Comics e Shadow of the bat. Ainda que não seja um ponto alto na produção do homem morcego, assim como não o foi A morte do Superman ou Crepúsculo Esmeralda, eventos semelhantes, merece uma leitura curiosa.







Batman: Earth One

Já está disponível a graphic novel Batman Earth One (2012) de Geoff Johns & Gary Frank. Uma primeira olhada mostra um material bem pé no chão, mostrando um Batman bem crível.

O simples folhear das páginas mostra uma narrativa em muito superior ao Superman EarthOne volume 1 de JM Straczynski & Shane Davis, ainda inédito no Brasil.

A Panini Comics, editora-tradutora dos quadrinhos DC no Brasil ainda não anunciou o lançamento das obras “Earth One” por aqui.

O objetivo da DC Comics, bastante apagado com a reformulação de 2011 – Os Novos 52 – era criar um novo universo/selo e lançá-los exclusivamente no formato graphic novel.

Superman Earth One foi o item mais vendido da Amazon durante várias semanas em sua categoria, mas o mercado americano temeu a troca do fascículo (floppie) pelo livro, aqui a graphic novel, temendo que isto pudesse condenar o floppie, um formato que sobrevive há décadas e permite à editora as propagandas internas e de terceiros e a reunião posterior do material no formato trade paperback. Supostamente o floppie permite uma exposição maior dos autores e números de vendas economicamente mais acolhedores.

É melhor vender cem mil edições em média de seis floppies de uma série mensal a US$ 3,00 e estar nas comic shops todos os meses, do que 10 a 20 mil edições (e se arrastar para vender o próximo lote de 10 mil cópias, talvez por um ano) de uma graphic novel a US$ 20-30,00 que certamente terá outro público como alvo.

Irei exibir algumas imagens da história, mas prometo retornar para um review na próxima semana.












E se... O filme dos Vingadores fosse produzido nos anos 1980?


Game of Thrones: O Corvo de 3 Olhos

Iniciando uma série de imagens e textos sobre os personagens dos livros que inspiraram Game of Thrones, chamo a atenção para esta belíssima imagem que retrata com perfeição o Corvo de 3 Olhos, o ser místico que tem ido em busca de Bran Stark desde o início d'As Crônicas de Gelo & Fogo.

Bran, Hodor, Meera e Jojen seguem para o Norte em busca das respostas que supostamente O Corvo de 3 Olhos poderia fornecer, enquanto Osha e Rickon vão em separado. Apenas a travessia de Bran é narrada na série.

Sim, o "Corvo de Três Olhos" tem um corpo físico em Além-da-Muralha e este corpo está mesclado com árvores enraizadas.

A imagem é perfeita e se os editores não tivessem vergonha (afinal imagens em livros são para crianças) poderia ilustrar a abertura do capítulo onde finalmente o personagem é apresentado.

A imagem de Karen Petrasko pode ser encontrada aqui.