Livros: Men$alão de Marco Antonio Villa
Lembro bem que estava na
faculdade quando ouvi a primeira menção ao mensalão e o momento,
como a morte de Tancredo Neves ou de JFK para os que vivenciaram,
ficou gravado em mim.
Entendi imediatamente que
houve a compra de apoio e que o Partido dos Trabalhos (PT)
seguia os rituais mais nefastos em nome de uma governabilidade.
Fiquei triste. Desiludido
até e rompi ao reconhecer os ecos daquele discurso de
governabilidade e associações espúrias até mesmo a nível
municipal. Tudo em nome de se conquistar o poder. Mais ainda em nome
de permanecer com ele.
Men$alão: o julgamento
do maior caso de corrupção da história política brasileira,
ISBN 978-85-8044-642-5, Leya (2012) de Marco Antonio
Villa se propõe a expor o julgamento da Ação Penal 470 e no
percurso reconstitui o crime cometido pelos dirigentes do PT. É um
livro didático, delicioso e essencial para entender o Brasil e a
importância que tem um longínquo Ministro do Supremo e como o
presidente anterior à Dilma Rousseff se preocupou em empossar
pessoas simpáticas à sua retórica de que não houve mensalão.
Não nos cabe mais opinar
se houve ou não mensalão, isto já está claro para a mais alta
corte do país. O que nos cabe é conhecer a história e impedir que
existam outras versões do mesmo crime.
O livro tem dezenas de
citações dignas, mas escolhi duas já do final:
Como
[os dirigentes petistas] estão acostumados a lotear as funções
públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de
três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do
STF. Para eles, especialmente para Lula, ministro da Suprema Corte é
cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde
2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos
nomeados sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma
espécie de "ministro companheiro". E assim sucessivamente,
até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.
A
recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas
têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia.
E
A
estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É
uma associação entre políticos corruptos, empresários
inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o
desejo de saquear o Estado. O PT acabou virando o instrumento de uma
burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado.
De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a
concorrência, e encontrou no partido – depois de um século de
desencontros, namorando os militares e setores políticos
ultraconservadores – o melhor instrumento para a manutenção e
expansão dos seus interesses.
(...)
Não
faltam Constituição, códigos, leis, decretos, um emaranhado
caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia
brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência e
compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado
de políticos vorazes, saqueadores do erário. Vivemos uma época do
vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos
pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer
preço – e rapidamente. Não importam os meios. São anos marcados
pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disse. A disputa
política é pelo poder, que tudo pode e nada é proibido.
Marco
Antonio Villa, Men$alão (2012)
#espalhe_a_palavra
Elenco: A nova Turma Titã/Tropa Titã, I
A nova Turma
Titã (Teen Titans), depois Tropa Titã (Team
Titans) surgiu originalmente em um futuro alternativo onde em
2.030 Lorde Caos, filho de Donna Troy e seu marido,
Terry Long, domina o planeta como um déspota
enlouquecido assistido por alienígenas que fornecem uma droga para a
humanidade chamada soma. Ou seja um pastiche de vários tramas.
Quando surgiu em The
New Titans v1 # 79 & 80 (setembro & outubro de 1.991) e
The New Titans Annual #07 (1991) a Turma Titã foi apresentada
como parte de uma extensa rede de várias Turmas Titãs treinadas e
orientadas por um misterioso líder, que em vários momentos deixa
escapar ter sido um titã no passado.
A missão original era
ir para o passado, matar Donna Troy e impedir o nascimento de Lorde
Caos obliterando sua linha de tempo, missão ao qual tiveram sucesso
de uma maneira levemente tortuosa.
Os personagens
apresentados no primeiro momento eram:
Asa Noturna –
Dick Grayson, o primeiro Robin, continua sua batalha
contra o crime e sua obsessão em encontrar os Titãs
originais, ainda desaparecidos nesta linha de tempo. Líder de campo
e desconhece a identidade do Líder. Apesar de estar presente
no annual, o personagem não vem para o passado junto com o resto do
grupo. Por sinal, aí está um detalhe. As Turmas Titã viajaram no
tempo para diversos momentos na história, alguns com meses de
distância, outros com anos e séculos!
Asa Vermelha –
Carrie, metagenética alada. Irmã de Jon e
uma especial de “parceiro mirim” de Asa Noturna, ao qual tem uma
paixão platônica típica de adolescentes com seus professores.
Jon –
Metagenético. Teve sua consciência que já acessava máquinas,
convertida para o nível eletrônico, acessível através de
braceletes da equipe. Serve como líder tático.
Killowat –
Charles Watkiss, ganhou poderes que permitem convertê-lo em
um campo de energia.
Terra (II) –
Criança fisicamente semelhante a Dana Markov, a Terra
original, foi raptada de seus pais e impregnada com o DNA da traidora
original da equipe para cometer um ato semelhante, mas foi descoberta
e cooptada à tempo.
![]() |
| O misterioso Líder |
Nosferatu –
Dagon, um garoto que foi transformado pelas forças de Caos e
um vampiro. Representa a quebra de paradigma de então na indústria
dos quadrinhos, que sempre tinha um personagem que matava nas
equipes.
Miragem – Uma
titã transforma. Longe do amor juvenil que Asa Vermelha tinha
por Asa Noturna tinha uma paixão mais “carnal”.
Líder – O
misterioso líder que reuniu, escondeu e treinou centenas de Turmas
Titãs para enfrentar o Lorde Caos.
[Vilões]
Lorde Caos –
Filho de Donna Troy & Terry, o Lorde Caos nasceu e
ascendeu à sua condição de deus imediatamente tornando-o louco.
Supostamente teria matado a própria mãe e em 2.030 domina o mundo
com mão de ferro além de fornecer uma droga viciante para a
população.
Os aliens –
Aliens que trabalhavam para o semi-deus e facilitavam seus mecanismos
de controle mental da população.
Caos não passa de uma
tolice mal elaborada. Tem a tragédia da linha temporal alternativa
(Dias do futuro do presente), a presença de aliens no
processo de dominação (“V”) e a alienação da população
graças ao consumo de drogas.
Somou isto tudo,
misturou e não rendeu nada. Tornou-se, como muita coisa dos anos
noventa, apenas uma nota de rodapé dos quadrinhos e teve o efeito
retroativo de tirar parte do mérito dos acertos do arco Titans
Hunt.
Ideb – 2011: Nanuque, MG
O Brasil vive um clima
de guerra civil onde o estado não consegue fazer frente às drogas ou ao crime organizado, e por crime organizado entenda,
qualquer crime feito de forma organizada.
Diante deste quadro a
única forma de alterar as variáveis a nosso favor é com a
educação, mas os professores não ensinam e põe a culpa no
sistema. Os pais compram a assertiva, crêem que o problema é
financeiro e acham que a escola é melhor hoje do que no passado.
Então surge o IDEB,
cuja definição oficial é a seguinte:
No Brasil, toda escola pública de educação básica tem uma nota de 0 a 10.
Ela é chamada de Ideb, sigla de Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
Esse indicador foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade do ensino nos municípios, nos estados e nas escolas do Brasil. A cada dois anos, o MEC divulga uma nova leva de notas.
• Para uma escola ser considerada de bom nível, ela precisa ter uma nota igual ou superior a 6. Infelizmente, a maioria das escolas brasileiras ainda está longe dessa nota.
• O resultado mais recente aponta a média de 4,2 para as séries iniciais do Ensino Fundamental e 3,8 para as últimas séries do Ensino Fundamental.
• A meta é que em 2022 a média do Brasil seja igual ou superior a 6.
• O Ideb revela se os alunos de escola pública estão aprendendo o que precisam na idade certa.
• O Ideb indica a qualidade do ensino do seu estado, do seu município e da escola do seu filho.
• O Ideb aponta quais escolas precisam de investimentos e cobra resultados.
Então vamos às notas de Nanuque, MG, município cuja nota média é 5.3, portanto abaixo do desejável:
No Brasil, toda escola pública de educação básica tem uma nota de 0 a 10.
Ela é chamada de Ideb, sigla de Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
Esse indicador foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade do ensino nos municípios, nos estados e nas escolas do Brasil. A cada dois anos, o MEC divulga uma nova leva de notas.
• Para uma escola ser considerada de bom nível, ela precisa ter uma nota igual ou superior a 6. Infelizmente, a maioria das escolas brasileiras ainda está longe dessa nota.
• O resultado mais recente aponta a média de 4,2 para as séries iniciais do Ensino Fundamental e 3,8 para as últimas séries do Ensino Fundamental.
• A meta é que em 2022 a média do Brasil seja igual ou superior a 6.
• O Ideb revela se os alunos de escola pública estão aprendendo o que precisam na idade certa.
• O Ideb indica a qualidade do ensino do seu estado, do seu município e da escola do seu filho.
• O Ideb aponta quais escolas precisam de investimentos e cobra resultados.
Então vamos às notas de Nanuque, MG, município cuja nota média é 5.3, portanto abaixo do desejável:
Escola
|
1ª-5ª série
|
6ª-9ª série
|
EE Álvaro Amorim
|
6
|
|
EE Álvaro Romano
|
5,1
|
4,3
|
“Polivalente”
|
3,6
|
|
EE Gov Bias Fortes
|
6,4
|
|
EE J. Stalim Romano
|
2,9
|
|
EE M. Emiliana Passos
|
5,1
|
|
EE Pastor Paulo Nobre
|
5,1
|
3,4
|
EE Péricles Coelho
|
4,7
|
3,8
|
Stella Mattuttina
|
3,8
|
|
União B. Operária
|
5,6
|
|
Vale do Mucuri
|
6
|
|
Américo Machado
|
3,4
|
3,5
|
Miguel Viana
|
4,5
|
4,2
|
Serafim M. Naya
|
4,1
|
3,1
|
Expostas as notas resta
saber por que a imprensa local não publica isto e por que há uma
ilusão presente que algumas escolas como “Polivante” (EE
Antônio Batista da Mota), Stella Mattuttina e EE Joseph
Stalim Romano são boas? Suas notas, 3,6; 3,8 e 2,9,
respectivamente, são bem abaixo da média da cidade!
A nível nacional uma
escola com nota 2,9 significa um aproveitamento de pouco mais de 25%
do quê é ensinado.
E isso na administração
de um prefeito que é advogado! Ou seja, tem curso superior, e sabe a
importância do ensino de qualidade.
Livros: 1822 de Laurentino Gomes
1822 é um livro
saboroso, escrito com eficiência e energia própria dos órgãos de
imprensa modernos, especialmente se lembrarmos que Laurentino
Gomes (autor também de 1808) é jornalista de formação
e trabalhou em várias empresas conhecidas do ramo, em especial VEJA.
Isso não impede que o
livro tenha um defeito grave: é feito para o entretenimento de
massas e busca facilitar os tópicos para ser referência em escolas,
por isso, à vezes torna-se uma obra que retrata o fuxico da Corte,
como homossexualidades, romances e temperamentos destemperados. Tudo provado, dando um verniz histórico e documental a algo que não
passa de fuxico. Os capítulos são cuidadosamente construídos de
forma que nunca haja uma discussão por demais teórica e que sejam
acessíveis a todas as classes da atual sociedade brasileira.
Isso não diminui a
obra, que assim como seu antecessor é feita para ser lida de um
fôlego só. A obra anterior já possuía esta característica
narrativa para atrair aos jovens. Outra característica profundamente
jornalística é que os capítulos são extensos perfis dos atores do
rompimento do Brasil com Portugal, como Dom Pedro I, José
Bonifácio e outros. O autor evita a todo custo romancear as
passagens e quando se faz necessário diálogos, utiliza o depoimento
de narradores que estiveram presentes.
Laurentino Gomes ainda
analisa bem a herança deixada por Dom João VI, a escravidão,
a economia, a maçonaria, a Constituição de 1.824 e
especialmente a Guerra da Independência, pouco referida como
tal na literatura brasileira.
O livro, que se
aproxima de 1 milhão de cópias vendidas, narra como e os motivos
para que o príncipe regente do Brasil, Dom Pedro I, deixado por aqui
por seu pai Dom João VI, quando retornou a Portugal, rompeu com a
Coroa Portuguesa e decretou a Independência do Brasil e o faz com
excelência, tornando a história acessível a todos.
É uma leitura
deliciosa, repito, e pelo formato de folhetim não cansa. Merece ser
lido como seu antecessor (1808) e seu ainda inédito sucessor
(1889), que irá completar uma trilogia do autor sobre este
período da História do Brasil.
1822: como um homem
sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudram
D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado,
ISBN 978-85-20-2409-9, Laurentino Gomes, Rio de Janeiro, Nova
Fronteira, 2010.
Review: O que o Brasil quer ser quando crescer?
Gustavo Ioschpe
é uma grata surpresa em VEJA, onde escrever artigos mensais,
geralmente na terceira semana do mês, sobre educação, pois faz uma
análise não só algo corajosa e evidente, como põe o dedo na
ferida e demonstra as soluções, tornando-se certamente persona
non grata a dirigentes sindicais, diretores incapazes,
professores omissos à sua verdadeira função e políticos
mensaleiros.
Graduado em ciência
política e administração estratégica pela Universidade da
Pensilvânia (EUA) e é mestre em economia internacional e
desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), o economista
analisa as escolas a partir de índices e demonstra com uma
transparência perturbadora por que somos uma massa de semi-letrados
(ou semi-analfabetos, se preferir) e que não nos importamos com
isso, pelo contrário: estamos mistificados com o discurso dos
sindicatos de baixos salários, salas cheias, baixo índice de
investimento e falta de tecnologia – os três primeiros são
mentiras escabrosas e o último não faz diferença para o
aprendizado, como não fez para nós com mais de 30, para nossos
pais, nossos avós, etecetera.
Talvez o maior erro de
nossa geração seja acreditar que a escola está melhor que antes
baseado unicamente em índices de matrícula e aprovação. Quando
fiz a 1ª série no ensino público em 1.982 eu terminei o ano
sabendo ler e escrever. Em matemática a divisão era simples soma e
subtração no primeiro ano, multiplicação e divisão no segundo e
problemas a partir do terceiro. Como posso avaliar uma escola que
deixa para a sexta série a exigência de saber ler, como melhor que
a escola que frequentei?
O livro é uma
coletânea de seus artigos na revista, alguns com versão mais
extensa, e também uma análise da realidade educacional do Brasil,
além de um extenso artigo da realidade em Xangai, China, que
enfrentou com sucesso problemas semelhantes ao Brasil. Muitas das
soluções para nós estão na China, basta saber olhar.
Faça um favor para o
Brasil: dê o livro de presente para seu coordenador, seu professor,
o diretor da escola em que seus filhos estudam, sua família. Ajude a
mudar a realidade do Brasil.
O que o Brasil quer
ser quando crescer?, Gustavo Ioschpe, ISBN
978-85-65530-18-7, São Paulo: Paralela, 2012.
Termino com uma
citação: “Não
se produz um vale do sicílio [em um país] com [72% de]
analfabetos funcionais”, Gustavo Ioschpe.
No iPad: Ideias sob vigilância
A VEJA de
19/12/2012 trouxe um extenso artigo de capa sobre o livro nas mídias
eletrônicas, em especial devido à chegada recente da Amazon
no Brasil. Eu li a edição em 15/12/2012 no meu iPad o tablet
da Apple. A VEJA é disponibilizada por volta das oito da
manhã do sábado pela os tablets.
O tablet conjuga
as funções de computador e e-reader (leitor eletrônico). É
um trambolho leve e inútil se não tiver sinal de celular de
qualidade, preferencialmente tecnologia 3G, ou sinal de rede wireless
de dados. Preferencialmente ambas.
O iPad, o tablet
da Apple, é uma armadilha ao consumo em contraponto aos tablets
com o sistema operacional Android feito pelo Google com
tecnologia LINUX. Tudo que importa no iPad é pago. Já no
Android há uma porção bem maior de ofertas sem custo.
Evidentemente isso
apenas evidencia o posicionamento de produtos da Apple com seus
computadores e programas de ponta em tecnologia e preço e as
tecnologias derivadas do software livre/código aberto (SL/CA) que
tencionam deixar programas acessíveis a quem tem pouco recurso.
Seguindo este
raciocínio – do acessível a quem tem pouco recurso – noto
infelizmente que as editoras cobram preços de seus livros e revistas
em formatos Apple ou Android valores semelhantes às cópias
impressas. Desta maneira a tecnologia não serve para difundir o
pensamento. Ninguém está ofertando um dos 10+
vendidos por R$ 2,00 ou R$ 5,00 graças ao fato de não haver
custos de impressão e distribuição física (o transporte).
Diante da nova
tecnologia as editoras apenas irão lucrar mais.
E já começam a
pipocar erroneamente em diversos lugares as pesquisas que apontam que
as pessoas não se envolvem quando leem no formato digital. Concordo,
porém creio que é um problema dos nascidos na Era do Papel.
Sou preconceituoso.
Admito.
Penso nos tablets
e nos e-readers como mecanismos para ler jornais, revistas
noticiosas e pequenos artigos, trabalhos transportáveis, etecetera.
Mas a verdadeira leitura, aquela que merece análise, reflexão,
introspecção somente em papel, que grifo, que escrevo à borda.
Os escritos refletem
como as ideias que leio me atingiram.
É verdade que posso
fazer isso no e-reader, mas diante de saber que a editora ou a
distribuidora eletrônica tem acesso à afirmação que anotei em meu
reader, volto à 1984 de George Orwell e me vejo
diante do pensamento vigiado. Agrupamentos de leitores que pensam
semelhantes, reunidos em funções de grifos virtuais em livros
virtuais, só me fazem pensar que é preferível ter os responsáveis
pelo pensamento-crime juntos em comunidades virtuais onde seriam
ainda mais fáceis de serem localizados.
Completando: o próprio
1984 foi erroneamente apagado dos readers dos clientes da Amazon há
algum tempo.
Houve um pedido público
de desculpas e o retorno da obra aos leitores. Mas é bom advertir
que a obra não é sua, como supostamente o é o livro que está em
sua estante. A obra está apenas alugada e eventualmente a empresa
pode rever o contrato contigo em um comunicado unilateral que visa
apenas resguardar os direitos dela.
Imagine que a versão
cheia de anotações do Código do Direito Tributário fosse apagada
e ao ser restaurada não tivesse mais as anotações.
Será que a leitura nos
readers deve ser indicada apenas para o fútil?
---
post scriptum:
Gostaria de lembrar apenas que quem define o quê é fútil para
mim sou eu. Por mais holística e cosmopolita que seja a sociedade
sou eu quem define isto.
The New Titans: O ardil de Jericó
Então finalmente nas
edições The New Titans v1 #82-84 a trama é concluída!
Os Titãs descobrem a
localização da base dos Gnus, em Azarath,
acessível através de um portal em um prédio – não sei por que,
me lembrei de Caça Fantasmas – cuja localização Jericó
conseguiu romper o controle mental e deixar pistas em telas que
estava pintando ao longo da trama.
A explicação para
tudo é a seguinte: a energia dos cidadãos de Azarath que ajudou a
derrotar Trigon se corrompeu e se escondeu no corpo de Joseph
Wilson. Meses depois em viu na sociedade Gnu, uma espécie de
organização criminosa de alta tecnologia com ladrões que se
utilizam de máscaras, uma oportunidade para construir um corpo
geneticamente engendrado que pudesse conter a energia sem se
decompor. Enquanto não conseguia este sucesso ele utilizaria o corpo
dos Titãs aprisionado, ao mesmo tempo em que faria experiências com
eles.
É bom lembrar que este
corpo sobrevive à história. Para não diluir o impacto da história,
que será em muito diluído, acredite, irei criar o post, O
ardil de Jericó – Aftermath, que irá tratar das consequências
diretas, aguarde.
Para não dizer que a
história do assassinato dos Titãs não terminou sem baixas, na
contabilidade geral tivemos a morte de... Águia Dourada e
Danny Chase. Mas espera aí, na verdade Chase, não tinha
morrido... ainda. Depois tivemos a morte de Arella, que não era
titã, e sua filha, Ravena, que morreu mas voltou... de novo.
Além destas baixas,
Aqualad, envenenado na história em que Águia Dourada morreu ficou
profundamente ferido.
Acredito que a trama
foi concluída a contento e com um momento especialmente eletrizante,
quando o Exterminador decide sacrificar seu filho para salvar
a equipe e por extensão o planeta. Durante este arco final as tramas
secundárias são abandonadas e põem-se um ponto quase que final na
Busca pelos Titãs.
Uma análise mais
madura da história questionaria por quê o Gnu/Jericó
decidiu atacar os Titãs naquele momento. Se fosse apenas uma questão
de as energias estarem corrompendo o personagem, ele poderia ter
silenciosamente atacado Estelar e/ou Donna Troy. Com
isso poderia ter tido tempo para construir seu corpo biologicamente
engendrado para conter aquelas energias.
E a DC fica menor
Karen Berger só
pode ser comparada à Janette Khan. Certamente Khan foi mais
importante para a DC e para os leitores que consumiram os produtos da
editora, especialmente pela corajosa maneira de reiniciar a
cronologia em 1.986/87 logo após Crise nas Infinitas Terras.
Mas Karen Berger é
minha editora preferida de todos os tempos, afinal editou Legião
dos Super-Heroes e Sandman, além de propiciar o ambiente
necessário para a “Invasão Britânica” e dar sangue novo
para os quadrinhos de terror, agora como “suspense sofisticado”.
Berger além de
responsável pelos primeiros trabalhos de Alan Moore, Neil
Gaiman e Grant Morrison para a DC Comics conseguiu, no
início dos anos 1.990, reunir as séries que se passavam à margem
do universo DC e criar o selo Vertigo.
Diferente de outros
editores, Berger nunca explorou suas opiniões na mídia.
Acompanhando diariamente a internet e os meios de comunicação e
divulgação da indústria de quadrinhos, não me recordo de uma nota
ou opinião sua publicada com foco sensacionalista, algo tão comum
para garantir vendas neste ramo. Reservada, conseguiu não ser um
lugar comum nas hq's e concentrar-se na produção.
Recentemente foi
anunciado que Hellblazer, a série de John Constantine,
será cancelada após 300 números e substituída por Constantine
uma série para Os Novos 52, um novo reboot que a
editora implementou em 2.011. Certamente a série já havia dado seu
melhor há muito tempo e realmente deveria ter sido interrompida há
anos. Mas junto a isto somou-se a percepção de que alguns contratos
de personagens publicados no selo – vários sob a opção de
propriedade do autor – não davam a opção da Warner ser o
primeiro estúdio a ser consultado em eventuais adaptações
cinematográficas.
Houve uma revisão de
quadros e contratos e Berger ficou insatisfeita, anunciando sua saída
em 2.013 assim que terminar de preparar seu substituto.
É assim que todos
entendem a indústria de quadrinhos agora. Apenas um lugar para sugar
inspirações para o lugar onde realmente está o dinheiro: a
indústria de licenciamento e por extensão a indústria de cinema.
Filmes são (muito)
legais, mas não passam de adaptações.
E a DC fica menor por
perder uma editora capacitada e ainda menor por rever contratos de
direitos autorais.
Uma pena.
No iPad: Viagem Estelar de VanHeber
Está disponível no
iBooks, a livraria virtual do iPad, o livro em capítulos
“Viagem Estelar” de VanHeber (twitter.com/vanheber
| www.antimaterya.com), que
narra o retorno da tripulação da nave estelar Arka ao seu
mundo natal, para descobrir que ele foi destruído e seus habitantes
passaram por uma profunda mudança... ou isso seria o logro de uma
raça alienígena que gostaria de se apossar da nave e das
informações da tripulação?
Em outra trama uma
sonda visita a Terra e um planeta habitantes por árvores sencientes,
e a análise das informações da sonda pelas árvores deixa claro
que há uma ameaça que põe em risco o planeta natal da tripulação
da Arka, a Terra e o seu próprio planeta.
Com apenas 27 páginas,
em português e grátis, os dois capítulos disponibilizados são
escritos em um tom levemente infanto-juvenil e tencionam a aventura
exploratória de ficção científica, facilmente assimilável por
leitores das mais diferentes estirpes.
[Mas... grátis?]
Lançar obras grátis
pode ser uma maneira de conseguir público futuro em obras pagas. Ao
mesmo tempo, o quê se fornece gratuitamente é a obra virtual e não
os direitos autorais, nem direitos de autor. Um autor pode usar este
mecanismo para alcançar um determinado público e com os downloads
expressivos convencer uma editora física a publicar sua obra ou
vendê-la para adaptação para outros formatos (quadrinhos, séries
de TV, cinema).
Assim, se você não
vive de escrever, condição sob a qual só paga suas contas com a
renda de seus escritos, o mercado virtual gratuito ou de valores
próximos de US $ 0,00 é uma forma interessante de concentrar suas
forças criativas.
Além de Viagem
Estelar, com apenas dois capítulos e 27 páginas, há também do
mesmo autor a obra Mestre dos planetas, também gratuito e já
concluído com 410 páginas. O texto de ambas é interessante e vale
a pena a leitura, especialmente com este custo/benefício.
The New Titans: A nova Turma Titã, War of the Gods e Armageddon 2001
Naquele momento da
indústria a DC Comics e a Marvel Comics tinham dois
padrões de séries anuais de eventos que coincidiam com o verão
norte-americano: um era uma série mensal em várias partes que
ligava as séries mensais dos personagens da editora (por exemplo War
of the Gods ou Desafio Infinito) e outra era
um evento que transcorria na edição “annual” dos
personagens da editora (Armageddon 2001 ou A guerra do Alto
Evolucionário, são exemplo).
Então no meio dos
eventos de War of the Gods e de Armageddon 2001 estava a série The
New Titans em transição, com uma dezena de personagens novos ou em
transformação e obrigada a ter uma relação com ambas as séries –
os famosos tie-ins ou os cross-overs, que são coisas
diferentes na indústria.
Marv Wolfman
até que costurou bem os retalhos desta colcha. Se ao final dos
eventos das edições #75/76 os Titãs viram a explosão de um
míssil contendo um titã e a Torre foi destruída, desejosos de
encontrar os companheiros nossos heróis rumam para a URSS onde
encontram o Ciborgue sem memória e reconstruído a arte de
tecnologia – inferior – russa. Era mais uma tentativa de tornar a
série e os personagens bélicos, outro padrão da indústria dos
quadrinhos naquele momento. A partir de então Estrela Vermelha
– um antigo Titã de origem soviética – passa a integrar a
equipe para garantir a segurança da tecnologia russa.
Donna Troy e
seu marido Terry Long, retornam à Nova Iorque,
descobrem o ataque e a Torre em escombros – por sinal, um grande
inconveniente para a cidade de Nova Iorque, pois causou incêndio na
1ª Avenida, a prefeitura teve que enviar mão de obra para trabalhar
nos restos da Torre e uma vereadora pretende fazer do ataque aos
heróis sua plataforma para reeleição. Os Titãs se encontram e
conseguimos descobrir um pouco as motivações – não exatamente
claras – do traidor. Especialmente por causa da recuperação da
voz sabemos que há algo a mais na história.
Então em um novo
ataque dos Gnus, Asa Noturna é capturado e Donna
sequestrada – ela, de um jeito muito misterioso.
Assim, nas edições
#79-80 e Annual #07 descobrimos o Lorde Caos, um
déspota tirânico de um futuro alternativo que por acaso é filho de
Donna Troy e um deus, pois herdou os poderes da mãe e enlouqueceu
graças à sua natureza de semi-deus!
Mas naquele futuro um
personagem misterioso treina e mantém várias “Turmas Titãs”
- geralmente de seis a sete membros – e decide que o melhor é
enviar suas tropas para o passado para impedir que Caos nasça. Ou
seja, matar Donna Troy. Há várias pistas – desconexas – de quem
seria o misterioso chefe das Turmas Titãs, mas a DC Comics e Wolfman
preferiram criar um desnecessário mistério.
Surge com isso, toda
uma geração de “novos” Titãs e pelo menos uma versão futura
de um membro pré existente, uma versão de Asa Noturna de um mundo
onde os Titãs nunca foram encontrados. Ou seja um Dick Graysson
ainda mais paranóico.
Só para lembrar,
Armageddon 2001 foi uma série onde em 2.001 um herói traí todos os
outros e os mata. O traidor assume a identidade de Monarca e esconde
da população quem um dia foi. Vinte anos depois, Matthew Ryder,
um cientista, retorna a 1.991 – ganhando poderes no processo –
para descobrir quem é o traidor e impedir a traição. Com isso ele
investiga futuros possíveis dos principais heróis da editora. A
série é famosa por ter deixado escapar a identidade do Monarca
antes do fim e a editora ter decidido alterar, tornando o remendo bem
pior que o soneto – e olha que este soneto já era ruim.
Mas voltando ao
presente, Donna não havia sido sequestrada nem pela nova Turma Titã,
nem pelos Gnus ou mesmo por Lorde Caos e sim convocada pelos deuses.
A edição #81 (inédita no Brasil) é desenhada por Curt
Swan e serve para reapresentar o personagem Pária e a
titã Lilith que disse ter respostas para o paradeiro de
Donna. Ele não tinha uma resposta concreta e a edição é perdida
com uma apresentação da origem de Pária e uma vinculação entre
ele e Terry, esposa de Donna.
Ao final da edição
Donna retorna e avisa sobre a urgência do evento War of the Gods
onde Pária teria uma parceria de relativa importância, e por isso
tinha que ser reapresentado aos leitores.


































































