Livros: Men$alão de Marco Antonio Villa

Lembro bem que estava na faculdade quando ouvi a primeira menção ao mensalão e o momento, como a morte de Tancredo Neves ou de JFK para os que vivenciaram, ficou gravado em mim.

Entendi imediatamente que houve a compra de apoio e que o Partido dos Trabalhos (PT) seguia os rituais mais nefastos em nome de uma governabilidade.

Fiquei triste. Desiludido até e rompi ao reconhecer os ecos daquele discurso de governabilidade e associações espúrias até mesmo a nível municipal. Tudo em nome de se conquistar o poder. Mais ainda em nome de permanecer com ele.

Men$alão: o julgamento do maior caso de corrupção da história política brasileira, ISBN 978-85-8044-642-5, Leya (2012) de Marco Antonio Villa se propõe a expor o julgamento da Ação Penal 470 e no percurso reconstitui o crime cometido pelos dirigentes do PT. É um livro didático, delicioso e essencial para entender o Brasil e a importância que tem um longínquo Ministro do Supremo e como o presidente anterior à Dilma Rousseff se preocupou em empossar pessoas simpáticas à sua retórica de que não houve mensalão.

Não nos cabe mais opinar se houve ou não mensalão, isto já está claro para a mais alta corte do país. O que nos cabe é conhecer a história e impedir que existam outras versões do mesmo crime.

O livro tem dezenas de citações dignas, mas escolhi duas já do final:

Como [os dirigentes petistas] estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF. Para eles, especialmente para Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de "ministro companheiro". E assim sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.
A recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia.

E

A estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É uma associação entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o desejo de saquear o Estado. O PT acabou virando o instrumento de uma burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado. De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a concorrência, e encontrou no partido – depois de um século de desencontros, namorando os militares e setores políticos ultraconservadores – o melhor instrumento para a manutenção e expansão dos seus interesses.
(...)
Não faltam Constituição, códigos, leis, decretos, um emaranhado caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência e compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço – e rapidamente. Não importam os meios. São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disse. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e nada é proibido.
Marco Antonio Villa, Men$alão (2012)


#espalhe_a_palavra

O upgrade de Zé Dirceu


Elenco: A nova Turma Titã/Tropa Titã, I

A nova Turma Titã (Teen Titans), depois Tropa Titã (Team Titans) surgiu originalmente em um futuro alternativo onde em 2.030 Lorde Caos, filho de Donna Troy e seu marido, Terry Long, domina o planeta como um déspota enlouquecido assistido por alienígenas que fornecem uma droga para a humanidade chamada soma. Ou seja um pastiche de vários tramas.

Quando surgiu em The New Titans v1 # 79 & 80 (setembro & outubro de 1.991) e The New Titans Annual #07 (1991) a Turma Titã foi apresentada como parte de uma extensa rede de várias Turmas Titãs treinadas e orientadas por um misterioso líder, que em vários momentos deixa escapar ter sido um titã no passado.

A missão original era ir para o passado, matar Donna Troy e impedir o nascimento de Lorde Caos obliterando sua linha de tempo, missão ao qual tiveram sucesso de uma maneira levemente tortuosa.

Os personagens apresentados no primeiro momento eram:

Asa NoturnaDick Grayson, o primeiro Robin, continua sua batalha contra o crime e sua obsessão em encontrar os Titãs originais, ainda desaparecidos nesta linha de tempo. Líder de campo e desconhece a identidade do Líder. Apesar de estar presente no annual, o personagem não vem para o passado junto com o resto do grupo. Por sinal, aí está um detalhe. As Turmas Titã viajaram no tempo para diversos momentos na história, alguns com meses de distância, outros com anos e séculos!

Asa Vermelha – Carrie, metagenética alada. Irmã de Jon e uma especial de “parceiro mirim” de Asa Noturna, ao qual tem uma paixão platônica típica de adolescentes com seus professores.

Jon – Metagenético. Teve sua consciência que já acessava máquinas, convertida para o nível eletrônico, acessível através de braceletes da equipe. Serve como líder tático.

KillowatCharles Watkiss, ganhou poderes que permitem convertê-lo em um campo de energia.

Terra (II) – Criança fisicamente semelhante a Dana Markov, a Terra original, foi raptada de seus pais e impregnada com o DNA da traidora original da equipe para cometer um ato semelhante, mas foi descoberta e cooptada à tempo.

O misterioso Líder
NosferatuDagon, um garoto que foi transformado pelas forças de Caos e um vampiro. Representa a quebra de paradigma de então na indústria dos quadrinhos, que sempre tinha um personagem que matava nas equipes.

Miragem – Uma titã transforma. Longe do amor juvenil que Asa Vermelha tinha por Asa Noturna tinha uma paixão mais “carnal”.

Líder – O misterioso líder que reuniu, escondeu e treinou centenas de Turmas Titãs para enfrentar o Lorde Caos.

[Vilões]

Lorde Caos – Filho de Donna Troy & Terry, o Lorde Caos nasceu e ascendeu à sua condição de deus imediatamente tornando-o louco. Supostamente teria matado a própria mãe e em 2.030 domina o mundo com mão de ferro além de fornecer uma droga viciante para a população.

Os aliens – Aliens que trabalhavam para o semi-deus e facilitavam seus mecanismos de controle mental da população.

Caos não passa de uma tolice mal elaborada. Tem a tragédia da linha temporal alternativa (Dias do futuro do presente), a presença de aliens no processo de dominação (“V”) e a alienação da população graças ao consumo de drogas.

Somou isto tudo, misturou e não rendeu nada. Tornou-se, como muita coisa dos anos noventa, apenas uma nota de rodapé dos quadrinhos e teve o efeito retroativo de tirar parte do mérito dos acertos do arco Titans Hunt.













Ideb – 2011: Nanuque, MG

O Brasil vive um clima de guerra civil onde o estado não consegue fazer frente às drogas ou ao crime organizado, e por crime organizado entenda, qualquer crime feito de forma organizada.

Diante deste quadro a única forma de alterar as variáveis a nosso favor é com a educação, mas os professores não ensinam e põe a culpa no sistema. Os pais compram a assertiva, crêem que o problema é financeiro e acham que a escola é melhor hoje do que no passado.

Então surge o IDEB, cuja definição oficial é a seguinte:

No Brasil, toda escola pública de educação básica tem uma nota de 0 a 10. 

Ela é chamada de Ideb, sigla de Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. 

Esse indicador foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade do ensino nos municípios, nos estados e nas escolas do Brasil. A cada dois anos, o MEC divulga uma nova leva de notas. 

• Para uma escola ser considerada de bom nível, ela precisa ter uma nota igual ou superior a 6. Infelizmente, a maioria das escolas brasileiras ainda está longe dessa nota. 

• O resultado mais recente aponta a média de 4,2 para as séries iniciais do Ensino Fundamental e 3,8 para as últimas séries do Ensino Fundamental. 


• A meta é que em 2022 a média do Brasil seja igual ou superior a 6. 

• O Ideb revela se os alunos de escola pública estão aprendendo o que precisam na idade certa. 

• O Ideb indica a qualidade do ensino do seu estado, do seu município e da escola do seu filho. 

• O Ideb aponta quais escolas precisam de investimentos e cobra resultados. 

Então vamos às notas de Nanuque, MG, município cuja nota média é 5.3, portanto abaixo do desejável:

Escola
1ª-5ª série
6ª-9ª série
EE Álvaro Amorim
6

EE Álvaro Romano
5,1
4,3
“Polivalente”

3,6
EE Gov Bias Fortes
6,4

EE J. Stalim Romano

2,9
EE M. Emiliana Passos
5,1

EE Pastor Paulo Nobre
5,1
3,4
EE Péricles Coelho
4,7
3,8
Stella Mattuttina

3,8
União B. Operária
5,6

Vale do Mucuri
6

Américo Machado
3,4
3,5
Miguel Viana
4,5
4,2
Serafim M. Naya
4,1
3,1

Expostas as notas resta saber por que a imprensa local não publica isto e por que há uma ilusão presente que algumas escolas como “Polivante” (EE Antônio Batista da Mota), Stella Mattuttina e EE Joseph Stalim Romano são boas? Suas notas, 3,6; 3,8 e 2,9, respectivamente, são bem abaixo da média da cidade!

A nível nacional uma escola com nota 2,9 significa um aproveitamento de pouco mais de 25% do quê é ensinado.

E isso na administração de um prefeito que é advogado! Ou seja, tem curso superior, e sabe a importância do ensino de qualidade.

Livros: 1822 de Laurentino Gomes

1822 é um livro saboroso, escrito com eficiência e energia própria dos órgãos de imprensa modernos, especialmente se lembrarmos que Laurentino Gomes (autor também de 1808) é jornalista de formação e trabalhou em várias empresas conhecidas do ramo, em especial VEJA.

Isso não impede que o livro tenha um defeito grave: é feito para o entretenimento de massas e busca facilitar os tópicos para ser referência em escolas, por isso, à vezes torna-se uma obra que retrata o fuxico da Corte, como homossexualidades, romances e temperamentos destemperados. Tudo provado, dando um verniz histórico e documental a algo que não passa de fuxico. Os capítulos são cuidadosamente construídos de forma que nunca haja uma discussão por demais teórica e que sejam acessíveis a todas as classes da atual sociedade brasileira.

Isso não diminui a obra, que assim como seu antecessor é feita para ser lida de um fôlego só. A obra anterior já possuía esta característica narrativa para atrair aos jovens. Outra característica profundamente jornalística é que os capítulos são extensos perfis dos atores do rompimento do Brasil com Portugal, como Dom Pedro I, José Bonifácio e outros. O autor evita a todo custo romancear as passagens e quando se faz necessário diálogos, utiliza o depoimento de narradores que estiveram presentes.

Laurentino Gomes ainda analisa bem a herança deixada por Dom João VI, a escravidão, a economia, a maçonaria, a Constituição de 1.824 e especialmente a Guerra da Independência, pouco referida como tal na literatura brasileira.

O livro, que se aproxima de 1 milhão de cópias vendidas, narra como e os motivos para que o príncipe regente do Brasil, Dom Pedro I, deixado por aqui por seu pai Dom João VI, quando retornou a Portugal, rompeu com a Coroa Portuguesa e decretou a Independência do Brasil e o faz com excelência, tornando a história acessível a todos.

É uma leitura deliciosa, repito, e pelo formato de folhetim não cansa. Merece ser lido como seu antecessor (1808) e seu ainda inédito sucessor (1889), que irá completar uma trilogia do autor sobre este período da História do Brasil.

1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado, ISBN 978-85-20-2409-9, Laurentino Gomes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2010.

Review: O que o Brasil quer ser quando crescer?

Gustavo Ioschpe é uma grata surpresa em VEJA, onde escrever artigos mensais, geralmente na terceira semana do mês, sobre educação, pois faz uma análise não só algo corajosa e evidente, como põe o dedo na ferida e demonstra as soluções, tornando-se certamente persona non grata a dirigentes sindicais, diretores incapazes, professores omissos à sua verdadeira função e políticos mensaleiros.

Graduado em ciência política e administração estratégica pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e é mestre em economia internacional e desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), o economista analisa as escolas a partir de índices e demonstra com uma transparência perturbadora por que somos uma massa de semi-letrados (ou semi-analfabetos, se preferir) e que não nos importamos com isso, pelo contrário: estamos mistificados com o discurso dos sindicatos de baixos salários, salas cheias, baixo índice de investimento e falta de tecnologia – os três primeiros são mentiras escabrosas e o último não faz diferença para o aprendizado, como não fez para nós com mais de 30, para nossos pais, nossos avós, etecetera.

Talvez o maior erro de nossa geração seja acreditar que a escola está melhor que antes baseado unicamente em índices de matrícula e aprovação. Quando fiz a 1ª série no ensino público em 1.982 eu terminei o ano sabendo ler e escrever. Em matemática a divisão era simples soma e subtração no primeiro ano, multiplicação e divisão no segundo e problemas a partir do terceiro. Como posso avaliar uma escola que deixa para a sexta série a exigência de saber ler, como melhor que a escola que frequentei?

O livro é uma coletânea de seus artigos na revista, alguns com versão mais extensa, e também uma análise da realidade educacional do Brasil, além de um extenso artigo da realidade em Xangai, China, que enfrentou com sucesso problemas semelhantes ao Brasil. Muitas das soluções para nós estão na China, basta saber olhar.

Faça um favor para o Brasil: dê o livro de presente para seu coordenador, seu professor, o diretor da escola em que seus filhos estudam, sua família. Ajude a mudar a realidade do Brasil.

O que o Brasil quer ser quando crescer?, Gustavo Ioschpe, ISBN 978-85-65530-18-7, São Paulo: Paralela, 2012.

Termino com uma citação: “Não se produz um vale do sicílio [em um país] com [72% de] analfabetos funcionais”, Gustavo Ioschpe.

No iPad: Ideias sob vigilância

A VEJA de 19/12/2012 trouxe um extenso artigo de capa sobre o livro nas mídias eletrônicas, em especial devido à chegada recente da Amazon no Brasil. Eu li a edição em 15/12/2012 no meu iPad o tablet da Apple. A VEJA é disponibilizada por volta das oito da manhã do sábado pela os tablets.

O tablet conjuga as funções de computador e e-reader (leitor eletrônico). É um trambolho leve e inútil se não tiver sinal de celular de qualidade, preferencialmente tecnologia 3G, ou sinal de rede wireless de dados. Preferencialmente ambas.

O iPad, o tablet da Apple, é uma armadilha ao consumo em contraponto aos tablets com o sistema operacional Android feito pelo Google com tecnologia LINUX. Tudo que importa no iPad é pago. Já no Android há uma porção bem maior de ofertas sem custo.

Evidentemente isso apenas evidencia o posicionamento de produtos da Apple com seus computadores e programas de ponta em tecnologia e preço e as tecnologias derivadas do software livre/código aberto (SL/CA) que tencionam deixar programas acessíveis a quem tem pouco recurso.

Seguindo este raciocínio – do acessível a quem tem pouco recurso – noto infelizmente que as editoras cobram preços de seus livros e revistas em formatos Apple ou Android valores semelhantes às cópias impressas. Desta maneira a tecnologia não serve para difundir o pensamento. Ninguém está ofertando um dos 10+ vendidos por R$ 2,00 ou R$ 5,00 graças ao fato de não haver custos de impressão e distribuição física (o transporte).

Diante da nova tecnologia as editoras apenas irão lucrar mais.

E já começam a pipocar erroneamente em diversos lugares as pesquisas que apontam que as pessoas não se envolvem quando leem no formato digital. Concordo, porém creio que é um problema dos nascidos na Era do Papel.

Sou preconceituoso. Admito.

Penso nos tablets e nos e-readers como mecanismos para ler jornais, revistas noticiosas e pequenos artigos, trabalhos transportáveis, etecetera. Mas a verdadeira leitura, aquela que merece análise, reflexão, introspecção somente em papel, que grifo, que escrevo à borda.

Os escritos refletem como as ideias que leio me atingiram.

É verdade que posso fazer isso no e-reader, mas diante de saber que a editora ou a distribuidora eletrônica tem acesso à afirmação que anotei em meu reader, volto à 1984 de George Orwell e me vejo diante do pensamento vigiado. Agrupamentos de leitores que pensam semelhantes, reunidos em funções de grifos virtuais em livros virtuais, só me fazem pensar que é preferível ter os responsáveis pelo pensamento-crime juntos em comunidades virtuais onde seriam ainda mais fáceis de serem localizados.

Completando: o próprio 1984 foi erroneamente apagado dos readers dos clientes da Amazon há algum tempo.

Houve um pedido público de desculpas e o retorno da obra aos leitores. Mas é bom advertir que a obra não é sua, como supostamente o é o livro que está em sua estante. A obra está apenas alugada e eventualmente a empresa pode rever o contrato contigo em um comunicado unilateral que visa apenas resguardar os direitos dela.

Imagine que a versão cheia de anotações do Código do Direito Tributário fosse apagada e ao ser restaurada não tivesse mais as anotações.

Será que a leitura nos readers deve ser indicada apenas para o fútil?

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post scriptum: Gostaria de lembrar apenas que quem define o quê é fútil para mim sou eu. Por mais holística e cosmopolita que seja a sociedade sou eu quem define isto.

The New Titans: O ardil de Jericó

Então finalmente nas edições The New Titans v1 #82-84 a trama é concluída!

Os Titãs descobrem a localização da base dos Gnus, em Azarath, acessível através de um portal em um prédio – não sei por que, me lembrei de Caça Fantasmas – cuja localização Jericó conseguiu romper o controle mental e deixar pistas em telas que estava pintando ao longo da trama.

A explicação para tudo é a seguinte: a energia dos cidadãos de Azarath que ajudou a derrotar Trigon se corrompeu e se escondeu no corpo de Joseph Wilson. Meses depois em viu na sociedade Gnu, uma espécie de organização criminosa de alta tecnologia com ladrões que se utilizam de máscaras, uma oportunidade para construir um corpo geneticamente engendrado que pudesse conter a energia sem se decompor. Enquanto não conseguia este sucesso ele utilizaria o corpo dos Titãs aprisionado, ao mesmo tempo em que faria experiências com eles.

É bom lembrar que este corpo sobrevive à história. Para não diluir o impacto da história, que será em muito diluído, acredite, irei criar o post, O ardil de Jericó – Aftermath, que irá tratar das consequências diretas, aguarde.

Para não dizer que a história do assassinato dos Titãs não terminou sem baixas, na contabilidade geral tivemos a morte de... Águia Dourada e Danny Chase. Mas espera aí, na verdade Chase, não tinha morrido... ainda. Depois tivemos a morte de Arella, que não era titã, e sua filha, Ravena, que morreu mas voltou... de novo.

Além destas baixas, Aqualad, envenenado na história em que Águia Dourada morreu ficou profundamente ferido.

Acredito que a trama foi concluída a contento e com um momento especialmente eletrizante, quando o Exterminador decide sacrificar seu filho para salvar a equipe e por extensão o planeta. Durante este arco final as tramas secundárias são abandonadas e põem-se um ponto quase que final na Busca pelos Titãs.

Uma análise mais madura da história questionaria por quê o Gnu/Jericó decidiu atacar os Titãs naquele momento. Se fosse apenas uma questão de as energias estarem corrompendo o personagem, ele poderia ter silenciosamente atacado Estelar e/ou Donna Troy. Com isso poderia ter tido tempo para construir seu corpo biologicamente engendrado para conter aquelas energias.

Mesmo com estas críticas acho a história agradável, interessante... já as consequências... hum aí a porca torce o rabo.

 











E a DC fica menor

Karen Berger só pode ser comparada à Janette Khan. Certamente Khan foi mais importante para a DC e para os leitores que consumiram os produtos da editora, especialmente pela corajosa maneira de reiniciar a cronologia em 1.986/87 logo após Crise nas Infinitas Terras.

Mas Karen Berger é minha editora preferida de todos os tempos, afinal editou Legião dos Super-Heroes e Sandman, além de propiciar o ambiente necessário para a “Invasão Britânica” e dar sangue novo para os quadrinhos de terror, agora como “suspense sofisticado”.

Berger além de responsável pelos primeiros trabalhos de Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison para a DC Comics conseguiu, no início dos anos 1.990, reunir as séries que se passavam à margem do universo DC e criar o selo Vertigo.

Diferente de outros editores, Berger nunca explorou suas opiniões na mídia. Acompanhando diariamente a internet e os meios de comunicação e divulgação da indústria de quadrinhos, não me recordo de uma nota ou opinião sua publicada com foco sensacionalista, algo tão comum para garantir vendas neste ramo. Reservada, conseguiu não ser um lugar comum nas hq's e concentrar-se na produção.

Recentemente foi anunciado que Hellblazer, a série de John Constantine, será cancelada após 300 números e substituída por Constantine uma série para Os Novos 52, um novo reboot que a editora implementou em 2.011. Certamente a série já havia dado seu melhor há muito tempo e realmente deveria ter sido interrompida há anos. Mas junto a isto somou-se a percepção de que alguns contratos de personagens publicados no selo – vários sob a opção de propriedade do autor – não davam a opção da Warner ser o primeiro estúdio a ser consultado em eventuais adaptações cinematográficas.

Houve uma revisão de quadros e contratos e Berger ficou insatisfeita, anunciando sua saída em 2.013 assim que terminar de preparar seu substituto.

É assim que todos entendem a indústria de quadrinhos agora. Apenas um lugar para sugar inspirações para o lugar onde realmente está o dinheiro: a indústria de licenciamento e por extensão a indústria de cinema.

Filmes são (muito) legais, mas não passam de adaptações.

E a DC fica menor por perder uma editora capacitada e ainda menor por rever contratos de direitos autorais.

Uma pena.

No iPad: Viagem Estelar de VanHeber

Está disponível no iBooks, a livraria virtual do iPad, o livro em capítulos “Viagem Estelar” de VanHeber (twitter.com/vanheber | www.antimaterya.com), que narra o retorno da tripulação da nave estelar Arka ao seu mundo natal, para descobrir que ele foi destruído e seus habitantes passaram por uma profunda mudança... ou isso seria o logro de uma raça alienígena que gostaria de se apossar da nave e das informações da tripulação?

Em outra trama uma sonda visita a Terra e um planeta habitantes por árvores sencientes, e a análise das informações da sonda pelas árvores deixa claro que há uma ameaça que põe em risco o planeta natal da tripulação da Arka, a Terra e o seu próprio planeta.

Com apenas 27 páginas, em português e grátis, os dois capítulos disponibilizados são escritos em um tom levemente infanto-juvenil e tencionam a aventura exploratória de ficção científica, facilmente assimilável por leitores das mais diferentes estirpes.

[Mas... grátis?]
Lançar obras grátis pode ser uma maneira de conseguir público futuro em obras pagas. Ao mesmo tempo, o quê se fornece gratuitamente é a obra virtual e não os direitos autorais, nem direitos de autor. Um autor pode usar este mecanismo para alcançar um determinado público e com os downloads expressivos convencer uma editora física a publicar sua obra ou vendê-la para adaptação para outros formatos (quadrinhos, séries de TV, cinema).

Assim, se você não vive de escrever, condição sob a qual só paga suas contas com a renda de seus escritos, o mercado virtual gratuito ou de valores próximos de US $ 0,00 é uma forma interessante de concentrar suas forças criativas.

Além de Viagem Estelar, com apenas dois capítulos e 27 páginas, há também do mesmo autor a obra Mestre dos planetas, também gratuito e já concluído com 410 páginas. O texto de ambas é interessante e vale a pena a leitura, especialmente com este custo/benefício.

The New Titans: A nova Turma Titã, War of the Gods e Armageddon 2001

Naquele momento da indústria a DC Comics e a Marvel Comics tinham dois padrões de séries anuais de eventos que coincidiam com o verão norte-americano: um era uma série mensal em várias partes que ligava as séries mensais dos personagens da editora (por exemplo War of the Gods ou Desafio Infinito) e outra era um evento que transcorria na edição “annual” dos personagens da editora (Armageddon 2001 ou A guerra do Alto Evolucionário, são exemplo).

Então no meio dos eventos de War of the Gods e de Armageddon 2001 estava a série The New Titans em transição, com uma dezena de personagens novos ou em transformação e obrigada a ter uma relação com ambas as séries – os famosos tie-ins ou os cross-overs, que são coisas diferentes na indústria.

Marv Wolfman até que costurou bem os retalhos desta colcha. Se ao final dos eventos das edições #75/76 os Titãs viram a explosão de um míssil contendo um titã e a Torre foi destruída, desejosos de encontrar os companheiros nossos heróis rumam para a URSS onde encontram o Ciborgue sem memória e reconstruído a arte de tecnologia – inferior – russa. Era mais uma tentativa de tornar a série e os personagens bélicos, outro padrão da indústria dos quadrinhos naquele momento. A partir de então Estrela Vermelha – um antigo Titã de origem soviética – passa a integrar a equipe para garantir a segurança da tecnologia russa.

Donna Troy e seu marido Terry Long, retornam à Nova Iorque, descobrem o ataque e a Torre em escombros – por sinal, um grande inconveniente para a cidade de Nova Iorque, pois causou incêndio na 1ª Avenida, a prefeitura teve que enviar mão de obra para trabalhar nos restos da Torre e uma vereadora pretende fazer do ataque aos heróis sua plataforma para reeleição. Os Titãs se encontram e conseguimos descobrir um pouco as motivações – não exatamente claras – do traidor. Especialmente por causa da recuperação da voz sabemos que há algo a mais na história.

Então em um novo ataque dos Gnus, Asa Noturna é capturado e Donna sequestrada – ela, de um jeito muito misterioso.

Assim, nas edições #79-80 e Annual #07 descobrimos o Lorde Caos, um déspota tirânico de um futuro alternativo que por acaso é filho de Donna Troy e um deus, pois herdou os poderes da mãe e enlouqueceu graças à sua natureza de semi-deus!

Mas naquele futuro um personagem misterioso treina e mantém várias “Turmas Titãs” - geralmente de seis a sete membros – e decide que o melhor é enviar suas tropas para o passado para impedir que Caos nasça. Ou seja, matar Donna Troy. Há várias pistas – desconexas – de quem seria o misterioso chefe das Turmas Titãs, mas a DC Comics e Wolfman preferiram criar um desnecessário mistério.

Surge com isso, toda uma geração de “novos” Titãs e pelo menos uma versão futura de um membro pré existente, uma versão de Asa Noturna de um mundo onde os Titãs nunca foram encontrados. Ou seja um Dick Graysson ainda mais paranóico.

Só para lembrar, Armageddon 2001 foi uma série onde em 2.001 um herói traí todos os outros e os mata. O traidor assume a identidade de Monarca e esconde da população quem um dia foi. Vinte anos depois, Matthew Ryder, um cientista, retorna a 1.991 – ganhando poderes no processo – para descobrir quem é o traidor e impedir a traição. Com isso ele investiga futuros possíveis dos principais heróis da editora. A série é famosa por ter deixado escapar a identidade do Monarca antes do fim e a editora ter decidido alterar, tornando o remendo bem pior que o soneto – e olha que este soneto já era ruim.

Mas voltando ao presente, Donna não havia sido sequestrada nem pela nova Turma Titã, nem pelos Gnus ou mesmo por Lorde Caos e sim convocada pelos deuses. A edição #81 (inédita no Brasil) é desenhada por Curt Swan e serve para reapresentar o personagem Pária e a titã Lilith que disse ter respostas para o paradeiro de Donna. Ele não tinha uma resposta concreta e a edição é perdida com uma apresentação da origem de Pária e uma vinculação entre ele e Terry, esposa de Donna.

Ao final da edição Donna retorna e avisa sobre a urgência do evento War of the Gods onde Pária teria uma parceria de relativa importância, e por isso tinha que ser reapresentado aos leitores.

Tudo em The New Titans v1 # 77-81 e The New Titans Annual #07, por Marv Wolfman, Tom Grummett e Al Vey, com auxílio de Curt Swam, Kerry Gammill, Paris Cullins, Tom Grindberg, Will Blyberg e Ian Akin.